Arquivo do blog

domingo, 11 de outubro de 2015

Santo Afonso de Ligório: EXCELÊNCIA DO PODER SACERDOTAL

EXCELÊNCIA DO PODER SACERDOTAL

sacerdoteMede-se também a dignidade do padre pelo poder que ele exerce sobre o corpo real e o corpo místico de Jesus Cristo. Quanto ao corpo real, é de fé que no momento em que o padre consagra, o Verbo Encarnado se obrigou a obedecer-lhe, vindo às suas mãos sob as espécies sacramentais. Causou espanto que Deus obedecesse a Josué, e mandasse ao sol que se detivesse à sua voz, quando ele disse: “Sol! Fica-te imóvel diante de Gabaón… e o sol deteve-se no meio do Céu” (Jos 10, 12). Mas é muito maior prodígio que Deus, em obediência a poucas palavras do padre (Hoc est corpus meum), desça sobre o altar, ou a qualquer parte em que o sacerdote o chame, quantas vezes o chamar, e se ponha entre suas mãos, embora este sacerdote seja seu inimigo! Aí permanece inteiramente à disposição do padre, que pode transportá-lo à sua vontade dum lugar para outro, encerrá-lo no tabernáculo, expô-lo no altar, ou levá-lo para fora da igreja; pode comungá-lo ou ministrá-lo aos outros. É o que exprime com admiração São Lourenço Justiniano, falando dos padres: “Bem alto é o poder que lhes é dado! Quando querem, demudam o pão em corpo de Cristo: o Verbo Encarnado desce do Céu e desce verdadeiramente À mesa do altar! É lhes dado um poder que nunca foi outorgado aos anjos. Estes conservam-se junto do trono de Deus; os sacerdotes têem-no nas mãos, dão-no ao povo e eles próprios o comungam”.
Quanto ao corpo místico de Jesus Cristo, que se compõe de todos os fieis, tem o sacerdote o poder das chaves: pode livrar do Inferno o pecador, torná-lo digno do Paraíso e, de escravo do demônio, fazê-lo filho de Deus. O próprio Jesus Cristo se obrigou a estar pela sentença do padre, em recusar ou conceder o perdão, conforme o padre recusar ou der a absolvição, contanto que o penitente seja digno dela. De modo que o juízo de Deus está na mão do padre, diz São Máximo de Turim. A sentença do padre precede, ajunta São Pedro Damião, e Deus a subscreve. Assim, conclui São João Crisóstomo, o Senhor supremo do universo não faz senão seguir o seu servo, confirmando no Céu tudo quanto ele decide na terra. Os padres, diz Santo Inácio mártir, são os dispensadores das graças divinas e os consócios de Deus. E, segundo São Próspero, são a honra e as colunas da Igreja, portas e porteiros do Céu. Se Jesus Cristo descesse a uma igreja, e se sentasse num confessionário para administrar o sacramento da Penitência, ao mesmo tempo que um padre sentado no outro, o divino Redentor diria: “Ego te absolvo”; o padre diria o mesmo: “Ego te absolvo”; e os penitentes ficariam igualmente absolvidos, tanto por um como pelo outro.
Que honra para um súdito, se o seu rei lhe desse poder para livrar da prisão quem lhe aprouvesse! Mas muito maior é o poder dado pelo Padre Eterno a Jesus Cristo, e por Jesus Cristo aos padres, para livrarem do inferno, não só os corpos, mas até as almas; esta reflexão é de São João Crisóstomo.
A Selva – Santo Afonso