sábado, 20 de setembro de 2008

A manifestação da beleza se manifesta na celebração do mistério da santa Missa. O impacto da beleza nos revela a ternura de Deus em cores, luzes e sons, a partir do que os nossos olhos contemplam na natureza .Na Eucaristia , a natureza aparece transformada, o trigo em pão, a uva em vinho, a árvore em mesa, o algodão em toalha, a cera das abelhas em vela . Não se pode apreciar devidamente a Eucaristia se a sua celebração não estiver impregnada do encanto da beleza . A alegria da beleza tem a propriedade de produzir a bondade , a função da liturgia é abrir espaço para a Beleza, para a bondade que salva . É função do rito fazer a passagem de uma situação caótica ou de dispersão para uma nova realidade que integra o que está disperso e dá significado à existência . O rito alarga a compreensão da realidade que nos envolve e nos propõe o mistério na sua totalidade. O rito, como a beleza, necessita de tempo, espaço, proximidade e atenção para transformar o que é meramente exterioridade em interioridade. E, para isso recorre à memória e à repetição de certos gestos, palavras e símbolos, actuando nas três dimensões da temporalidade: o presente, o passado e o futuro . A ritualidade litúrgica revela uma Igreja, reunida em nome do Senhor, que busca o divino, a graça, a salvação, o invisível na fragilidade do humano. Busca nas coisas que passam, as que não passam . O que nos é dado a ver, nos é dado a viver. Na liturgia, beleza e ritualidade se encontram
VIAGEM APOSTÓLICA À FRANÇA
POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO
DAS APARIÇÕES DE LOURDES

PROCISSÃO DAS VELAS

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Sábado, 13 de Setembro de 2008
Há cento e cinquenta anos, no dia 11 de Fevereiro de 1858, neste lugar chamado A gruta de Massabielle, fora da povoação, uma simples adolescente de Lourdes, Bernadete Soubirous, viu uma luz e, nesta luz, uma jovem mulher «linda, mais linda que tudo». Esta Senhora dirigiu-se-lhe com bondade e doçura, com respeito e confiança: «Ela tratava-me por vós (narra Bernadete) ... Quereis fazer-me o favor de vir aqui durante os próximos quinze dias? (pergunta-lhe a Senhora) ... Ela fixava-me como uma pessoa que fala a outra pessoa». É nesta conversa, neste diálogo repleto de delicadeza, que a Senhora a encarrega de transmitir certas mensagens muito simples sobre a oração, a penitência e a conversão. Não causa maravilha que Maria seja bela, visto que, na aparição de 25 de Março de 1858, Ela revela o seu nome assim: «Eu sou a Imaculada Conceição».

Por nossa vez, contemplamos aquela «Mulher revestida de sol» (Ap 12, 1) que a Escritura nos descreve. A Santíssima Virgem Maria, a Mulher gloriosa do Apocalipse, traz na sua cabeça uma coroa de doze estrelas, que representam as doze tribos de Israel, todo o povo de Deus, toda a comunhão dos Santos, e conjuntamente tem aos seus pés a lua, imagem da morte e da mortalidade. Maria deixou a morte atrás de Si; está inteiramente revestida de vida, a vida do Filho, de Cristo ressuscitado. Assim, Ela é o sinal da vitória do amor, do bem e de Deus, que dá ao nosso mundo a esperança de que tem necessidade. Nesta tarde, voltemos o nosso olhar para Maria, tão gloriosa e tão humana, e deixemos que seja Ela a conduzir-nos para Deus, que é o vencedor.

Vindo em peregrinação aqui, a Lourdes, queremos entrar – na esteira de Bernadete – naquela extraordinária proximidade entre o céu e a terra que nunca falhou e não cessa de se consolidar. Durante as aparições – há que o sublinhar – Bernadete reza o terço sob o olhar de Maria, que Se une a ela no momento da doxologia. Este facto confirma o carácter profundamente teocêntrico da oração do Rosário. Quando rezamos o terço, Maria oferece-nos o seu coração e o seu olhar para contemplarmos a vida do seu Filho, Jesus Cristo. O meu venerado Predecessor João Paulo II veio duas vezes aqui a Lourdes. Sabemos como, na sua vida e no seu ministério, a sua oração se apoiava na intercessão da Virgem Maria. Como muitos dos seus Predecessores na Cátedra de Pedro, também ele encorajou vivamente a oração do terço; fê-lo, além disso, de uma maneira muito singular, enriquecendo o Rosário com a meditação dos Mistérios Luminosos. Como para todos os acontecimentos da vida de Cristo que Ela «conservava e meditava no seu coração» (Lc 2, 19), Maria faz-nos compreender todas as etapas do ministério público como parte integrante da revelação da Glória de Deus. Possa Lourdes, terra de luz, permanecer uma escola para aprender a rezar o Rosário, que introduz os discípulos de Jesus, sob o olhar de sua Mãe, num diálogo autêntico e cordial com o seu Mestre!

Pela boca de Bernadete, ouvimos a Virgem Maria pedir-nos para «vir aqui em procissão» rezar com simplicidade e fervor. A procissão de velas traduz aos nossos olhos de carne o mistério da oração: na comunhão da Igreja, que une eleitos do céu e peregrinos da terra, a luz brota do diálogo entre o homem e o seu Senhor, e um caminho luminoso abre-se na história dos homens, incluindo mesmo os momentos mais escuros. Esta procissão é um momento de grande alegria eclesial, mas também um tempo de austera reflexão: as intenções que trazemos connosco sublinham a nossa profunda comunhão com todos os seres que sofrem.

Maria ensina-nos a rezar, a fazer da nossa oração um acto de amor a Deus e de caridade fraterna. Rezando com Maria, o nosso coração acolhe aqueles que sofrem. Consequentemente como poderia a nossa vida não ficar transformada? Porque é que o nosso ser e a nossa vida inteira não deveriam tornar-se lugares de hospitalidade para o nosso próximo? Lourdes é um lugar de luz, porque é um lugar de comunhão, de esperança e de conversão.

