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domingo, 21 de agosto de 2016

Espiritualidade Beneditina

6022015
Beneditinos são monges, e sua espiritualidade vem desde as primeiras manifestações da vida consagrada na Igreja. palavra polonesa monge vem do grego:  monachos , que pode ser traduzido como este, que é um, ou aquele que é intrinsecamente um, para os quais é importante só uma coisa, isto é, a busca de Deus. Este é, portanto, um monge que deixou o caos deste mundo, e busca integrar e alcançar a harmonia interior, primeiro consigo mesmo, e, assim, com ele com Deus e com os homens. Este ideal pode ser realizado na comunidade ou na solidão. Daí muitos tipos diferentes de vida monástica: eremitica, ou solitário, e cenobítica, ou comunitários. Esta é a primeira implementação de monges Cartuxos, Camaldolenses ou Beneditinos.
Principal característica da espiritualidade monástica é “estar com Deus”, ao qual o monge procura por metanóia, ou conversão diária. O monaquismo tem o seu lugar muito distinto na Igreja como MARK absoluta de Deus.
Deus Absoluto revelado em Cristo, ele é uma verdade fundamental do significado da vocação monástica condicionado. Compreender essa verdade não é só a ação do intelecto, mas o conjunto dos seres humanos, o que implica a necessidade de dar testemunho da sua fé através da subjugação prático da vida, o Deus Altíssimo. Certamente verdade para cada cristão, mas, no caso do monge deve tomar a essência e forma de pertencer a Deus.
A primeira condição para o desenvolvimento de contato consciente com Deus está pronto para romper com o pecado. Para isso na base da graça são vários exercícios ascéticos projetados para purificar o homem. No entanto, o aspecto penitencial ou ascético não constitui, em si, a essência da metanoia, cuja tarefa é a de colocar um homem no caminho de Deus. Por isso, é uma submissão constante e real para a vontade de Deus. Metanoia é uma expressão de amor.
Monge na base dos conselhos evangélicos e os votos correspondentes a tornar-se não apenas a dimensão interna da dignidade humana e do caráter de um cristão.Beneditino em seus votos compromete-se a adotar o modo de vida monástico, a obedecer, de acordo com a regra e estabilidade. Uma característica de os votos monásticos beneditino de um monge é obrigado a uma comunidade específica.Casamentos em apesar do seu grande valor e dignidade não são um fim em si mesmos, são maneiras de realizar o desejo mais profundo de estar com Deus. Tomada de vocação monástica em conjunto com a adoção da Eucaristia é uma consagração pública de Deus.
Monk é chamado para fazer o bem para o seu companheiro claro exemplo de vida, concentrando-se em Deus. Distância para o “mundo” na espiritualidade beneditina não é desprezar quaisquer bens criados por Deus, mas tem que ser expressa por uma escolha sensata, que leva a uma avaliação mais objectiva e factual da temporalidade. A vida interior da espiritualidade monástica é caracterizada pela maior liberdade, no entanto, é formada sobre a Bíblia e liturgia. Assim, a oração é revelada em duas formas: como uma oração litúrgica ea oração do indivíduo.
Liturgia é um dos elementos essenciais da ligação da comunidade monástica, e é essencial para os monges, inesgotável e extremamente fonte de toda a vida espiritual. Liturgia das Horas centro da monástica é a Eucaristia diária.
A tradição monástica tem formado um sistema claro de oração interna. Esta oração é caracterizada por uma grande abertura. Ela deriva de duas fontes: a liturgia e lectio divina diária – leitura meditada da Bíblia e seus comentários, principalmente patrísticos. A vida monástica em termos de produção de uma atitude específica da oração, que o monge faz um homem de oração.
St. Bento na Regra tomou atitude claramente positiva em relação ao trabalho. É convento vida normal e ajudar os necessitados. Trabalhar para ele é uma forma de “adoração”, uma oportunidade para se aproximar de Deus e do próximo. Assim, uma atitude verdadeiramente sério e honesto para o trabalho, que flui de um sentido da presença de Deus.
O Monge envolve toda a vida na comunidade como uma “escola de serviço do Senhor” (RB Prol, 45).
No contexto da solidão e do relacionamento mútuo são igualmente importante estar aberto para o mistério de Cristo. Sinal visível de unificar a comunidade é a pessoa acusada.
Os componentes básicos do Estado e da tradição beneditina deve receber os visitantes, em que os monges têm de encontrar Cristo. Esta forma básica de apostolado na vida monástica é realizada de uma forma adequada aos mosteiros individuais.
Viveu a vida monástica como um todo, sem procurar quaisquer valores secundários estrangeiros, permite que a atitude otimista para o assunto, e a criação do mundo, apesar de sua transitoriedade. O resultado disso é procurado pela sala de monge – benedictina pax.

