sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

SUA SANTIDADE BENTO XVI: "A oração abre-nos para receber o dom de Deus" Benedetto XVI : "La preghiera ci apre a ricevere il dono di Dio". Benoît XVI : Jésus s’adresse à Dieu en l’appelant « Père ».Benedikt XVI, Von Jesus beten lenen


Pope Benedict XVI held his weekly General Audience today, during which he continued his focus on Christian prayer – especially the teaching and example given us by Jesus himself.

In the “cry of exultation” recorded for us by the evangelists Matthew and Luke, Jesus gives thanks to the Father because he has willed to reveal the mystery of salvation not to the wise and learned, but to the “little ones” (cf. Mt 11:25-30; Lk 10:21-22). This magnificent prayer has its source in Jesus’ profound communion with the Father in the Holy Spirit; as the eternal Son, Jesus alone “knows” the Father and rejoices in complete openness to his will.

“Indeed,” said Pope Benedict, “no one knows the Father except the Son and those to whom the Son chooses to reveal him” (Lk 10:22).

In this prayer, then, the Lord expresses his desire to share his knowledge of the Father with the “little ones”, the pure ...»




Jesus spricht Gott als „Vater" an. Dieser Begriff drückt Jesu Bewusstsein und Gewissheit aus, „der Sohn“ zu sein, in inniger und ständiger Gemeinschaft mit Ihm stehend, und das ist der zentrale Punkt und Quelle jedes Gebetes Jesu. Dies wird im letzten Teil des Jubelliedes klar ersichtlich, welcher den gesamten Text erleuchtet. Jesus sagt: „Mir ist von meinem Vater alles übergeben worden; niemand weiß, wer der Sohn ist, nur der Vater, und niemand weiß, wer der Vater ist, nur der Sohn und der, dem es der Sohn offenbaren will“ (Lk 10, 22). Jesus behauptet damit, dass nur „der Sohn" wirklich den Vater kennt. Jedwede Erkenntnis, jedes Erkennen unter den Menschen - wir erleben dies alle in unseren zwischenmenschlichen Beziehungen - erfordert eine Mitwirkung, eine Art innere Verbindung von mehr oder weniger Tiefe zwischen dem, der kennt und dem, der bekannt ist: Erkenntnis ist ohne eine Gemeinschaft des Seins nicht möglich. Im Jubelleid, wie in all seinen Gebeten, zeigt Jesus, dass die wahre Erkenntnis Gottes die Gemeinschaft mit ihm voraus setzt: nur durch die Gemeinschaft mit dem Anderen beginnen wir zu erkennen; und so auch mit Gott, nur wenn man einen wahren Kontakt zu ihm hat, wenn wir in Gemeinschaft mit ihm leben, können wir ihn erkennen.LESEN...


La catechesi di Benedetto XVI : "La preghiera ci apre a ricevere il dono di Dio".

Gesù si rivolge a Dio chiamandolo «Padre». Questo termine esprime la coscienza e la certezza di Gesù di essere «il Figlio», in intima e costante comunione con Lui, e questo è il punto centrale e la fonte di ogni preghiera di Gesù. Lo vediamo chiaramente nell’ultima parte dell’Inno, che illumina l’intero testo. Gesù dice: «Tutto è stato dato a me dal Padre mio e nessuno sa chi è il Figlio se non il Padre, né chi è il Padre se non il Figlio e colui al quale il Figlio vorrà rivelarlo» (Lc 10, 22). Gesù quindi afferma che solo «il Figlio» conosce veramente il Padre. Ogni conoscenza tra le persone - lo sperimentiamo tutti nelle nostre relazioni umane – comporta un coinvolgimento, un qualche legame interiore tra chi conosce e chi è conosciuto, a livello più o meno profondo: non si può conoscere senza una comunione dell'essere. Nell’Inno di giubilo, come in tutta la sua preghiera, Gesù mostra che la vera conoscenza di Dio presuppone la comunione con Lui: solo essendo in comunione con l'altro comincio a conoscere; e così anche con Dio, solo se ho un contatto vero, se sono in comunione, posso anche conoscerlo.LEGGERE...

Catéchèse de Benoît XVI : Jésus s’adresse à Dieu en l’appelant « Père »

 

Jésus s’adresse à Dieu en l’appelant « Père » . Ce terme exprime la conscience et la certitude de Jésus d’être « le Fils », en communion intime et constante avec Lui, et c’est le point central et la source de toute prière de Jésus. Nous le voyons clairement dans la dernière partie de l’Hymne, qui éclaire tout le texte. Jésus dit : « Tout m’a été donné par mon Père et personne ne sait qui est le Fils sinon le Père ni qui est le Père sinon le Fils et celui auquel le Fils veut le révéler » (Lc 10, 22). Jésus affirme donc que seul « le Fils » connaît vraiment le Père. Toute connaissance entre des personnes – nous en faisons tous l’expérience dans les relations humaines - , comporte une implication, un lien intérieur entre celui qui connaît et celui qui est connu, à un niveau plus ou moins profond : on ne peut connaître sans une communion de l’être. Dans l’Hymne de jubilation, comme dans toute sa prière, Jésus montre que la vraie connaissance de Dieu présuppose la communion avec lui : c’est seulement en étant en communion avec l’autre que je commence à le connaître ; il en est aussi ainsi avec Dieu : c’est seulement si j’ai un contact vrai, si je suis en communion, que je peux aussi le connaître.LIRE...

A catequese de Bento XVI durante a Audiência Geral de hoje : "A oração abre-nos para receber o dom de Deus"

Queridos irmãos e irmãs,
Os evangelistas Mateus e Lucas (cf. Mt 11,25-30 e Lc 10, 21-22) nos transmiti ram uma "jóia" da oração de Jesus, que geralmente é chamado de Hino de júbilo ou Hino de júbilo messiânico. Este se trata de uma oração de gratidão e louvor, como acabamos de ouvir. No grego original do Evangelho o verbo que inicia este hino, que expressa a atitude de Jesus quando se volta ao Pai, é exomologoumai, muitas vezes traduzida como "louvor" (Mt 11,25 e Lc 10,21). Mas nos escritos do Novo Testamento esse verbo indica principalmente duas coisas: a primeira é "conhecimento mais profundo" - por exemplo, João Batista pedia para reconhecer profundamente seus próprios pecados àqueles que vinham até ele para ser batizado (cf. Mt 3, 6) -; a segunda coisa é "concordar." Assim, a expressão com a qual Jesus começa sua oração contém o seu reconhecimento profundo, pleno, a ação de Deus Pai, e juntos, em totalidade, consciente e alegre acordo com esta maneira de agir, com o projeto do Pai. O hino de júbilo é o ápice de um caminho de oração que emerge claramente a profunda e íntima comunhão de Jesus com a vida do Pai no Espírito Santo e manifesta a sua filiação divina.
Jesus se dirige a Deus chamando-o “Pai”. Este termo expressa a consciência e a certeza de Jesus de ser “o Filho”, em comunhão íntima e constante com Ele, e este é o ponto central e a fonte de toda oração de Jesus. Vemos isso claramente na última parte do Hino que ilumina todo o texto. Jesus diz: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Lc 10, 22). Jesus afirma então que só “o Filho" conhece realmente o Pai. Qualquer conhecimento entre pessoas – todos experimentamos em nossos relacionamentos humanos - exige um compromisso, algum vínculo interior entre quem conhece e o conhecido, em um nível mais ou menos profundo: não podemos conhecer, sem uma comunhão do ser. No hino de júbilo, como em toda a sua oração, Jesus mostra que o verdadeiro conhecimento de Deus pressupõe a comunhão com ele: somente em comunhão com o outro começo a conhecer; e assim também com Deus, somente se eu tiver um contato verdadeiro, se estiver em comunhão, posso também conhecê-lo. Assim, o conhecimento verdadeiro é reservado ao "Filho", o Unigênito, que está desde sempre no seio do Pai (cf. Jo 1,18), em perfeita unidade com Ele. Somente o Filho conhece realmente Deus, estando em comunhão íntima com o ser; somente o Filho pode revelar realmente quem é Deus
O nome "Pai" é seguido por um segundo título, "Senhor do céu e da terra." Jesus, com esta expressão, recapitula a fé na criação e faz ressoar nas primeiras palavras da Sagrada Escritura: "No princípio Deus criou o céu e a terra" (Gen 1.1). Rezando, Ele recorda a grande narração bíblica da história de amor de Deus pelo homem, que inicia com o ato da criação. Jesus se insere nessa história de amor, é o cume e a realização. Na sua experiência de oração, a Sagrada Escritura é iluminada e revive na sua completa amplitude: anúncio do mistério de Deus e resposta do homem transformado. Mas através da expressão: "Senhor do céu e da terra", também reconhecemos que em Jesus, como o Revelador do Pai, é reaberta ao homem a possibilidade de acesso a Deus.
Agora, nos perguntemos: a quem o Filho quer revelar os mistérios de Deus? No início do Hino Jesus expressa sua alegria que a vontade do Pai é esconder estas coisas aos sábios e inteligentes e revelá-las aos pequeninos (cf. Lc 10:21). Nesta expressão de sua oração, Jesus manifesta sua comunhão com a decisão do Pai, que abre seus mistérios para aqueles que têm o coração simples: a vontade do Filho é uma coisa só com aquela do Pai. A revelação divina não é segundo a lógica terrena, na qual os homens cultos e poderosos, que possuem conhecimentos importantes os transmitem aos mais simples, aos menores. Deus utilizou um outro estilo: os destinatários da sua comunicação foram justamente os "pequeninos". Esta é a vontade do Pai, e o Filho a compartilha com alegria. Diz o Catecismo da Igreja Católica: "Sua exclamação:”Sim, Pai! ”exprime a profundidade do seu coração, a sua adesão ao beneplácito do Pai, como eco do “Fiat” de sua mãe no momento da sua concepção e como prelúdio ao que Ele diria ao Pai em sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta amorosa adesão de seu coração humano ao mistério "de ... vontade "do Pai (Ef 1.9)" (2603). Daí deriva a invocação que dirigimos a Deus no Pai Nosso: "Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu": com Cristo e em Cristo, também nós pedimos para entrar em sintonia com a vontade do Pai, nos tornando assim também nós seus filhos. Jesus, portanto, neste Hino de júbilo manifesta a vontade de envolver em seu conhecimento filial de Deus todos aqueles que o Pai quer tornar participantes; e aqueles que acolhem este dom são os "pequeninos".
Mas o que significa ser "pequenino", simples? Qual é a "pequenez" que abre o homem a intimidade filial com Deus e a acolher sua vontade? Qual deve ser a atitude de fundo na nossa na oração? Vejamos o "Sermão da Montanha", onde Jesus afirma: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (Mateus 5.8). É a pureza do coração que permite reconhecer o rosto de Deus em Jesus Cristo; é ter o coração simples como o das crianças, sem a presunção de quem se fecha em si mesmo, pensando que não precisa de ninguém, nem mesmo Deus.
É interessante notar também a ocasião em que Jesus irrompe neste Hino ao Pai. Na narração evangélica de Mateus é a alegria porque, apesar das oposições e rejeições, existem "pequenos" que aceitam a sua palavra e se abrem ao dom da fé Nele. O Hino de Júbilo, de fato, é precedido pelo contraste entre o elogio de João Batista, um dos "pequenos" que reconheceram a ação de Deus em Cristo Jesus(cf. Mt 11,2-19), e a repreensão pela descrença das cidades do lago, “onde tinha feito grande número de seus milagres"(cf. Mt 11,20-24). O júbilo, portanto, é visto por Mateus em relação às palavras com as quais Jesus observa a eficácia de sua palavra e de sua ação: "Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos vêem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres. Bem-aventurado aquele para quem eu não for motivo de escândalo"(Mt 11,4-6).
São Lucas também apresenta o Hino de júbilo em relação com um momento de desenvolvimento do anúncio do Evangelho. Jesus enviou "os setenta e dois discípulos" (Luc10.1) e eles partiram com uma sensação de medo para o possível fracasso de sua missão.Lucas também enfatiza a rejeição encontrada nas cidades onde o Senhor pregou e realizou sinais prodigiosos. Mas os setenta e dois discípulos retornaram plenos de alegria, porque a missão deles foi bem sucedida; eles constataram que, com o poder da palavra de Jesus, os males do homem são vencidos. E Jesus compartilha a satisfação deles: “na mesma hora", naquele momento, Ele exultou de alegria.
Há ainda duas coisas que eu gostaria de enfatizar. O evangelista Lucas introduz a oração com a observação: "Jesus exultou de alegria no Espírito Santo" (Lc 10:21). Jesus se alegra a partir do íntimo de si, no que há de mais profundo: a comunhão única de conhecimento e de amor com o Pai, a plenitude do Espírito Santo.

