Don Divo Barsotti

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domingo, 27 de setembro de 2009

BentoXVI:O homem tem necessidade de ser libertado das opressões materiais, mas deve ser salvo, e mais profundamente, dos males que afligem o espírito.


Trechos da Homilia da Santa Missa pronunciada hoje pelo Santo Padre em Brno

A experiência da história mostra a que absurdos chega o homem quando exclui Deus do horizonte de suas escolhas e de suas ações, e como não é fácil construir uma sociedade inspirada nos valores do bem, da justiça e da fraternidade, porque o ser humano é livre e a sua liberdade permanece frágil. A liberdade deve ser então constantemente reconquistada para a causa o bem e a busca árdua dos “retos ordenamentos das coisas humanas” é uma missão que pertence a todas as gerações. Eis porque, caros amigos, estamos aqui antes de tudo em atitude de escuta, à escuta de uma palavra que nos indique a estrada que conduz à esperança; mais, estamos à escuta da única Palavra que nos pode dar uma esperança sólida, porque é Palavra de Deus.

E este é o anúncio de salvação, antigo e sempre novo, que a Igreja proclama de geração em geração: Cristo crucificado e ressuscitado, Esperança da humanidade!

O vosso País, como outras nações, está vivendo uma condição cultural que frequentemente representa um desafio radical para a fé e, portanto, também para a esperança. Com efeito, tanto a fé quanto a esperança, na época moderna, sofreram um “deslocamento”, porque foram relegadas ao plano privado e ultraterreno, enquanto na vida concreta e pública afirma-se a confiança no progresso científico e econômico (cf. Spe salvi, 17). Sabemos todos que este progresso é ambíguo: abre possibilidades de bem junto com perspectivas negativas. Os desenvolvimentos técnicos e o melhoramento das estruturas sociais são importantes e certamente necessários, mas não bastam para garantir o bem-estar moral da sociedade (cf. ibid., 24).

O homem tem necessidade de ser libertado das opressões materiais, mas deve ser salvo, e mais profundamente, dos males que afligem o espírito. E quem pode salvá-lo senão Deus, que é Amor e revelou seu rosto de Pai onipotente e misericordioso em Jesus Cristo? A nossa firme esperança é, pois Cristo: n’Ele, Deus nos amou até o fim e nos deu a vida em abundância (cf. Jo 10,10), aquela vida que cada pessoa, ainda que inconscientemente, deseja possuir.

E exatamente na sociedade atual, onde tantas formas de pobreza nascem do isolamento, de não sermos amados, da rejeição a Deus e de um fechamento original trágico do homem que pensa poder bastar-se a si mesmo, ou então por pensar ser um fato insignificante e passageiro; neste nosso mundo que é alienado “quando se confia a projetos somente humanos” (cf. Caritas in veritate, 53), somente Cristo pode ser nossa esperança segura. Este é o anúncio que nós cristãos somos chamados a difundir todos os dias, com o nosso testemunho.

Fonte: Santa Sé

Tradução:OBLATVS