http://www.tyniec.mm.com.pl/OS BENEDITINOS



O monaquismo beneditino tem como objectivo a busca de Deus o que se relaciona com o seguimento de Jesus Cristo já que buscar Deus é conhecer a Cristo, é segui-lo, tornar-se seu discípulo e amigo.


Na vida beneditina, o ideal de “buscar verdadeiramente a Deus” e “nada antepor ao amor de Cristo” estrutura-se  sobre três pilares:
- a oração (ora);
o estudo (legere):
- o trabalho (labora).

São estes os pilares da vida monástica beneditina como sendo uma Escola do Serviço do Senhor, “Schola Dominici Servitii”  (Prólogo da Regra de São Bento, 45).


Na verdade, no século VI, S. Bento de Núrcia sistematiza, no Mosteiro de Monte Cassino, na Campânia (Itália), a regra - regula – depois adoptada por muitos mosteiros. Esta regra recomenda que os monges permaneçam num mesmo lugar, façam voto de pobreza e de castidade, prestem obediência ao abade – do grego abbas, que significa pai - pratiquem a hospitalidade e a caridade para com os pobres, trabalhem manualmente de forma a garantir a sua subsistência, rezem e, se dediquem ao estudo e ao ensino.


Os mosteiros beneditinos tornam-se assim centros culturais da civilização ocidental. Fechados no seu scriptorium(a oficina de escrita e iluminura) e nas suas bibliotecas, os monges copistas, contribuíram de forma decisiva para salvar do esquecimento as obras literárias da Antiguidade.




A vida um Mosteiro Medieval
"Não era amena, mas tinha  as suas compensações"


Nos mosteiros beneditinos de toda a Europa medieval, os monges eram arrancados ao minguado conforto dos seus colchões de palha e ásperos cobertores pelos sineiros, que os despertavam às 2 horas da madrugada. Momentos depois, dirigiam-se apressadamente, ao longo dos frios corredores de pedra, para o primeiro dos seis serviços diários na enorme igreja (havia uma em cada mosteiro), cujo altar, esplendoroso na sua ornamentação de ouro e prata, resplandecia à luz de centenas de velas. Esperava-os um dia igual a todos os outros, com uma rotina invariável de quatro horas de serviços religiosos, outras quatro de meditação individual e seis de trabalhos braçais nos campos ou nas oficinas. As horas de oração e de trabalho eram entremeadas com períodos de meditação; os monges deitavam-se geralmente pelas 6.30 horas da tarde. Durante o Verão era-lhes servida apenas uma refeição diária, sem carne; no Inverno, havia uma segunda refeição para os ajudar a resistir ao frio.

Era esta a vida segundo a Regra de S. Bento, sob a orientação monástica de um abade, cuja palavra era lei.
Por volta de 1000, a regra seguida praticamente em todos os mosteiros da Europa Ocidental inspirava-se na dos Beneditinos, tal como muitos dos edifícios se baseavam no "modelo" delineado para o Mosteiro de St. Gallen, na Suíça, em 820.
A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino (no Sul de Itália), abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos grandes mosteiros do Mundo. Bento foi o seu primeiro abade, e foi ele quem estabeleceu o modelo de auto-suficiência advogado pelas primitivas regras monásticas — dependência total dos próprios campos e oficinas — que orientou durante séculos os mosteiros da cristandade ocidental.


