Don Divo Barsotti

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA



O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
Catecismo Maior de São Pio X

A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes.

O sacrifício, em geral, consiste em oferecer a Deus uma coisa sensível, e destrui-la de alguma maneira, para reconhecer o supremo domínio que Ele tem sobre nós e sobre todas as coisas.
Este sacrifício da Nova Lei chama-se a Santa Missa.

A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da Cruz.

O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros sobre os nossos altares, mas, quanto ao modo como é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: Jesus Cristo sobre a Cruz se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte.

Outra relação do Sacrifício da Missa com o da Cruz é que o Sacrifício da Missa representa de modo sensível o derramamento do Sangue de Jesus Cristo na Cruz; porque em virtude das palavras da consagração só o Corpo de nosso Salvador se torna presente debaixo das espécies de pão, e debaixo das espécies de vinho só o seu Sangue; entretanto, pela concomitância natural e pela união hipostática, está presente, debaixo de cada uma das espécies, Jesus Cristo todo inteiro, vivo e verdadeiro.

O Sacrifício da Cruz é o único sacrifício da Nova Lei, porque por ele Nosso Senhor aplacou a Justiça Divina, adquiriu todos os merecimentos necessários para nos salvar, e assim consumou da sua parte a nossa redenção. São estes merecimentos que Ele nos aplica pelos meios que instituiu na sua Igreja, entre os quais está o Santo Sacrifício da Missa.

Oferece-se a Deus o Sacrifício da Missa para quatro fins:
1º. para honrá-Lo como convém, e deste ponto de vista o sacrifício é latrêutico;
2º. para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e deste ponto de vista o sacrifício é eucarístico;
3º. para aplacá-Lo, para dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório, e deste ponto de vista o sacrifício é propiciatório;
4º. para alcançar todas as graças que nos são necessárias, e deste ponto de vista o sacrifício é impetratório.

O primeiro e principal oferente do Santo Sacrifício da Missa é Jesus Cristo, e o sacerdote é o ministro que em nome de Jesus Cristo oferece este sacrifício ao Pai Eterno.

Foi o próprio Jesus Cristo que instituiu o Santo Sacrifício da Missa, quando instituiu o Sacramento da Eucaristia, e disse que fosse ele feito em memória da sua Paixão.

O Santo Sacrifício da Missa oferece-se só a Deus. A Missa celebrada em honra da Santíssima Virgem Maria e dos Santos é sempre um sacrifício oferecido só a Deus; diz-se, porém, celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos para louvar a Deus neles pelos dons que lhes concedeu, e para alcançar, pela intercessão deles, em maior abundância, as graças de que necessitamos.

Toda a Igreja participa dos frutos da Missa, mas particularmente: 1º. o sacerdote e os que assistem à Missa, os quais se consideram unidos ao sacerdote; 2º. aqueles por quem se aplica a Missa, e podem ser vivos ou defuntos.

Para ouvir bem e com fruto a Santa Missa são necessárias duas coisas: 1º. modéstia exterior; 2º. devoção interior.

A modéstia exterior consiste particularmente em estar modestamente vestido, em observar o silêncio e o recolhimento, e em estar, quanto possível, de joelhos, excetuando o tempo dos dois evangelhos, que se ouvem estando de pé.

O melhor modo de praticar a devoção interior ao ouvir a Santa Missa abarca o seguinte:
1º. unir, desde o começo, a própria intenção à do sacerdote, oferecendo a Deus o Santo Sacrifício para os fins por que foi instituído;
2º. acompanhar o sacerdote em cada uma das orações e ações do Sacrifício;
3º. meditar a Paixão e Morte de Jesus Cristo e detestar, de todo o coração, os pecados que Lhe deram causa;
4º. a comunhão sacramental, ou ao menos a espiritual, ao tempo em que o sacerdote comunga.

A Comunhão espiritual é um grande desejo de se unir sacramentalmente a Jesus Cristo, dizendo por exemplo: "Meu Senhor Jesus Cristo, eu desejo de todo o meu coração unir-me a Vós agora e por toda a eternidade"; e fazendo os mesmos atos que se fazem antes e depois da Comunhão sacramental.

A recitação destas orações [o Rosário, por exemplo] não impede ouvir com frutos a Missa, desde que haja um esforço possível de seguir as cerimônias do Santo Sacrifício.

É coisa boa rezar também pelos outros quando se assiste à Santa Missa; e até o tempo da Santa Missa é o mais oportuno para rezar pelos vivos e pelos mortos.

Terminada a Missa, devemos dar graças a Deus por nos ter concedido a graça de assistir a este grande sacrifício e pedir-Lhe perdão das faltas cometidas enquanto a assistíamos.
Fonte:S.Pio V