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sábado, 21 de setembro de 2013

Recordamos a visita que Sua Santidade Bento XVI realizou há dois anos à sua Pátria: Alemanha. Pope Benedict XVI visit to his homeland Germany just two years ago. Benedicto XVI ha visitado a Alemania.

 

BENTO XVI : os Santos mostram-nos que é possível e que é bom viver, de modo radical, a relação com Deus, colocando Deus no primeiro lugar e não como uma realidade entre as outras. Os Santos põem em evidência o facto de que foi Deus que tomou a iniciativa de Se dirigir a nós; em Jesus Cristo, manifestou-Se e manifesta-Se a nós. Cristo vem ao nosso encontro, fala a cada indivíduo e convida-o a segui-LoFREIBURG IM BREISGAU, GERMANY - SEPTEMBER 24:  Pope Benedict XVI  waves to pilgrims on Muensterplatz square after visiting the Muenster cathedral as his personal secretary Georg Gaenswein looks on on September 24, 2011 in Freiburg, Germany. The Pope is in Freiburg on the third of a four-day visit to Germany, and he will conclude his trip with an open air Sunday mass tomorrow near Freiburg.

Homilia do Papa na Domsplatz de Erfurt


Viagem apostólica à Alemanha

ERFURT, sábado, 24 de setembro de 2011   Apresentamos a homilia que Bento XVI pronunciou hoje na Missa celebrada na Domsplatz de Erfurt, em honra de Santa Isabel de Turingia.
* * *
Amados irmãos e irmãs,
«Louvai o Senhor em todo o tempo, porque Ele é bom»: assim cantámos antes do Evangelho. Sim, temos verdadeiramente motivos para agradecer a Deus com todo o coração. Nesta cidade, se recuarmos com o pensamento até 1981, o ano jubilar de Santa Isabel, há trinta anos – eram os tempos da República Democrática Alemã –, quem teria imaginado que o muro e o arame farpado nas fronteiras cairiam poucos anos depois? E, se recuarmos ainda mais – cerca de setenta anos – até 1941, até ao tempo do nacional-socialismo, quem seria capaz de predizer que o chamado «Reich milenário» ficaria reduzido a cinzas apenas quatro anos mais tarde?
Amados irmãos e irmãs, aqui na Turíngia, na República Democrática Alemã de então, tivestes de suportar uma ditadura «pardacenta» [nazista] e uma «vermelha» [comunista], cujo efeito sobre a fé era parecido com o que tem a chuva ácida. Desse tempo, há ainda muitas consequências tardias a debelar, sobretudo no âmbito intelectual e religioso! Hoje, a maioria das pessoas nesta terra vive longe da fé em Cristo e da comunhão da Igreja. Mas as últimas duas década mostram também experiências positivas: um horizonte mais largo, um intercâmbio para além das fronteiras, uma certeza confiante de que Deus não nos abandona e nos guia por caminhos novos. «Onde há Deus, há futuro».
Todos nós estamos convencidos de que a nova liberdade ajudou a dar à vida dos homens uma dignidade maior e a abrir novas e variadas possibilidades. E do ponto de vista da Igreja podemos também assinalar, com gratidão, muitas facilitações: novas possibilidades para as actividades paroquiais, a restauração e o alargamento de igrejas e centros paroquiais, iniciativas diocesanas de carácter pastoral ou cultural. Mas estas possibilidades trouxeram-nos também um crescimento na fé? Não será talvez preciso procurar as raízes profundas da fé e da vida cristã noutra realidade bem diversa da liberdade social? Houve muitos católicos resolutos que permaneceram fiéis a Cristo e à Igreja, precisamente na difícil situação de uma opressão exterior. Aceitaram arcar com desvantagens pessoais, para viverem a própria fé. Quero aqui agradecer aos sacerdotes e aos seus colaboradores e colaboradoras de então. De modo particular, quero recordar a pastoral dos refugiados imediatamente depois da II Guerra Mundial: então muitos clérigos e leigos realizaram grandes coisas para atenuar a penosa situação dos prófugos e dar-lhes uma nova Pátria. Por fim, dirijo um sincero agradecimento aos pais que, no meio da diáspora e num ambiente político hostil à Igreja, educaram os seus filhos na fé católica. Por exemplo, merecem ser recordadas, com gratidão, as Semanas Religiosas para as crianças durante as férias, e também o trabalho frutuoso das Casas para a juventude católica Sankt Sebastian, em Erfurt, e Marcel Callo, em Heiligenstadt. Especialmente em Eichsfeld, houve muitos cristãos católicos que resistiram à ideologia comunista. Queira Deus recompensar abundantemente a perseverança na fé. O corajoso testemunho e a paciente confiança na providência de Deus são como uma semente preciosa que promete fruto abundante para o futuro.