Em todos os antigos mosteiros beneditinos, a vida era totalmente comunitária. A rotina diária centrava-se naquilo a que S. Bento chamava "trabalho de Deus" — demorados ofícios de complexidade crescente. Tudo o resto era secundário. O trabalho manual que a regra estipulava existia não só para fornecer aos frades alimentação e vestuário e satisfazer-lhes outras necessidades, como também para evitar a sua ociosidade e lhes alimentar a alma mediante a disciplina do corpo. Posteriormente, quando as abadias enriqueceram, sobretudo através de doações de fiéis devotos, os dormitórios comunitários foram substituídos por celas individuais; e foram contratados trabalhadores para cuidarem dos campos, o que permitiu a muitos monges dedicarem-se a outras actividades, nomeadamente o estudo, graças ao qual a Ordem de S. Bento viria a ser tão justamente célebre.

Nos seus jardins murados, os monges cultivavam ervas medicinais que num certo momento à aguardente, inventando assim o licor beneditino. É que  o vinho foi sempre uma bebida permitida aos Beneditinos. Ligava bem com as suas refeições simples, constituídas essencialmente por pão, ovos, queijo e peixe. Embora a carne fosse proibida nos primeiros séculos, posteriormente algumas abadias adicionaram aos alimentos consumidos aves de capoeira e de caça. Em todas as refeições, porém, reinava o silêncio. Deste modo, a Regra de S. Bento, posto que severa sob muitos aspectos, conseguiu atingir um certo equilíbrio entre a ascese e o comprazimento.

Bento, obviamente, conhecia a natureza humana. Embora os monges fossem obrigados a levantar-se muito cedo, aconselhava-os a "encorajarem-se uns aos outros com indulgência e a atenderem às desculpas dos dorminhocos" e autorizava a sesta durante o Verão. Além disso, o primeiro salmo do dia devia ser recitado lentamente, a fim de permitir que os retardatários apanhassem os companheiros. Recomendava-se o silêncio, mas em termos de "espírito de taciturnidade", e não de completa mudez; de facto, existia uma sala especial, com uma lareira acesa no Inverno, onde os monges conversavam. Igual consideração para com os monges se verificava no fornecimento do vestuário, simples mas limpo, que incluía uma muda do hábito e da túnica interior. 
 De acordo com a sua imutável rotina, os Beneditinos viviam e trabalhavam em obediência absoluta ao seu abade. Eram eles que o elegiam, mas a partir de então a sua autoridade era total e vitalícia. Era o abade quem deliberava se o mosteiro deveria primar pela santidade austera, pela cozinha ou pela erudição. No interior das suas paredes maciças, que nenhum cristão ousaria atacar, os mosteiros possuíam bibliotecas nas quais se conservou intacta grande parte da herança literária da Antiguidade durante os séculos em que a Europa foi assolada por invasões e guerras intestinas.
Na realidade, a segurança, tanto económica como física, que os mosteiros ofereciam às respectivas irmandades deve ter constituído um dos seus principais atractivos. Séculos após século, tanto os Beneditinos como os monges de outras ordens religiosas viveram sem temer a fome, a guerra ou o desamparo. E reconfortava-os sempre a ideia de que, no fim, tinham maiores probabilidades de salvação do que os camponeses ou os cavaleiros, que viviam apegados às coisas mundanas.

