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segunda-feira, 16 de março de 2015

Beata Maria, a santa palestina: visões sobre o Concílio Vaticano I e o Beato Papa Pio IX


Beata Maria, a santa palestina: visões sobre o Concílio Vaticano I e o Beato Papa Pio IX (7)


Satanás conspirou contra o Concílio Vaticano I mas o Espírito Santo venceu
Satanás conspirou contra o Concílio Vaticano I mas o Espírito Santo venceu

continuação do post anterior: visões sobre a Igreja e o clero



O espírito de profecia se manifestou na carmelita também a respeito das grandes questões da Igreja e da política mundial, da qual nada sabia humanamente falando.

Isto foi especialmente notável por ocasião do Concilio Vaticano I e da guerra franco-prussiana com suas consequências: a queda de Roma nas mãos contrárias ao Papado, a revolução comunista da Comuna de Paris e a derrocada do II Império napoleônico.

Eis o que ela viu a respeito do glorioso Concílio Vaticano I, onde os bispos de tendência modernista acabaram sendo frustrados em seus intuitos e prevaleceu a linha contra-revolucionária do Papa Pio IX:
“Eu vi o Concílio. Vi três bispos do Concílio, muito santos e que prestaram grandes serviços à Igreja, agora envoltos pelas trevas, rodeados de milhares de demônios que se esforçam para lhes esconder uma pequena luz que está sempre presente a seus olhos, figura da fé, da verdade.


O Vaticano anunciou a canonização
da Beata Maria
de Jesus Crucificado O.C.D.

No dia 14 de fevereiro,
coincidindo com um Consistório
Público Ordinário,
a Santa Sé aprovou a canonização
da Bem-aventurada Maria
de Jesus Crucificado
(nascida Mariam Baouardy).
A canonização terá lugar no dia
domingo 17 de maio de 2015,
segundo informou o site do Vaticano.
www.vatican.va
“Enquanto isso, à direita e à esquerda há uma grande luz que os demônios quereriam que eles seguissem. Esses espíritos tentadores são de tal maneira numerosos que, se tivessem corpo, o ar ficaria escurecido. 

Esses mesmos demônios avançam sobre um grande número de outros bispos. Há mais de duzentos que não seguem essa pequena luz que têm diante dos olhos porque Satanás impede, instalando uma como que nuvem espessa entre essa luz e eles, enquanto eles não se afastam suficientemente da luz que está à direita e à esquerda. Essa luz não vem de Deus, mas do raciocínio humano.
Foi assim que ela se exprimira no mês de janeiro de 1870.

Uma visão do mês seguinte ainda é talvez mais impactante:
“Eu vi o Santo Padre rodeado pelos Padres Conciliares. À sua direita havia um jardim iluminado pelo sol, regado por uma água muito boa e cheio de flores e de frutos que disseminavam um perfume delicioso.

“À sua esquerda havia um outro jardim, coberto de trevas, espinheiros e espinhos. Ali se encontravam algumas roseiras ressequidas e algumas plantas boas abafadas pelos espinheiros.

“O Santo Padre tentou abrir a porta desse segundo jardim para trabalhá-lo e arrancar as roseiras e as plantas e transplantá-las ao primeiro jardim. Vários diziam ao Santo Padre que ele fazia um trabalho inútil.

“Eu vi logo depois uma nuvem de dor cobrir o Santo Padre e aqueles que estavam à sua direita.

O Beato Pio IX teve que enfrentar forte oposição de bispos liberais
O Beato Pio IX teve que enfrentar forte oposição de bispos liberais
“Mas, subitamente, eu vi um sol resplandecer em seus rostos; eles estavam radiosos.

“Depois, a porta do mau jardim se abriu, e começaram a tirar algumas plantas boas do mau jardim para plantá-las no bom.

“Em seguida, eu vi o Santo Padre adormecer e duas crianças o levarem pelos braços.

“Um outro veio substituí-lo e encontrou a porta aberta, e ele acabou facilmente o trabalho começado. Aqueles que haviam querido deter o Santo Padre em seu trabalho viam agora a verdade.

“Uma voz me disse: ‘Regozija-te do jejum de quarenta dias a pão e água que eu te pedi a fim de te fazer participar dos méritos e dos trabalhos dos Padres do Concílio. É necessário que, por meio desse jejum, tu arranques as pedras da estrada, para que eles não caiam’.