   Envolvendo-nos na sua filiação, Jesus nos convida a abrir-nos à luz do Espírito Santo, porque - como afirma o apóstolo Paulo - "(Nós) não sabemos... orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede com gemidos inefáveis ...segundo Deus "(Rm 8:26-27) e nos revela o amor do Pai.

No Evangelho de Mateus, após o Hino de júbilo, encontramos um dos apelos mais cordiais de Jesus: "Vinde a mim todos vós que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28). Jesus pede para ir a Ele, que é a verdadeira sabedoria, a Ele que é "manso e humilde de coração"; propõe "o seu jugo", o caminho da sabedoria do Evangelho que não é uma doutrina para aprender ou uma proposta ética, mas uma Pessoa a seguir: Ele mesmo, o Filho Unigênito em perfeita comunhão com o Pai.
Queridos irmãos e irmãs, provamos por um momento a riqueza desta oração de Jesus. Também nós, com o dom do seu Espírito, podemos voltar para Deus em oração, com confiança filial, invocando o nome do Pai, "Abba!". Mas devemos ter o coração dos pequeninos, dos "pobres em espírito" (Mat5.3), para reconhecer que não somos auto-suficientes, que não podemos construir nossas vidas sozinhos, mas necessitamos de Deus, precisamos encontrá-lo, escutá-lo, e falar com ele. A oração abre-nos para receber o dom de Deus, sua sabedoria, que é o próprio Jesus, para fazer a vontade do Pai em nossas vidas e assim encontrar descanso no cansaço da nossa jornada. Obrigado.
***
(Saudação em português)
A todos os presentes de língua portuguesa, a minha grata saudação de boas-vindas a este nosso encontro, que tem lugar na véspera da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Sobre os passos da vossa peregrinação terrena, vele carinhosa a Virgem Mãe para, com Ela e como Ela, serdes os «pequeninos» de Deus e deste modo sairdes vencedores das ciladas da serpente infernal. Como penhor dos favores do Alto para vós e vossos entes queridos, dou-vos a minha Bênção.

TRECHOS DO LIVRO "INTRODUÇÃO AO ESPÍRITO DA LITURGIA" - CARDEAL JOSEPH RATZINGER

TRECHOS DO LIVRO "INTRODUÇÃO AO ESPÍRITO DA LITURGIA" - CARDEAL JOSEPH RATZINGER PDFImprimirE-mail
  
Descrição: Com este livro, o cardeal Ratzinger quer ajudar os fiéis a olhar para a fonte escondida da vida eclesial. Aí desenrola-se a acção litúrgica que, nos sacramentos, e em particular na Eucaristia, permite tomar parte na acção salvífica de Cristo. No estilo próprio do autor, abre ao leitor rasgos de contemplação, mas sem deixar de apresentar aspectos polêmicos, propostos com a habitual franqueza do Cardeal Ratzinger. Uma das obras mais interessantes de toda a produção religiosa dos últimos anos.

Cardeal Ratzinger: O que há de mais importante hoje, é o respeito pela liturgia, e o fato de que não se pode manipulá-la. É preciso reaprender a considerá-la como um organismo vivo e oferecido, pelo qual nós participamos da liturgia celeste.

A LITURGIA:
Entrevista com o Cardeal Ratzinger


O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, acaba de publicar mais um livro: Voici quel est notre Dieu (Plon, Paris, 2.001).

Esta obra, como outras do mesmo Cardeal, é um livro-entrevista.

Desta vez, o entrevistador e companheiro de diálogo com o Cardeal é o jornalista Peter Seewald.

Na transcrição do diálogo, indicaremos as palavras do Eminentíssimo sr. Cardeal pela letra R. e as palavras de Seewald pela letra S. e serão colocadas em itálico, como no original.

O livro abarca o conjunto dos problemas da Fé e da Igreja em nossos dias.

Apresentamos a nossos leitores a tradução do texto em que o Cardeal Ratzinger trata da questão da situação litúrgica em nossos dias, tema que está altamente em foco, hoje.

Com efeito, após a reforma litúrgica de 1969, feita pelo Papa Paulo VI, a Liturgia se viu envolvida em verdadeira anarquia, cada um se julgando com o direito e capacidade de montar a sua Missa particular, com grave dano para a Fé, e para a unidade da Igreja.

Mas deixemos a palavra para o eminentíssimo Cardeal Ratzinger.

*****

A Liturgia

S. -- A solenidade e a dignidade da Eucaristia provém desta realidade totalmente sublime da espiritualidade católica, a liturgia. Cada frase, cada gesto parecem nela ter seu significado próprio e esconder um mistério. Nesta liturgia terrestre, como o reconheceu o Vaticano II, os crentes participam já na "liturgia celeste" e a experimentam antecipadamente.

R. -- Essa é uma abordagem muito importante. A Liturgia não é nunca apenas uma reunião de um grupo que organiza uma festa e, na verdade, se festeja a si mesmo quanto isso é possível.
Em vez disso, pela participação em Cristo que se apresenta diante do Pai, nós nos mantemos na comunhão universal de toda a Igreja, e também na comunhão de todos os santos. Sim, de certo modo é a própria "liturgia celeste". Sua grandeza, é que ela abre o céu, e nos faz entrar no coração dos adoradores de Deus. Eis porque o prefácio termina sempre por essas palavras: nós cantamos com o coro dos serafins e dos querubins. Nós sabemos que não estamos sós, que nós somos unânimes, que a fronteira entre o céu e a terra é verdadeiramente aberta.



S. -- O pai dos monges, São Basílio, o Grande, constatou que a Missa era uma tão grande revelação quanto a Sagrada Escritura. Disso ele deduziu a regra muito estrita que a liturgia não devia ser objeto de qualquer discussão nem de qualquer reforma. Se ela não é obra humana, se por ela a glória de Deus deve ser acessível aos homens, não deveria ela ser considerada como dada pelo alto e como irreformável a antiga Missa de São Gregório Magno?

R. -- O Oriente e o Ocidente estão, de certo modo, divididos quanto a essa questão. A Igreja bizantina recebeu a forma de sua liturgia no século IV e V de São Basílio, e de São João Crisóstomo. Ela, assim como outras igrejas orientais, vê aí, um dom de Deus que não se pode modificar: nós a recebemos [entramos nela], nós não a fazemos (se bem que certas modificações de detalhe naturalmente aconteceram).

O Ocidente tinha um sentido muito mais forte com relação à historicidade. Também o Ocidente considerava a liturgia, no essencial, como um dom, mas um dom depositado na Igreja viva e crescente junto com ela. Pode-se perfeitamente fazer a comparação com a Sagrada Escritura. Ela também não é uma palavra de Deus que nos teria caído direta e verticalmente do céu; a Palavra de Deus é introduzida na história e se desenvolve com ela. Assim a Igreja ocidental afirmou a fundamental intangibilidade da liturgia no seu conjunto, mas deixou-a desenvolver-se historicamente tomando as devidas precauções.

Assim como o cânon da Igreja do Oriente, o cânon romano data do século IV mais ou menos. Em seguida, desenvolveram-se no Ocidente, como da mesma forma no Oriente, diferentes tipos de liturgia. Houve a liturgia galicana, a liturgia espanhola; em seguida fizeram-se sentir influências germânicas, e assim por diante. As diferentes nações que se convertiam podiam trazer sua contribuição a este crescimento, sob o olhar atento de Roma que não deixou de eliminar as excrescências. Deste modo, Roma conservou estritamente o caráter arcaico da liturgia, eu diria mesmo numa forma mais antiga que no Oriente, em todo o caso do ponto de vista teológico.

É assim que a liturgia é um processo histórico sempre vivo: o novo pode intervir, especialmente novos santos podem ser acrescentados; mas ela permanece constante, mesmo no Ocidente. É por essa razão que a Igreja podia visar fazer reformas litúrgicas. Não era preciso que fossem simplesmente supressões; elas deviam respeitar o que de vivo tinha se desenvolvido, como se age com o que vive para mantê-lo vivo. Pio X reduziu algum tanto o número das festas de santos as quais tinham se multiplicado demais. Ele tinha igualmente recolocado o domingo no lugar de honra que lhe cabe de direito e retirado partes supérfluas. São Pio V já tinha retirado dele um excesso de seqüências que nele se tinham infiltrado. O Vaticano II tinha adotado a mesma atitude que é a boa, porque o crescimento contínuo sem modificações pertence à tradição litúrgica da Igreja. Mas há uma diferença, diria eu, entre proteger uma vida que se desenvolve sabendo que essa vida, enquanto tal, não me pertence (devo estar a seu serviço e respeitar sua lei interior), e considerá-la como algo artificial, que funciona como um mecanismo que posso desmontar e tornar a montar de modo diverso.

O concílio Vaticano II, sem dúvida, tinha em vista, ao mesmo tempo, o crescimento orgânico e a renovação. Mas, por vezes, em nossos dias, se tem a tendência de praticar essa desmontagem-remontagem, e fazer o que é incompatível com a própria essência da liturgia. Não se pode simplesmente decidir em comissões professorais o que é pastoralmente mais eficaz, o que é mais prático e assim por diante. Mas é preciso considerar com um grande respeito a contribuição dos séculos e ver que complementos sensatos ou que supressões são necessárias e possíveis.

É uma advertência que se dirige a todos aqueles que se ocupam de liturgia. É nesse espírito de serviço em favor da vida que se desenvolveu e que nos em da fé secular que eles devem agir ,e não como peritos autocráticos que querem inventar e fabricar o que há de melhor.



S. -- Não se pode passar sob silêncio a crítica da liturgia atual. Para muitos, ela não parece suficientemente santa. Uma reforma seria necessária para torná-la de novo mais santa?

R. -- Ter-se-ia necessidade, pelo menos, de uma nova consciência litúrgica, para fazer desaparecer esse espírito de fazer liturgia por capricho [um "do it yourself"]. Chegou-se ao ponto que círculos litúrgicos se fabricam para si mesmos uma liturgia do domingo.