Agora que cai a noite, Jesus diz-nos: «Permanecei com as vossas lâmpadas acesas» (Lc 12, 35); a lâmpada da fé, a lâmpada da oração, a lâmpada da esperança e do amor. Este caminhar na noite, levando a luz, fala forte ao nosso íntimo, toca o nosso coração e diz muito mais do que qualquer palavra pronunciada ou ouvida. Este gesto resume por si só a nossa condição de cristãos a caminho: temos necessidade de luz e, ao mesmo tempo, somos chamados a tornar-nos luz. O pecado torna-nos cegos, impede de nos propormos como guia para os nossos irmãos e impele-nos a desconfiar deles e a não se deixar guiar. Temos necessidade de ser iluminados e repetimos a súplica do cego Bartimeu: «Mestre, faz que eu veja!» (Mc 10, 51). Faz que eu veja o meu pecado que me bloqueia, mas sobretudo, Senhor, faz que eu veja a tua glória! Como sabemos, a nossa oração já foi atendida e damos graças porque, como diz São Paulo na Carta aos Efésios: «Cristo te iluminará» (Ef 5, 14), e São Pedro acrescenta: «Ele chamou-vos das trevas para a sua luz admirável» (1 Pd 2, 9).

A nós, que não somos a luz, agora Cristo pode dizer: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14), confiando-nos a preocupação de fazer resplandecer a luz da caridade. Como escreve o Apóstolo São João: «Aquele que ama a seu irmão, permanece na luz e nele não há ocasião de queda» (1 Jo 2, 10). Viver o amor cristão é fazer entrar a luz de Deus no mundo e, ao mesmo tempo, indicar a sua verdadeira fonte. São Leão Magno escreve: «Com efeito, quem quer que viva piedosa e castamente na Igreja, quem pensa nas coisas lá de cima e não nas da terra (cf. Cl 3, 2), é de certo modo semelhante à luz celeste; ao mesmo tempo que produz o brilho de uma vida santa, indica a muitos, como uma estrela, o caminho que leva a Deus» (Sermão III, 5).

Neste santuário de Lourdes, para onde os cristãos do mundo inteiro voltam o olhar desde que a Virgem Maria fez brilhar aqui a esperança e o amor, reservando para os doentes, os pobres e os pequeninos o primeiro lugar, somos convidados a descobrir a simplicidade da nossa vocação: na realidade, basta amar.

Amanhã, a celebração da Exaltação da Santa Cruz far-nos-á entrar precisamente no coração deste mistério. Nesta vigília, o nosso olhar volta-se para o sinal da nova Aliança para o qual converge toda a vida de Jesus. A Cruz constitui o supremo e perfeito acto de amor de Jesus, que dá a vida pelos seus amigos. «Tem de ser levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que n’Ele crer tenha a vida eterna» (Jo 3, 14-15).

Anunciada nos Cânticos do Servo de Deus, a morte de Jesus é uma morte que se torna luz para os povos; é uma morte que, associada com a liturgia de expiação, traz a reconciliação, uma morte que assinala o fim da morte. A partir de então, a Cruz é sinal de esperança, estandarte da vitória de Jesus, porque «Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Pela Cruz, toda a nossa vida recebe luz, força e esperança. Por ela, é revelada toda a profundidade do amor contido no desígnio original do Criador; por ela tudo é restabelecido e levado à sua perfeição. É por isso que a vida na fé em Cristo morto e ressuscitado se torna luz.

As aparições eram cheias de luz e Deus quis acender no olhar de Bernadete uma chama que converteu inúmeros corações. Quantas pessoas vêm aqui para ver – esperando talvez secretamente – se recebem algum milagre; depois, no caminho do regresso, tendo feito uma experiência espiritual de vida autenticamente eclesial, mudam o seu modo de ver Deus, os outros e a si mesmas. Uma pequena chama, denominada esperança, compaixão e ternura, as habita. O encontro discreto com Bernadete e a Virgem Maria pode mudar uma vida, porque Elas estão presentes neste lugar de Massabielle para nos levar a Cristo, que é a nossa vida, a nossa força e a nossa luz. Que a Virgem Maria e Santa Bernadete vos ajudem a viver como filhos da luz para testemunhardes, todos os dias da vossa vida, que Cristo é a nossa luz, a nossa esperança, a nossa vida!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Monsenhor Nicola Bux, consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, estudou a influência que o relativismo está tendo na relação das comunidades católicas com a Eucaristia.

Recolhe suas conclusões no livro «O Senhor dos Mistérios. Eucaristia e relativismo» («Il Segnore dei Misteri. Eucaristia e Relativismo»), publicado em italiano por Cantagalli, com prefácio do cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza.

Monsenhor Bux também é consultor da Congregação para as Causas dos Santos, professor de Liturgia Comparada, vice-presidente do Instituto Ecumênico de Bari e consultor da revista teológica internacional «Communio».

Publicou uma dezena de livros, um dos quais apresentado em Roma pelo cardeal Joseph Ratzinger: «A unidade dos cristãos para o Terceiro Milênio», publicado pela Livraria Editora Vaticana, em 1996.

Nesta entrevista concedida a Zenit, Monsenhor Bux fala da influência do relativismo na Igreja e no Sacramento da Eucaristia.

--Eucaristia e relativismo: o título é evocador mas inquietante. O que quer sugerir exatamente ao vincular à Eucaristia com o relativismo?

--Dom Bux: No livro indicam-se numerosos intentos por obscurecer a verdade do Sacramento: um dos mais graves é negar que Jesus Cristo esteja presente no pão e no vinho sobre os quais o sacerdote pronuncia as palavras consagratórias. Infelizmente esta tendência também está difundida entre sacerdotes e catequistas.

Pelo contrário, o «Compêndio» do Catecismo da Igreja Católica afirma no artigo 283 a eficácia das palavras de Cristo e o poder do Espírito Santo.

--«A crise do cristianismo é a crise de sua pretensão de verdade», advertem os adversários da Igreja, como escreve em seu livro. É assim?

