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terça-feira, 3 de março de 2020

( Do tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a oração dominical


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Cap, 1-3: PL 4, 519-521)    (Sec. III)
Quem nos deu a vida, ensinou-nos a orar
   Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, outra coisa não são que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, alicerces para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, leme para dirigir o caminho, refúgio para garantir a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos fiéis, conduzem-nos para o reino dos Céus.
   Outrora quis Deus falar e fazer-Se ouvir de muitas maneiras pelos Profetas, seus servos. Mas muito mais sublime é o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que já estava presente nos Profetas e agora dá testemunho pela sua própria voz. Já não manda preparar o caminho para Aquele que há-de vir, mas vem Ele mesmo, abrindo e mostrando-nos o caminho, a fim de que nós, que andávamos errantes, improvidentes e cegos nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, sigamos o caminho da vida sob a protecção e guia do Senhor.
   Entre outros ensinamentos e preceitos divinos, com que orienta o seu povo para a salvação, ensinou-nos também o Senhor o modo de orar, e Ele mesmo nos instruiu e aconselhou sobre o que havemos de pedir na oração. Aquele que nos deu a vida, também nos ensinou a orar com a mesma bondade com que Se dignou conceder-nos tantos outros benefícios, a fim de que, dirigindo nós ao Pai a súplica e oração que o Filho nos ensinou, mais facilmente sejamos atendidos.
   O Senhor tinha já anunciado que ia chegar a hora em que os verdadeiros adoradores haviam de adorar o Pai em espírito e verdade. E cumpriu o que prometeu. De facto, tendo nós recebido da sua graça santificadora o espírito e a verdade, podemos adorar a Deus verdadeira e espiritualmente segundo os seus ensinamentos.
   Poderá haver oração mais espiritual do que aquela que nos foi dada por Cristo, se foi Ele que nos enviou também o Espírito Santo? E que oração poderá ser aos olhos do Pai mais verdadeira do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho, que é a Verdade? Rezar de maneira diferente daquela que o Senhor nos ensinou, seria não somente ignorância mas também culpa, como Ele próprio advertiu dizendo: Desprezais o mandamento de Deus para seguir a vossa tradição.
   Rezemos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus nosso mestre nos ensinou. A oração agradável e querida por Deus é a que rezamos com as suas próprias palavras, fazendo subir aos seus ouvidos a oração de Cristo.
   Reconheça o Pai as palavras de seu Filho quando fazemos oração: Aquele que habita interiormente no nosso coração esteja também na nossa voz; e, uma vez que O temos como advogado pelos nossos pecados junto do Pai, usemos as palavras do nosso advogado, quando, como pecadores, suplicamos pelas nossas iniquidades. Se Ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em seu nome nos será dado, quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos, se o pedimos com a sua mesma oração?