     Texto retirado da Enciclopédia “Ao Encontro do Passado” de Selecções do    Reader’s Digest.Vocação Religiosa e a Ordem Beneditina O termo monge, no latim monachus, tem sua origem no termo grego monós, (que significa um, um só), um só não no sentido de único, solitário, sozinho, isolado, mas um só no sentido de uno, completo, todo, inteiro, sem divisão. O monge é, pois, aquele que está em busca da sua unidade essencial e existencial, que procura esta unidade fundamental do seu ser em Deus, consigo mesmo, com os demais seres humanos e com o cosmos. O monge alcança a sua unidade sendo um só, com Deus; um só com a humanidade; e um só, com a criação. Nesse contexto, o monaquismo beneditino reconhece como ponto fundamental, sentido da sua existência e sua razão de ser, a busca de Deus (“si revera Deum querit” = se busca verdadeiramente a Deus, Regra de São Bento 64). Busca de Deus que, no âmbito da Revelação Cristã, identifica-se com o conhecimento de Cristo, conhecimento este que, por sua vez, está necessariamente relacionado com o seguimento de Jesus. Logo, buscar verdadeiramente a Deus é conhecer a Cristo e conhecer verdadeiramente a Cristo é segui-lo, tornar-se seu discípulo e amigo. Ora, falando aos Abades beneditinos em 1966, o Papa Paulo VI assim definia os monges: “Aeterni Dei estis investigatores” – sois pesquisadores do Deus Eterno. Nesta fórmula, ele traduzia em termos modernos, e no latim ciceroniado da Cúria, a velha definição do monaquismo segundo a tradição beneditina: “Si revera Deum Quaerit” – isto é, a autenticidade da vocação do candidato é reconhecida “se, na verdade, ele procura a Deus”. Essa terminologia de origem bíblica foi sempre mantida no monaquismo. Ela é hoje carregada de novas riquezas e cheia de imensa impregnação intelectual e humana. Tal vocabulário pode aplicar-se compropriedade ao que os antigos monges chamavam de busca de Deus (Quaesitio Dei). O projeto que inspira a vida monástica obedece, pois, a certo ideal e a uma esperança. Na vida beneditina, este ideal de “buscar verdadeiramente a Deus” e “nada antepor ao amor de Cristo” se estrutura sobre três pilares: a oração (ora), o estudo (legere) e o trabalho (et labora). Estas são as colunas que sustentam a sólida edificação da vida monástica beneditina como sendo uma Escola do Serviço do Senhor, “Schola Dominici Servitii” (Prólogo da Regra de São Bento, 45).


D. Jean Leclercq O.S.B.

« Jesus, o primeiro monge »: esta expressão, utilizada há pouco tempo como título de um artigo, era seguida por um ponto de interrogação . Tal afirmação oferece a ocasião de nos perguntarmos se se trata de um verdadeiro e particular problema: Jesus Cristo foi monge? Se não, nós temos o direito de sê-lo? Se foi, o que isso significa? Problema complexo e delicado, sobre o qual, ao que parece, não existe nenhum estudo, ainda que existam a esse respeito alguns elementos de resposta, porém, dispersados no curso de numerosos séculos. Aqui, não poderemos dar uma solução definitiva. Mas, podemos oferecer a esse respeito algumas sugestões, recolher uma primeira documentação, a fim de estimular novas pesquisas e reflexões. 

A questão 

Há muitos modos de considerar a relação do monaquismo cristão com «a mensagem do Novo Testamento», e um deles consistiu em examinar os «movimentos monásticos» nas suas origens. A esse propósito, observou-se justamente «que eles condividem um escopo comum com o monaquismo das grandes religiões da humanidade» . De fato, em todas é atestado, sob diversas formas, mas com unidade, um mesmo fenômeno ao mesmo tempo humano e social: alguns indivíduos se distanciam da vida hodierna para dedicar-se, em uma determinada ascese, a uma busca espiritual. Esse fato foi constatado por expertos em Antropologia e em História das Religiões , e tentou-se mesmo dar-lhe uma interpretação sociológica . Além disso, é preciso ter presente que esse «fenômeno monástico» não corresponde somente a alguma vaga «dimensão da existência humana», constituindo assim um arquétipo universal, realizado em todo representante do homo religiosus. Para designá-lo, pode-se hesitar entre diversos termos: «arquétipo», «paradigma», «imagem», «símbo¬lo» ou «modelo ideal»; mas, para permanecermos conforme a realidade que a antropologia e a história nos permitem de observar, devemos admitir que ele não diz respeito somente a uma atitude interior: essa última deve manifestar-se em uma certa maneira de viver, em uma certa estrutura da existência. 