--Dom Bux: Esta afirmação é verdadeira se se presta atenção nas intervenções de alguns eclesiásticos que estão preocupados em não ferir a sensibilidade ou que até estão convencidos de que a fé em Jesus Cristo não seja a verdade que salva o homem, mas só uma entre outras. Esta afirmação não é verdadeira se se escuta o Papa Bento XVI e os bispos unidos com ele em suas intervenções.

--Às vezes aos é difícil aos próprios católicos celebrar com alegria os sacramentos. O que está acontecendo?

--Dom Bux: É necessário voltar a falar a eles dos sacramentos como o prolongamento da presença do Senhor que veio a querer-nos, a adoptar-nos como órfãos, a dar-nos a força de seu Espírito, a alimentar-nos com o Pão de sua Vida, a perdoar-nos dos pecados que pesam e condicionam a existência, a curar-nos das enfermidades físicas e espirituais, a dar-nos a capacidade de servir a Ele e aos homens na Igreja e no mundo, a estabelecer uma relação de amor verdadeiro e eterno entre homem e mulher, parecido a seu amor.

Cada uma destas acções é um gesto que Cristo cumpriu em sua vida terrena e continua cumprindo em sua vida imortal através de seu corpo eclesial. Tais gestos e palavras eficazes nós chamamos de mistérios e sacramentos, segundo a tradição grega e latina.

Dão a alegria verdadeira, pois fazem renascer, curar e devolver ao homem a capacidade de vencer o mal e a morte. A liturgia deverá ser capaz de fazer viver assim, sem confiar demasiado em palavras, mas na eloquência e eficácia dos sinais.

Deus se encarnou, tomou a natureza humana para dizer-nos que nos salva através da matéria: da água, do pão, do óleo, etc.

--O senhor constata que há «mal-estar» ante o pensamento católico. Por quê?

--Dom Bux: Diz São Paulo: nós temos o pensamento de Cristo. A verdade é católica porque Cristo que vive e sempre tem valor, onde quer que seja e em todos os lugares --como dizia um monge medieval, Vicenzo de Lerins--, e não se conforma com as modas que passam.
Monsenhor Nicola Bux, consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, falou na sua conferencia no congresso em Roma acerca da “ reforma paciente de Bento XVI”. “A Liturgia é expressão da comunhão com os séculos passados, com as gerações de quem nos precederam, assim como transmitimos esta mesma comunhão àqueles que virão . Creio que isto é, também, o fundamento do Motu Proprio”. “Todos falamos de pluralismo, esta é uma das palavras mágicas. É certo, que nós não professamos no Credo a Igreja pluralista mas a Igreja una mas também católica, e esta palavra significa uma inclusão global das diversas formas de expressão da fé. Sabemos que a fé não se expressa num único modo. Todos sabemos que existe o Oriente e que expressa sua fé em sua maneira particular. Então, de que nos admiramos?”. “Não creio que haja oposição entre as duas formas mas, como diz o Santo Padre, um enriquecimento. Há que experimentar para crer”. Por último, Bux afirmou: “O ponto é entender que não há verdadeira inovação tirando a Tradição. Creio que isto o compreendemos todos. É necessário eliminar os medos de que, por exemplo, se negue o Concílio Vaticano II, que está absolutamente fora de discussão. Necessitamos a abertura tanto de quem tem esta preocupação como dos que amam mais a tradição, e não poderá senão converter-se numa grande vantagem saudável quer para uns quer para os outros, e principalmente para a Igreja”.
Extractos da Homilia do Papa Bento XVI em Paris a 13 de Setembro de 2008

Como chegar a Deus? Como chegar a encontrar ou reencontrar Aquele que o homem busca no mais profundo de si mesmo, embora O esqueça tão frequentemente? Para O descobrirmos, São Paulo pede-nos que façamos uso não apenas da nossa razão, mas sobretudo da nossa fé. Pois bem, o que é que a fé nos diz? O pão que partimos é comunhão no Corpo de Cristo; o cálice de bênção que abençoamos é comunhão no Sangue de Cristo. Uma revelação extraordinária, que nos vem de Cristo e nos é transmitida pelos Apóstolos e por toda a Igreja, há quase dois mil anos: Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia na noite de Quinta-Feira Santa. Ele quis que o seu sacrifício estivesse de novo presente, de maneira não sangrenta, todas as vezes que um sacerdote repete as palavras da consagração sobre o pão e o vinho. Milhões de vezes desde há vinte séculos, tanto na mais humilde das capelas como na mais grandiosa das basílicas ou das catedrais, o Senhor ressuscitado entregou-Se ao seu povo, tornando-Se assim, segundo a fórmula de Santo Agostinho, «mais íntimo a nós do que nós mesmos» (cf. Confissões III, 6.11).
Irmãos e irmãs, rodeemos da maior veneração o sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, o Santíssimo Sacramento da presença real do Senhor na sua Igreja e na humanidade inteira. Nada descuremos para Lhe manifestar o nosso respeito e o nosso amor. Ofereçamos-Lhe os maiores sinais de honra! Através das nossas palavras, dos nossos silêncios e dos nossos gestos, nunca permitamos que se atenue, em nós e ao nosso redor, a fé em Cristo ressuscitado, presente na Eucaristia. Como diz de modo magnífico o próprio São João Crisóstomo: «Passemos em revista as graças inefáveis de Deus e todos os bens que nos faz desfrutar, quando Lhe oferecemos este cálice, quando comungamos, dando-Lhe graças por ter libertado o género humano do erro, por ter aproximado de Si aqueles que se tinham afastado, por ter feito de desesperados e ateus deste mundo um povo de irmãos, de co-herdeiros do Filho de Deus» (Homilia 24 sobre a Primeira Carta aos Coríntios, 1). Com efeito – continua ele – «o que está no cálice é precisamente aquilo que escorreu do seu lado, e é nisto que participamos» (Ibidem). Não há somente participação e partilha, há também «união» – diz ele.
A Missa é o sacrifício de acção de graças por excelência, o que nos permite unir a nossa acção de graças à do Salvador, o Filho eterno do Pai. Em si mesma, a Missa convida-nos também a fugir dos ídolos, porque – como São Paulo insiste – «vós não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos espíritos malignos» (1 Cor 10, 21). A Missa convida-nos a discernir aquilo que, em nós, obedece ao Espírito de Deus e o que, em nós, permanece à escuta do espírito do mal. Na Missa, desejamos pertencer unicamente a Cristo, retomando com gratidão – com «acção de graças» – o brado do Salmista: «Como retribuirei ao Senhor todo o bem que Ele me fez?» (Sl 116, 12). Sim, como agradecer ao Senhor pela vida que Ele me deu? A resposta à pergunta do Salmista encontra-se no próprio Salmo, porque misericordiosamente a própria Palavra de Deus responde às questões que formula. Como dar graças ao Senhor por todo o bem que Ele nos faz, senão atendo-nos às suas próprias palavras: «Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor» (Sl 116, 13)?
Porventura elevar o cálice da salvação e invocar o nome do Senhor não é precisamente o melhor meio para «fugir dos ídolos», como nos pede São Paulo? Cada vez que uma Missa é celebrada, cada vez que Cristo Se torna sacramentalmente presente na sua Igreja, realiza-se a obra da nossa salvação. Por isso, celebrar a Eucaristia significa reconhecer que só Deus é capaz de nos dar a felicidade plena, de nos ensinar os verdadeiros valores, os valores eternos que jamais conhecerão ocaso. Deus está presente no altar, mas encontra-Se também presente no altar do nosso coração quando, comungando, O recebemos no sacramento eucarístico. Só Ele nos ensina a fugir dos ídolos, miragens do pensamento.
Pois bem, queridos irmãos e irmãs, quem pode elevar o cálice da salvação e invocar o nome do Senhor por conta de todo o povo de Deus, a não ser o sacerdote ordenado pelo Bispo para tal finalidade?
Mons. Camille Perl: os bispos têm colocado entraves na aplicação do Motu Proprio
A missa em latim vem, de fato, sendo dificultada pelos bispos. Assim denunciou em uma conferência na Cidade do Vaticano o Vice-Presidente da Comissão Ecclesia Dei, Monsenhor Camille Perl: “Na Itália a maioria dos bispos, com poucas excepções admiráveis, têm colocado entraves na aplicação do Motu Próprio sobre a missa em latim. O mesmo é preciso dizer de muitos dos Superiores Gerais proibindo os seus padres de celebrarem a missa segundo o rito antigo.”

