Don Divo Barsotti

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DIOCESE DE LEIRIA-FÁTIMA
Extractos da Carta Pastoral de D. António Marto para o ano pastoral 2008-2009
Caríssimos Diocesanos,
Irmãs e Irmãos no Senhor,


“Graça e Paz
da parte de Deus Pai
e de Cristo Jesus, nosso Salvador!”(Tito 1,4)
Desejo saudar-vos, afectuosamente, com estas palavras do Apóstolo Paulo a Tito, seu “verdadeiro filho na fé comum”.
Peço ao Senhor que me conceda poder partilhar como bispo, sucessor dos Apóstolos, a missão e a paixão de Paulo “servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo, para chamar à fé os eleitos de Deus e ao conhecimento da verdade, que conduz à piedade, na esperança da vida eterna” (Tito 1,1-2).
Sim, ó Senhor Jesus, guarda sempre viva e forte em mim a consciência da missão que me confiaste: “chamar à fé os eleitos de Deus”, ou seja, todos os homens por Ele amados; chamá-los “ao conhecimento da verdade” que resplandece nas palavras da Revelação divina e que encontra a plenitude de luz em Ti, Palavra incarnada.
Esta palavra “conduz à piedade”, a uma vida filial, boa e bela; que está fundada “na esperança da vida eterna”, e, assim, abre os nossos olhos e o nosso coração à alegria e à plenitude da vida em Deus.

É com esta consciência da missão e com esta invocação ao Senhor que vos escrevo a presente carta pastoral, para vos apresentar o percurso da nossa Igreja diocesana para o ano pastoral 2008/09. Esta carta é fruto não só da minha reflexão, mas também do contributo dos vários órgãos pastorais diocesanos cuja dedicada colaboração agradeço.
Como sabeis, estamos a seguir o percurso já traçado pelo Sínodo Diocesano nas suas linhas gerais. A primeira etapa foi dedicada a descobrir a beleza e a alegria da vocação cristã e do acolhimento, como resposta e expressão da infinita ternura de Deus.

Caminho em sintonia com a Igreja universal
Este ano pastoral será dedicado à formação cristã em ordem à revitalização e crescimento da fé, da sua vivência espiritual e do seu testemunho.
Vem na sequência lógica do tema da vocação cristã, assume-o e prepara para o percurso futuro. Com efeito, “a formação dos fiéis leigos tem como objectivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da própria missão”. (João Paulo II, Vocação e missão dos fiéis leigos, nº 58).
A formação na fé é hoje mais necessária que nunca. Trata-se de “ir ao coração da fé” para descobrir a sua riqueza, a sua beleza, o seu encanto, a sua alegria e a sua força irradiante. Uso aqui o termo “coração” num tríplice significado: enquanto núcleo central da fé, que é Jesus Cristo; como centro propulsor que leva o “sangue”, a vitalidade, o dinamismo, a todos os membros do corpo que é a Igreja; e como o lugar–símbolo do afecto com que se acolhe no íntimo de cada um, cheio de confiança, o anúncio de Cristo Salvador: “Se confessares com a tua boca que «Jesus é o Senhor» e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rom 10,9).
Providencialmente, este ano pastoral coincide com dois grandes acontecimentos da Igreja universal, que de modo algum podemos ignorar e que vamos integrar no nosso percurso pastoral. Aliás, vêm enriquecê-lo muito.
O primeiro é o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Um sínodo dedicado a redescobrir a infinita bondade e ternura de Deus que, na sua Palavra, se revela ao homem como amigo, conversa com ele, convida-o à comunhão consigo e a colaborar com Ele na transformação da história, segundo o seu desígnio de salvação. Chama-nos, assim, a atenção para a primazia da Palavra de Deus na formação dos cristãos.
O segundo acontecimento é o Ano Paulino para comemorar os dois mil anos do nascimento do grande Apóstolo Paulo. “Ele brilha como uma estrela de primeira grandeza na história da fé e do cristianismo”. (Bento XVI). Neste sentido, o Santo Padre proclamou um “Ano Paulino”, que – à semelhança do Ano Jubilar da redenção – possa ajudar a Igreja a redescobrir a rica e bela mensagem de Paulo, para se enamorar cada vez mais de Cristo e reavivar a fé.