A presença de Deus manifesta-se, de maneira particularmente clara, nos seus Santos. O seu testemunho de fé pode, também hoje, dar-nos a coragem para um novo despertar. Aqui pensemos sobretudo nos Santos Padroeiros da diocese de Erfurt: Isabel da Turíngia, Bonifácio e Kilian. Isabel veio de um país estrangeiro, da Hungria, para Wartburg na Turíngia. Levou um vida de intensa oração, associada com a penitência e a pobreza evangélica. Regularmente, descia do seu castelo até à cidade de Eisenach para lá cuidar pessoalmente dos pobres e dos doentes. Foi breve a sua vida nesta terra – chegou apenas à idade de vinte e quatro anos –, mas o fruto da sua santidade foi imenso. Santa Isabel goza de grande estima também entre os cristãos evangélicos; pode ajudar-nos a todos a descobrir a plenitude da fé transmitida e a traduzi-la na nossa vida diária.
Para as raízes cristãs do nosso país, remete também a fundação da diocese de Erfurt, no ano 742, por São Bonifácio. Este facto constitui simultaneamente a primeira menção escrita que há da cidade de Erfurt. Aquele Bispo missionário viera da Inglaterra e trabalhou em estreita ligação com o Sucessor de São Pedro. Veneramo-lo como o «Apóstolo da Alemanha»; morreu mártir. Dois dos seus companheiros, que partilharam com ele o testemunho do sangue pela fé cristã, estão aqui sepultados na catedral de Erfurt: são os Santos Eoban e Adelar.
Antes dos missionários anglo-saxões, tinha já trabalhado na Turíngia São Kilian, um missionário itinerante que provinha da Irlanda. Juntamente com dois companheiros, morreu mártir em Würzburg, porque criticara o comportamento moralmente transviado do duque da Turíngia, lá residente. Por fim, não quero esquecer São Severo, o Padroeiro da Severikirche, aqui na Praça da Catedral: no século IV, era Bispo de Ravena; no ano 836, os seus restos mortais foram trazidos para Erfurt, para enraizar mais profundamente a fé cristã nesta região.
Que têm em comum estes Santos? Como podemos descrever a faceta particular da sua vida, tornando-a fecunda para nós? Sim, os Santos mostram-nos que é possível e que é bom viver, de modo radical, a relação com Deus, colocando Deus no primeiro lugar e não como uma realidade entre as outras. Os Santos põem em evidência o facto de que foi Deus que tomou a iniciativa de Se dirigir a nós; em Jesus Cristo, manifestou-Se e manifesta-Se a nós. Cristo vem ao nosso encontro, fala a cada indivíduo e convida-o a segui-Lo. Esta possibilidade foi valorizada pelos Santos: a partir do íntimo de si mesmos, propenderam por assim dizer para Ele no diálogo íntimo da oração, e d’Ele receberam a luz que lhes desvendou a vida verdadeira.
Essencialmente, a fé é sempre também um acreditar junto com os outros. O facto de poder crer devo-o, antes de mais nada, a Deus que Se dirige a mim e, por assim dizer, «acende» a minha fé. Mas, de um modo muito concreto, devo a minha fé também àqueles que vivem ao meu redor e que acreditaram antes de mim e acreditam juntamente comigo. Este «com», sem o qual não pode haver qualquer fé pessoal, é a Igreja. E esta Igreja não se detém diante das fronteiras dos países; demonstra-o as nacionalidades dos Santos que há pouco mencionei: Hungria, Inglaterra, Irlanda e Itália. Daqui se vê como é importante a permuta espiritual, que se dilata através da Igreja inteira. Se nos abrirmos à fé integral ao longo de toda a história e nos seus testemunhos em toda a Igreja, então a fé católica tem um futuro, mesmo como força pública na Alemanha. Ao mesmo tempo as figuras dos Santos que recordámos mostram-nos a grande fecundidade de uma vida santa, deste amor radical a Deus e ao próximo. Os Santos, apesar de serem poucos, mudam o mundo.
Assim as mudanças políticas do ano 1989, no vosso país, não foram motivadas apenas pelo desejo de bem-estar e liberdade de ir e vir, mas também, e de modo decisivo, pelo anseio de veracidade. Este anseio foi mantido desperto, para além do mais, por pessoas que se devotaram totalmente ao serviço de Deus e do próximo e estavam dispostas a sacrificar a própria vida. Tais pessoas e os Santos recordados dão-nos a coragem para tirarmos proveito da nova situação. Não queremos esconder-nos numa fé apenas privada, mas queremos administrar responsavelmente a liberdade alcançada. À semelhança dos Santos Kilian, Bonifácio, Adelar, Eoban e Isabel da Turíngia, queremos ir, como cristãos, ao encontro dos nossos concidadãos e convidá-los a descobrirem connosco a plenitude da Boa Nova. Então seremos semelhantes ao famoso sino da catedral de Erfurt que se chama «Glorioso». É considerado o maior sino medieval do mundo que oscila livremente. É um sinal palpável do nosso profundo enraizamento na tradição cristã, mas também um sinal para nos pormos a caminho empenhando-nos na missão. O referido sino tocará também hoje no fim da Missa solene. Possa então estimular-nos para, a exemplo dos Santos, tornarmos visível e audível o testemunho de Cristo no mundo em que vivemos. Amen.
 