Mons. Camille Perl
Organiza o encontro “Motu Próprio Summorum Pontificum de Sua Santidade Bento XVI - Uma riqueza espiritual para toda Igreja, um ano depois” a Associação “Giovani e tradizione”, com o patrocínio da Comissão “Ecclesia Dei .
As requisições por parte dos fiéis vêm de um núcleo de países: França, Grã-Bretanha, Canadá, Estados Unidos, da Austrália.
Na França alguns jovens sacerdotes tomaram a iniciativa, explicou Monsenhor Perl, de celebrar a missa segundo o rito de São Pio V, revista por João XXIII, sem pedir permissão para os bispos. “Além disso – disse o Secretário da Ecclesia Dei – o Papa tinha posto em suas mãos o antigo missal. Alguns bispos têm apoiado essas iniciativas, outros não”.
Mas o problema na França, como na Alemanha, é, mais geralmente, a escassez de sacerdotes: “Se acumulam na minha mesa cartas de fiéis de várias partes do mundo que reclamam a aplicação do motu proprio. Mas temos de ter em conta o facto de que o número de sacerdotes é pouco em todos os lugares. Assim, um sacerdote que já deva celebrar três ou quatro missas em um dia é incapaz de adicionar uma outra. Este é um problema especialmente nas dioceses rurais na França e na Alemanha, onde um único sacerdote tem um grande território para cobrir.”
Além disso, afirmou Monsenhor Perl, “temos de ter em conta que o rito reformado por Paulo VI está em vigor há 40 anos e há muitos padres que não sabem como a celebrar missa com o velho rito, sem contar que foram doutrinados de acordo com uma visão precisa: a saber, que a velha liturgia está superada“. “Mas também há jovens sacerdotes que querem celebrar a missa em latim, e penso que o Papa tenha feito o Motu Próprio pensando neles“.
Mesmo nos Estados Unidos, há fiéis que devem fazer grandes viagens para chegar à igreja onde se celebra a missa em latim, porque nem todos os sacerdotes querem celebrar.
Assim, disse Perl, “é preciso lembrar que um ano é pouco na vida da Igreja, e é normal que muitos fiéis estejam desapontados porque pensavam numa aplicação imediata e generalizada em todo lugar.”
No entanto, a um ano de distância o clima está mudando favoravelmente.
“Não temos nenhuma intenção de fazer o processo à nova liturgia”, mas a liturgia pós-conciliar “é uma mistura de antigo e novo que, muitas vezes, produz uma falta de harmonia e de confusão“, concluiu Monsenhor Perl.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Monsenhor Guido Marini

Os Católicos descobrirão no sábado, em Les Invalides, o retorno de práticas esquecidas.

Na sacristia, é ele quem supervisiona as vestimentas de Bento XVI. O Papa entra, eles trocam um sorriso, já focados na Missa que o Sucessor de Pedro se prepara para celebrar. Monsenhor Guido Marini, jovem prelado italiano de 43 anos, é o Mestre de Cerimónias Litúrgicas Papais. Sua face ingénua mostra uma aparência muito precisa. Nenhum detalhe parece lhe escapar. Magro, alto, ele respeitosamente auxilia o Papa a colocar seus paramentos. Depois, vem um tempo de oração. A Missa pode começar.