O que resulta disso, é certamente a produção de alguns intelectuais dotados que imaginaram algo para si. Não encontro nisso Aquele que é o Totalmente-Outro, o Santo, que se dá a mim, mas apenas as capacidades de alguns. Percebo que não é isso que procuro. É pouco demais, e é uma coisa totalmente diferente.
 
O que há de mais importante hoje, é o respeito pela liturgia, e o fato de que não se pode manipulá-la. É preciso reaprender a considerá-la como um organismo vivo e oferecido, pelo qual nós participamos da liturgia celeste. Não se trata de buscar nela nossa própria realização, mas sim o dom que daí nos advém.

Creio que o prioritário é que esta maneira de fazer pessoal e arbitrária desapareça e que se desperte o sentido interior pelo sagrado. Numa segunda etapa, poder-se-ia ver em que domínio se suprimiram coisas demais, e que a coerência com toda a história possa se tornar de novo mais evidente e mais viva. Nesse sentido, eu mesmo tenho falado em "reforma da reforma". Na minha opinião, deveria haver, inicialmente, um processo pedagógico, para marcar um ponto final nesse espezinhamento da liturgia por invenções pessoais.

Para a formação da consciência no domínio da liturgia, é importante também cessar de banir a forma da liturgia em vigor até 1970. Aquele que, na hora atual, intervém pela validade dessa liturgia, ou que a pratica, é tratado como um leproso: é o fim de toda tolerância. Ela é tal como não se conheceu nunca, em toda a história da Igreja. Despreza-se, desse modo, todo o passado da Igreja. Como se poderia confiar nela atualmente, se fosse assim.

Confesso que não compreendo por que razão muitos de confrades, Bispos, se submetem a esta lei de intolerância, que se opõe às reconciliações necessárias na Igreja sem razão válida.
(O negrito é do tradutor).



S. -- Quando virá realmente este segundo passo do qual o senhor fala, essa reforma da reforma?

R. -- Exatamente como o movimento litúrgico, que resultou na reforma do Vaticano II, se desenvolveu lentamente antes de se tornar em seguida numa torrente impetuosa, assim importa que atualmente venha um impulso dos fiéis que celebram. E também que haja lugares exemplares, onde a liturgia é celebrada segundo as regras da arte e onde seja possível experimentar o que ela é realmente. Se então, do próprio interior de uma tal celebração nascer um movimento que não seja simplesmente uma coisa imposta do alto, então a renovação se fará. Creio que na nova geração um movimento que vai nessa direção está efetivamente nascendo.



S.-- Uma verdadeira liturgia divina, uma liturgia para o futuro do povo crente e da Igreja, como o senhor a imagina?

R.-- Fundamentalmente de tal modo que se possa, de novo, colher nela as formas dadas e aprofundá-las espiritualmente. Quando penso na época do movimento litúrgico, que eu ainda vivi, era então maravilhoso apreender pouco a pouco como se tinham elaborado as missas da quaresma, para compreender a estrutura da quaresma e de todo o missal, e muitas outras coisas ainda. Tratava-se simplesmente de descobrir a riqueza daquilo que resultou desse processo e desse crescimento e de entrar também por esse meio na glória divina que aí se oferecia. Creio que se trata reaprender a escutar -- "Escuta, meu filho! "dizia São Bento -- e de nos percebermos a nós mesmos não tanto como autores da ação litúrgica, mas como seus beneficiários.



S.-- Será preciso celebrar de novo a missa em latim?

R. -- De um modo geral, isso não é mais possível e sem dúvida isso não é desejável.

É evidente que a liturgia da Palavra, pelo menos, deve se fazer nas línguas vernáculas. Entretanto, na minha opinião, deveria haver uma nova abertura para o latim.

Celebrar a missa em latim aparece atualmente como um pecado. Exclui-se assim, também as possibilidades de comunicação que são tão necessárias nas regiões pluri lingüísticas. Assim, o vigário da catedral de Avignon me contou que, um domingo, se apresentaram para assistir a missa três grupos lingüísticos diferentes. Ele lhes propôs de rezar juntos o cânon da missa em latim e assim todos poderiam celebrar juntos. Os três grupos recusaram: era preciso para cada grupo um elemento particular. Pensamos também nos lugares turísticos: certamente seria uma coisa bela reconhecer-se mutuamente naquilo que se tem em comum. Seria preciso ter tais eventualidades presentes ao espírito. Quando, nas grandes celebrações litúrgicas romanas, ninguém mais sabe cantar o Kyrie ou o Sanctus, ninguém mais sabe o que significa "Glória", trata-se então de um déficit cultural e de uma perda de pontos comuns. Eis porque, na minha opinião, a liturgia da Palavra deveria se fazer, em todo caso, na língua vernácula, mas que seria preciso que subsistisse um fundo comum em latim, que nos liga a todos.



S.-- O escritor Martin Mosebach conta uma pequena história a respeito de uma missa. Isso aconteceu, há muito tempo, na ilha de Capri. Um dia, desembarca um padre inglês, que se fez reconhecer como padre por suas roupas, o que tinha se tornado raro, mesmo na Itália do sul. Quando se tornou claro que o homem de batina queria seriamente celebrar uma missa, todos os dias, se lhe atribuiu, depois de muitas hesitações, uma capela situada num promontório rochoso em precipício sobre o mar, o monte Tibério, sobre o qual estava situado outrora a vila Jovis, uma das numerosas residências do Imperador Tibério. Esta capela era aberta apenas uma vez por ano, no dia 8 de setembro, para a festa da Natividade da Virgem Maria. No resto do ano, ela ficava abandonada aos ratos que cavavam buracos no fundo das gavetas da sacristia.

O Padre inglês, um homem prático, e que não era um grande teólogo, se pôs a caminho. Ele subiu a ladeira ríspida e se deliciou com a bela vista sobre o golfo. Ele teve alguma dificuldade para fazer funcionar a fechadura enferrujada da capela. Ele entrou nesse lugar que cheirava a mofo, acompanhado por um belo raio de sol. A porta metálica do tabernáculo estava aberta, as velas estavam inteiramente consumidos, as cadeiras reviradas, e a sacristia tinha o aspeto de lugar abandonado às pressas. Vasos sujos, uma capa de altar apodrecida, um cálice estilo kitch, toalhas de linho de altar tinha colado umas às outras, um missal caindo aos pedaços. Sim, até mesmo o crucifixo estava torcido.

O padre olhou atentamente tudo isso e refletiu longo tempo. Ele abriu a janela, pegou uma vassoura de palha, que estava caída num canto, e se pôs a varrer toda a capela. Ele pegou o crucifixo, beijou-o e o posou sobre o armário da sacristia. Ele limpou o cálice e reergueu os candelabros. Quando ele descobriu a corda do sino, trepou numa escada no exterior da capela e amarrou a corda a um sino. O encanto estava agora rompido.

Ele colocou uma estola roxa acetinada toda manchada. Derramou um pouco de água que tinha trazido numa garrafa plástica num pequeno pote e se pôs a rezar; ele acrescentou um pouco de sal, fez os gestos de bênção e colocou a água em pequenas pias de água benta em forma de concha ao lado da entrada; poder-se-ia imaginar ouvir a pedra gemer como se ela despertasse de novo. E quando ele badalou o sino com a ajuda da corda, aproximaram-se vindos de longe os primeiros fiéis, mulheres e crianças, e logo a capela ficou cheia.

A missa podia começar. O sacerdote se inclinou diante do altar e começou pelas palavras:
Introibo ad altare Dei.

Enquanto o homem de batina purificava o lugar, enquanto ele acendia as velas e benzia a água, quando ele tirava a poeira e expulsava para um canto as ratoeiras, um observador atento, devia ter a impressão que alguma coisa especial se passava. Tal como Abel ou Noé, ele tinha construído um altar antes de sacrificar. E como Moisés, ele delimitou o espaço para o tabernáculo. Era a preparação e a delimitação do espaço sagrado.


R. -- Esse texto de Mosebach naturalmente é muito poético, mas, no total, a situação em Capri não era tão desesperadora quanto parecia. Mas é verdade que a preparação exterior e interior vão juntas. A missão de São Francisco começou da mesma maneira. Ele ouviu as célebres palavras de Cristo: "É preciso que reconstruas a minha Igreja". Ele as aplicou inicialmente a essa igreja arruinada, à Porciúncula, que ele restaurou e reconstruiu. Ele notou, em seguida, que ele precisava fazer muito mais: reconstruir a Igreja viva.

Mas este trabalho manual inicial faz parte dessa reconstrução. Ele é muito importante vigiar para que o espaço, a Igreja, seja sempre preparado de novo, que sua santidade interior como a exterior seja sempre perceptível e reconhecível. É verdade que nós temos em todo o mundo, graças a Deus, igrejas maravilhosas cujo caráter sagrado seria necessário reaprender a amar. A chama acesa diante do Santíssimo Sacramento permite-nos perceber uma presença silenciosa permanente. Muitas igrejas, hoje, parecem teatros, dos quais se admira a beleza do passado mais do que como meio de nossas próprias atividades; constata-se então uma perda interior do sentido do sagrado. Reencontrar este sentido e preparar este espaço e exterior, não pode ser feito senão sob a condição de entrar na celebração de modo a encontrar o sagrado efetivamente nela.




(Cardeal Joseph Ratzinger, Voici quel est notre Dieu, Plon, Paris, 2.001. Pp. 288 a 294. Tradução do francês de O. Fedeli).

http://www.montfort.org.br/old/veritas/liturgia.html

O DESENVOLVIMENTO ORGÂNICO DA LITURGIA , Card. Joseph Ratzinger


O DESENVOLVIMENTO ORGÂNICO DA LITURGIA
Ao contrário do que pensam os reformistas radicais e seus adversários intransigentes, um desenvolvimento adequado da liturgia só é possível quando se dá atenção às leis internas que sustentam esse "organismo".
de Joseph Ratzinger
Extraído de 30 DIAS, N. 12 - 2004
Nas últimas décadas, a questão da correta celebração da liturgia tornou-se cada vez mais um dos pontos centrais da controvérsia em torno do Concílio Vaticano II, ou seja, de como o Concílio deveria ser avaliado e acolhido na vida da Igreja.
Há quem defenda tenazmente a reforma e considere uma culpa intolerável que, em certas condições, tenha sido readmitida a celebração da santa Eucaristia segundo a última edição do Missal feita antes do Concílio, a de 1962. Ao mesmo tempo, porém, a liturgia é considerada como "semper reformanda", de forma tal que, no fim das contas, cada "comunidade" faz sua liturgia "própria", na qual exprime a si mesma. Um