Pope Benedict XVI greets the faithful as he celebrates a Vesper service in Etzelsbach, Germany, Friday, Sept. 23, 2011. Pope Benedict XVI is on a four-day official visit to his homeland Germany.
Pope Benedict XVI greets the faithful as he celebrates a Vesper service in Etzelsbach, Germany, Friday, Sept. 23, 2011. Pope Benedict XVI is on a four-day official visit to his homeland Germany.

Pontiff's Homily at Germany's Olympic Stadium


"The Risen Lord Gives Us a Place of Refuge, a Place of Light"

BERLIN, SEPT. 22, 2011 (Zenit.org).- Here is a Vatican translation of the homily Benedict XVI delivered today at Mass in Berlin's Olympic Stadium, which was built by the Nazis for the 1936 Olympics. The Pope is in Germany through Sunday on an official state visit.
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Dear Brother Bishops,
Dear Brothers and Sisters,
As I look around the vast arena of the Olympic Stadium, where you have gathered today in such large numbers, my heart is filled with great joy and confidence. I greet all of you most warmly – the faithful from the Archdiocese of Berlin and the Dioceses of Germany as well as the many pilgrims from neighbouring countries. It was fifteen years ago that Berlin, the capital of Germany, was first visited by a Pope. We all remember vividly the visit of my venerable predecessor, Blessed John Paul II, and the beatification of the Berlin Cathedral Provost Bernhard Lichtenberg – together with Karl Leisner – here in this very place.
If we consider these beati and the great throng of those who have been canonized and beatified, we can understand what it means to live as branches of Christ, the true vine, and to bring forth rich fruit. Today’s Gospel puts before us once more the image of this climbing plant, that spreads so luxuriantly in the east, a symbol of vitality and a metaphor for the beauty and dynamism of Jesus’ fellowship with his disciples and friends.
In the parable of the vine, Jesus does not say: "You are the vine", but: "I am the vine, you are the branches" (Jn 15:5). In other words: "As the branches are joined to the vine, so you belong to me! But inasmuch as you belong to me, you also belong to one another." This belonging to each other and to him is not some ideal, imaginary, symbolic relationship, but – I would almost want to say – a biological, life-transmitting state of belonging to Jesus Christ. Such is the Church, this communion of life with him and for the sake of one another, a communion that is rooted in baptism and is deepened and given more and more vitality in the Eucharist. "I am the true vine" actually means: "I am you and you are I" – an unprecedented identification of the Lord with us, his Church.
On the road to Damascus, Christ himself asked Saul, the persecutor of the Church: "Why do you persecute me?" (Acts 9:4). With these words the Lord expresses the common destiny that arises from his Church’s inner communion of life with himself, the risen Christ. He continues to live in his Church in this world. He is present among us, and we are with him. "Why do you persecute me?" It is Jesus, then, who is on the receiving end of the persecutions of his Church. At the same time, when we are oppressed for the sake of our faith, we are not alone: Jesus is with us.
Jesus says in the parable: "I am the true vine, and my Father is the vinedresser" (Jn 15:1), and he goes on to explain that the vinedresser reaches for his knife, cuts off the withered branches and prunes the fruit-bearing ones, so that they bring forth more fruit. Expressed in terms of the image from the prophet Ezekiel that we heard in the first reading, God wants to take the dead heart of stone out of our breast in order to give us a living heart of flesh (cf. Ez 36:26). He wants to bestow new life upon us, full of vitality. Christ came to call sinners. It is they who need the doctor, not the healthy (cf. Lk 5:31f.). Hence, as the Second Vatican Council expresses it, the Church is the "universal sacrament of salvation" (Lumen Gentium, 48), existing for sinners in order to open up to them the path of conversion, healing and life. That is the Church’s true and great mission, entrusted to her by Christ.
Many people see only the outward form of the Church. This makes the Church appear as merely one of the many organizations within a democratic society, whose criteria and laws are then applied to the task of evaluating and dealing with such a complex entity as the "Church". If to this is added the sad experience that the Church contains both good and bad fish, wheat and darnel, and if only these negative aspects are taken into account, then the great and deep mystery of the Church is no longer seen.
