Don Divo Barsotti

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Cartuxos despedem-se de Évora e convento é ocupado por congregação feminina



O Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, “lugar icónico” da cidade de Évora, era o único mosteiro contemplativo masculino de Portugal.


Convento da Cartuxa
Foto
A despedida dos cartuxos começou no domingo, dia em que se celebrou o seu fundador, S. Bruno. A clausura foi aberta a todos os fiéis RUI GAUDÊNCIO

Os quatro monges cartuxos que viviam num mosteiro em Évora e que vão mudar-se para Espanha despediram-se hoje da comunidade, com abertura de clausura, passando o espaço religioso a ser ocupado por uma congregação feminina.
Convento da Cartuxa Scala Coeli (Escada do Céu), situado na periferia da cidade alentejana, vai ser ocupado por monjas do Instituto das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, segundo anunciou hoje o arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho.


Estas monjas, ligadas à Família Religiosa do Verbo Encarnado, “vão vir para a nossa Cartuxa” e “vão ficar connosco a dar vida a esta comunidade”, afirmou o prelado alentejano, em declarações divulgadas pela arquidiocese.


“Fiquei muito contente, porque aguardava a palavra da Santa Sé”, que foi a “de aceitar a minha decisão sem pôr qualquer obstáculo a que transformássemos a Cartuxa numa comunidade monástica feminina”, congratulou-se.
Indicando ser um “número interessante” de monjas que vai ocupar o Convento da Cartuxa, o arcebispo salientou, contudo, que, neste momento, não sabe o número exacto, mas, pela informação que dispõe, “nunca serão menos do que sete”.
Quanto à despedida dos cartuxos, o programa arrancou no domingo, dia em que se celebrou a solenidade do seu fundador, S. Bruno, terminando hoje na igreja renascentista do Mosteiro da Cartuxa Scala Coeli com a clausura aberta a todos os fiéis.


Os quatro monges da Cartuxa de Évora, dois octogenários e dois nonagenários, vão mudar-se para outro mosteiro, em Barcelona (Espanha), devido à sua idade e à falta de vocações.
Senra Coelho indicou que a congregação feminina que vai ocupar o mosteiro foi fundada em 1988 e que a sua casa geral permanece na Via Della Pisana 332, em Roma, Itália, sendo constituída por “1350 [monjas], espalhadas pelo mundo, com vocação missionária”.
Segundo o arcebispo, será necessário realizar obras no edifício religioso, nomeadamente “rever as celas e cuidar de alguns pormenores”, pois “a Cartuxa é marcadamente masculina e, agora, vai passar a ser para senhoras”.
Está prevista a criação de uma hospedaria para pessoas “passarem dias com elas, rezarem, fazerem silêncio, fazerem a experiência da peregrinação interior, tentar descobrir a beleza do amor de Deus, de fazerem, assim, também, vida monástica por alguns dias”, adiantou.