Don Divo Barsotti

Arquivo do blog

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reforma da reforma de Bento XVI


Homilia do Papa na visita pastoral a Viterbo

Estimados irmãos e irmãs, cada assembleia litúrgica é espaço da presença de Deus. Reunidos para a Sagrada Eucaristia, os discípulos do Senhor proclamam que Ele ressuscitou, está vivo e é doador de vida, e testemunham que a sua presença é graça, tarefa e alegria. Abramos o coração à sua palavra e acolhamos o dom da sua presença!

Pope Benedict XVI, right, seen, during the weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican, Wednesday, Sept. 23, 2009. Na primeira leitura deste domingo, o profeta Isaías (cf. 35, 4-7) encoraja os "que têm o coração pusilâmine" e anuncia esta novidade maravilhosa, que a experiência confirma: quando o Senhor está presente, abrem-se os olhos do cego, desimpedem-se os ouvidos do surdo e o coxo "salta" como um cervo. Tudo renasce e tudo revive, porque águas benéficas irrigam o deserto.

Pope Benedict XVI gestures during his weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican on September 23, 2009.Na sua linguagem simbólica, o "deserto" pode evocar os acontecimentos dramáticos, as situações difíceis e a solidão que muitas vezes marcam a vida; o deserto mais profundo é o coração humano, quando perde a capacidade de ouvir, de falar, de comunicar com Deus e com o próximo. Então, o tornamo-nos cegos porque somos incapazes de ver a realidade; fecham-se os ouvidos para não ouvir o brado de quem implora ajuda; empedernece-se o coração na indiferença e no egoísmo. Mas agora —anuncia o Profeta — tudo está destinado a mudar; a "terra árida" será irrigada por uma nova linfa divina. E quando o Senhor vem, aos que têm o coração pusilâmine, em todas as épocas, diz com autoridade: "Ânimo, não temais!" (v. 4).

Pope Benedict XVI followed by prelates arrives for his weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican on September 23, 2009.Insere-se aqui perfeitamente o episódio evangélico, narrado por São Marcos (cf. 7, 31-37): em terra pagã, Jesus cura um surdo-mudo. Primeiro, recebe-o e comunica-se com ele mediante a linguagem dos gestos, mais imediata que as palavras; e depois, com uma expressão em língua aramaica, diz-lhe: "Effathá", que quer dizer "abre-te", restituindo àquele homem a capacidade de ouvir e de falar. Estupefacta, a multidão exclama: "Fez tudo admiravelmente!" (v. 37). Podemos ver neste "sinal" o desejo ardente de Jesus, de vencer no homem a solidão e a incomunicabilidade criadas pelo egoísmo, para dar rosto a uma "nova humanidade", a humanidade da escuta e da palavra, do diálogo, da comunicação e da comunhão com Deus.

Pope Benedict XVI gestures during his weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican on September 23, 2009.Cristo que no Evangelho vemos abrir os ouvidos e desatar o nó da língua ao surdo-mudo, descerre o teu coração e te dê sempre a alegria da escuta da sua palavra, a coragem do anúncio do seu Evangelho, a capacidade de falar de Deus e de falar assim com os irmãos e as irmãs, e finalmente a coragem da descoberta do Rosto de Deus e da sua Beleza! Mas para que isto possa acontecer — recorda São Boaventura de Bagnoregio, aonde irei esta tarde — a mente deve "ir além de tudo com a contemplação e ir além não só do mundo sensível, mas inclusive além de si mesma" (Itinerarium mentis in Deum, VII, 1). Este é o itinerário de salvação, iluminado pela luz da Palavra de Deus e alimentado pelos sacramentos, que irmana todos os cristãos.

Pope Benedict XVI arrives for his weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican on September 23, 2009.Como Jesus fez com o surdo-mudo, do mesmo modo Deus continua a revelar-nos o seu projecto mediante "eventos e palavras". Portanto, ouvir a sua palavra e discernir os seus sinais deve ser o compromisso de cada cristão e de cada comunidade. O sinal mais imediato de Deus é certamente a atenção ao próximo, segundo quanto Jesus disse: "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 40).

Pope Benedict XVI (R) blesses the faithful during his weekly general audience in the Paul VI hall at the Vatican on September 16, 2009.Além disso, como afirma o Concílio Vaticano II, o cristão é chamado a ser "diante do mundo uma testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo" (Lumen gentium, 38). Deve sê-lo em primeiro lugar o sacerdote, que Cristo escolheu inteiramente para si. Durante este Ano sacerdotal, rezai com maior intensidade pelos presbíteros, pelos seminaristas e pelas vocações, para que sejam fiéis a esta sua vocação! Sinal de Deus vivo deve sê-lo, outrossim, cada pessoa consagrada e cada baptizado.