It follows that belonging to this vine, the "Church", is no longer a source of joy. Dissatisfaction and discontent begin to spread, when people’s superficial and mistaken notions of "Church", their "dream Church", fail to materialize! Then we no longer hear the glad song "Thanks be to God who in his grace has called me into his Church" that generations of Catholics have sung with conviction.
The Lord’s discourse continues: "Abide in me, and I in you. As the branch cannot bear fruit by itself, unless it abides in the vine, neither can you, unless you abide in me ... for apart from me [i.e. separated from me, or outside me] you can do nothing" (Jn 15:4f.).
Every one of us is faced with this choice. The Lord reminds us how much is at stake as he continues his parable: "If a man does not abide in me, he is cast forth as a branch and withers; and the branches are gathered, thrown into the fire and burned" (Jn 15:6). In this regard, Saint Augustine says: "The branch is suitable only for one of two things, either the vine or the fire: if it is not in the vine, its place will be in the fire; and that it may escape the latter, may it have its place in the vine" (In Ioan. Ev. Tract. 81:3 [PL 35, 1842]).
The decision that is required of us here makes us keenly aware of the existential significance of our life choices. At the same time, the image of the vine is a sign of hope and confidence. Christ himself came into this world through his incarnation, to be our root. Whatever hardship or drought befall us, he is the source that offers us the water of life, that feeds and strengthens us. He takes upon himself all our sins, anxieties and sufferings and he purifies and transforms us, in a way that is ultimately mysterious, into good wine. In such times of hardship we can sometimes feel as if we ourselves were in the wine-press, like grapes being utterly crushed. But we know that if we are joined to Christ we become mature wine. God can transform into love even the burdensome and oppressive aspects of our lives. It is important that we "abide" in Christ, in the vine. The evangelist uses the word "abide" a dozen times in this brief passage. This "abiding in Christ" characterizes the whole of the parable. In our era of restlessness and lack of commitment, when so many people lose their way and their grounding, when loving fidelity in marriage and friendship has become so fragile and short-lived, when in our need we cry out like the disciples on the road to Emmaus: "Lord, stay with us, for it is almost evening and darkness is all around us!" (cf. Lk 24:29), then the risen Lord gives us a place of refuge, a place of light, hope and confidence, a place of rest and security. When drought and death loom over the branches, then future, life and joy are to be found in Christ.
To abide in Christ means, as we saw earlier, to abide in the Church as well. The whole communion of the faithful has been firmly incorporated into the vine, into Christ. In Christ we belong together. Within this communion he supports us, and at the same time all the members support one another. They stand firm together against the storm and they offer one another protection. Those who believe are not alone. We do not believe alone, but we believe with the whole Church.
The Church, as the herald of God’s word and dispenser of the sacraments, joins us to Christ, the true vine. The Church as "fullness and completion of the Redeemer" (Pius XII, Mystici Corporis, AAS 35 [1943] p. 230: "plenitudo et complementum Redemptoris") is to us a pledge of divine life and mediator of those fruits of which the parable of the vine speaks. The Church is God’s most beautiful gift. Therefore Saint Augustine also says: "as much as any man loves the Church of Christ, so much has he the Holy Spirit" (In Ioan. Ev. Tract. 32:8 [PL 35:1646]). With and in the Church we may proclaim to all people that Christ is the source of life, that he exists, that he is the one for whom we long so much. He gives himself. Whoever believes in Christ has a future. For God has no desire for what is withered, dead,ersatz, and finally discarded: he wants what is fruitful and alive, he wants life in its fullness.
Dear Brothers and Sisters! My wish for all of you is that you may discover ever more deeply the joy of being joined to Christ in the Church, that you may find comfort and redemption in your time of need and that you may increasingly become the precious wine of Christ’s joy and love for this world. Amen.