Liturgisches Kompendium (Compêndio litúrgico, ndr.) protestante (organizado por Christian Grethlein e Günter Ruddat, Göttingen, 2003) apresentou recentemente o culto como "projeto de reforma" (pp. 13-41), refletindo a maneira de pensar também de muitos liturgistas católicos.
Por outro lado, há também os críticos ferozes da reforma litúrgica, os quais não apenas criticam sua aplicação prática, mas também suas bases conciliares. Eles só vêem salvação na total recusa da reforma.
Entre esses dois grupos, os reformistas radicais e seus adversários intransigentes, freqüentemente se perde a voz daqueles que consideram a liturgia algo vivo, algo que cresce e se renova ao ser recebida e ao concretizar-se. Estes, além de tudo, com base na mesma lógica, insistem em que só se dá crescimento quando se preserva a identidade da liturgia, e sublinham que um desenvolvimento adequado só é possível quando se dá atenção às leis internas que sustentam esse "organismo". Tal como um jardineiro acompanha uma planta durante seu crescimento, dando a devida atenção à suas energias vitais e à suas leis, da mesma forma a Igreja deveria acompanhar respeitosamente o caminho da liturgia através dos tempos, distinguindo o que ajuda e cura daquilo que violenta e destrói.
Se as coisas caminham dessa forma, devemos tentar definir qual é a estrutura interna de um rito, e também quais são suas leis vitais, de forma a encontrar os caminhos adequados para preservar sua energia vital nas mudanças que ocorrem ao longo do tempo, para incrementá-la e renová-la.
O livro de dom Alcuin Reid se insere nessa linha. Percorrendo a história do Rito Romano (missa e breviário) desde suas origens até a vigília do Concílio Vaticano II, ele busca estabelecer quais são os princípios de seu desenvolvimento litúrgico, haurindo, assim, da história, com seus altos e baixos, os critérios nos quais qualquer reforma deve se basear.
O livro se divide em três partes. A primeira, muito breve, analisa a história da reforma do Rito Romano desde suas origens até o fim do século XIX. A segunda é dedicada ao movimento litúrgico até 1948. A terceira - de longe a mais extensa - trata da reforma litúrgica sob Pio XII, até a vigília do Concílio Vaticano II. Essa parte se revela muito útil, justamente porque essa fase da reforma litúrgica já não é muito lembrada, apesar de se encontrarem justamente nela - como também na história do movimento litúrgico, evidentemente - todas as questões acerca das formas corretas de realizar uma reforma, permitindo também adquirir critérios de juízo. A decisão do autor de deter-se no limiar do Concílio Vaticano II é muito sábia. Ele evita, assim, entrar na controvérsia ligada à interpretação e à recepção do Concílio, ilustrando o momento histórico e a estrutura das várias tendências, o que resulta determinante para a questão dos critérios da reforma.
No final de seu livro, o autor relaciona os princípios de uma correta reforma: ela deveria ser em igual medida aberta ao desenvolvimento e à continuidade da Tradição; deveria saber-se ligada a uma tradição litúrgica objetiva e fazer com que a continuidade substancial seja salvaguardada.
O autor, depois, concordando com o


Catecismo da Igreja Católica, sublinha que "mesmo a suprema autoridade da Igreja não deve modificar a liturgia arbitrariamente, mas tão-somente em  obediência à fé e com respeito religioso pelo mistério da liturgia" (nº 1125; no livro, na p. 258). Por fim, encontramos ainda, como outros critérios, a legitimidade das tradições litúrgicas locais e o interesse pela eficácia pastoral.
Eu gostaria de sublinhar ainda mais, do meu ponto de vista pessoal, alguns dos critérios da renovação litúrgica já brevemente indicados. Começarei com os últimos critérios fundamentais. Parece-me muito importante que o


Catecismo, ao mencionar os limites do poder da suprema autoridade da Igreja com relação à reforma, chame a atenção para aquela que é a essência do primado, tal como é sublinhado pelos Concílios Vaticanos I e II: o papa não é um monarca absoluto cuja vontade é lei, mas o guardião da autêntica Tradição e, por isso, o primeiro a garantir a obediência. Ele não pode fazer o que quiser, e justamente por isso pode se opor àqueles que pretendem fazer tudo o que querem. A lei a que deve se ater não é a ação ad libitum, mas a obediência à fé. Por isso, diante da liturgia, tem a função de um jardineiro e não a de um técnico que constrói máquinas novas e joga as velhas fora. O "rito", ou seja, a forma de celebração e de oração que amadurece na fé e na vida da Igreja, é forma condensada da Tradição viva, na qual a esfera do rito expressa o conjunto de sua fé e de sua oração, tornando assim experimentáveis, ao mesmo tempo, a comunhão entre as gerações e a comunhão com aqueles que rezam antes de nós e depois de nós. Assim, o rito é como um dom concedido à Igreja, uma forma viva de parádosis.
É importante, nesse sentido, interpretar corretamente a "continuidade substancial". O autor nos alerta expressamente contra o caminho errado ao qual poderíamos ser conduzidos por uma teologia sacramental neo-escolástica desligada da forma viva da liturgia. Partindo dessa teologia, poderíamos reduzir a "substância" à matéria e à forma do sacramento, e dizer: o pão e o vinho são a matéria do sacramento, as palavras da instituição são sua forma; só essas duas coisas são necessárias, todo o resto pode mudar. Nesse ponto, modernistas e tradicionalistas estão de acordo. Basta que haja a matéria e que sejam pronunciadas as palavras da instituição: todo o resto é "a gosto". Infelizmente, muitos sacerdotes agem hoje com base nesse esquema; e até mesmo as teorias de muitos liturgistas, desafortunadamente, movem-se nessa direção. Eles querem superar o rito como algo rígido e constróem produtos de sua fantasia, considerada pastoral, em torno desse núcleo residual, que, assim, é relegado ao reino da magia ou completamente privado de seu significado.
O movimento litúrgico buscou superar esse reducionismo, produto de uma teologia sacramental abstrata, e ensinar-nos a considerar a liturgia como o conjunto vivo da Tradição transformada em forma, que não pode ser rasgado em pequenos pedaços, mas deve ser visto e vivido em sua totalidade viva. Quem, como eu, na fase do movimento litúrgico que precedeu o Concílio Vaticano II, foi tocado por essa concepção só pode constatar com profunda dor a destruição daquilo que era caro a este movimento.
Gostaria de comentar brevemente outras duas intuições que aparecem no livro de dom Alcuin Reid. O arqueologismo e o pragmatismo pastoral - este último, aliás, é muitas vezes um racionalismo pastoral - são ambos errados. Poderiam ser descritos como um par de gêmeos profanos. Os liturgistas da primeira geração eram, em sua maioria, historiadores, inclinados, conseqüentemente, ao arqueologismo. Queriam desenterrar as formas mais antigas, em sua pureza original; viam os livros litúrgicos em uso, com seus ritos, como expressão de proliferações históricas, fruto de mal-entendidos e ignorância do passado. Buscavam reconstruir a Liturgia Romana mais antiga e limpá-la de todos os acréscimos posteriores. Não era uma coisa totalmente errada; mas a reforma litúrgica é de certa forma algo diferente de uma escavação arqueológica, e nem todos os desdobramentos de algo vivo devem ter a lógica de um critério racionalista/historicista. Essa é também a razão pela qual - como o autor justamente observa -, não deve caber aos especialistas a última palavra na reforma litúrgica. Especialistas e pastores têm cada um o seu papel (tal como, na política, os técnicos e aqueles que são chamados a decidir representam dois níveis diferentes). Os conhecimentos dos estudiosos são importantes, mas não podem ser transformados imediatamente em decisões dos pastores, os quais têm a responsabilidade de ouvir os fiéis para identificar com inteligência, ao lado deles, aquilo que ajuda ou não a celebrar os sacramentos com fé hoje. Uma das fraquezas da primeira fase da reforma depois do Concílio foi 3 que quase apenas os especialistas tinham voz no capítulo. Teria sido importante uma maior autonomia por parte dos pastores.
Sendo que muitas vezes, obviamente, fica impossível elevar o conhecimento histórico à condição de nova norma litúrgica, foi muito fácil que esse "arqueologismo" se ligasse ao pragmatismo pastoral. Decidiu-se, em primeiro lugar, eliminar tudo o que não era reconhecido como original, e conseqüentemente como "substancial", para depois integrar à "escavação arqueológica" - quando ainda parecesse insuficiente - e "o ponto de vista pastoral". Mas o que é "pastoral"? Os juízos intelectualistas dos professores sobre essas questões eram muitas vezes determinados por suas considerações racionais e não levavam em conta o que realmente sustenta a vida dos fiéis. De tal forma que hoje, depois da vasta racionalização da liturgia na primeira fase da reforma, está-se de novo em busca de formas de solenidade, de atmosferas "místicas" e de uma certa sacralidade. Mas, sendo que existem - necessariamente e de maneira cada vez mais evidente - juízos largamente divergentes sobre o que é pastoralmente eficaz, o aspecto "pastoral" tornou-se a passagem para a irrupção da "criatividade", a qual dissolve a unidade da liturgia e nos põe com freqüência diante de uma banalidade deplorável. Não se quer dizer com isso que a liturgia eucarística, como também a liturgia da Palavra, não sejam muitas vezes celebradas, a partir da fé, de modo respeitoso e "belo", no melhor sentido da palavra. Mas, dado que estamos buscando os critérios da reforma, devemos também mencionar os perigos que, infelizmente, nas últimas décadas, não se limitaram a ser apenas fantasias de tradicionalistas inimigos da reforma.
Eu gostaria de me deter ainda no fato de que, no compêndio litúrgico citado acima, o culto foi apresentado como "projeto de reforma", ou seja, como um canteiro de obras no qual a atividade é incessante. Semelhante, ainda que diferente em alguns pontos, é a sugestão dada por alguns liturgistas católicos de adaptar a reforma litúrgica à mutação antropológica da modernidade e construí-la de maneira antropocêntrica. Se a liturgia aparece antes de mais nada como o canteiro de obras da nossa atividade, isso significa que se esquece a coisa essencial: Deus, uma vez que na liturgia a questão não somos nós, mas Deus. O esquecimento de Deus é o perigo mais iminente do nosso tempo. A essa tendência, a liturgia deveria opor a presença de Deus. Mas o que acontece se o esquecimento de Deus entra até mesmo na liturgia, se, na liturgia, pensamos apenas em nós mesmos? Em qualquer reforma litúrgica e em qualquer celebração litúrgica, o primado de Deus deveria ocupar sempre o primeiríssimo lugar.
Com isso, fui muito além do livro de dom Alcuin. Mas acredito que, de alguma forma, tenha ficado claro que esse livro, com a riqueza de suas observações, nos ensina critérios e nos convida a outras reflexões. Por isso, recomendo sua leitura.
_______________________________________________
Fonte: http://www.padrepauloricardo.org/site/wp-content/uploads/2009/07/O_desenvolvimento_organico_da_liturgia.pdf

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Per il cardinale Ouellet l'Occidente deve recuperare la sacralità della liturgia

LITURGIA: per il cardinale Ouellet l'Occidente deve recuperare la sacralità della liturgia




Il Cardinale canadese Marc Ouellet, Arcivescovo di Quebec (Canada) dal 2002, ha affermato che l’Occidente ha bisogno di riscoprire la sacralità della liturgia. Tracciando un breve bilancio complessivo del Sinodo, in un’intervista rilasciata il 20 ottobre alla rivista mensile “Inside the Vatican”, il Cardinale ha affermato: «A questo punto, e siamo molto vicini alla fine, penso che il Sinodo abbia avuto successo (...) La presenza del Santo Padre ha rappresentato una parte importante di questo successo e i suoi interventi personali hanno dato davvero una sorta di ritmo, o di profondità, al nostro Sinodo. È stato molto attento, molto ricettivo e rispettoso, molto cordiale (…) È un uomo profondamente convinto e sicuro della sua dottrina – ha aggiunto il porporato –, per cui può ascoltare molto e attentamente qualsiasi altra posizione, perché non ha paura che le sue convinzioni vengano scosse, avendo anche il carisma di Pietro, il dono dello Spirito Santo, per sostenere i suoi fratelli Vescovi nella fede».

