sábado, 29 de maio de 2010

Venerável Pio XII:A genuína piedade que o Angélico chama "devoção" e que é o acto principal da virtude da religião com o qual os homens se ordenam rectamente, se orientam oportunamente para Deus e livremente se consagram ao culto,(33) têm necessidade da meditação das realidades sobrenaturais e das práticas espirituais para que se alimente, estimule e fortifique e nos anime à perfeição. E já que nem sempre os motivos do amor dominam a alma agitada pelas paixões, é muito oportuno que nos impressione ainda a consideração salutar da divina justiça para levar-nos à humildade cristã, à penitência e à emenda.


29. Se a piedade privada e interna dos particulares se descuidasse do augusto sacrifício do altar e dos sacramentos, e se subtraísse ao influxo salvador que emana da Cabeça nos membros, seria, sem dúvida, reprovável e estéril; mas quando todas as providências e os exercícios de piedade não estritamente litúrgicos fixam o olhar da alma sobre actos humanos unicamente para endereçá-los ao Pai que está nos céus; para estimular salutarmente os homens à penitência e ao temor de Deus e arrancá-los da atracção do mundo e dos vícios, para conduzi-los felizmente por árduo caminho ao vértice da santidade, então, não apenas são sumamente louváveis, mas necessários, porque descobrem os perigos da vida espiritual, estimulam-nos à aquisição da virtude e aumentam o fervor com o qual nos devemos dedicar todos ao serviço de Jesus Cristo. A genuína piedade que o Angélico chama "devoção" e que é o acto principal da virtude da religião com o qual os homens se ordenam rectamente, se orientam oportunamente para Deus e livremente se consagram ao culto,(33) têm necessidade da meditação das realidades sobrenaturais e das práticas espirituais para que se alimente, estimule e fortifique e nos anime à perfeição. É que a religião cristã devidamente praticada requer, sobretudo, que a vontade se consagre a Deus e influa sobre as outras faculdades da alma. Mas todo acto da vontade pressupõe o exercício da inteligência e, antes que se conceba o desejo e o propósito de dar-se a Deus por meio do sacrifício, é absolutamente necessário o conhecimento dos argumentos e dos motivos que levam à religião, como, por exemplo, o fim último do homem e a grandeza da divina Majestade, o dever de obediência ao Criador, os tesouros inexauríveis do amor com o qual ele nos quis enriquecer, a necessidade da graça para alcançar a meta assinalada, e o caminho particular que a divina Providência nos preparou unindo-nos todos, como membros de um corpo, a Jesus Cristo Cabeça. E já que nem sempre os motivos do amor dominam a alma agitada pelas paixões, é muito oportuno que nos impressione ainda a consideração salutar da divina justiça para levar-nos à humildade cristã, à penitência e à emenda.

ORDENACIONES DE LA FRATERNIDAD SACERDOTAL DE SAN PEDRO EN ESTADOS UNIDOS. Dedicação da Capela de Nossa Senhora da Santíssima Trindade.Cônegos Regrantes de Nova Jerusalém

 
El pasado sábado 22 de mayo fueron ordenados seis nuevos sacerdotes de la Fraternidad Sacerdotal de San Pedro (FSSP) en los Estados Unidos de América. La ordenación tuvo lugar en la catedral de Lincoln (Nebraska), y las órdenes sagradas fueron conferidas por el obispo de la citada diócesis americana, monseñor Bruskewitz. En las fotografías, de la página del Seminario de la FSSP en Estados Unidos, un momento de la celebración, el obispo de Lincoln recibiendo la bendición de uno de los neopresbíteros, y los nuevos sacerdotes con el obispo ordenante.
  fonte:Hoc signo
 
 
Dedicação da Capela de Nossa Senhora da Santíssima Trindade.Que sirva de exemplo esta Capela no Colégio Santo Tomás de Aquino em Santa Paulo/Califórnia. No Brasil o costume é a destruição de todo o espaço sacro, dos altares, das mesas de comunhão, criando espaços vazios sem qualquer dignidade. Enquanto isso, nesta Capela construiu-se o Baldaquino, o altar (não a mesa), o presbitério está patentemente separado da Nave, e vemos belamente a presença do Transepto. Lugar construído para celebrar a Missa no Rito de São Pio V. As fotos foram tiradas na primeira Missa após a Missa de Dedicação do Altar.










Este instituto foi fundado pelo já conhecido Arcebispo Raymond Burke. Sua ereção foi feita para guardarem a liturgia romana tradicional, pois o Arcebispo notou que a celebração do rito tridentino promove o cerne da espiritualidade, e nas palavras dos próprios cônegos o rito do Missal de 1962 é o cume para o qual deve caminhar toda a atividade da Igreja e fonte de onde emana todo o seu poder na terra.

Para eles "a digna celebração na Igreja do culto da Santíssima Trindade é o cerne da espiritualidade e do trabalho dos Cônegos. A eficácia da santificação pessoal e obras apostólicas derivam da fiel participação de cada membro na oferta da Igreja, na liturgia, particularmente na própria celebração do Sacrifício da Redenção".





Conhecer o website dos Cônegos, clique.
fonte:http://atanasiano.blogspot.com/

O Novus Ordo Missae terminou por produzir uma fase de desunião litúrgica entre os católicos. Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei






Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei

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Apresentamos a intervenção do Professor Roberto de Mattei por ocasião do Congresso
Litúrgico realizado no mosteiro beneditino de Notre Dame em Fontgombault, França, 22-
24 de julho de 2001. Com tema principal “Cristo é o sujeito da liturgia, não a
comunidade”, o congresso reuniu bispos e autoridades eclesiásticas, tendo como seu
principal conferencista o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal
Joseph Ratzinger. Dentre os participantes do mundo “tradicionalista” podemos destacar
Dom Gérard Calvet, abade de Le Barroux; Mons. Camille Perl, da Comissão Ecclesia
Dei; e Padre Arnoud Devillers, então superior da Fraternidade São Pedro.
Roberto de Mattei, historiador italiano renomado, professor de História do Cristianismo
na Universidade Européia de Roma, é autor de várias obras, com destaque para sua
biografia do Beato Pio IX e seu último livro “La liturgia della chiesa nell’epoca della
secolarizzazione”. Também discursou no congresso realizado em Roma, sob patrocínio da
Comissão Ecclesia Dei, por ocasião do primeiro aniversário do motu proprio Summorum
Pontificum; na oportunidade, Prof. De Mattei teve seu artigo "Il rito romano antico e la
secolarizzazione" publicado no L’Osservatore Romano.


CONSIDERAÇÕES SOBRE A REFORMA LITÚRGICA
por Roberto de Mattei
Tradução de Marcelo de Souza e Silva
Fonte: Revue Item
Eminência,
Reverendíssimos Padres Abades,
Reverendos Padres,
Minha intervenção como vós bem podeis imaginar, não será a de um liturgista
nem de um teólogo, mas a de um homem de cultura, de um historiador, de um católico
leigo que tenta situar os problemas da Igreja no horizonte de seu próprio tempo.
Nesta perspectiva, eu me proponho a desenvolver certas considerações sobre as
raízes históricas e culturais da Reforma litúrgica pós-conciliar. Com efeito, eu estou
convencido de que quanto mais este quadro for esclarecido, mais a compreensão e a
solução de problemas complexos que temos diante de nós serão facilitadas.
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
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Todo problema, e o da liturgia não é exceção, para ser tomado em sua essência,
deve ser efetivamente situado num contexto mais vasto. Aquele que quereria estudar a
arquitetura gótica, por exemplo, não poderia negligenciar sua relação com a Escolástica
medieval tão bem ilustrada por Erwin Panofski, assim como para se compreender a arte
figurativa dos séculos XIX e XX, seria necessário recorrer aos estudos de Hans Sedlmayr,
que dela retém a dimensão ideológica profunda. Assim, um discurso sobre a arte deve ir
além da arte, um julgamento técnico-estético não basta; assim também, um discurso sobre
a liturgia deve ir além da própria liturgia, tentando encontrar o sentido derradeiro dela
mesma. Porque a liturgia não é somente o conjunto de leis que regulamentam os ritos.


Estes ritos, em sua variedade, remetem à unidade de uma fé. Sem este conteúdo, o culto
cristão seria um ato exterior, vazio, desprovido de valor, uma ação não sagrada, mas
“mágica”, típica de certas concepções gnósticas ou panteístas do mundo. Neste sentido, foi
bem dito que: “o culto, compreendido em toda sua plenitude e profundidade, vai muito além da
ação litúrgica”.


Em suas fórmulas, em seus ritos, em seus símbolos, deve refletir o dogma. O
dogma, disse-se, é para a liturgia o que a alma é para o corpo, o pensamento para a
palavra. É, pois, necessário tornar íntima e profunda a relação entre a liturgia e a fé, que
foi tradicionalmente expressa na fórmula lex orandi, lex credendi. Neste axioma nós
podemos encontrar uma chave para a leitura da crise atual. O axioma lex orandi, lex
credendi, na teologia do século XIX ao início do século XX, os teólogos modernistas reinterpretaram
segundo as categorias de seu pensamento que, sob a influência das
ideologias então dominantes, nutriam-se de um evolucionismo de matriz simultaneamente
positivista e irracionalista. Georges Tyrell, em particular, considerado por Ernesto
Buonaiuti como a personagem “mais intimamente impregnado de fé e entusiasmo
pela causa modernista”, identificou a revelação com a experiência vital (religious
experience), que se realiza na consciência de cada um. Portanto, é a lex orandi que
deve ditar as normas da lex credendi e não o inverso, visto que “o credo está contido de
modo implícito na prece e deve ser extraído dela a todo custo; e que toda formulação deve
ser posta e explicada pela religião concreta que ela formula”.
Deve-se ainda escrever a história do modernismo após sua condenação; mas é
certo que várias dessas instâncias penetraram no interior do “Movimento Litúrgico”
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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a tal ponto que Pio XII se viu constrangido a intervir com sua importante encíclica
Mediator Dei de 20 de novembro de 1947, para retificar desvios. O Papa condenou em
particular “o erro daqueles que pretendiam que a Santa Liturgia fosse quase uma
experiência do dogma”, fundando-se sobre uma leitura errônea do adágio lex orandi, lex
credendi. “Não é assim – afirma Pio XII – que ensina e ordena a Igreja; (...) se nós
queremos distinguir de modo geral e absoluto as relações que existem entre a fé e a
liturgia, pode-se afirmar com razão que a lei da fé deve estabelecer a lei da prece”. Pio
XII reafirma, portanto, a objetividade da fé sobre a liturgia compreendida como
“experiência religiosa” subjetiva, em oposição àqueles que pareciam indicar na “práxis
litúrgica” a nova norma da fé católica.