“(...) Como é comovedor ver Jesus que pede a almas ignoradas penitências excepcionais em favor do Concílio! É sempre o mesmo Deus que Se serve de quem não é nada para levar a bom fim suas obras”, comentou a religiosa (Pe. Estrate, op. cit., p. 197-199).

Sobre o Beato Pio IX

Uma ligação toda espiritual e sobrenatural unia a religiosa ao santo e combativo Papa Pio IX. Por isso, a Providência lhe revelou muitas coisas relativas ao seu glorioso pontificado.

Por exemplo, no início de dezembro de 1877, ela teve um anúncio da próxima partida do Santo Padre para a eternidade nos seguintes termos:

“Eu vi duas crianças (anjos) preparar um leito para o Santo Padre. Eu as vi várias vezes. Depois a Santíssima Virgem segurava uma coroa sobre sua cabeça, mas faltava uma rosa na parte dianteira. Falta ainda alguma pequena coisa”.

Dez anos antes, no mês de agosto de 1867, Santo Elias, falando de Pio IX à vidente, lhe havia dito:

— “Esse Papa é um santo. Depois dele virá um outro como ele, sofrerá muito nas mãos de Deus, não haverá cruzes como as que ele terá. O terceiro Santo padre será o Seráfico”.

Num êxtase em 21 de janeiro de 1878, ela falava do Beato Pio IX, dizendo:

O bem-aventurado Papa Pio IX
O bem-aventurado Papa Pio IX

— “Meu Pai vai partir... Já se prepara a procissão. ... Uma multidão de virgens e o Senhor à sua testa virão pegar meu pai. Ele me abençoou sobre a fronte com o dedo que segura Jesus. Eu estou feliz por meu pai... Os passarinhos cantam, a terra vibra e o céu também... Quando uma alma é fiel, oh! como tudo fica contente!”

Numa longa carta endereçada ao Patriarca de Jerusalém em 27 de janeiro de 1878, ela escreveu a respeito de Pio IX:

— “Eu vi que nosso bem-amado pai e pontífice Pio IX vai partir logo, sua coroa foi completada. Há alguns dias, eu tinha visto que lhe faltava uma rosa, mas agora eu volto a ver a coroa e já não falta mais nada. A Santíssima Virgem a tem em suas mãos, prestes a pousá-la sobre sua cabeça.

“Eu vi também como se prepara uma procissão para vir pegá-lo e eu vejo o Santo Padre sob a figura de uma criança, de uma hóstia, enfim de uma maneira que eu não posso explicar. Ele me fez um sinal da cruz sobre a fronte e me disse:

“‘Minha filha, eu te abençoo, eu não sei se eu te vejo num delírio ou na realidade, mas estou doente: reza por mim’. E eu, vendo a procissão que se prepara para ele, pensei: ‘É vós que tendes que rezar por mim’, mas isso eu não falei ... Senhor, disse, ‘permiti que ele veja o triunfo da Igreja’. Jesus me respondeu: 

— “Ele viu a aurora”. 

— “Mas como, Senhor, ele não vai ver o restabelecimento de seus direitos?”

E Jesus respondeu: 

— “Ele não viu suas ovelhas se voltarem para seu curral?” 

E em 3 de fevereiro de 1878, ela acrescentava:

No mesmo ano, a santa palestina partiu para o Céu
No mesmo ano, a santa palestina partiu para o Céu
— “Eu vi a Santíssima Virgem que segurava em suas mãos nosso bem-amado pai e pontífice Pio IX.”

Quatro dias depois, o Beato Pio IX tinha uma morte de predestinado.

Durante um longo êxtase no dia 17 de fevereiro, a Beata pareceu ver o Santo Padre Pio IX na glória e exclamou com transporte de alegria:

— “Meu pai me disse: adeus, minha filha, até breve!” (op. cit., p. 322-324)

Poucos meses depois, em 26 de agosto do mesmo ano, a Beata Maria de Jesus Crucificado morria com 32 anos de idade no Carmelo de Belém, como a "senhora" da gruta havia profetizado.

Ela foi beatificada em 13 de Novembro de 1983. Sua festa se comemora no dia 25 de agosto.

FIM

(Fonte: R. P. Pierre Estrate, do Instituto do Sagrado Coração de Bétharram, Mariam, sainte palestinienne – La vie de Marie de Jésus Crucifié. Pierre Téqui éditeur, Paris, 1999, 399 pp., col. Saints du monde, Imprimatur : P. Fages, Vigário Geral de Paris, 21.1.1916).

