Don Divo Barsotti

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Monsignor Perl Ex-secretário da Comissão 'Ecclesia Dei' entrevistado por Bruno Volpe acerca duma clarificação do Motu Próprio:


“É verdade, estamos redigindo um documento-instrução sobre a justa interpretação do Motu Próprio Summorum Pontificum que liberalizou a Missa segundo os livros litúrgicos de S.Pio V assim como foram modificados pelo Beato João XXIII. Embora não sejamos uma Congregação , recebemos a faculdade de preparar esta nota para a defenição de alguns aspectos do Motu Próprio papal, como por exemplo aquele de grupo estável. Devemos, isto é, esclarecer coisa se entende por grupo estável, ou seja quantas pessoas precisamente devem pedir ao próprio Pároco para celebrar com o rito pré-conciliar.”

-Monsignor Perl, a instrução deve-se às várias contestações levantadas por bispos e sacerdotes contrários às novas normas sobre o acesso à Missa com rito tridentino?

“A situação está sob o olhar de todos. Era de esperar que depois do Motu Próprio do Papa houvesse reacções contrastantes. Alguns manifestaram entusiasmo., outros não. Bastaria considerar que o Motu Próprio não caiu do céu, mas é fruto de um longo caminho”.

-Então porque é que alguns bispos e muitos sacerdotes não o aceitam?

“Seria necesario preguntar-lho a eles.Pessoalmente, creio que o problema seja de orden peral:Hoje, em todos os campos da sociedade, perdeu-se o sentido da obediença e do respeito da autoridade. È como dizer que poucos são na verdade capazes de obedecer.”

Não obstante o rito tridentino de S.Pio V , caracterizado da beleza litúrgica e espiritualidade, nunca foi abolido da Igreja..

“Absolutamente não, o Concílio Vaticano II nunca cancelou o missal anterior. Considero que o Papa Bento XVI tenha feito bem em liberalizá-lo, valorizando assim um património e uma jóia da Igreja.Não quero fazer uma comparação entre a Missa do Papa Paulo VI e a missa anterior, não seria justo.Mas não é historicamente sensato querer cancelar o valor da tradição”.

-E entretanto os abusos litúrgicos, defenidos “no limite do suportável” pelo pr´prio Bento XVI no Motu Próprio “Summorum Pontificum”, são cada vez maiores…

“Não me fale disso.E ninguém consegue eleminá-los, precisamente porque, como lhe disse, não existe o sentido do respeito da autoridade. A liturgia não se pode impor, mas parece-me justo afirmar que depois do Concílio Vaticano II, e com isto não quero emitir nenhuma sentença de condenação, A Missa transformou-se algumas vezes em qualquer coisa de emocional , e assim foi posto de parte o seu real valor de sacrifício e de dom. Pensou-se que o novo fosse melhor, que o novo seja sempre melhor. Sucede também assim na vida de todos os dias, os sapatos novos são considerados melhores que os velhos…”