Após a constituição Sacrossanctum Concilium de 4 de dezembro de 1963, a
Reforma litúrgica, empreendida por Paulo VI em aplicação aos decretos conciliares, à qual
sucedeu a constituição apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969, pôs novamente
na ordem do dia a relação entre a lex orandi e a lex credendi. Os primeiros e mais influentes
críticos da Reforma litúrgica, foram os Cardeais Ottaviani e Bacci, apresentando a Paulo
VI um Breve Exame Crítico do Novus Ordo Missae, definiram o novo rito como “um
distanciamento impressionante da teologia católica da Santa Missa tal como ela foi
formulada na XXII sessão do Concílio Tridentino”. Cumpre lembrar que esta sessão
definira a Missa como Sacrifício verdadeiramente propiciatório no qual “o próprio Jesus
Cristo está contido e imolado de modo não sangrento”. As críticas dos Cardeais Ottaviani e
Bacci, e de outros autores que seguiram, sublinharam como a nova lex orandi de Paulo VI
não refletiam de modo adequado este ponto da lex credendi tradicional da Igreja. Abriu-se
então uma discussão, ainda não terminada, que levou a casos de consciência e a fraturas no
in

terior da Igreja.

O Novus Ordo Missae, nascido também para realizar uma forma de
reencontro litúrgico com os não-católicos, terminou por produzir o oposto: uma fase
de desunião litúrgica entre os católicos.
A tese de fundo cuja síntese eu tentarei expor é a seguinte: a relação lex credendilex
orandi, implícita na Reforma litúrgica, deve ser lida à luz da nova teologia que preparou
o Concílio Vaticano II e que, sobretudo, quis orientar os desenvolvimentos dele. A lex
credendi expressa pelo Novus Ordo Missae surge nesse sentido como uma revisão da fé
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei



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católica pela “virada” antropológica e secularista da nova teologia; uma teologia que, urge
sublinhar, não se limita a repropor os temas modernistas, mas os toma por seus como o
marxismo, isto é, segundo um pensamento que se apresenta como uma “filosofia da
práxis” radical e definitivo. Isso significa que um julgamento global da Reforma, sobretudo
trinta anos após, não se pode limitar a uma análise teórica do Novo Rito promulgado por
Paulo VI, mas deve necessariamente se estender à “práxis litúrgica” que seguiu sua
instituição.
A Reforma litúrgica hoje não pode ser considerada estaticamente, nos documentos
que a fundaram, mas deve ser vista em seu aspecto dinâmico, tendo atenção para com a
multiplicidade de elementos que, ainda que não estivessem previstos pelo Novus Ordo, se
tenham tornado uma parte inteira daquilo que poderia ser definido como práxis litúrgica
contemporânea.


A secularização da liturgia da Missa, que é a ação sagrada por excelência,
foi sempre regulada por um rito, isto é, por seu ordo; de acordo com as palavras de Santo
Agostinho: “totum agendi ordinem, quem universa per orbem servat Ecclesia”. Com a
Reforma litúrgica, a essência do Sacramento que permanecia válida e guardava toda sua
eficácia, não mudou, mas se “fabricou”, de acordo com a expressão do Cardeal Ratzinger,
um rito ex novo. O rito, cuja definição clássica remonta a Servio (Mos institutus religiosis
caeremoniis consecratus), não é com efeito a ação sagrada, mas a norma que guia o
desenrolar desta ação. Ele pode ser definido como o conjunto das fórmulas e das normas
práticas que é necessário observar para o cumprimento de uma função litúrgica
determinada, mesmo se por vezes o termo tem um significado mais vasto e designa uma
família de ritos (romano, grego, ambrosiano). É justamente para isso que os sacramentos,
em sua essência, são imutáveis, os ritos podem variar de acordo com os povos e os tempos.


Em teoria, o Novus Ordo de Paulo VI estabeleceu um conjunto de normas e de
preces que regulavam a celebração do Santo Sacrifício da Missa em substituição do antigo
Rito romano; de fato, a práxis litúrgica revelou que nos encontrávamos diante de um novo
rito que pode tomar todas as formas, multiforme. No decurso da Reforma se introduziu
progressivamente toda uma série de novidades e de variantes, certo número dentre
elas não previstas nem pelo Concílio nem pela constituição Missale Romanum de
Paulo VI. O quid novum não saberia estar limitado à substituição do latim pelas línguas
vulgares. Ele consiste igualmente na vontade de conceber o altar como uma “mesa”, para
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sublinhar o aspecto do banquete em lugar do sacrifício; na celebratio versus populum,
substituída à versus Deum, com, por conseqüência, o abandono da celebração voltada para
o Oriente, isto é, voltada para o Cristo simbolizado pelo sol nascente; na ausência de
silêncio e de recolhimento durante a cerimônia e na teatralidade da celebração
acompanhada freqüentemente por cantos que tendem a profanar uma Missa na qual
o sacerdote quase sempre tem o seu papel reduzido para “presidente da assembléia”;
na hipertrofia da liturgia da palavra em relação à liturgia eucarística; no “sinal” da paz que
toma o lugar das genuflexões do sacerdote e dos fiéis, como ação simbólica da passagem
da dimensão vertical para a horizontal da ação litúrgica; na santa comunhão recebida pelos
fiéis de pé e na mão; no acesso das mulheres ao altar; na concelebração tendendo à
“coletivização” do rito. Ele consiste, sobretudo e enfim, na mudança e na substituição das
preces do Ofertório e do Cânon. A eliminação em particular das palavras Mysterium Fidei
da fórmula eucarística, pode ser considerado, como observou o Cardeal Stickler, como o
símbolo da desmistificação e, portanto, da humanização do ponto central da Santa Missa.
O fio condutor dessas inovações pode ser expresso na tese segundo a qual se nós queremos
tornar a fé em Cristo acessível ao homem de hoje, nós devemos viver e apresentar essa fé
dentro do pensamento e mentalidade atuais. A liturgia tradicional, por sua incapacidade de
se adaptar à mentalidade contemporânea, distanciou o homem de Deus e se tornou assim
culpada da perda de Deus em nossa sociedade.
A Reforma se propunha a adaptar o Rito, sem prejudicar a essência do
Sacramento, para permitir à comunidade cristã essa “participação no sagrado” que não
podia ser realizada através da liturgia tradicional. Graças ao princípio da “participatio
actuosa”, a comunidade inteira tornara-se sujeito e portadora da ação litúrgica. “O termo,
aparentemente tão modesto, de ‘participação ativa’, plena e consciente, é índice de um
plano de fundo inesperado”, observou o Padre Angelus Häussling, sublinhando a relação
entre a “participatio actuosa” da Reforma litúrgica e aquela que, na escola de Karl Rahner,
foi chamada de “virada antropológica” (anthropologische Wende) da teologia. Não parece
ser exagero afirmar que a participatio actuosa da comunidade chega a ser o critério último
da Reforma litúrgica na perspectiva de uma secularização radical da liturgia. Tal
secularização comporta a extinção do sacrifício, ação sagrada por excelência, que será
substituída pela ação profana da comunidade que se auto-glorifica, ou, segundo as palavras
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
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de Urs von Balthasar, visa a responder ao louvor da Graça de Deus com uma “contraglória”
puramente humana. Não é mais o sacerdote, in persona Christi, isto é, o próprio
Deus, que age, mas a comunidade dos fiéis, in persona hominis, para representar as
exigências deste mundo moderno que um discípulo de Rahner definiu “como santo e
santificado em seu profano, isto é, santo sob forma anônima”. A uma “Palavra divina,
sacral e plurissecular”, que tem por conseqüência “uma liturgia sacralizada e separada da
rotina”, opõe-se uma Palavra de Deus que “não é pura revelação, mas também ação: ela
realiza o que ela manifesta”; ela é a “auto-realização absoluta da Igreja”.
A distinção, proposta por Rahner, entre a “secularização”, que deveria ser
positivamente admitida enquanto fenômeno inevitável, e o “secularismo” anti-cristão, que
não seria nada além de uma forma equivocada da secularização, é claramente capciosa. De
fato, a palavra secularização, ainda que tenha uma quantidade de sentidos diferentes, é
comumente compreendida – assim como o secularismo – como um processo de
“mundanização” irreversível da realidade, que é progressivamente privada de todo aspecto
transcendente e metafísico. Com efeito, a secularização se apresenta não somente como
uma aceitação de fato de uma secularização sempre crescente do mundo atual, mas
também como idéia de um processo irreversível e, enquanto irreversível, verdadeiro. A
secularização é “verdadeira”, visto que a verdade é de todo modo imanente à história; o
sagrado é “falso” por sua ilusão de transcender a história e de afirmar uma distinção
qualitativa entre a fé e o mundo, entre transcendente e transcendental. A fé no poder da
história toma assim o lugar da fé na Providência e no poder de Deus. Esta filosofia da
história se funda sobre o mito, próprio do iluminismo, do mundo tornado “adulto” que
deve se libertar dos valores do passado, concernentes à infância da humanidade, para se
chegar a um nível de vida totalmente racional. Tal visão encontrou expressão rigorosa no
pensamento protestante, sobretudo na tese de Bonhoeffer sobre a “maturidade do mundo”
(Mündigkeit der Welt) que fala por si só, uma maturidade que se alcança com a eliminação
do sagrado na vida em todas as dimensões. Esta maturidade foi levada a sua última
coerência pelo marxismo gramsciano que representou o desenvolvimento conseqüente ao
século XX da filosofia das Luzes e o ponto de chegada do secularismo enquanto
imanentismo radical.
A teologia progressista, sobretudo após o Concílio, quis substituir a filosofia
tradicional pela filosofia “moderna”, subordinando-se inevitavelmente ao marxismo. Este
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei

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último representava o progressismo católico da primeira filosofia que conseguira
transportar seu critério de verdade na práxis e que, no sucesso dessa práxis, parecia
demonstrar a verdade de seu pensamento. Notou-se a afinidade entre a visão teológica de
Tyrell, fundada sobre o primado da lex orandi sobre a lex credendi, e o conceito de “autorealização”
da Igreja em sua pastoral e na liturgia de Karl Rahner. Entretanto, as instâncias
do primeiro modernismo foram desenvolvidas pela teologia progressista no cerne de um
horizonte de pensamento que não era mais simplesmente positivista, mas marxista, um
horizonte de pensamento que conclui um processo, julgado necessário, que enterra suas
raízes na Filosofia das Luzes e no Protestantismo e, mais longe ainda, no movimento
intelectual que provocou o fim da sociedade medieval. “A filosofia da práxis – segundo
Gramsci – é o coroamento de todo o movimento de reforma intelectual e moral; (...) ela
corresponde ao laço Reforma protestante + Revolução francesa”. A filosofia da práxis
gramsciana, transcrita teologicamente, conduz à necessidade de uma nova praxis orandi.
A Reforma litúrgica se mostra, pois, como o Verbo da nova teologia que se faz
carne, quer dizer, práxis, “auto-realizando” a Igreja pela nova liturgia secularizada. Nova
liturgia e pós-modernidade; assim que se o pôde observar, viu-se que o problema vai bem
mais além da própria liturgia: ele toca os conceitos do conjunto sobre as relações entre
Igreja e a civilização moderna; ele remete à necessidade de uma teologia da história.
Sobretudo, ele não pode ser resolvido de modo abstrato, mas deve levar em conta o que se
passou na Igreja no decurso dos últimos trinta anos.
Através

