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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Dom Athanasius Schneider: na Santa Comunhão não se trata de uma coisa ou de um assunto, mas da Pessoa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo


Fratres in Unum entrevista Dom Athanasius Schneider.

Um Atanásio do Quirguistão, mas de coração sacerdotal brasileiro. Dom Athanasius Schneider, o combativo bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria, em Astana, capital do Cazaquistão, esteve no Brasil no último mês de dezembro, ocasião na qual viajou por várias cidades brasileiras lançando seu novo livro. Nos últimos dias de sua visita, em que dedicou seu tempo a seus amigos de longa data do IPCO (Instituto Plínio Correa de Oliveira), Dom Athanasius recebeu a equipe de Fratres in Unum para uma conversa sobre os últimos acontecimentos da vida da Igreja — em particular, o Sínodo da Família. Nosso agradecimento a Sua Excelência pela disponibilidade e ao IPCO por abrir as portas de sua sede para esta entrevista.
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Inicialmente, Excelência Reverendíssima, muito obrigado por nos receber e conceder esta entrevista ao Fratres in Unum. O senhor tem uma ligação de longa data com o Brasil. Fale-nos sobre a sua relação com nosso país e como o senhor vê hoje a atual da Igreja no Brasil.
Dom Manoel Pestana e Dom Athanasius Schneider. Foto: Arquivo pessoal de Dom Athanasius.
Dom Manoel Pestana e Dom Athanasius Schneider. Foto: Arquivo pessoal de Dom Athanasius.
Primeiramente, nunca em minha vida pensei que chegaria ao Brasil, porque eu nasci na Ásia Central, em território Soviético, na Igreja clandestina, e depois imigramos, por milagre de Nossa Senhora, para a liberdade do mundo ocidental na Alemanha. Lá constatei a grande crise da Igreja, com muita dor, embora ainda fosse adolescente. E procurei, rezei para que Deus me mostrasse uma comunidade onde pudesse tornar-me um bom sacerdote. Era o fim dos anos 70. E, por Providência Divina, conheci a ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, na Áustria, e lá ingressei, pois vi uma vida sólida, católica, com uma liturgia digna, fidelidade ao magistério e tudo isso me agradou muito. Assim, tornei-me religioso e como tal fazemos o voto de obediência. E então, estava à disposição dos superiores e eles decidiram que eu viesse para o Brasil.
Exatamente quando eu iniciei meu noviciado, Dom Manoel Pestana Filho, bispo de Anápolis, Goiás, chegou a Roma, em nossa casa geral, pedindo a ajuda de nossa ordem para a formação de seus sacerdotes diocesanos. Nossos superiores viram neste bispo um homem de Deus, um bispo da Igreja muito zeloso, e tomaram uma decisão, diria eu, de consequências muito decisivas: transferir a formação sacerdotal de nossa ordem da Europa para o Brasil – como Dom Manoel pediu um grupo de professores de nossa ordem para o seminário dele, e eles não eram muitos, decidimos unir a nossa formação com a da diocese, economizando o grupo de professores. Assim, ao fim de meu noviciado, começou esta nova missão de nossa ordem junto à diocese de Anápolis e eu fui um dos primeiros do grupo a ser enviado para lá, para ajudar na fundação da missão de formar bons sacerdotes.
E, assim, cheguei ao Brasil, o que nunca pensei que aconteceria, e logo que cheguei comecei a amar este belo país e este povo brasileiro piedoso, realmente um povo católico. Tive esta felicidade e graça de ter toda a minha formação sacerdotal no Brasil e também de receber a minha ordenação sacerdotal no Brasil. Por assim dizer, nasci como sacerdote no Brasil e isso é indelével na minha vida e na minha alma, como uma espécie de lugar de nascimento do meu sacerdócio. Portanto, estou ligado ao Brasil e ao povo brasileiro, sempre o amando, e pensava que ficaria sempre aqui. Mas Deus dispôs de uma outra forma e agora, depois de ter sido mandado em missão, como bispo, para o Cazaquistão, região onde nasci e cresci, onde nunca pensei que retornaria, não pude voltar tantas vezes ao Brasil.
