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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"Credo in unam sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam"

Quantos são os que vivem em união com a Igreja
este momento que é trágico, como trágica foi a Paixão,
este momento crucial da história,
em que uma humanidade inteira
está a escolher por Cristo ou contra Cristo?


PAIXÃO DE CRISTO, PAIXÃO DA IGREJA


1. "Credo in unam sanctamcatholicam et apostolicam Ecclesiam"

Credo in unam sanctamcatholicam et apostolicam Ecclesiam. Estas palavras do Credo por certo foram as que mais profundamente ressoaram no coração de Plínio Corrêa de Oliveira, ao longo do século XX, que ele atravessou quase de ponta a ponta. Ele mesmo recorda como o amor à Igreja e ao Papado sempre inspirou a sua luta em defesa da Civilização Cristã e cresceu sempre desde os anos longínquos da sua infância.
"Lembro-me ainda das aulas de catecismo em que me explicaram o que era o Papado, a sua instituição divina, os seus poderes, a sua missão. O meu coração de menino (eu tinha então nove anos) encheu-se de admiração, de enlevo, de entusiasmo: eu encontrara o ideal a que me haveria de dedicar ao longo de toda a minha vida. De lá para cá, o amor a esse ideal não tem senão crescido. E peço aqui a Nossa Senhora que o faça crescer mais e mais em mim, até ao meu último alento. Quero que o meu derradeiro acto de amor seja um acto de amor ao Papado. Pois assim morrerei na paz dos eleitos, bem unido a Maria, minha Mãe, e por Ela a Jesus, meu Deus, meu Rei e meu Redentor boníssimo" (1).
(1) Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, "A perfeita alegria", in Folha de S. Paulo, 12 de Julho de 1970.

É difícil compreender o sentido profundo destas palavras numa época caracterizada por uma frieza e um desamor tão generalizado pelas instituições eclesiásticas. Foram elas escritas no início dos anos 70, num momento em que a crise da Igreja parecia atingir o seu auge.
No Apêndice a "Revolução e Contra-Revolução", notava o autor como, em 1959, quando apareceu a sua obra pela primeira vez, a Igreja era ainda considerada a única grande força espiritual contra a expansão mundial do comunismo. Nos anos sucessivos –escreveria Plínio Corrêa de Oliveira depois do Concílio– o centro decisivo da luta entre a Revolução e a Contra-Revolução deslocou-se da sociedade temporal para o seio da sociedade espiritual e "passou a ser a Santa Igreja, na qual, de um lado progressistas, criptocomunistas e pró-comunistas, e de outro lado antiprogressistas e anticomunistas se confrontam" (2).
(3)  Plínio CORRÊA DE OLIVEIRA, "Revolução e Contra-Revolução", cit., p. 68.

A quem perguntava por que se deviam combater os erros que circulavam entre os fiéis, quando havia muitos outros fora das fileiras católicas, Plínio Corrêa de Oliveira respondia, já nos anos 50:
"Se o adversário investe contra as muralhas da fortaleza, é necessário que todos se unam. Mas se ele penetrou na cidadela, não basta lutar extra-muros. É necessário lutarintra-muros também" (3).
(3) Plínio CORRÊA DE OLIVEIRA, "Razões e contra-razões em torno de um tema efervescente", in Catolicismo, n° 71 (Novembro de 1956); id., "Indulgentes para com o erro, severos para com a Igreja", in Catolicismo, n° 72 (Dezembro de 1956); id., "Não trabalha pela concórdia senão quem luta contra o erro", in Catolicismo, n° 73 (Janeiro de 1957); Cunha ALVARENGA (José de AZEREDO SANTOS), "Infiltrações comunistas em ambientes católicos", in Catolicismo, n° 61 (Janeiro de 1956). Desta mesma linha são três artigos sobre o modernismo, publicados nos n°s. 81, 82, 83 (Set.-Out.-Nov. de 1957) com os títulos de "O cinquentenário da Pascendi"; "Por orgulho repelem toda sujeição" e "Revivem nos modernistas o espírito e os métodos do Jansenismo".