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domingo, 28 de dezembro de 2014

Entrevista “O Vaticano II: Uma história jamais escrita”, Prof. Roberto de Mattei

Entrevista “O Vaticano II: Uma história jamais escrita”

 
Prof. de Mattei

“Foram de muita utilidade as cartas de D. Helder e os relatórios do Dr. Murillo, que descrevem os contatos do Prof. Plinio e sua equipe no Concílio”
A respeito do livro com o título em epígrafe, o autor, Prof. Roberto de Mattei, vice-presidente do Centro Nacional de Pesquisas da Itália e catedrático da Universidade Européia de Roma, concedeu substanciosa entrevista exclusiva a Catolicismo. Na obra, ele descreve com cores vivas e minúcias densas de significado o confronto entre a ala progressista e aala conservadora — com a vitória da primeira — bem como as profundas e graves conseqüências do Concílio Vaticano II para a vida da Igreja e da sociedade, que se projetam até os dias de hoje.
Catolicismo — Obrigado professor por conceder esta entrevista. Sabemos que o Sr. está muito ocupado devido à polêmica que surgiu com a publicação de seu último livro O Vaticano II: Uma história jamais escrita.
Prof. de Mattei — De fato, esse livro tem suscitado amplo debate, no qual intervieram apologetas de renome aqui na Itália, provavelmente pouco conhecidos no Brasil, como Francesco Agnoli, Mario Palmaro, Alessandro Gnocchi, Corrado Gnerre, os quais se têm expresso em favor das teses que sustento. Enquanto Alberto Melloni, o atual líder da progressista e muito conhecida Escola de Bolonha, assim como outros intelectuais moderados como Andrea Tornielli, o vaticanista do quotidiano “Il Giornale”, assumiram uma posição contrária. Aliás, antes mesmo da tradução de meu livro para outras línguas, ele já está alcançando repercussão em muitos outros países, devido à reprodução em sites e blogs católicos de artigos que se ocupam dele, como um recentepost do conhecido vaticanista Sandro Magister.
Catolicismo — E o público brasileiro vai poder beneficiar-se de sua leitura?
Prof. de Mattei — Creio que sim. Mas vai depender das negociações de minha editora, aLindau, de Torino, com casas editoras de língua portuguesa. Uma das vantagens para o editor em português consistirá em que parte da documentação já está no idioma português.
Catolicismo — Justamente, o Sr. Andrea Tornielli, em sua recensão, admirou-se pelo fato de que há toda uma história “brasileira” do Vaticano II.
Prof. de Mattei — A bibliografia sobre o Concílio Vaticano II é super-abundante. Mas uma das principais fontes, para entender tudo o que sucedeu a latere da assembléia conciliar, influindo sobre ela, são os testemunhos dos participantes e dos espectadores, em particular os diários, as correspondências, as memórias. Nesse sentido, foram para mim de muita utilidade as cartas de D. Helder Câmara, recentemente publicadas, assim como os relatórios do Dr. Murillo Maranhão Galliez, que descrevem os contatos que mantiveram o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e sua equipe de 14 colaboradores, na primeira fase do Concílio.
Tais contatos contribuíram possantemente para a constituição do Piccolo Comitato de Padres conciliares de orientação antiprogressista, que depois ampliou-se no Coetus Internationalis Patrum e teve grande importância nos debates. E, inegavelmente, as almas do Coetus foram D. Geraldo de Proença Sigaud e D. Antonio de Castro Mayer, enquanto D. Marcel Lefebvre assumiu apenas o papel de figura de proa.
Todos os historiadores concordam em que D. Helder foi um dos principais orquestradores da ala progressista durante o Concílio 

“D. Helder exercia a função de “eminência parda” do que ele chamava o “sagrado complô”. Além disso, organizava reuniões com teólogos progressistas”
Catolicismo — Pode-se falar, então, de um embate entre D. Helder, de um lado, e de D. Sigaud e D. Mayer do outro?
Prof. de Mattei — Todos os historiadores concordam em que D. Helder — o qual, por sinal, nunca tomou a palavra na aula conciliar — foi um dos principais orquestadores da alaprogressista. Porque foi ele que, graças a sua posição de vice-presidente doConselho Episcopal Latino-Americano, conseguiu arrastar os bispos latino-americanos, em geral bastante conservadores, para uma aliança com as conferências episcopaisprogressistas da Europa central (França, Alemanha, Bélgica e Holanda) 
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