Na manhã de sábado, atrás do altar instalado na Esplanada dos Inválidos, Monsenhor Guido Marini da mesma forma irá ajudar o Papa Bento XVI. Em outubro de 2007 ele mesmo apontou o jovem prelado a essa posição mais que sensível. Ele está encarregado de organizar, num segundo, as Missas do Papa: da escolha dos paramentos e acessórios litúrgicos ao canto, sem esquecer da escolha dos cálices e da postura do corpo. É o estilo formal da celebração da Eucaristia que está em suas mãos. Quando se conhece o compromisso de Bento XVI com a bela liturgia, ele não poderia ter escolhido ao acaso aquele que substituiu outro Marini, Piero Marini, cuja face é mais conhecida já que foi o Mestre de Celebrações de João Paulo II por duas décadas. Realmente, o mestre de cerimónias está sempre a dois passos do Papa durante as celebrações maiores.

Uma cruz no centro do altar.

Uma posição exposta, portanto, nos média e ainda mais eclesialmente. O jovem Guido Marini conhece algo sobre isso. Nos últimos meses ele concentra em si os méritos, mas também as críticas. Ele incorpora o retorno da tradição. As razões são as “inovações” litúrgicas para a Missa do Papa, que são todas reinício de elementos esquecidos nos últimos anos. Mas é verdade que em matéria de liturgia o mínimo símbolo é repleto de significado.

Então os Parisienses na manhã de sábado, e aqueles que seguirem a Missa em Lourdes, nas manhãs de domingo e segunda, não se surpreenderão em ver que o Papa dará a Comunhão na boca dos fiéis ajoelhados, excepto, claro, se a pessoa estiver fisicamente impossibilitada. Que Bento XVI, outro exemplo, não mais sistematicamente carrega a famosa cruz pastoral prateada de João Paulo II.

Que uma majestosa cruz retornará ao centro do altar do qual ela fora retirada, sob o Papa João Paulo II, por ser um problema para as imagens de televisão. Que as milhares de hóstias consagradas serão mantidas num cibório de metais preciosos e não de argila. Deve-se também mencionar o uso, para as grandes Festas, das antigas mitras papais, ricamente decoradas e que dormia entre os tesouros do Vaticano. E o uso, em certos casos, do trono papal….

Tantas “novidades” que reasseguram algumas, mas problemáticas partes da Igreja, e mesmo perturbam aqueles que denunciam isso como “um passo atrás”. É dito que certas pessoas estavam de alguma forma chocadas por esses pedidos, quando Monsenhor Guido Marini veio para preparar, no meio de Junho, as viagem desta semana do Papa. A respeito, em particular, da questão da comunhão na boca e de joelhos.

Se Monsenhor Guido Marini não é para nada nesses desenvolvimentos, seria desconhecimento do funcionamento da Santa Sé imaginar que ele é a única pessoa responsável por isso. Particularmente já que existe na Igreja Católica um “ministério” responsável por esses assuntos: a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Se ele aconselha, o Papa decide. É, portanto, o próprio Bento XVI que deseja esse novo curso. A escolha desse mestre de celebrações litúrgicas papais foi recomendada por seu Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone, número 2 da Santa Sé, de quem foi mestre de cerimónias, quando era arcebispo de Gênova, o Monsenhor Guido Marini, um padre lá conhecido por esse seu carisma pastoral, de temperamento moderado e atencioso para com todos, qualidades que ele aparentemente não perdeu no Vaticano. Ele detém um duplo doutorado em direito, civil e canônico, e uma licenciatura em psicologia e comunicação.

Em seu luminoso escritório no Vaticano, na esquina da Praça São Pedro, Monsenhor Marini explica: “Bento XVI quer enfatizar que as normas para distribuir a Comunhão na Igreja Católica ainda estão em vigor. Esqueceu-se absolutamente que a distribuição da Santa Comunhão na mão é devido a um indulto, uma excepção pode-se dizer, dada pela Santa Sé às conferências episcopais que o requisitaram”. Ele reconhece que Bento XVI tem uma “preferência” pela comunhão na mão . Entretanto, ele observa, “receber a hóstia na boca enfatiza a verdade da Presença Real na Eucaristia, ajuda na devoção dos fiéis e introduz mais facilmente no sentido de mistério. Muitos aspectos são importantes de ressaltar hoje e urgentes de se recuperar”. Nada, portanto, de uma fantasia papal. Essas mudanças nas formas litúrgicas são partes de uma visão clara de Bento XVI e explicitamente expressa em Roma por muitos interlocutores próximos a ele: “Conseguir, finalmente, uma síntese litúrgica entre a Missa de Paulo VI e aquilo que a tradição pode contribuir para seu enriquecimento”.

Como método para chegar lá, ele recusa a trilhar uma nova guerra litúrgica, mas procura contar com “pedagogia” e “paciência”. Ainda de acordo com os proponentes desse assunto, o Papa quer contrapor “pelo exemplo” as “deficiências” que ele sempre denunciou desde 1970: a falta de “recolhimento” e “silêncio”; a perda do “sentido do sagrado”, que ele também chama de sentido “cósmico” da celebração litúrgica onde, conforme a teologia Católica, e por sinal também a Ortodoxa, “o próprio Deus, através da encarnação do Filho, faz-Se realmente presente na hóstia Consagrada”.

“Servindo o sentido do sagrado”.

Monsenhor Guido Marini é formal: “Não é uma batalha entre o antigo e o moderno, muito menos entre o pré-conciliar e o conciliar. Esse tipo de ideologia problemática está hoje desactualizado. O antigo e o novo pertencem a um mesmo tesouro da Igreja. A celebração litúrgica deve ser a celebração do mistério sagrado, do Senhor crucificado e ressuscitado. É nosso dever encontrar, na herança da liturgia, uma continuidade para servir este sentido do sagrado.” E ele aponta, de passagem, que muitos focam nos quatro ou cinco desenvolvimentos dos últimos meses sem ver que ele trabalha tanto com o “legado” de seus predecessores, entre eles o Arcebispo Piero Marini. “Não há ruptura com o que estava sendo feito anteriormente”, ele assegura. Quanto ao uso do trono papal e de antigas mitras, não é sistemático [no sentido de “exclusivo”]: eles são usados “apenas em algumas solenidades”.