A questão se o arquétipo monástico se aplique a todo cristão, porque é verificado em primeiro lugar no Cristo, foi posta recentemente pelo padre J. P. Fuentes . Ele citou autores que sustentam que «o verdadeiro cristão é o monge» ou que «o verdadeiro monge foi São Paulo, pois ele se glorificava na cruz de Cristo» , ou ainda que as profecias que anunciavam o sofrimento solitário de Cristo na sua Paixão, foram cumpridas nele como no monge por excelência: «De Christo monacho excelso» , e concluiu que aquilo que faz do Cristo um monge, o monge, é o seu sacrifício: «No centro, no coração do mundo, sobre o Calvário, como no verdadeiro centro do mundo, está fixada a Cruz, árvore da vida. No centro da humanidade, no centro dos tempos e dos séculos, encontra-se a humanidade assumida pela divindade. O único verdadeiro homem, o verdadeiro monge, é Jesus Cristo: um só Deus, um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo» . Essa interpretação, admirável, é fundada sobre o valor central que constitui, na vida de Jesus, sua solidão com o Pai para a salvação de toda a humanidade: a palavra «monge», de fato, significa originariamente estar sozinho, ser um solitário. 
Outros autores rejeitaram energicamente a definição de Cristo como monge. Eles partiam seja de noções caricaturais do monaquismo e de Cristo, seja de uma interpretação sociológica pessoal daquilo que é o monge: ele não vive como os outros homens, não participa diretamente da história: «Cristo não foi monge» . 

Para discernir objetivamente se o arquétipo do monge se aplique ao Cristo, devemos partir dos fatos, e não das opiniões pessoais. Devemos procurar constatar se ele realizou ou não certos modelos sociais, e quais. Por exemplo, ele ilustra a figura social do pregador itinerante, tal como existia no seu tempo e como a encontramos em outras tradições religiosas. Quando Deus se encarnou em Jesus Cristo, ele assumiu o arquétipo de uma vida conduzida longe da sociedade ordinária, em uma certa marginalidade voluntária, em vista das atitudes e atividades próprias ao fenômeno monástico? 

Um especialista em História comparada das Religiões, ao examinar a realização cristã do fenômeno monástico, iniciou por constatar dois fatos: a primeira imagem que o Evangelho apresenta é a de João Batista no deserto; e a primeira imagem que dá de Jesus, quando inaugura sua missão, é aquela de sua ida ao deserto, na separação, no jejum, na tentação, na união com Deus. Naquele momento, e muitas outras vezes depois, até a morte solitária na cruz, Jesus vive uma experiência tipicamente monástica. Daí a conclusão: «A imagem de um Cristo feito monge pela providência misteriosa e salvadora parece, portanto, atravessar toda a historia salutis evangélica ...» 

Respostas da Tradição 

Compreende-se então que através de toda a história do monaquismo, e depois de toda a vida religiosa em geral, tenha sido amada uma idéia que resume o título de um famoso livro de Dom Columba Marmion: Cristo, ideal do monge . O Cristo foi considerado como «o ideal do religioso» não somente no sentido em que ele que tinha dado aos religiosos, como a todos os cristãos, o seu programa espiritual, mas igualmente porque ele tinha sido – se pensava – o primeiro daqueles que tinham conduzido aquilo que se tornou, na Igreja, a vida monástica e religiosa. Essa idéia é atestada em todas as épocas. Bastará assinalar as principais etapas da sua evolução, sobretudo aquelas que, sendo antigas, estiveram na origem dos desenvolvimentos mais tardios. 

Nesse âmbito, a Antiguidade e a Alta Idade Média – conhecendo a vida religiosa somente sob a forma monástica – retiveram, do Novo Testamento, sobretudo os textos onde se falava dos retiros de Jesus na solidão , «para aí ser tentado» (Mt 4,1s) e para aí rezar (Mt 14, 23; Mc 4, 46; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; Jo 6,15). Os Padres da Igreja e os autores monásticos – em particular São Jerônimo e São Cassiano – à luz desses textos, demonstraram em Jesus o primeiro dos «solitários» . No século IV, Eusério de Emesa detalhou todos os aspectos da existência do Cristo que constituem o modelo da vida das virgens consagradas: celibato, renúncia a todo bem terreno, solidão na montanha, jejum, oração contínua .
A Idade Média continuou na mesma via, com uma precisão e uma insistência crescentes. Assim, Guilherme de Saint-Thierry explica aos cartuxos que a vida deles foi «praticada pelo Senhor em pessoa» . Podemos ainda citar, para o século XII, Geoffroy d’Auxerre , Aelredo de Rievaulx , Guerrico d'Igny . Um texto de Hugo de Balma, escrito para os cartuxos, foi modificado em seguida para permitir a sua aplicação aos franciscanos . Um autor do início do século XIII vê em Cristo o primeiro «eremita» e na cruz a sua «ermida» 