Benedicto XVI : Cuando los cristianos se dirigen a María en todos los tiempos y lugares, se dejan guiar por la certeza espontánea de que Jesús no puede rechazar las peticiones que le presenta su Madre...el Crucificado señala con su brazo derecho a lo que sucede sobre el altar, donde el santo sacrificio que llevó a cabo se actualiza en la Eucaristía.

Pope Benedict XVI issues a blessing at the end of a mass at the Olympic Stadium in Berlin, Germany, Thursday, Sept. 22, 2011. Pope Benedict XVI is on a four-day official visit to his homeland Germany.

Homilía del Papa en el santuario de la Virgen de Etzelsbach


Viaje Apostólico a Alemania

EICHSFELD, viernes 23 de septiembre de 2011 (ZENIT.org).- Ofrecemos a continuación la homilía que el Papa Benedicto XVI pronunció hoy por la tarde, durante su visita al santuario mariano de Etzelsbach, concluyendo así la etapa de su viaje apostólico a Alemania.
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Queridos hermanos y hermanas:
Ahora que se cumple mi deseo de visitar Eichsfeld y de dar gracias con vosotros a la Virgen María en Etzelsbach. "Aquí en el querido valle tranquilo" –como dice un canto de los peregrinos- y "bajo los viejos tilos", María nos da seguridad y nuevas fuerzas. En dos dictaduras impías que han tratado de arrancar a los hombres su fe tradicional, las gentes de Eichsfeld estaba convencida de encontrar aquí, en el santuario de Etzelsbach, una puerta abierta y un lugar de paz interior. Queremos continuar la amistad especial con María, amistad que se ha acrecentado con todo esto, y ahora también en la celebración de las Vísperas marianas de hoy.
Cuando los cristianos se dirigen a María en todos los tiempos y lugares, se dejan guiar por la certeza espontánea de que Jesús no puede rechazar las peticiones que le presenta su Madre; y se apoyan en la confianza inquebrantable de que María es también Madre nuestra; una Madre que ha experimentado el sufrimiento más grande de todos, que se da cuenta de todas nuestras dificultades y piensa en modo materno cómo superarlas. Cuántas personas han ido en el transcurso de los siglos en peregrinación a María para encontrar ante la imagen de la Dolorosa, como aquí en Etzelsbach, consuelo y alivio.
Contemplemos su imagen. Una mujer de mediana edad, con los parpados apesadumbrados de tanto llorar, y al mismo tiempo una mirada absorta, fija en la lejanía, como si estuviese meditando en su corazón sobre todo lo que había sucedido. Sobre su regazo reposa el cuerpo exánime del Hijo; Ella lo aprieta delicadamente y con amor, como un don precioso. Sobre el cuerpo desnudo del Hijo vemos los signos de la crucifixión. El brazo izquierdo del Crucificado cae verticalmente hacia abajo. Quizás, esta escultura de la Piedad, como a menudo era costumbre, estaba originalmente colocada sobre un altar. Así, el Crucificado señala con su brazo derecho a lo que sucede sobre el altar, donde el santo sacrificio que llevó a cabo se actualiza en la Eucaristía.
Una particularidad de la imagen milagrosa de Etzelsbach es la posición del Crucificado. En la mayor parte de las representaciones de la Piedad, el cuerpo sin vida de Jesús yace con la cabeza vuelta hacia la izquierda. De esta forma, el que lo contempla puede ver su herida del costado. Aquí en Etzelsbach, en cambio, la herida del costado está escondida, ya que el cadáver está orientado hacia el otro lado. Creo que dicha representación encierra un profundo significado, que se revela solamente en una atenta contemplación: en la imagen milagrosa de Etzelbach, los corazones de Jesús y de su Madre se dirigen uno al otro, se acercan el uno al otro. Se intercambian recíprocamente su amor. Sabemos que el corazón es también el órgano de la sensibilidad más delicada para el otro, así como el órgano de la íntima compasión. En el corazón de María encuentra cabida el amor que su divino Hijo quiere ofrecer al mundo.