A nova
teologia buscou o encontro com o mundo moderno exatamente nas vésperas da queda
desse mundo. Com efeito, em 1989, com o “socialismo real” que fala por si só, todos os
mitos da modernidade e da irreversibilidade da história da história que representavam os
postulados do secularismo e da “virada antropológica”, entraram em colapso. O paradigma
da modernidade foi substituído hoje pelo do “caos”, ou da “complexidade”, cujo
fundamento é a negação do princípio de identidade-causalidade em todos os aspectos do
real.
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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Subordinando-se a esse projeto cultural, a nova teologia progressista propõe-se a
“desconstrução” de tudo o que ela “fabricara” no decorrer desses trinta últimos anos,
começando pela Reforma litúrgica que ela considera hoje construída de acordo com um
modelo abstrato e “burocrático”. Assim, ao esquema “monocultural moderno” do novo
Ordo Missae, opõe-se a “inculturação” pós-moderna da liturgia que é abandonada à
“criatividade” das igrejas locais. O distanciamento da liturgia romana é descrito por Anscar
J. Chupungo segundo as fases da “aculturação”, da “inculturação” e da “criatividade
litúrgica”, através de um processo dinâmico que do termo ad quo do Rito romano
tradicional possa fazer suceder como termo ad quem, aos “valores, rituais e tradições”
próprias às igrejas locais. No cerne desse horizonte de “tribalismo litúrgico”, poder-se-ia,
pois, também prever a criação de um “ghetto” tradicionalista reconhecido canonicamente e
considerado como “igreja local” daqueles que querem permanecer “inculturados” no
passado.
Entretanto, esse “multirritualismo” pós-moderno não tem nada a ver com a
pluralidade de ritos reconhecida tradicionalmente pela Igreja no interior de uma mesma
unidade de fé e de uma só lex credendi, da qual os diferentes ritos são expressão.


Hoje a
fragmentação dos ritos arrisca desembocar numa parcelização das visões teológicas e
eclesiológicas destinadas a entrar em conflito. O caos litúrgico se apresenta como um
reflexo da desordem institucionalizada que se quis introduzir na Igreja para transformar sua
Constituição divina. Como não partilhar essas palavras do Cardeal Ratzinger?: “O que
anteriormente nós sabíamos apenas teoricamente, tornou-se uma experiência concreta: a Igreja
subsiste e cai com a liturgia. Quando a adoração à Trindade divina desaparece, quando na
liturgia da Igreja a fé não se manifesta mais em sua plenitude, quando as palavras, os
pensamentos, as intenções do homem o sufocam, então a Fé terá perdido seu lugar de expressão
e sua morada. Portanto, é para isso que a celebração da santa Liturgia é o centro de toda a
renovação da Igreja”.
Propostas de solução. Em seguida a estas considerações, podemos deduzir
algumas conclusões práticas que eu me permito expor por espírito de amor à Igreja e à
Verdade.
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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1. Do ponto de vista dos católicos fiéis à Tradição, sacerdotes e leigos, a
solução de todo o problema, a curto prazo, deve ser buscada, a meu ver, no interior de duas
“invariáveis”: de um lado é necessário que os fiéis “tradicionais” reconheçam, não
somente em teoria, mas também em todas as suas conseqüências práticas, a plenitude
da jurisdição pertinente a autoridade eclesiástica legítima. Por outro lado, é óbvio que,
a autoridade eclesiástica não pode legitimamente exigir dos sacerdotes e fiéis que façam
positivamente o que quer que seja, que vá contra sua própria consciência. O Cardeal
Ratzinger escreveu páginas bem agudas sobre a inviolabilidade da consciência que tem seu
fundamento no direito de crer e viver como cristãos fiéis. “O direito fundamental do cristão
– escreveu ele – é o direito à fé íntegra”. Poderíamos acrescentar e a uma liturgia íntegra.
Não será difícil deduzir as conseqüências canônicas e morais destes princípios claros.



2. Olhando as coisas não do ponto de vista dos católicos fiéis à Tradição, mas
sub specie Ecclesiae, parece-me que a única via que a autoridade eclesiástica possa
razoavelmente percorrer a meio termo, seja aquela indicada pela fórmula “reforma da
Reforma litúrgica”. Esta via suscita em alguns “tradicionalistas” perplexidade e ceticismo,
pois que a “reforma da Reforma” não constituiria uma “restauração” verdadeira e íntegra
do rito tradicional. Mas é verdadeiro, como sustentam os próprios tradicionalistas, que a
Reforma litúrgica chegou a executar uma verdadeira “Revolução”, no mesmo momento em
que ela afirmava sua continuidade com a Tradição, como negar a uma reforma de espírito
contrário, a possibilidade de chegar, mesmo gradativamente, a um retorno à Tradição?


Por
outro lado, deveria ser claro que a “reforma da Reforma” não teria sentido se ela fosse
“oferecida”, ou melhor, imposta aos “tradicionalistas”, para lhes pedir que abandonassem
um ritual ao qual, por consciência, eles não querem renunciar; ela tem um sentido, ao
contrário, se ela fosse proposta à Igreja universal para retificar, ao menos em parte, os
d

esvios litúrgicos em curso.

A “reforma da Reforma” tem um sentido enquanto
“transição” no caminho para a Tradição e não enquanto pretexto para abandoná-la.
3. Estas medidas, ainda que necessárias, não podem resolver o problema de
fundo. Em uma fase que alguns poderiam considerar longa demais, mas que, na realidade,
é somente urgente, já que não admite atalhos, é necessário renovar com uma visão
teológica, eclesiológica e social, fundada sobre a dimensão do sagrado, isto é, sobre um
projeto de ressacralização da sociedade, diametralmente oposto ao projeto de secularização
e de descristianização, do qual nós sofremos as conseqüências dramáticas. Isso significa
Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
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que não se pode imaginar uma reforma ou restauração litúrgica fazendo abstração de uma
reforma ou restauração no plano teológico, eclesiológico e cultural. A ação no plano da lex
orandi deverá ser paralela àquela executada no plano da lex credendi para a reconquista dos
princípios fundamentais da teologia católica, a começar por uma teologia exata do Santo
Sacrifício da Missa. Hoje o secularismo está em crise. Todavia, as novas formas de
sagrado, oriundas da religiosidade New Age ou do Islam que prosperam no Ocidente,
eliminam o Sacrifício de Jesus Cristo e, portanto, a idéia de que o homem pode ser
salvo somente pelo Amor gratuito de Deus, por Seu Sacrifício, e que a tal dom, o
homem deve responder abraçando ele também a Cruz redentora.


É necessário assim
se aproximar com amor do mistério sublime da Cruz e da idéia de sacrifício que dela
decorre. O sacrifício, cujo modelo é o mártir e cuja expressão é o combate cristão, é
antes de tudo a renúncia a um bem legítimo em nome de um bem mais elevado. O
sacrifício supõe uma mortificação da inteligência que deve se dobrar à Verdade,
sobre uma linha exatamente contrária àquela da auto-glorificação do pensamento
humano que caracterizou os últimos séculos. Mas como imaginar uma reconquista da
idéia de sacrifício que está no coração da visão católica da história e da sociedade sem que
esta idéia seja antes de tudo vencida? É necessário, parece-me, que a idéia de sacrifício
impregne a sociedade na forma, hoje extremamente abandonada, de espírito de sacrifício e
de penitência. Esta, e não outra, é a “experiência do sagrado” da qual nossa sociedade tem
uma necessidade urgente.


Ao princípio do hedonismo e da auto-celebração do “Eu”,
que constitui o cume do processo revolucionário plurissecular, que ataca a sociedade,
é necessário opor o princípio vencido do sacrifício.
Uma reconquista católica da sociedade é impossível sem espírito de penitência e
de sacrifício, e sem essa reconquista de princípios e de instituições cristãs, é difícil poder
imaginar um retorno à liturgia autêntico e a seu coração: a adoração devida do único e
verdadeiro Deus. O chamado à penitência, sobretudo um exemplo de penitência, podem
valer muito mais que numerosas teorias. É talvez para isso que em Fátima a Santíssima
Virgem indica o caminho da penitência como sendo o único pelo qual o mundo
contemporâneo se poderia salvar. O triplo chamado do Anjo à penitência, no Terceiro
segredo de Fátima, é um manifesto da doutrina e da vida que nos indica a via para toda a
restauração, mesmo a litúrgica.
fonte:fratres in unum

Six New Priests for the FSSP in North America


The Priestly Fraternity of St. Peter in North America recently saw six new priests ordained in the Cathedral of Lincoln, Nebraska by Bishop Fabian Bruskewitz.

Read the whole story here. A full photo gallery has also been made available.
fonte:new liturgical movement

A SANTA MISSA É O MELHOR SACRIFÍCIO DE ACÇÃO DE GRAÇAS: Este sacrifício de acção de graças é a santa Missa, e assisti-la com esta intenção é, por conseguinte, uma maneira perfeita de agradecer a nosso soberano Benfeitor. “Este santo Sacrifício, diz Santo Irineu, foi instituído a fim de que não fôssemos ingratos para Deus” (Lib. 4, contra haer. C. 22). Fora deste Sacrifício, nada acharíamos para oferecer à Santíssima Trindade, na proporção de seus benefícios.


Os benefícios de Deus para conosco estão acima de todo o número e de todo o alcance. Criou-nos, concedeu-nos os sentidos e todos os membros do corpo; deu-nos uma alma feita à sua imagem e semelhança; santificou-a pelo batismo, escolheu-a para ser-lhe esposa; confiou-a à guarda de um Anjo. Cuida de nós, noite e dia, perdoa-nos os pecados pelo Sacramento da Penitência, e sustenta-nos com sua Carne no Sacramento da Eucaristia. Suporta, pacientemente, nossas ofensas, dá-nos boas inspirações, aguardando nossa conversão. Instrui-nos pela boca de seus sacerdotes, atende as nossas fracas orações e preserva-nos de mil perigos. É nossa consolação nas penas, nosso escudo nas tentações, a recompensa em qualquer circunstância. Como se tantas graças não fossem suficientes, acrescentou mais uma, excelente entre todas: adotou-nos por seus filhos.

