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terça-feira, 15 de março de 2016

Considerações sobre as formas do Rito Romano da Santa Missa--Dom Fernando Arêas Rifan

Considerações sobre as formas do Rito Romano da Santa Missa

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Dom Fernando Arêas Rifan
CONSIDERAÇÕES SOBRE AS FORMAS DO RITO ROMANO DA SANTA MISSA
ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL
SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
Dedico esse trabalho a todos os que,
 “cum Petro et sub Petro”,
amam a Liturgia na sua forma tradicional,
especialmente os sacerdotes e fiéis
da nossa querida Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney
(o autor)

SUMÁRIO
Introdução                                                                                                                6
 I Considerações Gerais                                                                                        7
1. A importância da Missa na Igreja                                                               7
2. Os vários ritos da Santa Missa                                                                   8
3. O Rito Romano                                                                                               9
4. A Reforma Litúrgica após o Concílio Vaticano II                              9
5. Duas correntes de interpretação da Missa e do Concílio               10
6. A paz litúrgica desejada por Bento XVI                                               11
II  Considerações sobre a forma atual ordinária do Rito Romano                13
Sua promulgação oficial pela Igreja                                                           13
Essa promulgação foi um ato de poder do primado do Papa           14
A Igreja tem esse poder sobre a Liturgia                                                 14
É matéria que atinge a essência da Igreja Católica                              15
A Sé de Roma é imune de todo erro em matéria de Fé                     15
A Nova Missa não pode, portanto, ser falsa ou heterodoxa           16
A adoção pelo Episcopado mundial                                                          17
Ensino unânime dos teólogos e liturgistas católicos tradicionais   17
É uma conclusão teológica que se impõe                                                19
As fontes da Revelação e o Magistério não podem ser separados      19
O critério de verdade e ortodoxia para o católico:
o Magistério da Igreja                                                                                    20
O Magistério da Igreja é vivo e perpétuo                                               22
A assistência divina à Igreja é constante e infalível                            23
Limites à resistência e às críticas                                                               23
A hermenêutica da continuidade do novo Missal                               24
Sobre a perpetuidade da Bula Quo Primum tempore de São Pio V      25
Sobre os freqüentes abusos litúrgicos                                                     26
Resolvendo dificuldades: a) A explicação ortodoxa do novo Ofertório  27
Resolvendo dificuldades: b) Sobre os diversos modos de comungar       29
Resolvendo dificuldades: c) A questão do “Mistério Pascal”          30
Conservação da Missa na forma antiga
por verdadeiros motivos e não por falsas razões                                  31
Posição católica equilibrada na presente crise                                       32
Perigo do cisma na posição extremista                                                     32
Mas no passado houve afirmações nesse sentido!                                34
A posição clara da nossa Administração Apostólica                             34
Nosso combate contra o modernismo continua                                     36
III Considerações sobre a forma antiga, extraordinária, do Rito Romano        38
1. Por que então conservar a Missa na forma antiga?                           38
2. A Missa na forma antiga é lícita, aprovada e nunca ab-rogada     39
3. Incompreensível e equivocada proibição da Missa na forma antiga         40
4. A adesão à Missa de São Pio V é legítima e digna de respeito       41
5. Permissão geral oficial do Papa para a Missa de São Pio V            41
6. Apelo do Papa à generosidade dos Bispos                                             42
7. A Missa de São Pio V tem direito de cidadania na Igreja                  43
8. A Missa de São Pio V é desejada por diversas classes de pessoas…           44
9. Nem será causa de divisões. É um só rito sob duas formas legítimas        46
10. Crise na Igreja, crise litúrgica                                                                        47
11. A Missa de São Pio V é um refúgio contra os abusos
que deformam e arruínam a nova Liturgia                                                     48
12. Causas dos abusos litúrgicos: a) “criatividade”                                      49
13. Causas dos abusos litúrgicos: b) Manipulação e banalização           50
14. Causas dos abusos litúrgicos: c) inculturação e secularismo             51
15. Causas dos abusos litúrgicos: d) o celebrante “protagonista”           52
16. O rito na forma antiga enriquece toda a Igreja e
beneficia até o novo rito                                                                                           52
17. Riquezas da Missa no rito de São Pio V: a) sacralidade                         54
18. Riquezas da Missa no rito de São Pio V: b) o sentido do mistério    54
19. Riquezas da Missa no rito de São Pio V: c) reverência e humildade       55
20. Riquezas da Missa no rito de São Pio V: d) beleza e profundidade        55
21. Riquezas da Missa no rito de São Pio V: e) o silêncio                             56
22. A antiga liturgia, fonte de vocações sacerdotais e religiosas,
de famílias cristãs e de vida católica                                                                      56
23. O Rito de São Pio V se insere nos séculos de Fé da Igreja                    57
A Missa de São Pio V é fruto de um desenvolvimento orgânico,
não fabricada artificialmente                                                                                   58
A Missa de São Pio V feita para preservar a Fé e a sã doutrina                  59
Implicações doutrinais teológicas e eclesiológicas                                         61
O Ofertório da Missa na forma antiga                                                                 62
A comunhão na boca                                                                                                   62
A celebração “versus Orientem” e não “versus populum”                          64
A boa Música Sacra na Liturgia na forma tradicional                                   65
A riqueza e o valor do latim na Liturgia                                                             66
CONCLUSÃO                                                                                                                 68 
BIBLIOGRAFIA                                                                                                            69


INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem modestamente como objetivo secundar o desejo do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na sua Carta Apostólica Motu Proprio Summorum Pontificum, ou seja, a paz litúrgica, “a reconciliação interna no seio da Igreja” [1], através do mútuo entendimento, compreensão e respeito pelos ritos por ela aprovados.
Embora pareça geralmente que a Reforma Litúrgica, fruto do Concílio Vaticano II, tenha tido uma aceitação pacífica e universal na Igreja, não significa que ela não tenha causado, desde o início, estranheza e polêmica, sem ou com o devido fundamento teológico e litúrgico.
Na relação entre Missa Antiga e Missa Nova, ou seja, entre a forma antiga e a nova forma da Missa no Rito Romano, alguns adotam a hermenêutica da ruptura e da incompatibilidade radical, como o fazem com o Concílio Vaticano II com relação aos Concílios anteriores, considerando-o como um marco zero do começo de uma nova Igreja. Assim, entre os amigos da Missa na forma antiga, alguns, infelizmente, consideram a Missa na forma atual, em si mesma, tal como foi promulgada oficialmente pela Igreja, como sendo não católica e demolidora da Fé, característica de outra e nova Igreja. Do outro lado, em erro oposto, há os que odeiam a Missa na forma antiga, considerando-a como algo que representa a antiga Fé da Igreja, uma monstruosidade insuportável, não levando em conta sua riqueza litúrgica e teológica para toda a Igreja.
O Papa João Paulo II advertia: “A diversidade litúrgica pode ser fonte de enriquecimento, mas pode também provocar tensões, incompreensões recíprocas e até mesmo cismas. Neste campo, é claro que a diversidade não deve prejudicar a unidade. Esta unidade não pode exprimir-se senão na fidelidade à fé comum … e à comunhão hierárquica” ([2]).
É no intuito de esclarecer e acalmar os ânimos, dentro de uma correta visão teológica e litúrgica, que apresentamos este trabalho, evidentemente não exaustivo, de “Considerações sobre as formas do Rito Romano da Santa Missa” considerações minhas e de muitas outras pessoas bem mais capacitadas que recolhi, na linha de fidelidade ao Magistério da Igreja.
A alguns, que estão fora do problema, poderão parecer estranhas e impertinentes tais considerações. “Onde já se viu – perguntarão – ter que provar que a Missa que o Papa celebra é uma missa válida e católica?!” Mas, infelizmente, há quem não pense assim. “Onde já se viu – perguntarão outros – ter que provar que a Missa adotada pela Igreja por vários séculos é uma missa adotável ainda hoje e que obtém a legítima preferência de muitos católicos para seu proveito espiritual?!” Infelizmente, porém, também há quem não pense assim.
Dada a complexidade do assunto, advertimos que o presente ensaio que apresentamos só poderá ser compreendido se for lido na sua integridade, inclusive as notas de rodapé. Qualquer leitura ou citação parcial poderá falsear o nosso pensamento.
Querendo o bem de todos e, sobretudo, da Santa Igreja, esperamos que essas considerações possam contribuir para a unidade e comunhão, bem como para o crescimento espiritual e fervor de todos.

+ Dom Fernando Arêas Rifan