Minhas visitas agora são mais raras — somente neste ano e no ano passado –, por isso não posso falar com muita base de informações sobre a situação atual da Igreja no Brasil, pois não vivo aqui. Porém, agora nessas poucas visitas que fiz, visitei São Paulo, Belém, Brasília, onde encontrei comunidades pequenas, vivas, muito dinâmicas, com jovens, jovens famílias numerosas, jovens clérigos, sacerdotes que realmente são uma esperança para a Igreja, que têm uma profunda fé, a pureza da fé, que amam a liturgia digna, a liturgia tradicional da Igreja e a vida espiritual séria, realmente católica. Isso me deu muita alegria, muita coragem, e o que vejo no Brasil me encorajou muito, embora estes grupos não pertençam, como costumo dizer, ànomenklatura ou estabilishment.
Quais personagens do catolicismo brasileiro são suas referências e influenciaram sua vida religiosa?
Certamente, Dom Manoel Pestana Filho, primeiramente, porque foi meu professor por quase seis anos, quase toda a minha formação sacerdotal. Ele me ordenou diácono e sacerdote, eu o considero como meu pai espiritual e também, agora sendo eu bispo, é para mim um modelo de bispo realmente católico. Agradeço a Providência Divina por ter tido esse bispo como professor, como modelo espiritual e agora como modelo a imitar. Cada vez mais, quando aumentam meus anos de episcopado, vejo essa figura de Dom Manoel como bispo tão importante, tão exemplar e, diria eu, até heroico. Ele deixou muitas marcas em minha alma e meu espírito. Ele era uma pessoa de vasta erudição, exemplar, espetacular, e um espírito claro, ele via claro. Raramente encontrei um personagem eclesiástico com visão tão clara sobre os problemas atuais do mundo e da Igreja. Por outro lado, era uma pessoa verdadeiramente piedosa. Um homem de oração, um homem de piedade, de devoção, e talvez também um aspecto exterior, que alguns consideram secundário, mas não creio: ele sempre andava de batina. Eu nunca o vi sem batina, nunca. E também me disseram em Anápolis que nunca nenhuma pessoa o viu sem batina. Sempre andava de batina, era também um exemplo. E depois sua simplicidade, uma pessoa simples, pobre e sempre alegre. Por exemplo, ele quase em todas as aula nos contava piadas. Era sempre alegre. No que concerne a doutrina e a moral, era firmíssimo, mas muito humano também.
O senhor está lançando no Brasil o seu livro “A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja”. Anteriormente, outro livro de sua autoria, “Dominus Est”, já abordava a necessidade de se rever certas práticas no tratamento dado a Nosso Senhor Sacramentado, principalmente a administração da Sagrada Comunhão na mão do fiel. Em tempos de muitas outras preocupações pelos membros da Igreja, por que o senhor considera importante tratar desse tema?
Dom Athanasius em entrevista a Fratres in Unum.
Dom Athanasius em entrevista a Fratres in Unum.
Considero este tema um dos mais importantes e necessários na Igreja, porque na Santa Comunhão não se trata de uma coisa ou de um assunto, mas da Pessoa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois a Fé nos diz que sob as espécies eucarísticas estão presentes o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, toda a Divindade. E essa presença, a Pessoa Divina, é tratada de uma maneira tão banal, quase insuportável. Pela prática da Comunhão na mão, quantos fragmentos caem, em massa, e são pisados. Quantos furtos, um business de furtos de hóstias consagradas. É incrível! Então, não posso entender como se pode continuar com isso e não falar disso, e dizer que esse aspecto é secundário. Não posso entender, realmente não posso. É um aspecto primário! Não posso entender: Nosso Senhor Jesus Cristo é calcado aos pés, roubado e todos continuam a dizer: “esse aspecto é secundário”. Por isso, sinto-me em consciência impelido a levantar minha voz e gritar: “Parem com isso! Pensem em quem é a Eucaristia! Não que coisa é, mas quem é!” Não tenho sossego em minha alma e em minha consciência de bispo da Igreja em calar-me sobre isso. Preciso defender Aquele que, por causa especialmente da Comunhão na mão, se tornou o mais pobre, o mais indefeso, o mais discriminado, o mais, diria eu, periférico. Portanto, devemos fazer uma opção preferencial por este Pobre, por esta periferia.