“Considerai que amor o Pai nos testemunhou, fazendo que nos chamássemos filhos de Deus e que efetivamente o fôssemos”, escreve o Apóstolo São João (I Epístola, 3, 1). “Se somos filhos”, diz, por sua vez, São Paulo, “somos também herdeiros de Cristo” (Romanos, 8, 17). Não é excesso de bondade que pobres mendigos sejam admitidos à adoção e à herança do Rei dos reis?

Depois deste dom incomparável, sua mão paterna não se fechou; tendo o pecado nos colocado sob o poder de Satanás, Deus libertou-nos por seu Filho Jesus. “Deus amou tanto ao mundo que lhe deu seu Filho único” (Jo. III, 16), não só revestindo-o de nossa natureza, porém entregando-o por nós à morte mais dolorosa.

Se Deus não nos tivesse concedido outra coisa além de um olhar favorável, quem poderia agradecer-lhe bastante? Não é Ele a Majestade infinita, e nós, pobres criaturas? Como então agradecer a Jesus Cristo sua encarnação, vida, paixão e morte? Não devemos dizer com o rei David: “Que renderei ao Senhor por todos os bens de que me tem cumulado?” (Sl. 115) ou com o profeta Miquéias: “Que posso oferecer ao Altíssimo que seja digno dele?” (5, 6). E eis a resposta inspirada do santo rei: “Oferecerei um sacrifício em ação de graças e cumprirei meus votos ao Senhor” (Sl. 115).

Este sacrifício de acção de graças é a santa Missa, e assisti-la com esta intenção é, por conseguinte, uma maneira perfeita de agradecer a nosso soberano Benfeitor. “Este santo Sacrifício, diz Santo Irineu, foi instituído a fim de que não fôssemos ingratos para Deus” (Lib. 4, contra haer. C. 22). Fora deste Sacrifício, nada acharíamos para oferecer à Santíssima Trindade, na proporção de seus benefícios.

Também as palavras do missal indicam, claramente, o caráter de ação de graças da santa Missa. Além dos versículos já citados do “Glória”, se diz no “Prefácio”: “Agradeçamos ao Senhor, nosso Deus. É verdadeiramente justo e razoável, é proveitoso e salutar agradecer-Vos, sempre e em todo o lugar, Senhor santo, Pai poderosíssimo, Deus eterno, por Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Imediatamente antes da consagração, o sacerdote diz: “Ele tomou o pão em suas mãos santas e veneráveis, e, levantando os olhos para o céu, rendeu graças”.

Oh! amável elevação dos olhos de meu Jesus! Oh! poderoso testemunho de gratidão, substituindo nossos agradecimentos incompletos! O que Jesus fez depois da última Ceia, renova-o em cada Missa. E nesta ação de graças duma pessoa divina, sendo infinita, Deus encontra uma satisfação incomparável.

Pesai agora o valor desta ação de graças. Se, desde a infância até agora, tivésseis agradecido a Deus os inumeráveis benefícios, teríeis feito menos do que assistindo apenas a uma Missa em ação de graças. Se tivésseis convidado todas as almas piedosas a unir os cânticos de agradecimento aos vossos, e, durante toda a vida, todos juntos, tivésseis unido vossas vozes e vossos corações, o resultado jamais atingiria ao da celebração da santa Missa. Dizemos mais, se o próprio exército celeste tivesse assumido esta tarefa, não se aproximaria da perfeição do reconhecimento testemunhado a Deus por Jesus Cristo sobre o altar.

Oh! Deus, faça-nos compreender o tesouro, oculto na santa Missa. Tal conhecimento nos tornaria felizes e ávidos de assistirmos ao divino Sacrifício!

“As graças, diz São Tomás de Aquino, devem ser referidas ao seu autor pela gratidão, e isto pelo mesmo canal com que no-las transmitiu”.

Jesus, porém, é o caminho pelo qual nos chega todo o bem. Logo, por Jesus Cristo, imolado sobre o altar, nossas ações de graças devem subir ao céu.

Também São Paulo, escrevendo aos Coríntios, diz: “Rendo ao meu Deus continuadas ações de graças, por vós, pela graça que vos foi feita em Jesus Cristo. Porque nele fostes cumulados de riquezas, de maneira que não ficais inferiores a ninguém em toda a sorte de graças” (I Cor. 1, 4)

Considerai, pois, piedoso leitor, quanto és devedor pela instituição da santa Missa, visto que, sem ela, não terias o meio de agradecer, dignamente, a Deus. Praza a Deus que possas apreciar bastante nossa felicidade. No santo Sacrifício, Jesus torna-se nossa propriedade; com ele possuímos-lhe os méritos, de maneira que, em união com a Vítima divina, podemos oferecê-los ao Rei celeste e apagar a dívida que nos acabrunha

fonte: http://www.derradeirasgracas.com/

A Santa Missa e Seu Valor :"Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo com uma devoção e amor acima do entendimento dos anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a salvação da humanidade”. Santa Matilde



"Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo com uma devoção e amor acima do entendimento dos anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a salvação da humanidade”.

Santa Matilde

Às vezes me pergunto se o Fiel Católico, não aquele que vai à Santa Missa de vez em quando, mas aquele que está “inserido” e “engajado” na “vida de Igreja” sabe realmente o que é a Santa Missa...

Fico me perguntando se as “pastorais litúrgicas” sabem realmente o valor litúrgico e sacramental da Santa Missa...

E algumas das vezes, infelizmente não poucas, tenho vontade perguntar ao Sacerdote que celebrou a Santa Missa se ele realmente acredita no que é a SANTA MISSA...

Em algumas “liturgias”, cuidadosamente preparadas pelas pastorais, não se pode notar nada que seja verdadeira liturgia, e na maioria das vezes nada que seja a Santa Missa...

Desejo eu tornar claro que a Santa Missa É o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente vivido, numa condição atemporal e alocatária, ou seja, numa condição que não tem tempo nem lugar. A Santa Missa é a vivência do Sacrifício de Nosso Senhor. Não é lembrança, nem símbolo, muito menos é um “como se fosse”...

A SANTA MISSA É O SACRIFÍCIO DE NOSSO SENHOR!!!

A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para remissão dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

Vejo tantas vezes a Santa Missa ser “vivida” como um ato teatral, ou então como uma reunião social... Vejo a carência absoluta da sacralidade... do mistério...

Num outro dia, deixando claro que a Santa Missa deve ser celebrada em Latim, e que o vernáculo é apenas permissão (note-se bem que eu não estou sendo contrário à adoção do vernáculo), fui replicado com o seguinte argumento:

“Se já em português ninguém entende, quanto mais em Latim...”

Ora!!! E de onde surgiu a errônea idéia de que a Santa Missa é para ser entendida?

Acaso se pode entender um Mistério sem que ele seja revelado?

Sendo, então, a Santa Missa o mais alto de todos os Mistérios, como poderemos nós querer entende-la?

Nem em Latim nem em português, caros amigos... Nunca entenderemos a Santa Missa...

É óbvio que sou eu partidário e incentivador de que se estude o Santo Sacrifício para melhor se poder vivê-lo. Mas ainda que O estudemos até a exaustão, não compreenderemos em nada.

A Santa Missa é Mistério!

Nela devemos conhecer o que nos é possível. Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.

Devemos conhecer também a nossa forma de viver o Santo Sacrifício; quais os gestos e posturas que devemos ter; quais as orações que devemos responder; quais as orações que devemos rezar junto com o sacerdote. E assim não criarmos umas “invencionices litúrgicas” que aparecem por aí, tais como rezar a oração dita “da Paz” junto com o Sacerdote; ou então a Doxologia (Por Cristo...); ou ainda termos os braços levantados na Doxologia ou no Pai Nosso; sem contar a s tais danças, palmas, teatrinhos...

Essas coisas, mal colocadas na Sagrada Liturgia, só fazem desviar nossa atenção do que é verdade da Santa Missa: O Sacrifício de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo – O Calvário!!!

Teríamos nós coragem de ver o Justo dos justos a morrer em sua Santa Cruz e, desgraçadamente, aplaudirmos, ou dançarmos?

É isso que ocorre quando na Santa Missa. É vermos o Nosso Salvador ser crucificado por nossos pecados e aplaudirmos, sem nenhuma contrição, sem nenhum respeito, sem nenhuma gratidão.

Isso nem mesmo Judas Iscariotes o fez... Estamos então sendo piores que Judas...

Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste Trono da Graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.
É necessário conhecermos o rito litúrgico porque por meio das ações e das cerimônias expressam-se mais vivamente as idéias do que por palavras. Além disso, elas foram estabelecidas pela Igreja para nos edificar, nos instruir e despertar nossa atenção, bem como Deus lhes atribuiu graças particulares.

Na Santa Missa encontramos reunidas todas as grandezas da pessoa de Jesus Cristo:
· seu poder como Deus;
· seu estado de imolação como homem;
· vivo, para interceder por nós;
· sob os símbolos da morte para nos aplicar o preço dos seus padecimentos;
· pontífice santo e sem mancha, mais elevado que os céus;
· Cordeiro Imolado, cujo sangue correrá até a consumação dos séculos, para lavar todos os pecados;
· Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque com um sacerdócio eterno;
· oblação pura oferecida desde o ocaso até a aurora;
· pontífice e vítima convenientes à santidade de Deus.

E que fazem então as palmas e danças na Santa Missa? É tão claro que não há lugar para essas “invencionices” que só procuram diminuir o verdadeiro sentido e valor da Santa Missa.

E os “liturgistas”, estudados e entendidos do assunto, me replicariam, dizendo que o Rei Davi, para se redimir e louvar a Deus dançou, e ainda mais, dançou nu, diante da Arca da Aliança.

E eu pergunto: Foi na Santa Missa? Era a Arca da Aliança o Sacrário onde está Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo?

Claro que não! A Arca da Aliança não era morada do Deus Vivo e Verdadeiro. E ainda assim era condenado com a morte quem nela tocava. E o Rei Davi, quando dançou, não estava dentro da cerimônia litúrgica. E mais: Davi estava em estado de desespero, e quis colocar toda a sua miséria diante de Deus. Em seu desespero fez ele o que lhe foi possível: dançou nu diante da Arca.

Na Santa Missa não vamos em estado de desespero. Vamos com contrição de alma; com compunção do coração. Na Santa Missa já devemos estar perdoados dos nossos pecados pelo Sacramento da Confissão. É com o coração puro que devemos nos aproximar do Altar do Senhor. Diferente do Rei Davi...