Il Cardinale ha affermato che nel corso dei lavori sinodali ha avuto modo di apprezzare la bellezza della liturgia orientale: «l’esperienza delle Chiese orientali è stata molto arricchente. Hanno liturgie diverse ed un diverso senso della liturgia, per cui sentirli parlare della Santa Eucaristia è stato molto importante per noi (...) I cristiani orientali sfruttano l’architettura delle loro chiese per rispettare la Chiesa stessa e la Santa Eucaristia che è il cuore del tempio. Hanno un profondo senso della sacralità, e quindi sentirli parlare della Santa Eucaristia è stato fondamentale per me (…) Molti hanno parlato di questo e penso che ci sarà un seguito nelle congregazioni e nei vari Paesi» e ha auspicato «che in futuro ci sia una maggiore consapevolezza della sacralità della santa liturgia».
«In Occidente abbiamo bisogno di recuperare la sacralità della liturgia – ha sottolineato il Cardinale –. Ciò che ho osservato è che l’adorazione del Santissimo Sacramento si sta risvegliando e sviluppando in tutto il mondo, e questo aiuterà a ripristinare la sacralità della celebrazione liturgica della Messa».
Il prelato ha poi sostenuto che a suo avviso «la ripresa dell’adorazione del Santissimo Sacramento viene dai laici. E questo è un segno dei tempi e un grande incoraggiamento (…) Allo stesso tempo, penso che il Sinodo contenga un messaggio di incoraggiamento per i sacerdoti. In molte parti del mondo viene loro richiesto di coprire grandi distanze e celebrare molte Messe la domenica, per cui è un lavoro duro. Hanno bisogno di incoraggiamento e di essere sostenuti dal popolo di Dio, dalla sua preghiera e dai suoi sacrifici».

In vista del 49° Congresso Eucaristico Internazionale che avrà luogo a Quebec, dal 15 al 22 giugno 2008, il Cardinale Oullet ha dichiarato: «È una grande opportunità per la nuova evangelizzazione in Nordamerica, Canada, Stati Uniti in particolare (…) È anche un’occasione per dare un seguito al Sinodo sulla Santa Eucaristia e di ravvivare la fiamma della fede cattolica nel nostro Paese, dove in passato c’era una profonda unità tra cultura e fede. Questo legame al giorno d’oggi è oggetto di sfida e abbiamo bisogno di ricostruire un rapporto positivo con la cultura e di dar vita ad una nuova cultura cattolica (…) Il Congresso Eucaristico implica una lunga preparazione, molte catechesi per un paio d’anni nell’intero Paese – ha spiegato il Cardinale –. Per questo stiamo preparando del materiale e avremo un tema scelto ed approvato da Papa Benedetto - che è - l’Eucaristia: dono di Dio per la vita del mondo. (…) Dobbiamo sottolineare il dono verticale di Dio, la Santa Eucaristia, e allo stesso tempo questo dono sta portando vita al mondo». (RC n. 10 - Dicembre 2005)

fonte

Ven. Pio XII: Idênticos, finalmente, são os fins,(Santa Missa) dos quais o primeiro é a glorificação de Deus .Ven Pie XII : Le premier (but de la Sainte Messe) est la glorification du Père céleste . Ven. Pio XII : El segundo fin ( de la Santa Misa) es la Acción de gracias a Dios. . Ven. Pio XII : Il terzo fine( de la Santa Messa) è l'espiazione e la propiziazione. . Ven. Pius XII : Der zweite Opferzweck ist die Gott geschuldete Danksagung.Ven. Pius XII : The fourth end, (of the Holy Mass) finally, is that of impetration.


Ven. Pio XII: Idênticos, finalmente, são os fins,(Santa Missa) dos quais o primeiro é a glorificação de Deus .Ven Pie XII : Le premier (but de la Sainte Messe) est la glorification du Père céleste . Ven. Pio XII : El segundo fin ( de la Santa Misa) es la Acción de gracias a Dios. . Ven. Pio XII : Il terzo fine( de la Santa Messa) è l'espiazione e la propiziazione. . Ven. Pius XII : Der zweite Opferzweck ist die Gott geschuldete Danksagung.Ven. Pius XII : The fourth end, (of the Holy Mass) finally, is that of impetration.





Ven. Pio XII : "O terceiro fim é a expiação e a propiciação. Certamente ninguém, fora Cristo, podia dar a Deus onipotente satisfação adequada pelas culpas do gênero humano; ele, pois, quis imolar-se na cruz, "propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos de todo o mundo".(67) Nos altares se oferece igualmente cada dia pela nossa redenção, afim de que, libertados da eterna condenação, sejamos acolhidos no rebanho dos eleitos. "





CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII
MEDIATOR DEI
SOBRE A SAGRADA LITURGIA

SEGUNDA PARTE
O CULTO EUCARÍSTICO

64. Idênticos, finalmente, são os fins, dos quais o primeiro é a glorificação de Deus. Do nascimento à morte, Jesus Cristo foi abrasado pelo zelo da glória divina e, da cruz, a oferenda do sangue chegou ao céu em odor de suavidade. E porque este cântico não havia de cessar, no sacrifício eucarístico os membros se unem à Cabeça divina e com ela, com os anjos e os arcanjos, cantam a Deus louvores perenes, (63) dando ao Pai onipotente toda honra e glória.(64)

65. O segundo fim é a ação de graças a Deus. O divino Redentor somente, como Filho de predileção do Eterno Pai de quem conhecia o imenso amor, pôde entoar-lhe um digno cântico de ação de graças. A isso visou e isso desejou "rendendo graças"(65) na última ceia, e não cessou de fazê-lo na cruz, não cessa de realizá-lo no augusto sacrifício do altar, cujo significado é justamente a ação de graças ou eucaristia; e porque isso é "verdadeiramente digno e justo e salutar".(66)

66. O terceiro fim é a expiação e a propiciação. Certamente ninguém, fora Cristo, podia dar a Deus onipotente satisfação adequada pelas culpas do gênero humano; ele, pois, quis imolar-se na cruz, "propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos de todo o mundo".(67) Nos altares se oferece igualmente cada dia pela nossa redenção, afim de que, libertados da eterna condenação, sejamos acolhidos no rebanho dos eleitos. E isso não somente por nós que estamos nesta vida mortal, mas ainda "por todos aqueles que repousam em Cristo, os quais nos precederam com o sinal da fé, e dormem o sono da paz",(68) pois, quer vivamos, quer morramos, "não nos separamos do único Cristo".(69)

67. O quarto fim é a impetração. Filho pródigo, o homem malbaratou e dissipou todos os bens recebidos do Pai celeste, por isso está reduzido à suprema miséria e inanição; da cruz, porém, Cristo, "tendo em alta voz e com lágrimas oferecido orações e súplicas... foi ouvido pela sua piedade",(70) e nos sagrados altares exercita a mesma mediação eficaz; a fim de que sejamos cumulados de toda bênção e graça.

68. Compreende-se, portanto, facilmente, porque o sacrossanto concílio de Trento afirma que com o sacrifício eucarístico nos é aplicada a salutar virtude da cruz para a remissão dos nossos pecados cotidianos.(71)


Ven Pie XII : Le premier (but de la Sainte Messe) est la glorification du Père céleste. De son berceau jusqu’à la mort, Jésus-Christ fut enflammé du désir de procurer la gloire de Dieu ; de la croix au ciel, l’offrande de son sang s’éleva comme un parfum délectable, et pour que cet hommage ne cesse jamais, les membres s’unissent à leur Chef divin dans le sacrifice eucharistique, et avec lui, unis aux anges et aux archanges, ils adressent en chœur à Dieu de continuels hommages (cf. Missale Rom., Praefatio), rapportant au Père tout-puissant tout honneur et toute gloire (Ibid., Canon).



Encyclique MEDIATOR DEI


de Sa Sainteté le Pape PIE XII

SUR LA SAINTE LITURGIE

Fins identiques

Les buts visés enfin, sont les mêmes. Le premier est la glorification du Père céleste. De son berceau jusqu’à la mort, Jésus-Christ fut enflammé du désir de procurer la gloire de Dieu ; de la croix au ciel, l’offrande de son sang s’éleva comme un parfum délectable, et pour que cet hommage ne cesse jamais, les membres s’unissent à leur Chef divin dans le sacrifice eucharistique, et avec lui, unis aux anges et aux archanges, ils adressent en chœur à Dieu de continuels hommages (cf. Missale Rom., Praefatio), rapportant au Père tout-puissant tout honneur et toute gloire (Ibid., Canon).

Le second but poursuivi est de rendre à Dieu les grâces qui lui sont dues. Seul le divin Rédempteur, en tant que Fils bien-aimé du Père éternel, dont il connaissait l’immense amour, put lui offrir un digne chant d’action de grâces. C’est ce qu’il visa, ce qu’il voulut, " en rendant grâces " (Mc XIV, 23) à la dernière Cène. Et il ne cessa de le faire lorsqu’il était suspendu à la croix ; il ne le cesse pas dans le saint sacrifice de l’autel, dont le sens est " action de grâces " ou action " eucharistique ", et ceci parce que " c’est vraiment digne et juste, équitable et salutaire " (Missale Rom., Praefatio).

En troisième lieu, le sacrifice se propose un but d’expiation, de propitiation et de réconciliation. Aucun autre que le Christ ne pouvait assurément offrir à Dieu satisfaction pour toutes les fautes du genre humain ; aussi voulut-il être immolé lui-même sur la croix " en propitiation pour nos péchés, et non seulement pour les nôtres, mais pour ceux du monde entier " (I Jn, II, 2). De la même manière, il s’offre tous les jours sur les autels pour notre rédemption, afin qu’arrachés à la damnation éternelle nous soyons inscrits au nombre de ses élus. Et cela non seulement pour nous qui jouissons de cette vie mortelle, mais aussi " pour tous ceux qui reposent dans le Christ, qui nous ont précédés avec le signe de la foi, et qui dorment du sommeil de la paix " (Missale Rom., Canon) ; en effet, soit que nous vivions, soit que nous mourions, " nous ne nous éloignons pas du seul et unique Christ " (S. Augustin, De Trinit., lib. XIII, c. 19).

En quatrième lieu, enfin, il y a un but impétratoire. L’homme enfant prodigue, a mal usé de tous les biens reçus du Père céleste, et les a dissipés ; aussi se trouve-t-il réduit à un état de très grande pauvreté et de très grande souillure. Cependant, du haut de la croix, le Christ " offrant avec un grand cri et des larmes… ses prières et ses supplications… fut exaucé à cause de sa piété " (He, V, 7). Semblablement, sur les saints autels il exerce la même médiation efficace, afin que nous soyons comblés de toute bénédiction et de toute grâce.