Sem ruptura, certamente, mas esse movimento de branda reforma da liturgia, tão simbólico quanto possa ser em suas aparências, está firmemente enraizado no pensamento de Bento XVI. Ele nunca escondeu nada antes de se tornar Papa. Em suas Mémoires, Ma Vie 1927-1977, publicado dez anos atrás na França por Fayard, Joseph Ratzinger mostrou suas cores a respeito da forma litúrgica do Concílio Vaticano Segundo que ele viveu aos quarenta anos: “Eu estava consternado”, escreveu, “com o banimento do antigo Missal, já que tal desenvolvimento nunca fora visto na história da liturgia. (…) Uma renovação litúrgica que reconheça a unidade da história da liturgia e que entenda o Vaticano II não como uma ruptura, mas como um estágio de desenvolvimento: essas coisas são urgentemente necessárias para a vida da Igreja. Estou convencido que a crise na Igreja que estamos experimentando hoje é em grande escalada devida a uma desintegração da liturgia (…). É por isso que precisamos de um novo movimento litúrgico que chamará à vida a real herança do Concílio”. Como um fino conhecedor da vida Romana diz, Pe. Federico Lombardi, um experiente Jesuíta que chefia a Rádio Vaticano e a Sala da Imprensa, deve-se ser cauteloso com “interpretações” que levariam a considerar esses desenvolvimentos como uma revolução. Mas tudo sugere que esse “novo movimento litúrgico” está bem e verdadeiramente lançado. Bento XVI não visa disseminá-lo através de regulamentações, mas pela força do exemplo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Alguns dos oradores presentes , Monsignor Perl e o Cardeal Dario Castrillon
conferência sobre Summorum Pontificum decorre em Roma


A partir do início de Roma há uma conferência sobre Summorum Pontificum que está sendo organizada pela organização, Giovani e Tradizione. O tema da conferência é "A Motu Próprio Summorum Pontificum de Bento XVI, um tesouro espiritual para toda a Igreja: Um ano mais tarde".

Programa:

16 de setembro de 2008

"O Motu Próprio Summorum Pontificum: Um grande tesouro espiritual para toda a Igreja. Um ano depois" - Mons. Camille Perl, Vice-Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei

"A Liturgia: entre a tradição e a inovação. A recente Reforma do Bento XVI" - Don Nicola Bux, Consultor da Congregação para a Doutrina da Fé

"Elementos e Perspectivas da Pastoral do Motu Próprio Summorum Pontificum" - Joseph Kramer, pároco da paróquia do SS. Trinità dei Pellegrini Trinità dei Pellegrini em Roma

"Summorum Pontificum como uma resposta ao processo de secularização da sociedade" - Prof Roberto de Mattei, Universitário Europeu (Roma) e director da revista "Radici Cristiane"

17 de setembro de 2008

Missa Papal na Basílica de São Pedro.

"A Santa Missa, Sacrifício da Nova Aliança" - Prof Manfred Hauke, Faculdade de Teologia (Lugano)

"Mystagogical Elementos da Experiência Antiquior do rito romano da Santa Missa" - ) Uwe Michael Lang, CO, Universitário Europeu (Roma)

"Santa Missa: raiz dSantidade Sacerdotal " - Massimiliano Zangheratti, FI, Studio Teológico Immacolata Mediatrice (Roma)

18 de setembro de 2008

"Aprender para comemorar o Missal de São Pio V" - Joseph Luzuy, Instituto Cristo Rei Sumo Sacerdote

Missa solene na paróquia do SS. Trinità dei Pellegrini celebrada por Mons. Camille Perl , Camille Perl, Vice-Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei com a música litúrgica sendo prevista pelo Instituto de Cristo Rei, e da escola do Panteão.
"Liturgia como um vislumbre do Céu na Terra" é o tema do primeiro Congresso Litúrgico que terá lugar na Ásia, no Sri Lanka. A reunião será realizada a partir de amanhã até 21 de setembro, em Uswatakeiyawa, uma cidade costeira de cerca de 30 quilômetros da capital de Colombo.

Organizado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Congresso está previsto para incluir 55 delegados de 19 países asiáticos, incluindo cardeais, bispos e padres. Os participantes irão realizar reuniões, discussões de grupo, plenárias e grupos de trabalho. A reunião será presidida pelo cardeal nigeriano Francis Arinze, Prefeito da Congregação, juntamente com o secretário geral, Arcebispo Malcom Ranjith, natural da diocese de Kurunegala no Sri Lanka.

Na conferência de imprensa, o Arcebispo Ranjith (na foto) explicou que " a Liturgia é a chave para qualquer renovação na Igreja . Comemorar O que você é e o que você acredita -" lex orandi, lex credendi "e aquilo que nós acreditamos depende de como vamos viver - '" lex orandi, lex credendi, lex vivendi' ". "A Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium nos dá as directrizes para a celebração da sagrada liturgia.

Na introdução a" Sacrosanctum Concilium ", diz," Este sagrado Concílio tem vários objectivos, tendo em vista um desejo de expandir cada vez mais a vida cristã dos fiéis; … promover sempre que seja possível a união entre todos os que acreditam em Cristo, para reforçar o que pode ajudar a chamar a toda a humanidade para a família da Igreja. O Concílio considera, por isso, particularmente convincente a fundamentação para a realização da reforma e da promoção da liturgia ".

"Interpretações erradas destas orientações", continuou ele, "têm conduzido a todos os tipos de abusos na liturgia e errados acentos têm causado certa diluição da fé do povo. Fé na presença real de Cristo na Eucaristia encontra-se sob grave ameaças. Muitas pessoas que se tornaram muito familiarizado com a Eucaristia, perderam um sentimento de reverência para a Eucaristia. O Santo Padre está muito preocupado com esta perda de reverência para com a Eucaristia e os abusos na celebração da sagrada liturgia. Assim, o Santo Padre falou sobre a reavaliação da celebração da sagrada liturgia e tem chamado estas convenções regionais com os bispos ".

"Temos esperança", diz o Arcebispo Ranjith que a , "liturgia que estas convenções promovem em diferentes regiões e continentes se tornará uma fonte de comunicação e de diálogo mais estreito entre o Santo Padre e os continentes".