A Santa Missa é uma imagem antecipada do céu; nela se adora o mesmo Deus; em seu santuário se reúnem seus filhos: nela vemos o mesmo que é visto no céu, as orações, os cânticos, os perfumes; anjos circundando o altar, santos que o sustentam, toda a Igreja, toda a cidade de Deus oferecida por Jesus Cristo e unindo-se a Deus. Numa palavra, Deus presente ainda que coberto por véus, o mesmo Deus que veremos face a face, Deus convertido em manjar sob a aparência de um pão que já não mais existe, o mesmo que nos confortará eternamente com sua glória pela verdade e felicidade.

Isso é a Santa Missa!!! Não a diminuamos. Vivamo-la de todo o nosso coração. Esforcemo-nos por participarmos perfeitamente no Santo Sacrifício, observando as rubricas, as posturas, os gestos... Ainda que os que se metem a preparar a Sagrada Liturgia o façam de maneira a diminuí-la (espero eu que seja por ignorância), não permitamos que para nós ela seja outra coisa que não o Supremo Sacrifício Redentor de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
fonte: virtus in medio

La Libertad Religiosa del Vaticano II




Mons. Marcel Lefebvre
"Le Destronaron"

Según el Vaticano II, la persona humana tendría derecho, en nombre de su dignidad, a no ser impedida en el ejercicio de su culto religioso, sea cual fuere, en privado o en público, salvo si esto perjudicara la tranquilidad y la moralidad pública. Convendrán conmigo que la moralidad pública del Estado “pluralista” promovida por el Concilio, no molesta mucho esta libertad; tampoco la corrompida sociedad liberal limitaría el derecho a la libertad del “concubinato”, si, en nombre de la dignidad humana, fuera dicho indistintamente de los amancebados y de los casados.

Así pues ¡Musulmanes! ¡Rezad tranquilamente en nuestras calles cristianas, construidas vuestras mezquitas y minaretes junto a los campanarios de nuestras iglesias, la Iglesia del Vaticano II os asegura que no debemos impedíroslo; lo mismo para vosotros budistas, hinduistas...!

Mediante esto, nosotros los católicos os pediremos la libertad religiosa en vuestros países, en nombre de la libertad que os acordamos en los nuestros... Podremos así defender nuestros derechos religiosos frente a los regímenes comunistas, en nombre de un principio declarado por una asamblea religiosa tan solemne, y ya reconocida por la O.N.U. y la Francmasonería... Es, por otra parte, la reflexión que me hizo el Papa Juan Pablo II en la audiencia que me concedió el 18 de noviembre de 1978: “Fíjese, me dijo, la libertad religiosa nos fue muy útil contra el comunismo en Polonia.” Yo tenía ganas de contestarle: “Muy útil puede ser, como argumento ad hominem, ya que los regímenes comunistas tienen la libertad de cultos inscripta en sus Constituciones pero no como principio doctrinal de la Iglesia Católica.”

I
LIBERTAD RELIGIOSA Y VERDAD
En todo caso, es esto, lo que respondía por adelantado el Padre Garrigou-Lagrange:

“Nosotros podemos (...) hacer de la libertad de cultos un argumento ad hominem contra aquellos que, a la vez que proclaman la libertad de cultos, persiguen a la Iglesia (Estados laicos y socializantes), o impiden su culto directa o indirectamente (Estados comunistas, islámicos, etc.). Este argumento ad hominem es justo y la Iglesia no lo desdeña, usándolo para defender eficazmente su derecho a la libertad. Pero no se sigue, que la libertad de cultos, considerada en sí misma, sea sostenible para los católicos como principio, porque ella es de suyo absurda e impía, pues la verdad y el error no pueden tener los mismos derechos.”
Me resulta agradable repetirlo: sólo la verdad tiene derechos, el error no tiene ningún derecho, es la enseñanza de la Iglesia:
“El derecho, escribe León XIII, es una facultad moral que, como hemos dicho y conviene repetir mucho, es absurdo suponer haya sido concedido por la naturaleza de igual modo a la verdad y al error, a la honestidad y a la torpeza. Hay derecho para propagar en la sociedad libre y prudentemente lo verdadero y lo honesto para que se extienda al mayor número posible su beneficio; pero en cuanto a las opiniones falsas, pestilencia la más mortífera del entendimiento (...) es justo que la pública autoridad los cohíba con diligencia para que no vayan cundiendo insensiblemente en daño de la misma sociedad.”
Bajo esta luz, es claro que las doctrinas y los cultos de las religiones erróneas no tienen, de suyo, ningún derecho a que se las deje expresar y propagar libremente. Para evitar esa evidencia solar, en el Concilio objetaron que la verdad o el error, propiamente hablando no tienen ningún derecho, que son las personas quienes tienen los derechos y son “sujetos de derecho”. Así, intentaban desviar el problema poniéndolo en un nivel puramente subjetivo y esperando, de esta manera, poder hacer abstracción de la verdad. Pero este intento fue vano, como lo demostraré ahora, situándome en la problemática misma del Concilio.

La libertad religiosa, considerada desde el punto del “sujeto de derecho”, consiste en acordar el mismo derecho a aquellos que se adhieren a la verdad religiosa y a aquellos que están en el error. ¿Es concebible semejante derecho? ¿En qué lo funda el Concilio?

¿Los derechos de la conciencia?

Al comienzo del Concilio, algunos quisieron fundar la libertad religiosa sobre los derechos de la conciencia: “La libertad religiosa sería vana si los hombres no pudieran traducir los imperativos de su conciencia en actos exteriores”, declaró Mons. de Smedt en su discurso introductorio. El argumento era el siguiente: cada uno tiene el deber de seguir su conciencia, pues ella es para cada uno la regla inmediata de la acción. Ahora bien, esto vale no sólo para una conciencia verdadera, sino también para una conciencia invenciblemente errónea, que es la de numerosos adeptos de las falsas religiones; estos tienen el deber de seguir su conciencia y, por consiguiente, debe dejárseles la libertad de seguirla y de ejercer su culto.

El disparate del razonamiento fue pronto evidenciado y debieron resignarse a hacer fuego con otra madera. En efecto, el error invencible, es decir no culpable, disculpa toda falta moral, pero no por eso hace la acción buena y por lo mismo no da ningún derecho a su autor. El derecho no puede fundarse más que sobre la norma objetiva de la ley, y en primer lugar, sobre la ley divina, que regula, en particular, la manera cómo Dios quiere ser honrado por los hombres.

¿La dignidad de la persona humana?

Al no brindar la conciencia un fundamento suficientemente objetivo se creyó encontrar uno en la dignidad de la persona humana. “El Concilio del Vaticano declara (...) que el derecho a la libertad religiosa se funde realmente en la dignidad misma de la persona humana” (D. H. 2). Esta dignidad consiste en que el hombre, dotado de inteligencia y de libre albedrío, está ordenado por su misma naturaleza a conocer a Dios, lo que no puede lograr si no se le deja libre. El argumento es éste: el hombre es libre, luego, debe dejársele libre. O de igual manera: el hombre está dotado de libre albedrío, luego, tiene derecho a la libertad de acción. Se reconoce el principio absurdo de todo liberalismo, como lo llama el Card. Billot. Es un sofisma: el libre albedrío se sitúa en el terreno del ser, la libertad moral y la libertad de acción en el plano del obrar. Una cosa es lo que Pedro es por naturaleza y otra lo que llega a ser (bueno, o malo, en la verdad o en el error) mediante sus actos. Por cierto, la dignidad humana radical es la de una naturaleza inteligente y por consiguiente capaz de una elección personal, pero su dignidad terminal (final) consiste en adherir “en acto” a la verdad y al bien. Es esta dignidad terminal la que merece para cada cual la liber-tad moral (facultad de obrar) y la libertad de acción (facultad de no ser impedido de obrar). Pero, en la medida en que el hombre se adhiere al error o se apega al mal, pierde su dignidad terminal o no la alcanza y ya no puede fundarse nada sobre ella. Esto es lo que enseñaba magníficamente León XIII en dos textos ocultados por Vaticano II. Hablando de las falsas libertades modernas, escribe León XIII en la Immortale Dei:

“Cuando la mente da el asentimiento a opiniones falsas y la voluntad abraza lo que es malo y lo practica, ni la mente ni la voluntad alcanzan su perfección, antes bien se desprenden de su dignidad natural y se despeñan a la corrupción. Por lo tanto, no debe manifestarse ni poner ante los ojos de los hombres lo que es contrario a la virtud y a la verdad; mucho menos defenderlo por la fuerza y la tutela de la ley.”

Y en Libertas, el mismo Papa precisa en que consiste la verdadera libertad religiosa y sobre qué debe fundarse:

“También se pregona con gran ardor la que llaman libertad de conciencia, que, si se toma en el sentido de ser lícito a cada uno, según le agrade, dar o no un culto a Dios, queda suficientemente refutada con lo ya dicho. Pero puede también tomarse en el sentido de ser lícito al hombre, según su conciencia, seguir en la sociedad la voluntad de Dios y cum-plir sus mandatos sin el menor impedimento. Esta libertad verdadera, digna de los hijos de Dios, y que ampara con el mayor decoro a la dignidad de la persona humana, está por encima de toda injusticia y violencia, y fue deseada siempre y singularmente amada de la Iglesia.”
A verdadera dignidad, verdadera libertad religiosa; a falsa dignidad, falsa libertad religiosa.
La libertad religiosa ¿derecho universal a la tolerancia?
El Padre Ph. André-Vincent, que se interesaba mucho por este asunto, me escribió, un día, para ponerme en guardia: atención, me decía, el Concilio no pide para los adeptos de las falsas religiones el derecho “afirmativo” de ejercer su culto, sino solamente el derecho “negativo” de no ser impedidos en el ejercicio, público o privado, de su culto. En definitiva, Vaticano II no habría hecho más que generalizar la doctrina clásica de la tolerancia.

En efecto, cuando un Estado católico, en razón de la paz civil, para la cooperación de todo el bien común, o de una manera general, para evitar un mal mayor o causar un bien mayor, juzga que él debe tolerar el ejercicio de tal o cual culto, puede, entonces, o “cerrar los ojos” acerca de ese culto por una tolerancia de hecho, no tomando ninguna medida coercitiva a su respecto; inclusive dar a sus adeptos el derecho civil de no ser molestados en el ejercicio de su culto. En este último caso, se trata de un derecho puramente negativo. Por otra parte, los Papas, no dejan de subrayar que la tolerancia civil no concede ningún derecho “afirmativo” a los disidentes, ningún derecho de ejercer su culto, pues semejante derecho afirmativo no puede fundarse más que sobre la verdad del culto considerado:

“Si las circunstancias lo exigen, se pueden tolerar desviaciones de la regla, cuando son introducidas en vistas a evitar mayores males, sin elevarlos, sin embargo, a la dignidad de derechos, contra las eternas leyes de la justicia.”