O problema da Comunhão na mão não seria uma decorrência lógica e natural do aspecto convival e comunitário, em detrimento do aspecto sacrifical da Santa Missa, que se sobressai do próprio Missal de Paulo VI? Uma eventual reforma da reforma não deveria lidar com tais deficiências que permitem o surgimento de práticas novas, anteriormente inimagináveis?
Eu diria que não provém do Missal, porque isso não seria historicamente correto. Devemos sempre observar bem os fatos históricos, que indiquei também em meu segundo livro: o missal de Paulo VI prevê somente a Comunhão na boca. Até hoje, na terceira edição típica do missal, é dito que a Santa Comunhão se recebe na boca. Ainda hoje a comunhão na mão é um indulto, uma exceção à regra. Os senhores talvez saibam, e pode-se ler, pois há vasta documentação, que mesmo Dom Annibale Bugnigi, em seu livro “A Reforma Litúrgica”, escrevia, sem nenhuma timidez, como foi introduzida a Comunhão na mão, de forma realmente contrária à vontade de Paulo VI, contra a vontade do Papa. Portanto, não está ligada ao missal e se lemos o documentoMemoriale Domini, com o qual foi autorizada a comunhão na mão, é dito que se continue a receber a Comunhão na boca, que seria prejudicial receber a Comunhão na mão, dando todos os argumentos contra ela; e, só ao final, diz-se que onde, por votação qualitativa dos bispos da Conferência Episcopal, pode-se introduzir a Comunhão na mão, porém, observando todas as determinadas cautelas e condições. Vejam: a Comunhão na mão não é uma consequência do missal novo, pois devemos ser corretos ao afirmar aspectos históricos. O próprio Paulo VI disse: a Santa Sé pede que todos os bispos e sacerdotes permaneçam com o modo tradicional da Comunhão. O Papa pede, implora, eu citei em meu livro.
Outra questão é o fato do novo rito da Missa, sua estrutura, favorecer em certo sentido uma concepção de Missa enquanto banquete. Favorece, de fato, mas não está diretamente ligado à comunhão na mão. Nesta grande questão da reforma litúrgica, especialmente os textos que considero que, em si, mais favorecem este aspecto no rito novo, são as orações do ofertório, que exprimem mais esse aspecto convival e menos sacrificial em comparação às orações do ofertório no rito antigo. Mesmo celebrar a missa ad populum não é previsto pelo novo missal, pois se observamos o ordo missae da missa nova, até lá se pressupõe que se celebre a missa ad Deum, não ad populum, pois há uma rubrica que diz quando o sacerdote reza o Orate fratreset conversus ad populum dicit, e depois se diz iterum conversus ad altare. Então, a mesma coisa ocorre quando ele diz o Ecce Agnus Dei. São dois exemplos. Por isso, supõe-se que se celebre ad Deum. Falo só e estritamente segundo o texto. Portanto, a celebração versus populum em si não é ligada à nova Missa e por isso considero somente as orações do ofertório como favorecedoras do aspecto convival em detrimento do aspecto sacrificial, assim como a segunda oração eucarística. Infelizmente, é assim. Por isso devemos trabalhar no que o Papa Bento XVI chamava de reforma de reforma. É necessário.
Ao falar do Missal reformado de Paulo VI, chegamos naturalmente ao Concílio Vaticano II. O debate acerca deste evento parece ter sido sepultado com a renúncia do Papa Bento XVI. Vossa Excelência, certa feita, falou em um Syllabus sobre os erros de interpretação dos documentos conciliares. Todavia, sempre ressurge a questão: o problema do Concílio seria somente interpretativo ou seus próprios textos são culpáveis pela confusão atual?
Devemos sempre guardar o bom senso e o espírito do sentire cum ecclesia. Trata-se de um texto de nossa mãe que é a Igreja. Se é algo de minha mãe, eu devo ter, mesmo se não gosto e não concordo com tudo, uma reverência filial e tentar salvar o quanto possível a honra de minha mãe. Nesse caso, a mãe Igreja, também com o Vaticano II, não deixou de ser nossa mãe, mesmo que haja pontos a corrigir e aprimorar nos textos.