La devoción mariana se concentra en la contemplación de la relación entre la Madre y su divino Hijo. Los fieles han encontrado siempre nuevos aspectos y títulos que nos pueden esclarecer este misterio como, por ejemplo, la imagen del Corazón Inmaculado de María, símbolo de la unidad profunda y sin reserva con Cristo en el amor. No es la autorrealización la que lleva a la persona a su verdadero desarrollo, aspecto que hoy es propuesto como modelo de la vida moderna, pero que fácilmente puede convertirse en una forma de egoísmo refinado. Es, sobre todo, la actitud del don de si mismo, que se orienta hacia el corazón de María y con ello hacia el corazón del Redentor.
"A los que aman a Dios todo les sirve para el bien: a los que ha llamado conforme a su designio" (Rom 8, 28), lo acabamos de escuchar en la lectura. En María, Dios ha hecho confluir todo el bien y, por medio de Ella, no cesa de difundirlo ulteriormente en el mundo. Desde la Cruz, desde el trono de la gracia y la redención, Jesús ha entregado a los hombres como Madre a María, su propia Madre. En el momento de su sacrificio por la humanidad, Él constituye en cierto modo a María, mediadora del flujo de gracia que brota de la Cruz. Bajo la Cruz, María se hace compañera y protectora de los hombres en el camino de su vida. "Con su amor de Madre cuida de los hermanos de su Hijo, que todavía peregrinan y viven entre angustias y peligros hasta que lleguen a la patria feliz (Lumen gentium, 62). Sí, en la vida pasamos por vicisitudes alternas, pero María intercede por nosotros ante su Hijo y nos comunica la fuerza del amor divino.
Nuestra confianza en la intercesión eficaz de la Madre de Dios y nuestra gratitud por la ayuda continuamente experimentada llevan consigo de algún modo el impulso a dirigir la reflexión más allá de las necesidades del momento. ¿Qué quiere decirnos verdaderamente María cuando nos salva del peligro? Quiere ayudarnos a comprender la amplitud y profundidad de nuestra vocación cristiana. Con maternal delicadeza, quiere hacernos comprender que toda nuestra vida debe ser una respuesta al amor rico en misericordia de nuestro Dios. Como si nos dijera: entiende que Dios, que es la fuente de todo bien y no quiere otra cosa que tu verdadera felicidad, tiene el derecho de exigirte una vida que se abandone sin reservas y con alegría a su voluntad, y se esfuerce en que los otros hagan lo mismo. "Donde está Dios, allí hay futuro". En efecto: donde dejamos que el amor de Dios actúe totalmente sobre la vida, allí se abre el cielo. Allí, es posible plasmar el presente, de modo que se ajuste cada vez más a la Buena Noticia de nuestro Señor Jesucristo. Allí, las pequeñas cosas de la vida cotidiana alcanzan su sentido y los grandes problemas encuentran su solución. Amén.
[Copyright 2011 - ©Libreria Editrice Vaticana]

BENTO XVI : Permanecer em Cristo significa, como já vimos, permanecer na Igreja. A comunidade inteira dos crentes está firmemente unida em Cristo, a videira. Em Cristo, todos nós estamos conjuntamente unidos.