A partir do século XII, se segue o processo de diversificação das formas de vida religiosa. Já um anônimo, publicado com o nome de São Jerônimo, tinha declarado que o Cristo - seja quando se retirava para rezar, seja quando se dirigia à multidão, tinha ele mesmo inaugurado tanto a vida contemplativa quanto a vida ativa . Essa diversidade de formas de vida e das atividades que podia remeter aos exemplos do Cristo é claramente reconhecida no Libellus de diversis ordinibus et professionibus qui sunt in Ecclesia de um anônimo da metade do século XII que é provavelmente um canônico regular: ele distingue sete espécies de religiosos – eremitas, monges e canônicos que vivem longe dos homens ou perto deles –, e para cada uma delas, ele encontra um texto e um modelo no Antigo Testamento, depois um referimento ao Evangelho e um momento exemplar na vida de Jesus . E, a partir dessa época, representantes da maioria das Ordens e instituições referiram o próprio gênero de vida a um ou outro dos exemplos dados por Jesus, a uma ou outra das atividades que ele tinha exercido.
Nos nossos dias, o Concílio Vaticano II retomou essa tipologia diversificada no capítulo da Lumen gentium que trata da vida religiosa; lemos no n. 46: «Procurem os religiosos com empenho que, por seu intermédio, a Igreja revele cada vez mais Cristo aos fiéis e infiéis, Cristo orando sobre o monte, anunciando às multidões o reino de Deus, curando os doentes e feridos, trazendo os pecadores à conversão, abençoando as criancinhas e fazendo bem a todos, obediente em tudo à vontade do Pai que O enviou». O Concílio quis dizer em diversas ocasiões que tudo o que se faz na ordem da salvação é uma participação à obra da salvação: a continuação na Igreja, o prolongamento nos seus membros e, em forte sentido, a imitação de quanto começou em Jesus Cristo, daquilo que ele levou a perfeito cumprimento uma vez por todas e que deve ser agora manifestado, comunicado ao mundo. Também todos os cristãos são convidados a serem sinais, testemunhas. Entre esses, os religiosos devem representar de uma maneira especial, certos aspectos de seu mistério: por exemplo, mediante a pobreza voluntária deles, eles devem ser «o sinal» da pobreza de Cristo e «participar» dela (Perfectae caritatis, 13). A Constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen gentium, no capítulo consagrado aos religiosos, não queria entrar nessas aplicações particulares. Todavia, fez questão de caracterizar brevemente as principais famílias de institutos religiosos, nos quais se realizam diferentes grupos de carismas, de vocações. E o fez invocando o exemplo do Senhor, as diversas atividades que ele mesmo havia exercido, das quais os religiosos devem ser os continuadores e os representantes, os sinais e as testemunhas. Mais do que propor uma definição da vida religiosa, o Concílio preferiu propor, nesse texto, uma tipologia, referida ao Cristo, e que é, em seguida, aplicada a seis grupos de institutos, caracterizados nos números 7 a 11 do Perfectae caritatis. 