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Monsignor Perl da Comissão 'Ecclesia Dei' entrevistado por Bruno Volpe acerca duma clarificação do Motu Próprio:

“É verdade, estamos redigindo um documento-instrução sobre a justa interpretação do Motu Próprio Summorum Pontificum que liberalizou a Missa segundo os livros litúrgicos de S.Pio V assim como foram modificados pelo Beato João XXIII. Embora não sejamos uma Congregação , recebemos a faculdade de preparar esta nota para a defenição de alguns aspectos do Motu Próprio papal, como por exemplo aquele de grupo estável. Devemos, isto é, esclarecer coisa se entende por grupo estável, ou seja quantas pessoas precisamente devem pedir ao próprio Pároco para celebrar com o rito pré-conciliar.”

-Monsignor Perl, a instrução deve-se às várias contestações levantadas por bispos e sacerdotes contrários às novas normas sobre o acesso à Missa com rito tridentino?

“A situação está sob o olhar de todos. Era de esperar que depois do Motu Próprio do Papa houvesse reacções contrastantes. Alguns manifestaram entusiasmo., outros não. Bastaria considerar que o Motu Próprio não caiu do céu, mas é fruto de um longo caminho”.

-Então porque é que alguns bispos e muitos sacerdotes não o aceitam?

“Seria necesario preguntar-lho a eles.Pessoalmente, creio que o problema seja de orden peral:Hoje, em todos os campos da sociedade, perdeu-se o sentido da obediença e do respeito da autoridade. È como dizer que poucos são na verdade capazes de obedecer.”

Não obstante o rito tridentino de S.Pio V , caracterizado da beleza litúrgica e espiritualidade, nunca foi abolido da Igreja..

“Absolutamente não, o Concílio Vaticano II nunca cancelou o missal anterior. Considero que o Papa Bento XVI tenha feito bem em liberalizá-lo, valorizando assim um património e uma jóia da Igreja.Não quero fazer uma comparação entre a Missa do Papa Paulo VI e a missa anterior, não seria justo.Mas não é historicamente sensato querer cancelar o valor da tradição”.

-E entretanto os abusos litúrgicos, defenidos “no limite do suportável” pelo pr´prio Bento XVI no Motu Próprio “Summorum Pontificum”, são cada vez maiores…

“Não me fale disso.E ninguém consegue eleminá-los, precisamente porque, como lhe disse, não existe o sentido do respeito da autoridade. A liturgia não se pode impor, mas parece-me justo afirmar que depois do Concílio Vaticano II, e com isto não quero emitir nenhuma sentença de condenação, A Missa transformou-se algumas vezes em qualquer coisa de emocional , e assim foi posto de parte o seu real valor de sacrifício e de dom. Pensou-se que o novo fosse melhor, que o novo seja sempre melhor. Sucede também assim na vida de todos os dias, os sapatos novos são considerados melhores que os velhos…”
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DIOCESE DE LEIRIA-FÁTIMA
Extractos da Carta Pastoral de D. António Marto para o ano pastoral 2008-2009
Caríssimos Diocesanos,
Irmãs e Irmãos no Senhor,


“Graça e Paz
da parte de Deus Pai
e de Cristo Jesus, nosso Salvador!”(Tito 1,4)
Desejo saudar-vos, afectuosamente, com estas palavras do Apóstolo Paulo a Tito, seu “verdadeiro filho na fé comum”.
Peço ao Senhor que me conceda poder partilhar como bispo, sucessor dos Apóstolos, a missão e a paixão de Paulo “servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo, para chamar à fé os eleitos de Deus e ao conhecimento da verdade, que conduz à piedade, na esperança da vida eterna” (Tito 1,1-2).
Sim, ó Senhor Jesus, guarda sempre viva e forte em mim a consciência da missão que me confiaste: “chamar à fé os eleitos de Deus”, ou seja, todos os homens por Ele amados; chamá-los “ao conhecimento da verdade” que resplandece nas palavras da Revelação divina e que encontra a plenitude de luz em Ti, Palavra incarnada.
Esta palavra “conduz à piedade”, a uma vida filial, boa e bela; que está fundada “na esperança da vida eterna”, e, assim, abre os nossos olhos e o nosso coração à alegria e à plenitude da vida em Deus.

É com esta consciência da missão e com esta invocação ao Senhor que vos escrevo a presente carta pastoral, para vos apresentar o percurso da nossa Igreja diocesana para o ano pastoral 2008/09. Esta carta é fruto não só da minha reflexão, mas também do contributo dos vários órgãos pastorais diocesanos cuja dedicada colaboração agradeço.
Como sabeis, estamos a seguir o percurso já traçado pelo Sínodo Diocesano nas suas linhas gerais. A primeira etapa foi dedicada a descobrir a beleza e a alegria da vocação cristã e do acolhimento, como resposta e expressão da infinita ternura de Deus.

Caminho em sintonia com a Igreja universal
Este ano pastoral será dedicado à formação cristã em ordem à revitalização e crescimento da fé, da sua vivência espiritual e do seu testemunho.
Vem na sequência lógica do tema da vocação cristã, assume-o e prepara para o percurso futuro. Com efeito, “a formação dos fiéis leigos tem como objectivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da própria missão”. (João Paulo II, Vocação e missão dos fiéis leigos, nº 58).
A formação na fé é hoje mais necessária que nunca. Trata-se de “ir ao coração da fé” para descobrir a sua riqueza, a sua beleza, o seu encanto, a sua alegria e a sua força irradiante. Uso aqui o termo “coração” num tríplice significado: enquanto núcleo central da fé, que é Jesus Cristo; como centro propulsor que leva o “sangue”, a vitalidade, o dinamismo, a todos os membros do corpo que é a Igreja; e como o lugar–símbolo do afecto com que se acolhe no íntimo de cada um, cheio de confiança, o anúncio de Cristo Salvador: “Se confessares com a tua boca que «Jesus é o Senhor» e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rom 10,9).
Providencialmente, este ano pastoral coincide com dois grandes acontecimentos da Igreja universal, que de modo algum podemos ignorar e que vamos integrar no nosso percurso pastoral. Aliás, vêm enriquecê-lo muito.
O primeiro é o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Um sínodo dedicado a redescobrir a infinita bondade e ternura de Deus que, na sua Palavra, se revela ao homem como amigo, conversa com ele, convida-o à comunhão consigo e a colaborar com Ele na transformação da história, segundo o seu desígnio de salvação. Chama-nos, assim, a atenção para a primazia da Palavra de Deus na formação dos cristãos.
O segundo acontecimento é o Ano Paulino para comemorar os dois mil anos do nascimento do grande Apóstolo Paulo. “Ele brilha como uma estrela de primeira grandeza na história da fé e do cristianismo”. (Bento XVI). Neste sentido, o Santo Padre proclamou um “Ano Paulino”, que – à semelhança do Ano Jubilar da redenção – possa ajudar a Igreja a redescobrir a rica e bela mensagem de Paulo, para se enamorar cada vez mais de Cristo e reavivar a fé.
Primeira parte: o Sacramento da Eucaristia

