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sábado, 24 de janeiro de 2015

Nossa Senhora do Bom Sucesso: PROFECIAS e esperanças para nossos dias

Nossa Senhora do Bom Sucesso: PROFECIAS e esperanças para nossos dias (Parte I)

A Imagem miraculosa de Nossa Senhora do Bom Sucesso
Plinio Maria Solimeo
No final do séc. XVI e no séc. XVII, Nossa Senhora previu, mediante uma série de aparições e revelações ocorridas no Equador, catástrofes espirituais e materiais para o nosso século XX, que chega ao seu fim…
Francisco del Castilho estava atônito. Viera dar a última demão à imagem que esculpira e não só a encontrara terminada, mas transformada até nos entalhes.
“Madres! esta imagem não é obra minha, mas angélica”, exclamou tomado de temor reverencial.Madre Mariana de Jesus Torres e suas monjas sabiam que isto era verdade.
A imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que o hábil escultor iniciara, fora milagrosamente terminada por Anjos que entoavam o hino Salve Sancta Parens, ouvido por toda a Comunidade…
Não era a primeira vez que Mariana de Jesus Torres y Berriochoa, uma das sete espanholas fundadoras do Monastério Real de la Limpia Concepción, em Quito, deparava-se com um fato
dessa natureza.
Sua vida, desde os 13 anos de idade, não tinha sido senão um contacto contínuo com o sobrenatural. As aparições de Nosso Senhor, de Sua Santa Mãe, de Santos e de demônios, eram-lhe freqüentes. A essa filha de Santa Beatriz Silva foi desvendado o futuro como a poucos.
E as revelações que lhe foram feitas, sobretudo as concernentes aos nossos dias, impressionam pela precisão, riqueza de detalhes e semelhança com as
de Fátima.
“Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha do Céu e da Terra”
Foi a 2 de fevereiro de 1594 que a Santíssima Virgem apareceu pela primeira vez à então Priora das Concepcionistas na capital equatoriana. Comemora-se, pois, a 2 de fevereiro a festa litúrgica dessa admirável invocação mariana.
Madre Mariana, com a fronte em terra, com lágrimas e suspiros, suplicava à Divina Majestade remédio para os muitos males que afligiam aquela colônia e seu convento.
Ouviu então uma voz celestial que a chamava pelo nome. Viu à sua frente Nossa Senhora refulgindo em meio a imensa claridade. Trazia o Menino Jesus no braço esquerdo, e um báculo de ouro na
mão direita.
-”Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha dos Céus e da Terra”, declarou-lhe a Mãe de Deus. “Tuas orações, lágrimas e penitências são muito agradáveis a nosso Pai celestial. Quero que fortaleças teu coração e que o sofrimento não te abata.
Tua vida será longa para glória de Deus e de sua Mãe, que te fala. Meu Filho Santíssimo te presenteia com a dor em todas as suas formas. E, para infundir-te o valor que necessitas, toma-O de meus braços nos teus”.
Ao tomar o Menino Jesus nos braços, sentiu um desejo maior de sofrer e de se consumir como vítima para aplacar a Justiça Divina, se possível, até o fim do mundo.
Na seguinte aparição, em 16 de janeiro de 1599, Nossa Senhora deu-lhe conhecimento de vários fatos futuros. E declarou a Madre Mariana de Jesus:
“É vontade de meu Filho Santíssimo que tu mandes executar uma estátua minha tal qual me vês, e a coloques sobre a cátedra da Priora para que daí governe meu Mosteiro.
Que os mortais entendam que Eu sou poderosa para aplacar a Justiça Divina e alcançar piedade e perdão a toda alma pecadora que a mim recorra com coração contrito. Porque eu sou a Mãe de Misericórdia, e em mim não há senão bondade e amor”.
Durante os anos seguintes, Madre Mariana sofreu um terrível calvário e foi só a 5 de fevereiro de 1610 que o escultor foi chamado.