“Por esta causa, y sin conceder el menor derecho sino sólo a lo verdadero y honesto, no rehuye que la autoridad pública soporte algunas cosas ajenas de verdad y justicia, con motivo de evitar un mal mayor o de adquirir y conservar un mayor bien.”
“Sea cual fuere su carácter religioso, ningún Estado o comunidad de Estados, puede dar un mandato positivo o una autorización positiva de enseñar o hacer lo que sería contrario a la verdad religiosa o al bien moral (...) Otra cosa, esencialmente diferente, es ésta: en una comunidad de Estados ¿se puede, al menos en determinadas circunstancias, estable cer la norma del libre ejercicio de una creencia o de una práctica religiosa en vigor en un Estado-miembro, que no sea impedido en todo el territorio de la comunidad por medio de las leyes u ordenanzas coercitivas del Estado?” (el Papa respondió afirmativamente: sí, “en ciertas circunstancias” tal norma puede ser establecida).
El Padre Baucher resume esta doctrina de una manera excelente: “Decretando la tolerancia se considera que el legislador no quiere crear, en beneficio de los disidentes, el derecho o la facultad moral de ejercer su culto, sino solamente el derecho de no ser perturbados en el ejercicio de ese culto. Sin tener nunca el derecho de obrar mal, se puede tener el derecho de no ser impedido de obrar mal, cuando una ley justa lo permite por motivos suficientes.”

Pero agrega con razón: una cosa es el derecho civil a la tolerancia, cuando ésta es garantizada por la ley en vista al bien común de tal o cual nación en determinadas circunstancias; otra cosa es el pretendido derecho natural e inviolable a la tolerancia para todos los adeptos de todas las religiones, por principio y en toda circunstancia.

En realidad, el derecho civil a la tolerancia, aún cuando las circunstancias que lo legitiman parecen multiplicarse en nuestros días, sigue siendo estrictamente relativo a dichas circunstancias:

“Como la tolerancia de los males, escribe León XIII, es cosa tocante a la prudencia política, ha de estrecharse absolutamente a los límites que pide la causa de esta tolerancia, esto es, al público bienestar. De modo que si daña a éste y ocasiona mayores males a la sociedad, es consiguiente que ya no es lícita, por faltar en tales circunstancias la razón del bien.”

Apoyándose sobre los actos del Magisterio anterior, habría sido muy difícil al Vaticano II, el proclamar un derecho natural y universal a la tolerancia. Por lo demás, evitaron cuidadosamente la palabra “tolerancia” que parecía demasiado negativa, pues lo que se tolera es siempre un mal; en cambio, se quería destacar los valores positivos de todas las religiones.

La libertad religiosa, ¿derecho natural a la inmunidad?
El Concilio, sin invocar la tolerancia, definió, pues, un simple derecho natural a la inmunidad: el derecho de no ser perturbado en el ejercicio del propio culto, sea éste cual fuere.

La astucia, al menos el procedimiento astuto, era evidente: al no poder definir un derecho al ejercicio de todo culto, ya que tal derecho no existe para los cultos erróneos, se las ingeniaron para formular un derecho natural a la sola inmunidad que valga para los adeptos de todos los cultos. Así, todos los “grupos religiosos” (pudoroso calificativo para cubrir la Babel de las religiones) gozarían naturalmente de la inmunidad de toda coacción en su “culto público de la divinidad suprema” (¿de qué divinidad se trata?) y también se beneficiarían del “derecho de no ser impedidos de enseñar y de manifestar su fe (¿qué fe?) públicamente, oralmente y por escrito” (D. H. 4).

¿Es imaginable una mayor confusión? Todos los adeptos de todas las religiones, tanto de la verdadera como de las falsas, absolutamente reducidos al mismo pie de igualdad, gozarían de un mismo derecho natural, bajo el pretexto de que se trata sólo de un “derecho a la inmunidad”. ¿Acaso es concebible?

Es harto evidente que, de suyo, los adeptos de la religión errónea, por este solo título, no gozan de ningún derecho natural a la inmunidad. Permitidme ilustrar esta verdad con un ejemplo concreto. Si vosotros quisierais impedir la oración pública de un grupo de musulmanes en la calle, o incluso el perturbar su culto en una mezquita, eventualmente, pecaríais contra la caridad y seguramente contra la prudencia, pero no causaríais a esos creyentes ninguna injusticia. No se verían heridos en ninguno de los bienes a los que tienen derecho, ni en ninguno de sus derechos a estos bienes; en ninguno de sus bienes, porque su verdadero bien no es el de ejercer sin trabas su culto falso, sino el de poder ejercer un día el verdadero; en ninguno de sus derechos, pues ellos tienen el derecho a ejercer el “culto de Dios en privado y en público” y a no ser impedidos, pero ¡el culto de Alá no es el culto de Dios! En efecto, Dios mismo reveló el culto con el que quiere ser honrado exclusivamente, que es el culto de la Religión católica.

Por ende, si en justicia natural, no se perjudica de ninguna manera a esos creyentes al impedir o perturbar su culto, es porque no tienen ningún derecho natural a no ser perturbados en su ejercicio.

Se me va a objetar que yo soy “negativo”, que no sé considerar los valores positivos de los cultos erróneos. Al hablar más arriba de la “búsqueda” ya respondí a esta objeción. Se me replicará, entonces, que la orientación fundamental de las almas de los adeptos a los falsos cultos sigue siendo recta y que se le debe respetar y, por lo mismo, debe respetarse el culto que practican. No podría oponerme al culto sin quebrar esas almas, sin romper su orientación hacia Dios. Así, en razón de su error religioso, dicha alma, no tendría el derecho a ejercer su culto, pero como de todos modos, ella estaría “conectada con Dios”, por esa razón tendría derecho a la inmunidad en el ejercicio de su culto. Todo hombre tendría así un derecho natural a la inmunidad civil en materia religiosa.

Admitamos por un instante esta llamada orientación naturalmente recta hacia Dios de toda alma en el ejercicio de su culto. No es en absoluto evidente que el deber de respetar su culto, por esta razón, sea un deber de justicia natural. Me parece, hablando con propiedad, que se trata de un puro deber de caridad. Siendo así, este deber de caridad no otorga a los adeptos de los falsos cultos ningún derecho natural a la inmunidad, pero sugiere al Poder civil el acordarles un derecho civil a la inmunidad. Ahora bien, precisamente el Concilio proclama para todo hombre, sin probarlo, un derecho natural a la inmunidad civil. Me parece, al contrario, que el ejercicio de los cultos erróneos no puede superar el estatuto de un simple derecho civil a la inmunidad, lo cual es muy diferente.

Distingamos bien, por una parte, la virtud de justicia que, al acordar a unos sus deberes, da a los otros el derecho correspondiente, es decir, la facultad de exigir, y por otra parte, la virtud de caridad que, por cierto, impone deberes a unos, sin atribuir por eso ningún derecho a los otros.

¿Una orientación natural de todo hombre hacia Dios?

El Concilio (D. H. 2-3), además de la dignidad radical de la persona humana invoca su búsqueda natural de lo divino: todo hombre en el ejercicio de su religión, sea cual fuere, estaría, de hecho, orientado hacia el Verdadero Dios, en búsqueda aún inconsciente del Verdadero Dios, “conectado con Dios” si se quiere, y, por esta razón tendría un derecho natural a ser respetado en el ejercicio de su culto.

Si un budista quema varillas de incienso ante un ídolo de Buda, para la teología católica comete un acto de idolatría; sin embargo, a la luz de la nueva doctrina descubierta por Vaticano II, el expresaría el “esfuerzo supremo de un hombre para buscar a Dios.” Por consiguiente, este acto religioso tendría derecho a ser respetado, este hombre tendría derecho a no ser impedido de realizarlo y tendría derecho a la libertad religiosa.

Primero hay una contradicción en afirmar que todos los hombres dados a los falsos cultos, de suyo, están naturalmente orientados hacia Dios. Un culto erróneo, de suyo, no puede más que alejar a las almas de Dios, ya que las encamina en una dirección que de suyo, no las conduce hacia Dios.

Se puede admitir que en las falsas religiones, algunas almas puedan estar orientadas hacia Dios, pero esto es porque ellas no se apegan a los errores de su religión. No se orientan hacia Dios gracias a su religión, sino, a pesar de ella. Por consiguiente, el respeto que se debería a esas almas no implicaría que se deba respeto a su religión.

De todos modos, la identidad y el número de esas almas que Dios se digna volver hacia El por su gracia, permanece perfectamente oculto e ignorado. Por cierto que no son muchas. Un sacerdote originario de un país de religión mixta, me refería, un día, su experiencia respecto a aquellos que viven en las sectas heréticas; me decía su sorpresa al comprobar cómo esas personas están, ordinariamente, endurecidas en sus errores y poco dispuestas a examinar las observaciones que puede hacerles un católico, poco dóciles al Espíritu de la Verdad...

La identidad de las almas verdaderamente orientadas hacia Dios en las otras religiones, queda en el secreto de Dios y escapa al juicio humano. Por eso es imposible el fundar sobre ello algún derecho natural o civil. Sería hacer descansar el orden jurídico de la sociedad sobre suposiciones fortuitas o arbitrarias. En definitiva, sería fundar el orden social sobre la subjetividad de cada uno y construir la casa sobre la arena...

Agregaré que yo estuve suficientemente en contacto con las religiones de África (animismo, Islam), lo mismo se puede decir de la religión de la India (hinduismo), para poder afirmar que se dan en sus adeptos las lamentables consecuencias del pecado original, en particular, el oscurecimiento de la inteligencia y el temor supersticioso. Al respecto, el sostener, como lo hace Vaticano II, una orientación naturalmente recta de todos los hom-bres hacia Dios, es un irrealismo total y una pura herejía naturalista. ¡Dios nos libre de los errores naturalistas y subjetivistas! Son la marca inequívoca del liberalismo que inspira la libertad religiosa del Vaticano II y no pueden conducir sino al caos social y a la Babel de las religiones.

La mansedumbre evangélica

Asegura el Concilio, que la revelación divina “demuestra el respeto de Cristo a la libertad del hombre en el cumplimiento de la obligación de creer en la Palabra de Dios” (D. H. 9); Jesús, manso y humilde de corazón, manda dejar crecer la cizaña hasta la cosecha, no quiebra la caña cascada ni apaga la mecha humeante (D. H. 11; cf. Mat. 13, 29; Is. 42, 3).