Papa na Alemanha: homilia em Berlim

ERFURT, GERMANY - SEPTEMBER 23:  Pope Benedict XVI greets pilgrims outside the Dom cathedral on September 23, 2011 in Erfurt, Germany. The Pope is in Erfurt on the second of a four-day visit to Germany. Viagem Apostólica à Alemanha

BERLIM, quinta-feira, 22 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos a homilia que o Papa Bento XVI pronunciou hoje durante a Missa celebrada no Olympiastadion de Berlim.
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Venerados irmãos no Episcopado,
Amados irmãos e irmãs,
O olhar pela ampla circunferência do estádio olímpico, que vós encheis hoje em tão grande número, gera em mim grande alegria e confiança. Com afecto saúdo a todos vós: os fiéis da arquidiocese de Berlim e das outras dioceses alemãs, bem como os numerosos peregrinos vindos dos países vizinhos. Há quinze anos, pela primeira vez, veio um Papa à capital federal de Berlim. Perdura viva em todos nós a recordação da visita do meu venerado Predecessor, o Beato João Paulo II, e da beatificação do Arcipreste da Catedral de Berlim, Bernhard Lichtenberg – juntamente com a de Karl Leisner – que se deu precisamente aqui, neste lugar.
Pensando nestes Beatos e em toda a série dos Santos e Beatos, podemos compreender o que significa viver como ramos da videira verdadeira, que é Cristo, e dar muito fruto. O Evangelho de hoje trouxe-nos à mente a imagem desta planta, que se alcandora frondosa no oriente e é símbolo de força vital, uma metáfora da beleza e dinamismo da comunhão de Jesus com os seus discípulos e amigos.
Na parábola da videira, Jesus não diz: «Vós sois a videira»; mas: «Eu sou a videira, vós os ramos» (Jo15, 5). Isto significa: «Assim como os ramos estão ligados à videira, assim também vós pertenceis a Mim! Mas, pertencendo a Mim, pertenceis também uns aos outros». E, neste pertencer um ao outro e a Ele, não se trata de qualquer relação ideal, imaginária, simbólica, mas é – apetece-me quase dizer – um pertencer a Jesus Cristo em sentido biológico, plenamente vital. É a Igreja, esta comunidade de vida com Ele e de um para o outro, que está fundada no baptismo e se vai aprofundando cada vez mais na Eucaristia. «Eu sou a videira verdadeira»: isto na realidade, porém, significa: «Eu sou vós, e vós sois Eu» - uma identificação inaudita do Senhor connosco, a sua Igreja.

Uma vez, às portas de Damasco, o próprio Cristo perguntou a Saulo, o perseguidor da Igreja: «Porque Me persegues?» (Act 9, 4). Deste modo, o Senhor exprime a comunhão de destino que deriva da íntima comunhão de vida da sua Igreja com Ele, o Cristo ressuscitado. Ele continua a viver na sua Igreja neste mundo. Ele está connosco, e nós estamos com Ele. «Porque Me persegues?»: destas palavras se conclui que é a Jesus que ferem as perseguições contra a sua Igreja. E, ao mesmo tempo, não estamos sozinhos quando somos oprimidos por causa da nossa fé. Jesus está connosco.

Na parábola, Jesus começa dizendo: «Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor» (Jo 15, 1), explicando que o vinhateiro toma a tesoura, corta os ramos secos e poda aqueles que produzem fruto para que dêem mais fruto. Dizendo isto mesmo com a imagem do profeta Ezequiel, que escutámos na primeira leitura, Deus quer tirar do nosso peito o coração morto, de pedra, para nos dar um coração vivo, de carne (cf. Ez 36, 26). Quer dar-nos vida nova, pujante de força. Cristo veio chamar os pecadores; são estes que precisam do médico, não os sãos (cf. Lc 5, 31-32). Deste modo, como diz o Concílio Vaticano II, a Igreja é o «universal sacramento de salvação» (LG 48), que existe para os pecadores, a fim de lhes abrir o caminho da conversão, da cura e da vida. Esta é a verdadeira e grande missão da Igreja, que Cristo lhe conferiu.

Alguns olham para Igreja, detendo-se no seu aspecto exterior. Então ela aparece-lhes apenas como uma das muitas organizações presentes numa sociedade democrática; e, segundo as normas e leis desta, se deve depois avaliar e tratar inclusive uma figura tão difícil de compreender como é a «Igreja». Se depois se vem juntar ainda a experiência dolorosa de que, na Igreja, há peixes bons e maus, trigo e joio, e se o olhar se fixa nas realidades negativas, então nunca mais se desvenda o grande e profundo mistério da Igreja.