Ven. Pio XII : El segundo fin ( de la Santa Misa) es la Acción de gracias a Dios. Sólo el divino Redentor, como Hijo predilecto del Padre Eterno, de quien conocía el inmenso amor, pudo alzarle un digno himno de acción de gracias. A esto miró y esto quiso «dando gracias» ( Marc. 14, 23) en la última Cena, y no cesó de hacerlo en la Cruz ni cesa de hacerlo en el augusto Sacrificio del Altar, cuyo significado es precisamente la acción de gracias o eucarística; y esto, porque es «cosa verdaderamente digna, justa, equitativa y saludable»



"Mediator Dei"
Sobre la Sagrada Liturgia
20 de noviembre de 1947


4) Idénticos fines.
a') Primer fin: Glorificación de Dios.
0. Idénticos, finalmente, son los fines, de los que el primero es la glorificación de Dios. Desde su Nacimiento hasta su Muerte, Jesucristo estuvo encendido por el celo de la Gloria divina y, desde la Cruz, el ofrecimiento de su Sangre, llegó al cielo en olor de suavidad. Y para que el himno no tenga que acabar jamás en el Sacrificio Eucarístico, los miembros se unen a su Cabeza divina, y con El, con los Ángeles y los Arcángeles, cantan a Dios perennes alabanzas (8), dando al Padre Omnipotente todo honor y gloria.
b') Segundo fin: Acción de gracias a DIOS.
91. El segundo fin es la Acción de gracias a Dios. Sólo el divino Redentor, como Hijo predilecto del Padre Eterno, de quien conocía el inmenso amor, pudo alzarle un digno himno de acción de gracias. A esto miró y esto quiso «dando gracias» ( Marc. 14, 23) en la última Cena, y no cesó de hacerlo en la Cruz ni cesa de hacerlo en el augusto Sacrificio del Altar, cuyo significado es precisamente la acción de gracias o eucarística; y esto, porque es «cosa verdaderamente digna, justa, equitativa y saludable» (9).
c') Tercer fin: Expiación y propiciación.
92. El tercer fin es la Expiación y la Propiciación. Ciertamente nadie, excepto Cristo, podía dar a Dios Omnipotente satisfacción adecuada por las culpas del género humano. Por esto, El quiso inmolarse en la Cruz como «propiciación por nuestros pecados, y no sólo por los nuestros, sino por los de todo el mundo» (I Ioan 2, 2). En los altares se ofrece igualmente todos los días por nuestra Redención, a fin de que, libres de la condenación eterna, seamos acogidos en la grey de los elegidos. Y esto no sólo para nosotros, los que estamos en esta vida mortal, sino también «para todos aquellos que descansan en Cristo, los que nos han precedido por el signo de la fe y duermen ya el sueño de la paz» (10), «porque lo mismo vivos que muertos, no nos separamos del único Cristo» (11).
d') Cuarto fin: Impetración.
93. El cuarto fin es la Impetración. Hijo pródigo, el hombre ha malgastado y disipado todos los bienes recibidos del Padre celestial, y por esto se ve reducido a la mayor miseria y necesidad; pero desde la Cruz, Cristo «habiendo ofrecido oraciones y súplicas con poderosos clamores y lágrimas, fue escuchado por su reverencial temor» (Hebr. 5, 7), y en los altares sagrados ejercita la misma eficaz mediación, a fin de que seamos colmados de toda clase de gracias y bendiciones.

Ven. Pio XII : Il terzo fine( de la Santa Messa) è l'espiazione e la propiziazione. Certamente nessuno al di fuori di Cristo poteva dare a Dio Onnipotente adeguata soddisfazione per le colpe del genere umano; Egli, quindi, volle immolarsi in Croce «propiziazione per i nostri peccati, e non soltanto per i nostri, ma anche per quelli di tutto il mondo». Sugli altari si offre egualmente ogni giorno per la nostra redenzione, affinché, liberati dalla eterna dannazione, siamo accolti nel gregge degli eletti.


PIO PP. XII
SERVO DEI SERVI DI DIO

LETTERA ENCICLICA

MEDIATOR DEI

«SULLA SACRA LITURGIA»

Identici, finalmente, sono i fini, di cui il primo è la glorificazione di Dio. Dalla nascita alla morte, Gesù Cristo fu divorato dallo zelo della gloria divina, e, dalla Croce, l'offerta del sangue arrivò al cielo in odore di soavità. E perché questo inno non abbia mai a cessare, nel Sacrificio Eucaristico le membra si uniscono al loro Capo divino e con Lui, con gli Angeli e gli Arcangeli, cantano a Dio lodi perenni, dando al Padre onnipotente ogni onore e gloria.

Il secondo fine è il ringraziamento a Dio. Il Divino Redentore soltanto, come Figlio di predilezione dell'Eterno Padre di cui conosceva l'immenso amore, poté innalzarGli un degno inno di ringraziamento. A questo mirò e questo volle «rendendo grazie», nell'ultima cena, e non cessò di farlo sulla Croce, non cessa di farlo nell'augusto Sacrificio dell'altare, il cui significato è appunto l'azione di grazie o eucaristica, e ciò perché è «cosa veramente degna e giusta, equa e salutare».

Il terzo fine è l'espiazione e la propiziazione. Certamente nessuno al di fuori di Cristo poteva dare a Dio Onnipotente adeguata soddisfazione per le colpe del genere umano; Egli, quindi, volle immolarsi in Croce «propiziazione per i nostri peccati, e non soltanto per i nostri, ma anche per quelli di tutto il mondo». Sugli altari si offre egualmente ogni giorno per la nostra redenzione, affinché, liberati dalla eterna dannazione, siamo accolti nel gregge degli eletti. E questo non soltanto per noi che siamo in questa vita mortale, ma anche «per tutti coloro che riposano in Cristo, che ci hanno preceduto col segno della fede e dormono il sonno della pace»; poiché sia che viviamo, sia che moriamo, «non ci separiamo dall'unico Cristo».

Il quarto fine è l'impetrazione. Figlio prodigo, l'uomo ha male speso e dissipato tutti i beni ricevuti dal Padre celeste, perciò è ridotto in somma miseria e squallore; dalla Croce, però, Cristo «avendo a gran voce e con lacrime offerto preghiere e suppliche . . . è stato esaudito per la sua pietà», e sui sacri altari esercita la stessa efficace mediazione affinché siamo colmati d'ogni benedizione e grazia. Si comprende pertanto facilmente perché il sacrosanto Concilio di Trento affermi che col Sacrificio Eucaristico ci viene applicata la salutare virtù della Croce per la remissione dei nostri quotidiani peccati


Ven. Pius XII : The fourth end, (of the Holy Mass) finally, is that of impetration. Man, being the prodigal son, has made bad use of and dissipated the goods which he received from his heavenly Father. Accordingly, he has been reduced to the utmost poverty and to extreme degradation. However, Christ on the cross "offering prayers and supplications with a loud cry and tears, has been heard for His reverence."[70] Likewise upon the altar He is our mediator with God in the same efficacious manner, so that we may be filled with every blessing and grace.




MEDIATOR DEI
ENCYCLICAL OF POPE PIUS XII
ON THE SACRED LITURGY


71. Moreover, the appointed ends are the same. The first of these is to give glory to the Heavenly Father. From His birth to His death Jesus Christ burned with zeal for the divine glory; and the offering of His blood upon the cross rose to heaven in an odor of sweetness. To perpetuate this praise, the members of the Mystical Body are united with their divine Head in the eucharistic sacrifice, and with Him, together with the Angels and Archangels, they sing immortal praise to God[63] and give all honor and glory to the Father Almighty.[64]
72. The second end is duly to give thanks to God. Only the divine Redeemer, as the eternal Father's most beloved Son whose immense love He knew, could offer Him a worthy return of gratitude. This was His intention and desire at the Last Supper when He "gave thanks."[65] He did not cease to do so when hanging upon the cross, nor does He fail to do so in the august sacrifice of the altar, which is an act of thanksgiving or a "eucharistic" act; since this "is truly meet and just, right and availing unto salvation."[66]
73. The third end proposed is that of expiation, propitiation and reconciliation. Certainly, no one was better fitted to make satisfaction to Almighty God for all the sins of men than was Christ. Therefore, He desired to be immolated upon the cross "as a propitiation for our sins, not for ours only but also for those of the whole world"[67] and likewise He daily offers Himself upon our altars for our redemption, that we may be rescued from eternal damnation and admitted into the company of the elect. This He does, not for us only who are in this mortal life, but also "for all who rest in Christ, who have gone before us with the sign of faith and repose in the sleep of peace;"[68] for whether we live, or whether we die "still we are not separated from the one and only Christ."[69]
74. The fourth end, finally, is that of impetration. Man, being the prodigal son, has made bad use of and dissipated the goods which he received from his heavenly Father. Accordingly, he has been reduced to the utmost poverty and to extreme degradation. However, Christ on the cross "offering prayers and supplications with a loud cry and tears, has been heard for His reverence."[70] Likewise upon the altar He is our mediator with God in the same efficacious manner, so that we may be filled with every blessing and grace.

Ven. Pius XII : Der zweite Opferzweck ist die Gott geschuldete Danksagung. Nur der göttliche Erlöser kannte als des ewigen Vaters vielgeliebter Sohn dessen unermeßliche Liebe und war imstande, ihm eine würdige Huldigung des Dankes zu entbieten. Das beabsichtigte und das wollte er, als er beim letzten Abendmahle Dank sagte65Davon ließ er nicht ab, als er am Kreuze hing, und davon läßt er nicht ab im hochheiligen Opfer des Altares, das ja „Eucharistische Handlung“, d.h. Danksagung bedeutet; und das ist ja auch „wahrhaft würdig und recht, billig und heilsam“


269. Ferner sind es die gleichen Opferzwecke, deren erster die Ehrung des himmlischen Vaters ist. Von der Geburt bis zum Tode war Jesus Christus vom Eifer für die Ehre Gottes beseelt, und vom Kreuze stieg die Hinopferung seines Blutes mit lieblichem Wohlgeruch zum Himmel empor. Damit nun diese Huldigung niemals unterbrochen werde, vereinigen sich im eucharistischen Opfer die Glieder mit ihrem göttlichen Haupt und bringen zugleich mit ihm und mit den Engeln und Erzengeln Gott immerwährenden Lobpreis dar63indem sie dem allmächtigen Vater alle Ehre und Verherrlichung zuteil werden lassen64

270. Der zweite Opferzweck ist die Gott geschuldete Danksagung. Nur der göttliche Erlöser kannte als des ewigen Vaters vielgeliebter Sohn dessen unermeßliche Liebe und war imstande, ihm eine würdige Huldigung des Dankes zu entbieten. Das beabsichtigte und das wollte er, als er beim letzten Abendmahle Dank sagte65Davon ließ er nicht ab, als er am Kreuze hing, und davon läßt er nicht ab im hochheiligen Opfer des Altares, das ja „Eucharistische Handlung“, d.h. Danksagung bedeutet; und das ist ja auch „wahrhaft würdig und recht, billig und heilsam“66

271. Der dritte Zweck ist Sühne, Genugtuung und Versöhnung. Zweifellos konnte kein anderer als Christus dem allmächtigen Gott für die Schuld der ganzen Menschheit volle Genugtuung leisten; darum wollte er am Kreuze geopfert werden als Sühnopfer für unsere Sünden, und nicht nur für die unsrigen, sondern auch für die der ganzen Welt67Ebenso opfert er sich auf den Altären täglich für unsere Erlösung, damit wir vor der ewigen Verdammnis bewahrt und in die Schar der Auserwählten eingereiht werden. Und dies nicht allein für uns, die wir uns in diesem sterblichen Leben befinden, sondern auch „für alle in Christus Ruhenden, die uns mit dem Zeichen des Glaubens vorangegangen und im Frieden entschlafen sind“68denn ob wir leben oder sterben, „wir trennen uns doch nicht von dem einen Christus“69

272. Der vierte Zweck schließlich ist die demütige Bitte. Als verlorener Sohn hat der Mensch alle vom himmlischen Vater empfangenen Güter vertan und vergeudet und ist daher in äußerste Bedürftigkeit und tiefstes Elend geraten. Doch vom Kreuze aus brachte Christus Gebet und Flehen unter lautem Rufen und Weinen vor . . . und fand wegen seiner Gottesfurcht Erhörung70Desgleichen ist er auf den heiligen Altären in derselben wirksamen Weise unser Mittler bei Gott, auf daß wir mit jeglicher Segnung und Gnade erfüllt werden.