Francisco del Castilho, espanhol de nobre linhagem, vivia santamente em Quito com a esposa e três filhos. Recebeu a encomenda como uma graça do Céu. E a 9 de janeiro seguinte declarou que a imagem estava praticamente pronta.
Faltava a última demão de pintura. Ele iria procurar as melhores tintas existentes na Colônia, e voltaria no dia 16 para concluir o trabalho.
São Francisco e os três Arcanjos refazem a Imagem inacabada
Na madrugada desse dia, quando as religiosas se dirigiram ao Coro para rezar o Ofício, encontraram-no todo iluminado por luz sobrenatural, e ouviram vozes angélicas que cantavam o “Salve
Sancta Parens”.
Da Imagem inacabada saíam raios vivíssimos. A pintura-base aplicada por Del Castilho caía ao solo junto com aparas de madeira, os traços da Imagem tornavam-se mais suaves e sua fisionomia
mais celeste.
Mas somente Madre Mariana via que, como pedira, São Francisco e os três Arcanjos refaziam a Imagem.
Francisco del Castilho não se limitou a dizer que a Imagem não era obra sua, mas de Anjos. Lavrou um documento no qual repetia tal afirmação sob juramento, declarando ainda que a encontrara terminada de maneira diferente da que deixara. Entregou o documento às religiosas para perpetuar a prova do milagre (1).
Nossa Senhora do Bom Sucesso profetiza sobre os séculos XIX
e XX
Madre Mariana contou pessoalmente os detalhes do ocorrido ao Bispo de Quito. E acrescentou algo que nos diz muito respeito: o sucedido, bem como sua vida, só seriam revelados no século XX, por causa da “muita decadência da fé” (II, 41) e do papel que deveria ter então essa invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
- “É vontade de Deus reservar esta invocação e tua vida”, dissera-lhe Nossa Senhora em outra ocasião, “para aquele século, quando a corrupção de costumes será quase geral e a luz preciosa da Fé estará quase extinta” (II, 193) (2).
E, em uma aparição de Nossa Senhora a 8 de dezembro de 1634, a Rainha do Céu e da Terra assim profetizou a Madre Mariana:
“O meu culto sob a consoladora invocação do Bom Sucesso… será a sustentação e salvaguarda da Fé na quase total corrupção do século XX” (II, 190).
(Continua…)
*  *  *
Notas:
1) Este documento e outros de altíssimo valor – como a biografia das santas Fundadoras do Mosteiro Real da Limpa Concepção, de Quito, que constituem o chamado Cuadernón, e a autobiografia de Madre Mariana de Jesus – foram guardados em orifício de uma das paredes do mencionado convento durante a guerra da Independência, e que ninguém mais soube identificar.
A santa Abadessa revelou às suas filhas o futuro desaparecimento desse tesouro, e que somente com muita oração e sacrifício poderiam as monjas posteriores obter de Deus a graça de reencontrá-lo, o que até hoje não se deu.
2) O presente artigo baseou-se na obra Vida Admirable de la Rda. Madre Mariana de Jesús Torres, española y una de las fundadoras del Monasterio real de La Limpia Concepción en la Ciudad de Quito, escrita em torno de 1790 por Frei Manuel Sousa Pereira, O.F.M., em dois tomos.
Este autor era português, militar, de família ilustre por seu sangue e por sua posição sócio-econômica. Deveu sua conversão à leitura de uma vida de Madre Mariana de Jesus. Entrou para a Ordem dos franciscanos em sua terra natal.
Foi ordenado sacerdote na Espanha, em 1777. Pouco tempo depois, foi mandado para Quito, onde tornou-se confessor de diversas concepcionistas.
Ele, por sua vez, para escrever essa biografia, teve em suas mãos o Cuadernón, ainda não desaparecido, e muitos outros documentos fidedignos. Nas citações, o número romano refere-se ao Tomo, e o arábico, à página.
Retirado do site: www.adf.org.br/