He aquí la respuesta. Cuando el Señor manda dejar crecer la cizaña, no le concede un derecho a no ser arrancada, sino que da el consejo a los que cosechan “a fin de no arrancar al mismo tiempo el buen grano”. Consejo de prudencia: a veces es preferible no escandalizar a los fieles por el espectáculo de la represión de los infieles; más vale, a veces, evitar la guerra civil que despertaría la intolerancia. De igual manera, si Jesús no quiebra la caña cascada, y de eso hace una regla para sus Apóstoles, es por caridad hacia los que yerran, a fin de no apartarlos más de la verdad, lo que podría ocurrir si se usaran con sus cultos medios coercitivos. Es claro, a veces existe un deber de prudencia y de caridad por parte de la Iglesia y de los Estados católicos, hacia los adeptos de los cultos erróneos, pero, ese deber no confiere, de suyo al otro, ningún derecho. Por no distinguir la virtud de la justicia (la que da derechos), de la prudencia y de la caridad (que no confieren de suyo más que deberes), Vaticano II cae en el error. Hacer de la caridad una justicia, es pervertir el orden social y político de la ciudad.

Y aún cuando, por un imposible, se debiera considerar que Nuestro Señor da a pesar de todo, un derecho a la cizaña “de no ser arrancada”, este derecho sería totalmente relativo a las razones particulares que lo motivan, no sería nunca un derecho natural e inviolable. “Allí en donde no debe temerse el arrancar el buen grano al mismo tiempo, dice San Agustín, que la severidad de la disciplina no duerma” y que no se tolere el ejercicio de los falsos cultos. San Juan Crisóstomo mismo, poco partidario de la supresión de los disidentes, no excluye tampoco la supresión de sus cultos: “¿Quién sabe, dice, por otra parte, si algo de la cizaña no se cambiará en buen grano? Si, pues, la arrancáis ahora perjudicaréis la cosecha cercana, arrancando a los que podrán cambiar y llegar a ser mejores. [El Señor] no prohíbe, por cierto, reprimir a los herejes, cerrarles la boca, negarles la libertad de hablar, dispersar sus asambleas, repudiar sus juramentos; lo que El prohíbe es derramar su sangre y matarlos.” La autoridad de estos dos Padres de la Iglesia me parece suficiente para refutar la interpretación abusiva que hace el Concilio de la mansedumbre evangélica. Sin duda, Nuestro Señor no predicó las dragonadas, lo cual no es una razón para disfrazarlo en un apóstol de la tolerancia liberal.

La libertad del acto de fe

Por último; se invoca la libertad del acto de fe (D. H. 10). Aquí hay un argumento doble. Primer argumento: Imponer, por razones religiosas, límites en el ejercicio de un culto disidente sería, por vía indirecta, forzar a sus adeptos a abrazar la fe católica. Ahora bien, el acto de fe debe estar libre de toda coacción: “Que nadie sea coaccionado a abrazar la fe católica contra su voluntad” (Código de Derecho Canónico de 1917, Can. 1351).

Contesto con la sana teología moral, que tal coacción es legítima según las reglas del voluntario indirecto. En efecto, ella tiene como objeto directo el limitar el culto disidente, lo cual es un bien, y, como efecto solamente indirecto y remoto el incitar a ciertos no católicos a convertirse, con el riesgo de que algunos se hagan católicos más por temor o conveniencia social que por convicción, lo cual no es deseable de suyo, pero puede ser permitido cuando hay una razón proporcionada.

El segundo argumento es mucho más esencial y exige un poco de explicación. Se apoya sobre la concepción liberal del acto de fe. Según la doctrina católica la fe es un asentimiento, una sumisión de la inteligencia a la autoridad de Dios que revela, bajo el impulso de la voluntad libre, movida por la gracia. Por una parte, el acto de fe debe ser libre, es decir, debe quedar libre de toda coacción exterior que tuviere por objeto o por efecto directo el obtenerlo contra la voluntad del sujeto. Por otra parte, siendo el acto de fe una sumisión a la autoridad divina, ningún poder o tercera persona tiene el derecho de oponerse a la influencia benéfica de la Verdad Primera, que tiene derecho inalienable a iluminar la inteligencia del creyente. De eso se sigue que el creyente tiene derecho a la libertad religiosa; nadie tiene derecho a coaccionarlo, ni tampoco de impedirle abrazar la Revelación divina o de realizar con prudencia los actos exteriores de culto correspondientes.

Ahora bien, los liberales y su sequito de modernistas, olvidadizos del carácter objetivo, completamente divino y sobrenatural del acto de fe divina hacen de la fe la expresión de la convicción subjetiva del sujeto al término de su búsqueda personal para tratar de responder a los grandes interrogantes que le plantea el universo. El hecho de la Revelación divina exterior y su proposición por la Iglesia ceden el paso a la invención creadora del sujeto, o al menos, la segunda [la fe] debe esforzarse en ir al encuentro de la primera [la revelación]... Si esto es así, entonces, la fe divina es rebajada al nivel de las convicciones religiosas de los no-cristianos, que piensan tener una fe divina cuando no tienen más que una persuasión humana, puesto que el motivo para adherirse a su creencia no es la autoridad divina que revela sino el libre juicio de su espíritu. Ahora bien, es incongruencia fundamental de los liberales pretender conservar para este acto de persuasión completamente humana, los caracteres de la inviolabilidad y la dispensa de toda coacción que pertenecen sólo al acto de fe divina. Ellos aseguran que por los actos de sus convicciones religiosas los adeptos de las otras religiones entran en relación con Dios, y que, a partir de allí, esta rela-ción debe quedar libre de toda coacción que pudiera afectarla. Ellos dicen: “Todos los credos religiosos son respetables e intocables.”

Pero, estos últimos argumentos son manifiestamente falsos, pues por sus convicciones religiosas, los adeptos de las otras religiones no hacen más que adherirse a invenciones de su propio espíritu, producciones humanas que no tienen en sí mismas nada divino ni en su causa, ni en su objeto, ni en el motivo para aceptarlas.

Esto no quiere decir que no haya nada verdadero en sus convicciones, o que no puedan conservar huellas de la Revelación primitiva o posterior. Pero la presencia de esas semina Verbi no basta por sí solas para hacer de sus convicciones un acto de fe divina. Además si Dios quisiera suscitar este acto sobrenatural por su gracia, en la mayoría de los casos se vería impedido por la presencia de múltiples errores y supersticiones a las que estos hombres continúan adheridos.

Frente al subjetivismo y al naturalismo de los liberales, debemos reafirmar hoy el carácter objetivo y sobrenatural de la fe divina que es la fe católica y cristiana. Sólo ella tiene un derecho absoluto e inviolable al respeto y a la libertad religiosa.
II
VATICANO II Y LA CIUDAD CATOLICA


En resumen, la Declaración conciliar sobre la libertad religiosa es primero contraria al Magisterio constante de la Iglesia. Después, no se sitúa en la línea de los derechos fundamentales definidos por los recientes Papas. Además, acabamos de ver que no tiene ningún fundamento racional o revelado. Para terminar, conviene examinar si se halla de acuerdo con los principios católicos que rigen las relaciones de la ciudad temporal con la religión.

Límites de la libertad religiosa.

Para empezar, Vaticano II precisa que la libertad religiosa debe restringirse a “justos límites” (D. H. 1), “según normas jurídicas conformes con el orden moral objetivo, normas que son requeridas por la tutela eficaz, en favor de todos los ciudadanos (...) la honesta paz pública (...) la debida custodia de la moralidad pública” (D. H. 7). Todo esto es muy razonable, pero deja de lado la cuestión esencial que es la siguiente: ¿Tiene el Estado el deber, y por consiguiente el derecho, de salvaguardar la unidad religiosa de los ciudadanos en la Religión verdadera, y, de proteger a las almas católicas contra el escándalo y la propagación del error religioso, y, por esas solas razones, de limitar el ejercicio de los cultos falsos, hasta prohibirlos si fuere necesario?

Tal es, en efecto, la doctrina de la Iglesia expuesta con fuerza por el Papa Pío IX en la Quanta Cura, en dónde el Pontífice condena la opinión de aquellos que, “contrariamente a la doctrina de la Escritura, de la Iglesia y de los Santos Padres, no temen afirmar que ‘el mejor gobierno es aquél en el que no se reconoce al poder el oficio de reprimir por la sanción de las penas a los violadores de la Religión católica, más que cuando lo exige la paz pública’ ” (Dz. 1689). El sentido obvio de la expresión “violadores de la Religión católica” es: aquellos que ejercen públicamente un culto distinto del católico, o que, no observan públicamente las leyes de la Iglesia. Pío IX enseña, pues, que el Estado gobierna mejor cuando se reconoce a sí mimo el oficio de reprimir el ejercicio público de los cultos erróneos, por la sola razón de que ellos son erróneos y no solamente para salvaguardar la paz pública; por el solo motivo de que ellos contravienen el orden cristiano y católico de la Ciudad y no solamente porque la paz o la moralidad públicas podrían ser afectadas.

Por eso se debe decir que los “límites” fijados por el Concilio a la libertad religiosa no son más que apariencias engañosas, que ocultan su defecto radical, a saber ya no tener en cuenta la diferencia entre la verdad y el error. Contra toda justicia, se pretende atribuir los mismos derechos a la verdadera Religión y a las falsas, y luego se trata artificialmente de limitar los perjuicios por medio de límites que están lejos de satisfacer las exigencias de la doctrina católica. Compararía fácilmente “los límites” de la libertad religiosa con la barda de seguridad de las autopistas, que sirve para contener las divagaciones de los vehículos cuando los conductores han perdido el control. ¡Sería bueno, cerciorarse antes de todo que estén dispuestos a seguir las leyes de tránsito!

Falsificación del bien común temporal.