Dom PRÓSPERO GUÉRANGER : PRÁCTICA DEL ADVIENTO # Dom Guéranger, DE L'ASSISTANCE A LA SAINTE MESSE A... # dom Guéranger, ON HEARING MASS DURING THE TIME OF ... # Dom Prosper Guéranger, PRATICA DELL'AVVENTO #

Dom PRÓSPERO GUÉRANGER : PRÁCTICA DEL ADVIENTO



Si nuestra Madre, la Santa Iglesia, pasa el tiempo del Adviento ocupada en esta solemne preparación al advenimiento de Jesucristo; si como las vírgenes prudentes, permanecen con la lámpara encendida para la llegada del Esposo; nosotros, que somos sus miembros e hijos, debemos participar de los sentimientos que la animan y hacer nuestra esta advertencia del Salvador: "Cíñase vuestra cintura como la de los peregrinos, brillen en vuestras manos antorchas encendidas, y vosotros sed semejantes a los criados que están a la espera de su amo" (San Lucas, 12, 35).
En efecto, la suerte de la Iglesia es también la nuestra; cada una de nuestras almas es objeto, por parte de Dios, de una misericordia y de una providencia semejantes a las que emplea con la misma Iglesia. Sí ella es el templo de Dios, es porque se compone, de piedras vivas; si es la Esposa, es porque está formada por todas las almas invitadas a la unión eterna con Él. Si es cierto que está escrito que el Salvador conquistó a la Iglesia con su Sangre (Hebreos, 20, 28), cada uno de nosotros hablando de sí mismo puede decir como San Pablo: Cristo me amó y se entregó por mí (Gálatas, 2, 20). Siendo pues idéntica nuestra suerte, debemos esforzarnos durante el Adviento en asimilar los sentimientos de preparación que vemos que embargan a la Iglesia.
En primer lugar, es un deber nuestro el unirnos a los Santos del Antiguo Testamento para pedir la venida del Mesías y pagar así la deuda que toda la humanidad tiene contraída con la misericordia divina. Para animarnos a cumplir con este deber, transportémonos con el pensamiento al curso de estos miles de años, representados por las cuatro semanas del Adviento y pensemos en aquellas tinieblas, en aquellos crímenes de toda clase en medio de los cuales se movía el mundo antiguo. Nuestro corazón debe sentir con la mayor viveza el agradecimiento que debe a Aquel qué salvó a su criatura de la muerte y que bajó hasta nosotros para ver más de cerca y compartir todas nuestras miserias, fuera del pecado. Debe clamar con acentos de angustia y confianza hacia Aquel que se dignó salvar la obra de sus manos, pero que quiere también que le hombre pida e implore su salvación. Que nuestros deseos y nuestra esperanza se dilaten con estas ardientes súplicas de los antiguos Profetas que la Iglesia pone en nuestros labios; abramos nuestros corazones hasta en sus últimos repliegues a los sentimientos que ellos expresan.
Cumplido este primer deber, pensaremos en el advenimiento que el Salvador quiere hacer en nuestro corazón. Advenimiento lleno de dulzura y de misterio y que es consecuencia del primero, puesto que el Buen Pastor no viene solamente a visitar a su rebaño en general, sino que extiende sus cuidados a cada una de sus ovejas, aún a la centésima que se había extraviado. Ahora bien, para captar todo este inefable misterio, es necesario tener presente que así como no podemos ser agradables a nuestro Padre Celestial sino en la medida que ve en nosotros a Jesucristo, su Hijo, este Divino Salvador tan bondadoso se digna venir a cada uno de nosotros para transformarnos en Él, si lo consentimos, de suerte que no vivamos ya nuestra vida sino la suya. Éste es el objetivo del Cristianismo: la divinización del hombre por Jesucristo. Tal es la tarea sublime impuesta a la Iglesia. Con San Pablo dice Ella a los fieles: "Vosotros sois mis hijitos, pues os doy un nuevo nacimiento para que Jesucristo se forme en vosotros" (Gálatas, 4. 19).
Pero lo mismo que al aparecer en este mundo, el Divino Salvador se mostró primeramente bajo la forma de un débil niño, antes de llegar a la plenitud de la edad perfecta necesaria para que nada faltase a su sacrificio, del mismo modo tratará de desarrollarse en nosotros. Ahora bien, es precisamente en la fiesta de Navidad cuando quiere nacer en las almas y cuando derrama sobre su Iglesia una gracia de Nacimiento, a la cual no todos son ciertamente fieles. Porque mirad la situación de las almas a la llegada de esta inefable fiesta. Las unas, el número más reducido, viven plenamente de la vida de Jesucristo que está en ellas y aspiran continuamente a crecer en esta vida. Las otras, en mayor número, están vivas ciertamente, por la presencia de Cristo, pero enfermas y endebles por no desear el aumento de esta vida divina; porque su amor se ha resfriado. Los demás hombres no gozan de esta vida, están muertos, porque Cristo dijo: "Yo soy la vida".
Durante los días del Adviento pasa llamando a la puerta de todas estas almas, bien sea de una manera sensible; o bien de una manera velada. Les pregunta si tienen sitio para Él, para que pueda nacer en ellas. Y aunque la posada que reclama sea suya, porque Él la construyó y la conserva, se queja de que "los suyos no lo quisieron recibir", al menos la mayoría de ellos.
"Por lo que toca a aquellos que lo recibieron, les dio poder para hacerse hijos de Dios y no hijos de la carne o de la sangre"
(San Juan, 1, 11-13.)
Preparaos, por tanto, vosotras, almas fieles; que lo guardáis dentro de vosotras como un preciado tesoro y que desde tiempo atrás no tenéis otra vida que su vida, otro corazón que su corazón, otras obras que sus obras, preparaos a verlo nacer en vosotras más hermoso, más radiante, más poderoso que hasta ahora lo habíais conocido. Tratad de descubrir en las frases de la santa liturgia estas palabras misteriosas que hablan a vuestro corazón y encantan al Esposo.
Ensanchad vuestras puertas para recibirlo nuevamente, vosotras que lo tenéis ya dentro pero sin conocerlo; que lo poseéis pero sin gozarlo. Ahora vuelve a venir con renovada ternura; ha olvidado vuestros desdenes, quiere renovarlo todo. Haced sitio al Divino Infante porque querrá crecer en vosotras. Se aproxima el momento..
Las palabras de la liturgia son también para vosotras; hablan de tinieblas que sólo Dios puede deshacer, de heridas que sólo su bondad puede curar, de enfermedades que únicamente pueden sanar por su virtud.
Y vosotros, cristianos, para quienes la Buena Nueva es como si no existiera, porque vuestros corazones están muertos por el pecado, bien se trate de una muerte que os aprisiona en sus cadenas desde hace mucho tiempo, o bien de heridas recientes: he aquí que se acerca el que es la vida. "¿Por qué habréis de preferir la muerte? Él no quiere la muerte del pecador sino que viva" (Ezeq. 28, 31-32). La gran fiesta de su Nacimiento será un día de universal misericordia para todos los que quieran recibirlo. Éstos volverán con Él a la vida; desaparecerá toda su vida anterior, "y la gracia sobreabundará allí donde la iniquidad ha abundado" (Romanos, 5, 20).
Y si la ternura y suavidad de este misterioso advenimiento no nos seduce, porque tu recargado corazón no es capaz todavía de experimentar confianza, porque después de haber sorbido la iniquidad como el agua, no sabes lo que es aspirar por amor a las caricias de un Padre cuyas llamadas has despreciado, entonces debes pensar en ese otro Adviento terrorífico que ha de seguir al que se realiza silenciosamente en las almas. Escucha los crujidos del universo ante la proximidad del Juez terrible. Contempla los cielos huyendo ante tu vista, desplegándose como un libro; aguanta, si puedes, su aspecto, su mirada deslumbrante: mira sin estremecerte la espada de dos filos que sale de su boca (Apocalipsis, 1, 16); escucha, por fin, esos gritos lastimeros: "Oh montes, caed sobre nosotros; oh rocas; cubridnos" (San Lucas, 23, 30). Estos gritos son. los que lanzarán en vano aquellas desgraciadas almas que no quisieron conocer el día de su visita. Por haber cerrado su corazón a Dios que lloró sobre ellas, bajarán a horas vivas al fuego eterno, cuyas llamas son tan ardientes que devoran los frutos de la tierra y los más ocultos fundamentos de las montañas. Allí es donde el gusano eterno roe un pesar que no muere nunca.
Aquellos que no se conmueven ante la noticia de la próxima venida del celestial Médico, del Pastor que generosamente da la vida por sus ovejas, mediten durante el Adviento en el tremendo pero innegable misterio de la Redención humana, inutilizada por la repulsa que de ella hace con frecuencia el hombre. Calculen sus fuerzas y si desprecian al Infante que va a nacer, consideren si serán capaces de luchar con el Dios fuerte el dia que venga, no a salvar, sino a juzgar.
Por lo demás, este temor no es sólo propio de los pecadores, es un sentimiento que debe experimentar todo cristiano. El temor, si va solo, hace esclavos; si lo acompaña el amor, dice bien del hijo culpable que busca el perdón de su irritado padre. Aún cuando el amor lo arroje fuera, a veces reaparece como un rayo pasajero, para conmover felizmente, el corazón del alma fiel hasta sus más íntimos fundamentos. Entonces siente revivir en sí el recuerdo de su miseria y de la gratuita misericordia del Esposo.
De todo esto se puede sacar en consecuencia que el Adviento es un tiempo dedicado principalmente a los ejercicios de la vía purgativa; esto está bien significado por aquella frase de San Juan Bautista que la Iglesia repite con tanta frecuencia durante este santo tiempo: "¡Preparad los caminos del Señor!" Que cada uno de nosotros trabaje, pues, seriamente en allanar el camino por donde ha de entrar Cristo en su alma. Los justos, siguiendo la doctrina del Apóstol, "olviden lo que han hecho en el pasado" y trabajen con nuevos ánimos. Apresúrense los pecadores a romper los lazos que los cautivan, las costumbres que los dominan; mortifiquen su carne, comenzando el duro trabajo de sujeción al espíritu. Oren sobre todo con la Iglesia. De esta manera, cuando venga el Señor, tendrán derecho a esperar que no pase de largo por su puerta sino que entre, puesto que ha dicho (Apocalipsis, 3, 20), dirigiéndose a todos: "He aquí que estoy a la puerta y llamo; si alguno oye mi voz y me abriere, entraré en su casa".
Dom PRÓSPERO GUÉRANGER (Tomado de "El año litúrgico")
 

Dom Guéranger, DE L'ASSISTANCE A LA SAINTE MESSE AU TEMPS DE L'AVENT

Ils sentiront aussi que le grand Sacrifice qui perpétue sur la terre, jusqu'à la consommation des siècles, l'oblation réelle, quoique non sanglante, du Corps et du Sang de Jésus-Christ, a pour but spécial de préparer, et même d'opérer, dans les cœurs des fidèles, l'Avènement mystérieux du Dieu qui n'est venu délivrer nos âmes que pour en prendre possession.