§ 1° Do que é a Santíssima Eucaristia e da presença real de Jesus Cristo neste Sacramento

1. Que é o Sacramento da Eucaristia?
A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu preciso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual.

2. Na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem?
Sim, na Eucaristia está verdadeiramente o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem.

3. Por que acreditais que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo?
Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo porque Ele mesmo o disse, e Ele, sendo Deus, não pode mentir. E assim no-lo ensina a Santa Igreja.

4. Que é a hóstia antes da consagração?
A hóstia antes da consagração é pão de trigo.

5. Depois da consagração, que é a hóstia?
Depois da consagração, a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de pão.

6. Que está no cálice antes da consagração?
No cálice, antes da consagração, está vinho de uva com algumas gotas de água.

7. Depois da consagração, que há no cálice?
Depois da consagração, há no cálice o verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de vinho.

8. Quando se faz a mudança do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo?
A conversão do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo de faz precisamente no ato em que o sacerdote, na Santa Missa, pronuncia as palavras da consagração.

9. Que é a consagração?
A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na Última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.

10. Como é chamada pela Igreja a miraculosa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo?
Esta miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os nossos altares, é chamada pela Igreja de transubstanciação.

11. Quem deu tanto poder às palavras da consagração?
Foi o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus omnipotente, que deu tanto poder às palavras da consagração.

12. Deve-se adorar a Eucaristia? A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque Ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.

13. Quando instituiu Jesus Cristo o Sacramento da Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na Última Ceia que celebrou com seus discípulos, na noite que precedeu sua Paixão.

14. Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu a Santíssima Eucaristia por três razões principais: 1a. para ser o sacrifício da Nova Lei; 2a. para ser alimento de nossa alma; 3a. para ser um memorial perpétuo da sua Paixão e Morte, e um penhor precioso do seu amor para connosco e da vida eterna.

Referências: Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.

domingo, 14 de setembro de 2008

Extracto do discurso do Santo Padre Bento XVI aos bispos franceses reunidos em Lourdes por ocasião da sua peregrinação àquele Santuário:

"O culto litúrgico é a expressão suprema da vida sacerdotal e episcopal, como também do ensino catequético.Queridos irmãos, o vosso ofício de santificar os fiéis é essencial para o crescimento da Igreja. Senti-me impulsionado a precisar no "Motu proprio" Summorum Pontificum as condições para exercer esta responsabilidade pelo que respeita à possibilidade de utilizar tanto o missal do Beato João XXIII(1962) como o do Papa Paulo VI(1970).Já se deixam ver os frutos destas novas disposições, e espero a necessária calma dos espíritos que, graças a Deus, está acontecendo.
Tenho em conta as dificuldades que encontrais, mas não tenho a menor dúvida de que podeis chegar, num tempo razoável,a soluções satisfatórias para todos,para que a túnica de Cristo não se rasgue ainda mais.
Ninguém está a mais na Igreja.Todos, sem excepção, hão-de sentir-se nela "como em sua casa", e nunca desprezados.Deus, que ama todos os homens e não quer que nenhum se perca, confia-nos esta missão fazendo-nos Pastores da sua grei.Só nos resta dar-lhe graças pela honra e pela confiança que Ele nos concede.Portanto esforcemo-nos por sermos sempre servidores da unidade".
Da homilia do Santo padre nas Vésperas na Catedral de Notre Dame em Paris :

"As nossas liturgias terrenas, inteiramente voltadas a celebrar este único acto da história, nunca alcançarão exprimir totalmente a sua infinita densidade. A Beleza dos ritos não será nunca demasiado investigada, ou demasiado cuidada ,demasiado elaborada,já que nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita...as liturgias terrestres não poderão ser mais do que um pálido reflexo da Liturgia, que se celebra na Jerusalém celeste, ponto de chegada da nossa peregrinação sobre a terra ;é preciso realizar todo o esforço para nos aproximarmos o mais possivel da liturgia celeste e fazê-la saborear".
EUCARISTIA: SACRIFÍCIO E SACRAMENTO
Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, transubstanciou o pão em seu Corpo e o vinho em seu Sangue, um separado do outro, e ofereceu ali o mesmo sacrifício que realizaria na Cruz, onde o seu Sangue foi separado do seu Corpo, derramado por nós, em remissão dos pecados. Depois de ter-se imolado na Santa Ceia, Ele se deu a Si mesmo aos Apóstolos ao levá-los a participar da consumação do seu Corpo e do seu Sangue. A Eucaristia é, assim, ao mesmo tempo, sacrifício e sacramento.
EUCARISTIA ENQUANTO SACRIFÍCIO
Enquanto sacrifício a Eucaristia é o Sacrifício da Missa, o sacrifício da Nova Lei no qual Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Si mesmo a Deus, de maneira incruenta, sob as aparências do pão e do vinho.
EUCARISTIA ENQUANTO SACRAMENTO
Enquanto sacramento a Eucaristia é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo , que é dado àqueles que O querem, e podem, receber como alimento espiritual.