Por isso digo que há também muitas coisas boas nos textos do Concílio. Por que não valorizar isso? E isso é esquecido nesses debates. Por exemplo, uma norma da Sacrosanctum Concilium sobre liturgia, onde se diz que: ninguém na Igreja, qualquer que seja o clérigo — clérigo também é o cardeal, o bispo, o sacerdote e até o papa — tem o direito de mudar algo na celebração litúrgica por conta própria. Nem mudar, nem retirar e nem adicionar algo. Então, é uma norma muito forte que não existe nem no Concílio de Trento. Assim, se citarmos essa norma sem referência, sem indicarmos a fonte, por exemplo, faríamos um teste e penso que a maioria do clero progressista diria que essa norma é do Concílio de Trento, que uma norma tão rígida não pode ser do Vaticano II. Este é somente um pequeno exemplo. Conheço um livro na Alemanha que se chama O Concílio Silenciado, no qual o autor recolheu expressões do Vaticano II que são realmente tradicionais.
O recente Sínodo para a Família causou grande perplexidade em muitas católicos. Como o senhor avalia o desenrolar do Sínodo de 2014 e o que espera do próximo Sínodo, sobre o mesmo tema, a ocorrer em outubro deste ano?
Espero que não se repita a vergonha que aconteceu no Sínodo passado, com a Relatio post-disceptationem[relatório intermediário, pós-debates iniciais do Sínodo] que é um documento vergonhoso em três pontos especificamente, não em todo o documento, porque existem coisas nele também boas, porém, três pontos: uniões homossexuais, convivências extra-matrimoniais e Comunhão de divorciados. Tais pontos estavam à beira da heresia e são muito vergonhosos – devemos constatar, não podemos dizer que não é assim. Espero que isso não se repita, por isso confio que o Espírito Santo guiará a Igreja e escutará as orações dos humildes na Igreja, dos pobres e dos puros, para confundir os planos do inimigo, como diz o salmista: “Levantai-Vos, Deus, e confundi os planos dos iníquos”. Confio que Deus confundirá os planos dos iníquos que já se preparam, certamente, para implementar sua agenda novamente no Sínodo de 2015, mesmo se alguns destes iníquos ocupam cargos episcopais e até cardinalícios.
Ainda sobre o Sínodo, falou-se em manobras, em direcionamento de procedimentos internos, em amordaçamento dos chamados “conservadores”. O Cardeal Burke falou abertamente em manipulação. Há, parece, como sugeriu Vossa Excelência, um grupo determinado a fazer de tudo para mudar a disciplina milenar da Igreja, embora afirme não ser possível mudar a sua doutrina. Ora, é possível separar a disciplina da doutrina?
Não é possível, pois separar a prática da doutrina é puro farisaísmo. Assim, voltamos a ser verdadeiros fariseus e escribas que Nosso Senhor condenou, pois trata-se de uma mentira: afirmar uma coisa e fazer o contrário. Uma mentira. E, depois, essa atitude é própria do gnosticismo, uma das teorias do segundo século cristão, depois reapresentada com o maniqueísmo, que Santo Agostinho combateu, e que era também um tipo de gnosticismo, e que consistia em ter uma tese, digamos, uma doutrina, na cabeça que não tinha nada a ver com o seu comportamento moral prático. Esta era uma das características fundamentais do antigo movimento gnóstico, e os cardeais e bispos que querem implementar isso – que seria puramente gnóstico — tomam atitudes de verdadeiros fariseus, escribas e gnósticos.