Consequentemente deixa de assomar qualquer alegria pelo facto de se pertencer a uma tal videira que é «Igreja». Crescem insatisfação e descontentamento, se não virem realizadas as próprias ideias superficiais e erróneas de «Igreja» e os próprios «sonhos de Igreja»! Então cessa também aquele jubiloso cântico «Agradeço ao Senhor que por graça me chamou à sua Igreja» que gerações de católicos cantaram com convicção.

E, no seu discurso, o Senhor continua dizendo: «Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim (…), pois, sem Mim – poder-se-ia traduzir também: fora de Mim –, nada podeis fazer» (Jo 15, 4-5).

Cada um de nós vê-se aqui confrontado com tal decisão. E o Senhor, na sua parábola, insiste na seriedade da mesma: «Se alguém não permanecer em Mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem» (Jo 15, 6). A este respeito, observa Santo Agostinho: «Ao ramo toca uma coisa ou outra: ou a videira ou o fogo; se [o ramo] não estiver na videira, estará no fogo; por conseguinte, para que não esteja no fogo, fique na videira» (In Joan. Ev. tract. 81, 3: PL 35, 1842).
A escolha aqui pedida faz-nos compreender, de modo insistente, o significado existencial da nossa opção de vida. Ao mesmo tempo a imagem da videira é um sinal de esperança e confiança. Ao encarnar-Se, o próprio Cristo veio a este mundo para ser o nosso fundamento. Em cada necessidade e aridez, Ele é a fonte que dá a água da vida que nos sacia e fortalece. Ele mesmo carrega sobre Si todo o pecado, medo e sofrimento e, por fim, nos purifica e transforma misteriosamente em vinho bom. Em tais momentos de necessidade, às vezes sentimo-nos como que sob uma prensa, à semelhança dos cachos de uva que são completamente esmagados. Mas sabemos que, unidos a Cristo, nos tornamos vinho generoso. Deus sabe transformar em amor mesmo as coisas pesadas e acabrunhadoras da nossa vida. Importante é «permanecermos» na videira, em Cristo.

Neste breve trecho, o evangelista usa uma dúzia de vezes a palavra «permanecer». Este «permanecer-em-Cristo» caracteriza o discurso inteiro. No nosso tempo de inquietação e indiferença, em que tanta gente perde a orientação e o apoio; em que a fidelidade do amor no matrimónio e na amizade se tornou tão frágil e de breve duração; em que nos apetece gritar, em nossa necessidade, como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica connosco, porque anoitece (cf. Lc 24, 29), sim, é escuro ao nosso redor!»; aqui o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria.

Permanecer em Cristo significa, como já vimos, permanecer na Igreja. A comunidade inteira dos crentes está firmemente unida em Cristo, a videira. Em Cristo, todos nós estamos conjuntamente unidos. Nesta comunidade, Ele sustenta-nos e, ao mesmo tempo, todos os membros se sustentam uns aos outros. Juntos resistem às tempestades e oferecem protecção uns aos outros. Não cremos sozinhos, mas cremos com toda a Igreja.

Como anunciadora da Palavra de Deus e dispensadora dos sacramentos, a Igreja une-nos com Cristo, a videira verdadeira. A Igreja, como «a plenitude e o completamento do Redentor» [Pio XII, Mystici corporis, AAS 35 (1943), p. 230: «plenitudo et complementum Redemptoris»], é para nós penhor da vida divina e medianeira dos frutos de que fala a parábola da videira. A Igreja é o dom mais belo de Deus. Por isso, diz Santo Agostinho, «cada um possui o Espírito Santo na medida em que ama a Igreja de Cristo» (In Ioan. Ev. tract. 32, 8: PL 35, 1646). Com a Igreja e na Igreja, podemos anunciar a todos os homens que Cristo é a fonte da vida, que Ele está presente, que é a realidade grande por que anelamos. Dá-Se a Si mesmo. Quem crê em Cristo, tem um futuro. Porque Deus não quer aquilo que é árido, morto, artificial, e que no fim é deitado fora, mas quer as coisas fecundas e vivas, a vida em abundância.

Amados irmãos e irmãs! Desejo a todos vós que possais descobrir cada vez mais profundamente a alegria de estar unidos com Cristo na Igreja, que possais encontrar nas vossas necessidades conforto e redenção e que vos torneis cada vez mais o delicioso vinho da alegria e do amor de Cristo para este mundo. Amen.
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