Essa apresentação da vida religiosa em referimento a Cristo foi em seguida desenvolvida em muitos comentários surgidos sobre os textos do Concílio . Uma aplicação particular e precisa dos princípios assim enunciados foi feita pela Santa Sé a um estado determinado da vida religiosa, o de vida contemplativa das monjas de clausura, na Instrução da Congregação dos Religiosos Venite seorsum, de 15 de agosto de 1969 . Qualquer que seja a ligação que aí se encontra estabelecida entre a parte doutrinal do documento propriamente dito e as Normae que o concluem, a primeira parte retoma da tradição a idéia de que o Cristo foi o primeiro daqueles que, no Novo Testamento, se retiram na solidão para rezar, para lutar contra o mal, para oferecer-se em sacrifício. Em notas são citados os textos patrísticos que foram indicados aqui .
Em continuidade com a tradição ortodoxa, a idéia do «Cristo monge» e mesmo «monge absoluto», foi magnificamente desenvolvida, a propósito das três tentações de Jesus no deserto, por P. Evdokimov . Mais recentemente, um comentador da Epístola aos Hebreus propôs ver nos destinatários desse texto «um grupo monástico di celibatários»: daí a importância que no texto ocupa o tema da pureza ritual . A sua hipótese foi apresentada com o título, já citado aqui: «Jesus, o primeiro monge?»


Para uma interpretação 

De tais textos surge um delicado problema de interpretação. A vida monástica e religiosa é uma dimensão da vida cristã em sua relação com a sociedade. Ela possui paralelos em outras religiões e sociedades. Mas todas as motivações invocadas para justificá-la eram cristãs; todas elas supunham e favoreciam uma relação pessoal com Cristo: se quis servi-lo, trabalhar pelo seu reino, tornar-se – nesse sentido – pescadores de homens, se unir a Ele – daí o simbolismo nupcial – participar da sua paixão e da sua glorificação, desde agora e por toda a eternidade. Todos esses motivos, e outros, inspirados no Novo Testamento, implicavam uma relação de amor com Jesus. É esse o caráter específico e único do monaquismo cristão, e o que o diferencia, em virtude mesmo do seu conteúdo próprio, de todos os outros. 

Todavia, para que na vida monástica ou em qualquer outra se realize essa participação no mistério do Cristo não é necessário que o Cristo histórico tenha ele mesmo participado de todas as experiências humanas. Nem ao cristão é exigido que ele participe, imitando-os, de todos os comportamentos históricos de Jesus, no seu tempo e no seu ambiente. Ele santificou, salvou, radicalmente, e continua a fazê-lo eternamente, o ser humano – todo ser humano – e todas aquelas suas atividades que possam conduzi-lo a Deus. Não é preciso, portanto, procurar naquilo que nós conhecemos da sua existência terrena, uma imagem arquetípica de todo estado de vida. Aquilo que, para todos, é salvífico, não são as formas culturais nas quais Deus assumiu em si mesmo a natureza humana; é a sua mensagem, o seu evangelho, e o mistério que ele viveu.
Todavia, se os textos e os fatos mostram que ele realmente adotou essa ou aquela estrutura da existência humana, devemos constatá-lo e temos o direito de buscar o seu significado.
Há arquétipos da vida humana assumidos pelo Cristo: o de pregador itinerante, o de chefe espiritual de um grupo de discípulos, o de sacerdote - que ele exerce de uma maneira inteiramente nova. Há outros que decisivamente ele não assumiu, ainda que os tenha tornado igualmente instrumento de salvação, como o de esposo e de pai de família. Tampouco quis aparecer como líder político, ainda que esse modelo tenha sido representado na sua tradição e no seu tempo. Essa distância com relação a um empenho político imediato basta para explicar, segundo alguns, um fato que causa espanto em outros, ou sobre o qual insistem : Cristo não se identificou com grupos que alguns consideram como monásticos: os essênios, a comunidade de Qumran. 

Temos o direito de nos perguntar por que Jesus adotou certas estruturas arquetípicas, e não outras. As atividades de pregador, de formador de um grupo de discípulos em vista da difusão de uma mensagem, do monge, do sacerdote, não revestem um caráter ao mesmo tempo sacro e universal, não requerem a mediação de um grupo familiar ou político, com os seus limites legítimos e necessários? 

Simples perguntas que somos instigados a fazer, diante dos testemunhos daqueles que falaram de Jesus-monge.
D. JEAN LECLERCQ, Regards monastiques sur le Christ au Moyen Âge, Desclée, Paris 1993, 13-23.
Tradução: Bellini