O Carmelo de Belém em Terra Santa fundado pela santa palestina:


Beata Maria, a santa palestina: visões sobre a Igreja e o clero (6)

Relicário e imagem da santa palestina, na capela do Carmelo de Belém

 


Em diversas ocasiões Deus lhe fez ver uma apostasia próxima e generalizada do clero e das religiosas.

Este doloroso aspecto está contido de modo eminente no Segredo de La Salette e foi o “gancho” através do qual os maus religiosos tentaram – e até conseguiram transitoriamente – a proibição do Segredo. 

“Pequenos cordeiros, permanecei fiéis. A Santa Virgem diz que os tempos vão mudar, vós vereis coisas que nunca vistes antes, religiosas abandonarão seu convento, sacerdotes apostatarão”, anunciou a santa palestina (Pe. Estrate, op. cit., p. 138).

Na véspera de Natal, escreve o sacerdote biógrafo, ela tinha visto um homem que lhe mostrava seu coração no peito aberto, e nesse coração muitas pombas brancas.

Do lado de fora, espinhos desgarravam esse coração e lhe faziam verter sangue até o chão. Esse homem, que obviamente era o Sagrado Coração de Jesus, disse a ela: 

— “Minha filha, ninguém recolhe esse sangue, fazem-me sofrer o martírio; se eles não se converterem, Eu farei perecer os frutos da terra; e se, após esse castigo, eles não mudarem, eu arrancarei as árvores e plantarei outras e essas recolherão meu sangue” (Pe. Estrate, op. cit., p. 180-181).

E ainda durante o retiro anual antes do Natal de 1872: 

Cela da Beata carmelita no Carmelo de Belém
Cela da Beata carmelita no Carmelo de Belém
— “Jesus se mostrou e eu vi o resplendor de sua majestade. Impossível descrever a alegria de minha alma: era o Paraíso na terra.

“Veio-me o pensamento de lhe pedir muitas coisas. Mas, antes de tudo, eu O teria acariciado, eu lhe teria dito toda espécie de coisas saídas de meu coração para tocá-lo; eu agi como a criança que quando quer obter qualquer coisas de seu pai, começa lhe fazendo mil carícias.

“Eu lhe roguei pelas almas do purgatório: então Jesus ficou mais brilhante e eu vi sair de suas mãos raios de luz, graças que desciam sobre essas pobres almas. Pareceu-me que Jesus tinha grande necessidade de distribuí-las e que Ele as dava com muita pressa e abundância.

“Logo a seguir eu rezei pelos pecadores, e Jesus fazia a mesma coisa pelas almas do Purgatório. Que alegria ver esse amor, essa misericórdia do Senhor!

“Mas, quando eu quis rezar a Ele pelos sacerdotes, pelos religiosos e pelas religiosas, os raios que desciam de suas mãos voltaram a subir e tudo desapareceu. 

“Meu coração ficou numa tristeza, numa angustia terrível, pois eu pertenço ao número das religiosas. Então eu soltei suspiros, explodi em soluços. Cada vez que penso no que eu vi, não posso parar de chorar. Quanto nós somos culpados, como nós deveríamos ser a consolação de Jesus!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 254-255).

E, ainda com mais força, em 18 de outubro de 1875, já no Carmelo de Belém, na Terra Santa: 

“Eu vejo muitas religiosas, professas há vinte anos, que saem de seus conventos... O inimigo tem muito poder na hora presente. Todas aquelas que têm as raízes podres, cairão. É o momento, é a justiça de Deus! 

“Não acrediteis que uma árvore cai de vez, nem religiosos nem religiosas caem de vez sem que tenha havido há muito tempo alguma coisa estragada. Isso se estraga pela raiz. (...)

“Eu quereria ter uma língua perpassada pelo fogo para dizer tudo o que eu vi... Chegou o momento em que as árvores vão cair. Há algumas que têm as folhas amarelas mas a raiz está boa.

“Há outras, sacerdotes, religiosas, que parecem boas e cairão, pois a raiz está ruim. Há homens do mundo que parecem ruins; eles o são mas têm um fundo bom, e ocuparão o lugar dos outros...” (Pe. Estrate, op. cit., p. 288-289)

Aos pedidos e recomendações que ela faz à comunidade da parte do Senhor, ela acrescenta estas palavras:
“A Santa Mãe Teresa diz que, se ela pudesse chorar, choraria por certas comunidades, mas chegará o tempo em que essas comunidades serão castigadas” (Pe. Estrate, op. cit., p. 298). 
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