L'ANNÉE LITURGIQUE

Dom Guéranger

CHAPITRE V. DE L'ASSISTANCE A LA SAINTE MESSE AU TEMPS DE L'AVENT.


Ce chapitre n’est pas numérisé

Dans toutes les saisons de l'Année Chrétienne, mais surtout au saint temps de l'Avent, il n'est point d'œuvre plus agréable à Dieu, plus méritoire et plus propre à nourrir la véritable piété, que l'assistance au saint Sacrifice de la Messe. Les fidèles doivent donc faire tous leurs efforts pour se procurer ce précieux avantage aux jours mêmes où la sainte Eglise ne leur en fait pas une obligation.
En assistant au divin Sacrifice dont l'oblation a été l'objet de l'attente du genre humain durant quarante siècles, ils devront éprouver une vive reconnaissance, s'ils réfléchissent que Dieu les a fait naître en ce monde depuis ce grand et miséricordieux événement, et n'a pas marqué leur place parmi ces générations qui se sont éteintes avant même d'en avoir pu saluer l'aurore. Ils ne s'en joindront pas moins avec instance à la sainte Eglise, pour demander, au nom de toute la création, la venue du Rédempteur, acquittant ainsi avec plénitude la grande dette imposée à tous les hommes, tant à ceux qui ont vécu avant l'accomplissement du mystère de l'Incarnation, qu'à ceux qui ont le bonheur de le voir accompli.
Ils sentiront aussi que le grand Sacrifice qui perpétue sur la terre, jusqu'à la consommation des siècles, l'oblation réelle, quoique non sanglante, du Corps et du Sang de Jésus-Christ, a pour but spécial de préparer, et même d'opérer, dans les cœurs des fidèles, l'Avènement mystérieux du Dieu qui n'est venu délivrer nos âmes que pour en prendre possession.
Enfin, ils aimeront à profiter de la présence et de la conversation du Fils de Dieu, dans ce mystère caché où il sauve le monde, afin qu'au jour où il viendra le juger dans sa majesté terrible, il les reconnaisse comme ses amis et les sauve encore, à cette heure où il n'y aura plus de miséricorde, mais seulement la justice.
Nous allons essayer de réduire à la pratique ces sentiments dans une explication des mystères de la sainte Messe, nous efforçant d'initier les fidèles à ces divins secrets, non par une stérile et téméraire traduction des formules sacrées, mais au moyen d'Actes destinés à mettre les assistants en rapport suffisant avec les actions et les sentiments de l'Eglise et du Prêtre.
La première chose qui doit occuper les fidèles lorsqu'ils assistent à la sainte Messe dans l'Avent, est de savoir si cette Messe va être célébrée suivant le rite de l'Avent, ou si elle est en l'honneur de la Sainte Vierge, ou de quelque Saint, ou enfin pour les défunts. Pour cela, il leur suffira déconsidérer la couleur des ornements du Prêtre. Ils seront violets, si la Messe est de l'Avent ; d'une autre couleur, blanche ou rouge, si elle est de la Sainte Vierge ou d'un Saint ; enfin noire, si elle est pour les défunts. Si le Prêtre est revêtu de violet, les fidèles s'efforceront d'entrer dans l'esprit de pénitence que l'Eglise veut exprimer par cette couleur. Ils le feront également dans le cas où le Prêtre serait revêtu d'une autre couleur ; car, quelle que soit la solennité qu'on célèbre en Avent, le célébrant est toujours obligé de faire mémoire de l'Avent en trois endroits, et en usant des mêmes paroles de supplication et de componction qu'il aurait à prononcer dans une Messe propre de l'Avent. Il n'y a d'exception que pour les Messes des défunts.
Le Dimanche, si la Messe à laquelle on assiste est paroissiale, deux rites solennels, l'Aspersion de l'Eau bénite, et, en beaucoup d'églises, la Procession, devront d'abord intéresser la piété.
Pendant l'Aspersion, on demandera la pureté de cœur nécessaire pour prendre part au double Avènement de Jésus-Christ ; et en recevant sur soi-même cette eau sainte, dont l'aspersion nous prépare à assister dignement au grand Sacrifice dans lequel est épanché, non plus une eau figurative, mais le Sang même de l'Agneau, on pensera au Baptême d'eau par lequel saint Jean-Baptiste préparait les Juifs à cet autre Baptême qui devait être l'effet de la puissance et de la miséricorde du Médiateur.

Etc

 

dom Guéranger, ON HEARING MASS DURING THE TIME OF ADVENT

With what gratitude ought they to assist at that divine sacrifice, for which the world had been longing for four thousand years! God has granted them to be born after the fulfilment of that stupendous and merciful oblation, and would not put them in the generations of men who died before they could partake of its reality and its riches!


ADVENT

I. THE HISTORY OF ADVENT
II. THE MYSTERY OF ADVENT
III. PRACTICE DURING ADVENT
IV. MORNING AND NIGHT PRAYERS FOR ADVENT
V. ON HEARING MASS DURING ADVENT
VI. ON HOLY COMMUNION DURING ADVENT
VII. ON THE OFFICE OF VESPERS DURING ADVENT
VIII. ON THE OFFICE OF COMPLINE DURING ADVENT

CHAPTER THE FIFTH
ON HEARING MASS DURING THE TIME OF ADVENT


There is no exercise which is more pleasing to God, or more meritorious, or which has greater influence in infusing solid piety into the soul, than the assisting at the holy sacrifice of the Mass. If this be true at all the various seasons of the Christian year, it is so, in a very special manner, during the holy time of Advent. The faithful, therefore, should make every effort in order to enjoy this precious blessing, even on those days when they are not obliged to it by the precept of the Church.
With what gratitude ought they to assist at that divine sacrifice, for which the world had been longing for four thousand years! God has granted them to be born after the fulfilment of that stupendous and merciful oblation, and would not put them in the generations of men who died before they could partake of its reality and its riches! This notwithstanding, they must earnestly unite with the Church in praying for the coming of the Redeemer, so to pay their share of that great debt which God has put upon all, whether living before or after the fulfilment of the mystery of the Incarnation. Let them think of this in assisting at the holy sacrifice.
Let them also remember that this great sacrifice, which perpetuates on this earth even to the end of time, though in an unbloody manner, the real oblation of the Body and Blood of Jesus Christ, has this for its express aim: to prepare the souls of the faithful for the mysterious coming of God, who redeemed our souls only that He might take possession of them. It not only prepares, it even effects this glorious advent.
Let them, in the third place, lovingly profit by the presence of, and intimacy with, Jesus, to which this hidden yet saving mystery admits them; that so, when He comes in that other way, whereby He will judge the world in terrible majesty, He may recognize them as His friends, and even then, when mercy shall give place to justice, again save them.
We shall now endeavour to embody these sentiments in our explanation of the mysteries of the holy Mass, and initiate the faithful into these divine secrets; not, indeed, by indiscreetly presuming to translate the sacred formulae, but by suggesting such acts, as will enable those who hear Mass to enter into the ceremonies and sentiments of the Church and of the priest.
The faithful, in assisting at Mass during Advent, should first know whether it is going to be said according to the Advent rite, or in honour of the blessed Virgin, or of a saint, or, finally, for the dead. The colour of the vestments worn by the priest will tell them all this. Purple is used, if the Mass be of Advent; white or red, if of our Lady or the saints; and black, if for the dead. If the priest be vested in purple, the faithful must excite within themselves the spirit of penance which the Church would signify by this colour. They should do the same, no matter what may be the colour of the vestments; for in every Mass during Advent, with the exception of Masses for the dead, the priest is obliged, even on the greatest feasts, to make a commemoration of Advent three separate times, and thus to make use of the same expressions of repentance and sorrow as he would in a Mass proper to the time of Advent.
On the Sundays, if the Mass at which they assist be the parochial, or, as it is often called, the public Mass, two solemn rites precede it, which are full of instruction and blessing: the Asperges, or sprinkling of the holy water, and the procession.
During the Asperges, let them ask for that purity of heart, which is necessary for having a share in the twofold coming of Jesus Christ; and in receiving the holy water, the sprinkling of which prepares us
assisting worthily at the great sacrifice, wherein is poured forth, not a figurative water, but the very Blood of the Lamb, they should think of that baptism of water, by means of which St. John the Baptist prepared the Jews for that other Baptism, which the power and mercy of the Redeemer were afterwards to give to mankind.

Dom Prosper Guéranger, PRATICA DELL'AVVENTO

Infatti, i destini della Chiesa sono anche i nostri; ciascuna delle anime è, da parte di Dio, l'oggetto d'una misericordia e d'un'attenzione simili a quelle che egli usa nei riguardi della Chiesa stessa. Essa è il tempio di Dio perché composta di pietre vive; è la Sposa perché è formata da tutte le anime che sono chiamate all'eterna unione. Se è scritto che il Salvatore ha acquistato la Chiesa con il suo sangue (At 20,28), ognuno di noi può dire parlando di se stesso, come san Paolo: Cristo mi ha amato e si è sacrificato per me (Gal 2,20). Essendo dunque uguali i destini, dobbiamo sforzarci, durante l'Avvento, di entrare nei sentimenti di preparazione di cui abbiamo visto ripiena la Chiesa.

http://www.unavoce-ve.it/gueranger.jpg
Capitolo Terzo
PRATICA DELL'AVVENTO

Vigilanza.
Se la santa Chiesa, madre nostra, passa il tempo dell'Avvento in questa solenne preparazione alla triplice Venuta di Gesù Cristo; se, sull'esempio delle vergini savie, tiene la lampada accesa per l'arrivo dello Sposo, noi che siamo le sue membra e i suoi figli, dobbiamo partecipare ai sentimenti che la animano, e prendere per noi quell'avvertimento del Salvatore: "Siano i vostri lombi precinti come quelli dei viandanti; nelle vostre mani brillino fiaccole accese; e siate simili a servi che aspettano il loro padrone" (Lc 12,35). Infatti, i destini della Chiesa sono anche i nostri; ciascuna delle anime è, da parte di Dio, l'oggetto d'una misericordia e d'un'attenzione simili a quelle che egli usa nei riguardi della Chiesa stessa. Essa è il tempio di Dio perché composta di pietre vive; è la Sposa perché è formata da tutte le anime che sono chiamate all'eterna unione. Se è scritto che il Salvatore ha acquistato la Chiesa con il suo sangue (At 20,28), ognuno di noi può dire parlando di se stesso, come san Paolo: Cristo mi ha amato e si è sacrificato per me (Gal 2,20). Essendo dunque uguali i destini, dobbiamo sforzarci, durante l'Avvento, di entrare nei sentimenti di preparazione di cui abbiamo visto ripiena la Chiesa.

da: dom Prosper Guéranger, L'anno liturgico. - I. Avvento - Natale - Quaresima - Passione, trad. it. P. Graziani, Alba, 1959, p. 31-35
Storia dell'Avvento | Mistica dell'Avvento | Pratica dell'Avvento | Prima Domenica di Avvento | Seconda Domenica di Avvento | Terza Domenica di Avvento | Quarta Domenica di Avvento | La Vigilia di Natale