Don Divo Barsotti

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domingo, 28 de março de 2010

Bento XVI: O tema do domingo de Ramos é o seguir a Cristo, considerar a sua via o caminho justo para a existência. Nisso consiste ser cristão



Pope Benedict XVI celebrates Palm Sunday mass in Saint Peter square   at the Vatican, on March 28, 2010. Palm Sunday marks the holy week of   Easter in celebration of the crucifixion and resurrection of Jesus   Christ.
VATICAN CITY, VATICAN - MARCH 28:  Pope Benedict XVI attends Palm   Sunday Mass on March 28, 2010 in Vatican City, Vatican. The Pope is now   facing pressure over abuse allegations which involved the German, the   American and the Irish Catholic Church.

Pope Benedict XVI looks to the faithful as he arrives to celebrate   Palm Sunday in Saint Peter square at the Vatican, on March 28, 2010.   Palm Sunday marks the holy week of Easter in celebration of the   crucifixion and resurrection of Jesus Christ.

Pope Benedict XVI celebrates Palm Sunday mass in Saint Peter square   at the Vatican, on March 28, 2010. Palm Sunday marks the holy week of   Easter in celebration of the crucifixion and resurrection of Jesus   Christ.

Bento XVI na Missa de Ramos, na praça de São Pedro.
Apelo à paz em Jerusalém, no respeito pelos direitos de todos





“Ser cristão é um caminho, ou melhor, uma peregrinação, um caminhar juntamente com Jesus Cristo. Ir naquela direcção que Ele nos indicou e indica” – esta a mensagem que Bento XVI quis deixar aos jovens, neste Domingo de Ramos, vigésimo quinto Dia Mundial da Juventude, celebrado desta vez a nível das dioceses. Sob um esplêndido sol primaveril, dezenas de milhares de fiéis, na maioria jovens, congregaram-se na Praça de São Pedro, em Roma, para a celebração que dá início à “Semana Santa”, a “Semana Maior”, que conduzirá à celebração, domingo próximo, da Páscoa de Ressurreição.

O tema do domingo de Ramos – sublinhou o Papa, na homilia da Missa – é “o seguimento (de Cristo)”: “ser cristãos significa considerar a via de Jesus Cristo como a via justa para sermos homens – aquela via que nos conduz à meta, a uma humanidade plenamente realizada e autêntica”.
O Evangelho da bênção dos Ramos começa com a frase “Jesus caminha à frente de todos, subindo a Jerusalém”. O caminho no qual somos chamados a seguir Jesus é antes de mais uma subida, um subir. “Antes de mais (reflectiu Bento XVI) um subir à verdadeira altura do ser homem. O homem pode escolher uma via cómoda e pôr de lado qualquer fadiga. Pode também descer para baixo, para o que é indigno. Pode enterrar-se no lodo da falsidade e da desonestidade. Jesus caminha à nossa frente, em direcção ao alto”.

“Ele (Jesus) conduz-nos para o que é grande, puro, conduz-nos para o ar sadio das alturas: para a vida segunda a verdade; para a coragem que não se deixa intimidar pelo palavreado das opiniões dominantes; para a paciência que suporta e sustenta o outro. Conduz-nos à disponibilidade para com os que sofrem, para os abandonados; para a fidelidade que está da parte do outro mesmo quando a situação se torna difícil. Conduz-nos ao amor – conduz-nos a Deus”.

Seguir Jesus na sua “subida a Jerusalém”, uma via que prossegue até ao fim dos tempos – prosseguiu Bento XVI – recorda o que significa “Jerusalém”, a cidade onde se encontrava o Templo de Deus, cuja unicidade devia aludir à unicidade do próprio Deus. Este lugar diz-nos, portanto, que “Deus é um só para todo o mundo, supera imensamente todos os nossos lugares e tempos: é aquele Deus a que pertence toda a criação. É o Deus que todos os homens, no mais fundo de si próprios procuram e do qual todos, de algum modo, têm conhecimento. Mas este Deus tem um nome. Deu-se-nos a conhecer, empreendeu com os homens uma história… O Deus infinito é ao mesmo tempo o Deus próximo. Não pode ser retido em qualquer edifício, e contudo quer habitar no meio de nós, quer estar totalmente connosco”.

Jesus sobe a Jerusalém para aí celebrar, com Israel, a Páscoa. E sobe com a consciência de ser Ele próprio o Cordeiro no qual se cumprirá o que o Livro do êxodo diz a propósito: um cordeiro sem defeito, macho, que ao pôr-do-sol, perante os olhos dos filhos de Israel, é imolado “como rito perene”.

“Na amplidão da subida de Jesus tornam-se visíveis as dimensões do nosso seguimento – a meta a que Ele nos quer conduzir: até às alturas de Deus, à comunhão com Deus, ao estar-com-Deus. É esta a verdadeira meta, é a comunhão com Ele a via. A comunhão com Ele é um estar em caminho, uma permanente subida para a verdadeira altura da nossa chamada. Caminhar juntamente com Jesus é sempre, ao mesmo tempo, um caminhar no nós daquele que querem seguir com Ele. Ele introduz-nos nesta comunidade”.

Sendo um caminhar para a verdadeira vida, até sermos homens conformes ao modelo do Filho de Deus, Jesus Cristo – considerou ainda o Papa – isso supera as nossas próprias forças. Seguir este caminho é também ser conduzidos, transportados. É Jesus eu nos atrai e nos sustenta. Faz parte do seguir a Cristo que nos deixemos integrar nesta “comitiva” e neste movimento conjunto…

“Requer este acto de humildade, o entrar no nós da Igreja. O agarrarmo-nos aos outros, a responsabilidade da comunhão – o não romper a corda (que nos liga) com contumácia e pedantismo. Crer humildemente com a Igreja, mantermo-nos firmes conjuntamente com os outros na subida para Deus é uma condição essencial do seguir a Cristo. Requer também o não nos comportar-se como padrão da Palavra de Deus, não seguir uma ideia incorrecta de emancipação. É essencial para a subida a humildade do ser-com”.

Nas saudações finais, ao concluir a Missa, passado já o meio-dia, antes da recitação do Angelus, Bento XVI evocou o Domingo de Ramos de há 25 anos atrás. Esse ano de 1985 tinha sido consagrado pelas Nações Unidas aos jovens. João Paulo II decidiu a partir daí congregar os jovens, em todo o mundo, neste dia da entrada de Jesus em Jerusalém.

“Há 25 anos o meu amado Predecessor convidou os jovens a professar a sua própria fé em Cristo que tomou sobre si a causa do homem. Renovo hoje este apelo à nova geração, a que dê testemunho, com a força mansa e luminosa da verdade, para que aos homens e mulheres do terceiro milénio não falte o modelo mais autêntico: Jesus Cristo”.

Finalmente, uma referência especial a “Jerusalém, onde se cumpriu o mistério pascal”.

“Sofro profundamente com os recentes contrastes e tensões mais uma vez verificados à volta desta Cidade, que é a pátria espiritual de Cristãos, Judeus e Muçulmanos, profecia e promessa daquela reconciliação universal que Deus deseja para toda a família humana.
A paz é um dom que Deus confia à responsabilidade humana, para que cultive através do diálogo e no respeito pelos direitos de todos, a reconciliação e o perdão.
Rezemos pois para que os responsáveis pela sorte de Jerusalém empreendam com coragem o caminho da paz e a sigam com perseverança!”

fonte:radio vaticana