Em entrevista ao Life Site News, o senhor tratou desse assunto em termos bastante duros, falando em “ideologia neo-pagã” e qualificando o documento preliminar do Sínodo como “vergonha”. Novamente, sua voz é uma das raras vozes episcopais a falar claramente… 
Bem, aqueles bispos com que eu falei, alguns dos quais participaram do Sínodo, estavam chocados, realmente em choque, quando viram de que maneira já se começou dentro do Sínodo o espírito deste mundo, quando viram que de uma instituição tão elevada do episcopado católico manifestavam-se teses realmente contrárias à doutrina da Igreja. Assim, alguns bispos despertaram, mas foi um choque. Alguns bispos falaram, certamente, como os cardeais Burke, Pell, Sarah — o novo prefeito da Congregação para o Culto Divino –, Dom Stanislaw Gadecki, presidente da Conferência Episcopal da Polônia, Dom Tomash Peta, o arcebispo de Astana, no Cazaquistão. Graças a Deus! Mas talvez fosse melhor que mais bispos falassem sobre isso. Até agora não escutei tantas numerosas manifestações, mas houve, certamente, houve. Porém, podiam ser mais. Todavia, o problema é que nós bispos vivemos, depois do Concílio, em uma espécie de falso espírito de colegialidade e somos constrangidos por esse espírito colegial — como que estamos numa camisa de força –, que ninguém se atreve a falar algo claro, porque teme: “O que vão dizer meus confrades? O que vai dizer a Conferência Episcopal? Depois eles me acusam de ser não colegial, ou de ser contra a unidade”. Mas, imagine, falar a verdade com caridade nunca é contra a unidade. Agora, falta de unidade é calar-se e não apontar os problemas graves que ocorreram no Sínodo sobre esses temas. Calar-se simplesmente por esperar uma espécie de unidade entre os bispos, isso sim mostra que não se trata de unidade. Penso que aqui os bispos deveriam, novamente, resgatar a autoridade pessoal, porque cada bispo é sucessor dos Apóstolos e, para o bem da igreja, isso seria importante.
Como o senhor avalia a atuação do Papa Francisco diante desses fatos?
O Papa Francisco falou ao fim do sínodo com palavras claras: a Igreja não pode mudar a doutrina, não deve descer da Cruz, portanto, são também palavras encorajantes. Falou também agora, recentemente, em Estrasburgo que a Europa perdeu a sua alma cristã e que ela deve reencontrar sua alma que é o cristianismo, o que é muito bom, muito encorajante. Porém, ele podia ser mais explícito, diria eu, mais claro, principalmente em dar uma melhor orientação, sobretudo nos temas claros como esses do Sínodo, como a Comunhão de divorciados. Eu desejaria que ele um dia nos desse ensinamentos mais explícitos e claras orientações, porque a primeira tarefa do Papa, que ele recebeu de Cristo, é “Confirma Fratres Tuos”, confirma os seus irmãos, que são os bispos em primeiro lugar. Então, vamos rezar, e eu rezo a cada dia pelo Papa Francisco, para que ele sempre mais consiga ser, viver e realizar este mandado de Cristo: “Confirma Fratres Tuos”.
Por fim, Excelência, que palavras de encorajamento o senhor daria a nossos padres e leigos que batalham contra a revolução doutrinal contra o neo-paganismo dentro da Igreja?
Eu gostaria, realmente, de encorajar a todos para que continuem nessa batalha, pois trata-se de uma honra. Considerem isso uma honra, não é peso. Não façam isso com desencorajamento, façam com alegria. Considerem-se mesmo privilegiados de poder defender a fé, porque defender a fé, a pureza da fé, a pureza da liturgia, não é outra coisa senão defender a Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Verdade em pessoa, que é a santidade. Por isso é uma honra e um privilégio, também se vocês e aqueles sacerdotes jovens são, por vezes, discriminados e marginalizados pela nomenklatura eclesiástica. Não se deixem desencorajar, mas, aceitem essas humilhações por amor a Cristo. Se O amamos, aceitaremos também algumas perseguições. E quero dizer algo importante: o povo e os clérigos devem defender a Fé às claras com a doutrina, mas sempre com amor, com caridade. Pois defender a verdade sem caridade não é cristão, e tomamos o método dos mulçumanos: somente à força, com violência. E isso não é cristão. Por outro lado, não defender a verdade e apenas falar em amarmo-nos uns aos outros e nada mais, também não é cristão. Cristão é defender a verdade com caridade. Então, desejo a todos que continuem e sejam corajosos e formem uma santa rede dos combatentes de Cristo, de bons soldados de Cristo, vivendo simplesmente as graças do sacramento da Crisma, os dons do Espírito Santo, deixar que Ele devolva a fortaleza da Fé aos leigos. Aos sacerdotes, desejo que vivam os carismas e as graças de sua ordenação sendo servidores da verdade.
Fratres in Unum: Muito Obrigado, Excelência!