Veamos ahora los vicios más fundamentales de la libertad religiosa. En el fondo, la argumentación conciliar se apoya sobre un falso concepto personalista del bien común, reducido a la suma de los intereses particulares o, como se dice, al respeto de los derechos de las personas en detrimento de la obra común que se debe cumplir para la mayor gloria de Dios y el bien de todos. Ya Juan XXIII en la Pacem in Terris tiende a adoptar este punto de vista parcial, y por lo tanto, falso:

“Para el pensamiento contemporáneo, escribe, el bien común reside sobre todo en la salvaguarda de los derechos y de los deberes de la persona humana.”
Ciertamente Pío XII, enfrentado a los totalitarismos contemporáneos, les opuso legítimamente los derechos fundamentales de la persona humana, lo cual no significa que la doctrina católica se límite a eso. De tanto truncar la verdad en un sentido personalista se termina por entrar en el juego del individualismo furioso que los liberales han logrado introducir en la Iglesia. Como lo han destacado Charles de Koninck y Jean Madiran exaltando al individuo no se lucha auténticamente contra el totalitarismo, sino recordando que el verdadero bien común temporal está ordenado positivamente, aunque fuera indirec-tamente, al bien de la Ciudad de Dios en la tierra y en el Cielo. ¡No nos hagamos cómplices de los personalistas en su secularización del derecho!
Concretamente y en otras palabras, el Estado (no hablo de los países no-cristianos), antes de preocuparse por saber si las personas de los musulmanes, de los Krishna y de los Moon son un poco vejados por la ley, debería velar por salvaguardar el alma cristiana del país, que es el elemento esencial del bien común de una Nación aún cristiana.
–Es una cuestión de acentuación, dirán algunos.
–¡No! Se trata de una cuestión fundamental: ¿Es o no una doctrina católica la concepción global de la ciudad católica?
Ruina del derecho público de la Iglesia
Lo peor, diría, de la libertad religiosa del Vaticano II, son sus consecuencias: la rui-na del derecho público de la Iglesia, la muerte del reinado social de Nuestro Señor Jesucristo y, por último, el indiferentismo religioso de los individuos. La Iglesia, según el Concilio, puede todavía gozar, de hecho, de un reconocimiento especial de parte del Estado, pero Ella no tiene un derecho natural y primordial a este reconocimiento, aún en una nación en su mayoría católica: acabaron con el principio del Estado confesional católico que había hecho la felicidad de las naciones todavía católicas. La más clara aplicación del Concilio fue la supresión de los Estados católicos, su laicización en virtud de los principios del Vaticano II, e incluso, a pedido del Vaticano. Todas esas naciones católicas (España, Colombia, etc.) fueron traicionadas por las misma Santa Sede en aplicación del Concilio. La separación de la Iglesia y del Estado fue proclamada como el “régimen ideal” por el Card. Casaroli y por Juan Pablo II, cuando se hizo la reforma del Concordato italiano.

Por principio, la Iglesia se encuentra reducida al derecho común reconocido por el Estado a todas las religiones; por una impiedad sin nombre, se encuentra en un mismo pie de igualdad con la herejía, la perfidia y la idolatría. Así, su derecho público es radicalmente aniquilado.

En la doctrina y en la práctica, no queda nada de lo que había sido el régimen de las relaciones públicas de la sociedad civil con la Iglesia y las otras religiones, y que puede resumirse con las siguientes palabras: reconocimiento de la verdadera Religión, tolerancia eventual y limitada de las otras religiones. Así, antes del Concilio, el Fuero de los Españoles, carta fundamental de derechos y deberes del ciudadano español, preveía sabiamente en su artículo 6:

“La profesión y práctica de la Religión católica, que es la del Estado español, gozará de la protección oficial. Nadie será inquietado ni por sus creencias ni en el ejercicio privado de su culto. No se permitirán ni ceremonias ni manifestaciones exteriores, salvo las de la Religión del Estado.”

Esta no-tolerancia muy estricta de los cultos disidentes está perfectamente justificada: por una parte, puede ser impuesta al Estado en base a su cura Religionis y a su deber de proteger a la Iglesia y la fe de sus miembros; por otra parte, la unanimidad religiosa de los ciudadanos en la verdadera fe es un bien precioso e irremplazable que es preciso conservar a toda costa, por lo menos en vista al mismo bien común temporal de una nación católica. Eso es lo que expresaba el esquema sobre las relaciones entre la Iglesia y el Estado redactado para el Concilio por el Card. Ottaviani. Este documento exponía, simplemente, la doctrina católica acerca de esta cuestión, doctrina aplicable integralmente en una nación católica:

“Así pues, de igual manera que el poder civil cree estar en derecho de proteger la moralidad pública, así también, a fin de proteger a los ciudadanos contra las seducciones del error, de guardar la Ciu-dad en la unidad de la fe, que es el bien supremo y la fuente de numerosos beneficios, aún temporales, el poder civil puede, por sí mismo, regular y mode-rar las manifestaciones públicas de los otros cultos y defender a los ciudadanos contra la difusión de las falsas doctrinas que, a juicio de la Iglesia, ponen en peligro su eterna salva-ción.”

¡Las confusiones mantenidas revelan la apostasía latente!

El Fuero de los Españoles tolera, como vimos, el ejercicio privado de los cultos erróneos, pero no tolera sus manifestaciones públicas. He aquí una distinción muy clásica que Dignitatis Humanæ se negó a aplicar. El Concilio definió la libertad religiosa como un derecho de la persona en materia religiosa, “en privado como en público, sólo o asociado con otros” (D. H. 2). Y, el documento conciliar justificaba este rechazo de toda distinción: “La misma naturaleza social del hombre exige que éste manifieste externamente los actos internos de la religión, que se comunique con otros en materia religiosa, que profese su religión de forma comunitaria” (D. H. 3).

Sin duda alguna, la religión es un conjunto de actos no sólo interiores del alma (devoción, oración) sino también exteriores (adoración, sacrificio), y no solamente privados (oración familiar) sino también públicos (oficios religiosos en los edificios de culto, digamos en las iglesias, procesiones, peregrinaciones, etc.). Pero el problema no es éste. Lo que importa saber es de qué religión se trata: si es la verdadera o si es la falsa. En cuanto a la verdadera Religión ella tiene el derecho de ejercer todos los actos mencionados “con una prudente libertad”, como dice León XIII, es decir dentro de los límites del orden público, no de manera intempestiva.

Pero los actos de los cultos erróneos deben diferenciarse los unos de los otros de una manera cuidadosa. Los actos puramente internos escapan, por su misma naturaleza a todo poder humano. En cambio, los actos privados externos a veces pueden ser sometidos a la reglamentación de un Estado católico si estos perturbasen el orden público, por ejemplo, las reuniones de oración de no-católicos en departamentos privados. Por último, los actos cultuales públicos caen de suyo bajo el peso de las leyes que tienden en dado caso a prohibir toda publicidad a los cultos erróneos. Pero, ¿cómo podía el Concilio aceptar el hacer estas distinciones ya que, desde el vamos, rechazaba el distinguir la verdadera Religión de las falsas, entre Estado católico, Estado confesional no católico, Estado comunista, Estado pluralista, etc? Por el contrario, el esquema del Card. Ottaviani no dejaba de hacer todas estas distinciones absolutamente indispensables. Pero precisamente, y allí se ve la futilidad y la impiedad del designio conciliar, Vaticano II quiso definir un derecho que pudiera convenir a todos los casos, independientemente de la verdad. Es lo que habían pedido los masones. Había allí una apostasía latente de la Verdad que es Nuestro Señor Jesucristo.

Muerte del Reinado social de Nuestro Señor Jesucristo.

Ahora bien, si el Estado ya no reconoce su deber especial respecto a la verdadera Religión del verdadero Dios, el bien común de la sociedad civil ya no está ordenado a la ciudad celestial de los bienaventurados, y la Ciudad de Dios sobre la tierra, es decir la Iglesia, se encuentra privada de su influencia benéfica y única sobre toda la vida pública. Quiérase o no, la vida social se organiza fuera de la verdad y de la ley divina. La sociedad se vuelve atea. Es la muerte del reinado social de Nuestro Señor Jesucristo.

Es, por cierto, lo que hizo Vaticano II, cuando Mons. de Smedt, relator del esquema sobre la libertad religiosa, afirmó tres veces: “El Estado no es una autoridad competente para hacer un juicio de verdad o falsedad en materia religiosa.” ¡Qué declaración tan monstruosa la de afirmar que Nuestro Señor no tiene más el derecho de reinar, de reinar sólo, de impregnar todas las leyes civiles con la ley del Evangelio! Cuántas veces Pío XII condenó semejante positivismo jurídico, que pretendía que se de-be separar el orden jurídico del orden moral porque no se podría expresar en términos jurídicos la distinción entre la verdadera y las falsas religiones. ¡Volved a leer el Fuero de los Españoles!

Más aún, por colmo de impiedad, el Concilio quiso que el Estado, liberado de sus deberes para con Dios, llegue a ser, de ahora en más, el garante de que “no se prohíba a las comunidades religiosas manifestar libremente el valor peculiar de su doctrina para la ordenación de la sociedad y para la vitalización de toda la actividad humana” (D. H. 4). Vaticano II, entonces, invita a Nuestro Señor a venir a organizar y a vivificar la sociedad junto con Lutero, Mahoma y Buda. Es lo que Juan Pablo II quiso realizar en Asís, proyecto impío y blasfemo.

En otro tiempo, la unión entre la Iglesia y el Estado católico tuvo como fruto la Ciudad católica, realización perfecta del reino social de Nuestro Señor Jesucristo. Hoy, la Iglesia del Vaticano II, desposada con el Estado que quiere que sea ateo, engendrar de esa unión adúltera, da a luz la sociedad pluralista, la Babel de las religiones, la Ciudad indiferentista, objeto de todos los deseos de la Francmasonería.

El reinado del indiferentismo religioso.

Se dice: “¡A cada uno su religión!”, o aún, “¡La Religión Católica es buena para los católicos, pero la musulmana es buena para los musulmanes!” Esa es la divisa de los ciudadanos de la Ciudad indiferentista. ¿Cómo queréis que piensen de otra manera cuando la Iglesia del Vaticano II les enseña que las otras religiones “de ninguna manera están desprovistas de sentido y valor en el misterio de la salvación”. ¿Cómo queréis que piensen de otra manera respecto a las otras religiones, cuando el Estado les concede a todas la misma libertad? La libertad religiosa engendra necesariamente al indiferentismo de los individuos. Ya Pío IX condenaba en el Syllabus la siguiente proposición:

“Es falso que la libertad civil de cualquier culto, así como la plena potestad concedida a todos de manifestar abierta y públicamente cualesquiera opiniones y pensamientos, conduzca a corromper más fácilmente las costumbres y espíritu de los pueblos y a propagar la peste del indiferentismo.”

Es lo que nosotros vivimos: después de la Declaración sobre la libertad religiosa, la mayoría de los católicos están convencidos que “los hombres pueden encontrar el camino de la salvación eterna y obtenerla en el culto de cualquier religión”. Aquí también el plan de los francmasones se cumplió; han logrado, por un Concilio de la Iglesia católica “acreditar el gran error del tiempo presente, que consiste en (...) poner en un mismo pie de igualdad todas las formas religiosas”.

Todos los Padres conciliares que dieron su voto a la Dignitatis Humanæ y que proclamaron con Paulo VI la libertad religiosa, ¿se dieron cuenta de que, de hecho quitaron el cetro a Nuestro Señor Jesucristo, arrancándole la corona de su realeza social? ¿Advirtieron que, concretamente, ellos destronaron a Nuestro Señor Jesucristo del Trono de su Divinidad? ¿Han comprendido que, haciéndose eco de las naciones apóstatas, hacían subir hasta Su Trono estas execrables blasfemias: “¡No queremos que El reine sobre nosotros!” (Luc. 19, 14); “¡No tenemos más rey que al César!” (Juan 19, 15)?

Pero El, riéndose, del murmullo confuso que subía desde esta asamblea de insensatos, les retiró Su Espíritu.

 fonte: http://devocioncatolica.blogspot.com