Don Divo Barsotti

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domingo, 5 de julho de 2009

Bento XVI:Contemplando as chagas do Crucificado, cada homem, pode dizer ‘Deus não me abandonou, ama-me,deu a sua vida por mim’ .




Em vésperas da Cimeira do G8 que reunirá nos próximos dias em Itália os líderes dos países mais industrializados, em vésperas da apresentação da sua Encíclica social, não foi directamente aos temas de justiça e de economia que Bento XVI dedicou a alocução dominical do Angelus,ao meio-dia,na Praça de São Pedro. Na realidade, o Papa lançou a todos o desafio de compreender de uma vez para sempre que somos todos irmãos. Isso porque – denunciou – “hoje como ontem, continua a correr o sangue humano, por causa da violência, da injustiça, do ódio”. E convidou a dirigir o olhar para as chagas de Cristo crucificado, cordeiro imolado, que respondeu ao mal com o bem. “O sangue de Cristo – sublinhou Bento XVI – é o penhor do amor fiel de Deus pela humanidade”.
Depois do Angelus, o Papa recordou as vítimas da tremenda explosão, há dias, na estação ferroviária de Viareggio, em Itália, assim como o atentado que teve lugar neste domingo de manhã, nas Filipinas, diante de uma catedral católica, durante a celebração da Missa. Mais uma vez condenado o recurso à violência, que nunca constitui uma via digna para a solução dos problemas.

O ponto de partida da reflexão papal foi a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo, que outrora se celebrava neste primeiro domingo de Julho. O tema do sangue, ligado ao do Cordeiro pascal, é de primeira importância na Sagrada Escritura – recordou o Papa. É às palavras de Moisés depois do sacrifício que sela a Aliança entre Deus e o povo “Este é o sangue da aliança que o Senhor concluiu convosco” que Jesus se refere expressamente quando, na Última Ceia, oferecendo aos discípulos o cálice diz: “Este é o meu sangue da aliança, derramado por muitos, para o perdão dos pecados”.

“A partir da flagelação, até ao lado trespassado depois da morte de cruz, Cristo derramou efectivamente todo o seu sangue, como verdadeiro Cordeiro imolado para a redenção universal. O valor salvífico do seu sangue é expressamente afirmado em muitas passagens do Novo Testamento”.

Evocando a conhecida passagem da Carta aos Hebreus, que exalta “a purificação, da nossa consciência, das obras da morte” graças ao sangue de Cristo (“que, movido pelo Espírito Santo, se ofereceu a si mesmo, sem mancha, a Deus”), Bento XVI recordou também o que está escrito no Livro do Génesis, sobre o sangue de Abel, “que grita a Deus, da terra”…

“Infelizmente, hoje como ontem, não cessa este grito, porque continua a escorrer sangue humano em razão da violência, da injustiça e do ódio. Quando é que os homens aprenderão que a vida é sagrada e que só a Deus pertence? Quando compreenderão que somos todos irmãos?”


“Ao grito pelo sangue derramado, que se eleva de tantas partes da terra, Deus responde com o sangue do seu Filho, que deu a vida por nós”.

“Cristo não respondeu ao mal com o mal, mas com o bem, com o seu amor infinito. O sangue de Cristo é o penhor do amor fiel de Deus pela humanidade. Contemplando as chagas do Crucificado, cada homem, mesmo em condições de extrema miséria moral, pode dizer ‘Deus não me abandonou, ama-me, deu a sua vida por mim’ e reencontrar assim a esperança”.

Foi depois da recitação do Angelus que Bento XVI evocou o desastre de Viareggio, exprimindo o seu pesar por todas as vítimas, pelos sofrimentos e mesmo pelas graves perdas materiais.

“Ao mesmo tempo que elevo a Deus a minha intensa oração por todas as pessoas envolvidas na tragédia, faço votos de que semelhantes acidentes não se voltem a repetir e se assegure a todos a segurança no trabalho e no decorrer da vida quotidiano”.


Finalmente, uma referência ao atentado que teve lugar neste domingo de manhã, na cidade de Cotabato, nas Filipinas, onde explodiu uma bomba diante da Catedral, durante a celebração da Missa, causando alguns mortes e numerosos feridos, entre os quais mulheres e crianças.

“Rezando a Deus pelas vítimas deste gesto ignóbil, elevo a minha voz para condenar uma vez mais o recurso à violência, que nunca constitui uma via digna para a solução dos problemas existentes”.