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domingo, 7 de março de 2010

A PAIXÃO DE JESUS: Beata Alexandrina de Balasar




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A PAIXÃO DE JESUS


EM ALEXANDRINA DE BALASAR


UMA MÍSTICA DO NOSSO TEMPO


(Escritos da Venerável Alexandrina
Ordenados por: Pe. Humberto M. Pasquale)



Ao Leitor

Com o voto de que, lendo e meditando,
suba tão alto, que Jesus lhe possa dizer:

«Eu vivo com todo o Amor,
porque com todo o Amor
por ti sou amado.
Amas-Me quando choras,
quando sorris;
Amas-Me na dor e na alegria;
Amas-Me no silêncio, ou falando:
Amas-Me em tudo».

(Diário da Alexandrina,
21-03-1947)


* * * * *


O Tribunal Eclesiástico
da Arquidiocese de Braga
iniciou o Processo ordinário,
sobre as virtudes e a fama de santidade
da Serva de Deus Alexandrina Maria da Costa,
em 14 de Janeiro de 1967.

Depois de terem sido interrogadas 48 testemunhas
e recolhidos os escritos da Serva de Deus,
o Processo foi encerrado com êxito,
no dia 10 de Abril de 1973.

Em Maio seguinte,
toda a documentação foi remetida à
Sagrada Congregação
para as Causas dos Santos.

Em Dezembro de 1975,
os dois Teólogos,
encarregados de examinarem
os escritos da Serva de Deus,
emitiram um parecer positivo,
confirmado em 2 de Junho de 1979
pela referida Sagrada Congregação.



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A P R E S E N T A Ç Ã O


A vocação do Cristão é participar na Paixão de Cristo...
O convite que Jesus dirige ao homem, para que se torne Seu discípulo, implica a "participação e conformação com a Sua Paixão" (Mt 10, 16), a fim de estabelecer uma relação de "semelhança entre o Mestre e o discípulo" (Mt 10, 24).

A inserção n'Ele como "sarmentos na videira" (Jo 15,4), bem como a necessidade de permanecer no Seu Amor, significam que se deve observar a Sua Palavra, tal como para Ele permanecer na Palavra do Pai quer dizer realizar essa mesma Palavra; isto é, a Vontade Divina que Lhe impõe "oferecer a Sua própria Vida pelo rebanho" (Jo 10, 17).
Segundo o ensinamento de Cristo, portanto, verdadeiro discípulo é aquele que revive em si o mistério da Morte de Jesus; ou antes, aquele que recebe Cristo em si mesmo para reviver a Sua Paixão.

Foi assim que o apóstolo Paulo compreendeu e viveu o Mistério de Cristo. O Evangelho está todo aqui. «Nós pregamos a Cristo Crucificado» (1 Cor 1, 23).
A vida de S. Paulo é toda ela uma reprodução viva da existência terrena de Cristo.

«Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo» (Gal 6, 14).
«Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo» (2 Cor 4, 10).

E o mesmo Apóstolo sente-se cravado na cruz: «Estou crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na Fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal 2, 19).
Na sua ânsia de perfeição, S. Paulo só deseja conhecer a força da Paixão do Senhor, como também da Sua Ressurreição, e permanecer configurado com a Sua Morte
(Fil 3, 8-11).

«Pelo Baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a Glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rom 6, 4); isto é: «Tornamo-nos com Ele num mesmo Ser por uma morte semelhante à Sua» (Rom 6, 5).

Na Vida Cristã, portanto, quando ela atingir todo o vigor da sua floração, haverá forçosamente que se manifestar também essa assimilação com a Paixão de Cristo, com a mesma evidência com que se manifesta a Vida da Graça, ou seja a presença de Cristo na Alma.

Por isso, se essa plenitude é portadora de experiência em razão de uma certa conaturalidade, também Cristo Crucificado será a grande realidade da experiência cristã.
O próprio Jesus falou da presença do Seu Espírito, quando os discípulos forem chamados a dar-Lhe testemunho pela paixão e pela morte. (Mt 10, 20)

A palavra de Jesus é confirmada por toda Tradição Cristã.
S. Inácio de Antioquia escreve: «Pela cruz, na Sua Paixão, Cristo vos convida a todos vós, Seus membros. A cabeça não pode viver separada dos membros» (Trall. 11, 2).

A Hagiografia Cristã é rica de Testemunhas da Presença de Cristo na Vida dos Fiéis, sobretudo como Triunfador do Sofrimento e da Morte.

Na longa lista dos Místicos Cristãos, não são poucos os que reviveram de forma eminentemente realística o drama da Paixão de Cristo no seu espírito.
E é graças à sua experiência da presença de Deus e da Sua acção nas Almas místicas, que a Teologia conhece as relações íntimas entre as Pessoas Divinas da Trindade e a Sua acção nas Almas.

O fenómeno da Paixão de Jesus na Alexandrina verificou-se durante 17 anos: de 1938 a 1955, ano da sua morte.
Neste longo período de tempo, é necessário distinguir duas fases, durante as quais o fenómeno manifestou-se com características diferentes.

Classificaremos, respectivamente, de “Participação física” e de “Participação interior”, estas duas formas, ou maneiras, de o fenómeno manifestar-se, para facilidade de denominação.
Frisamos, no entanto, que a Paixão é substancialmente única, pois abrange ao mesmo tempo sofrimentos do corpo e da alma, físicos, morais e espirituais, inseparáveis.






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1.º – Participação Física

Na primeira fase, período de 3 de Outubro de 1938 a 27 de Março de 1942, o fenómeno dava-se em dias e horas fixas: das 12 às 15 horas de cada sexta-feira.
A Alexandrina revivia, umas atrás das outras, as várias fases da Paixão, desde a Agonia no Horto até à Morte na Cruz, em estado de êxtase.

Os seus sentimentos e as suas reacções às dores exteriorizavam-se através de atitudes, gestos, expressões do rosto e do corpo todo, facilmente interpretáveis por quem podia assistir ao fenómeno.

O seu primeiro Director espiritual, Pe. Mariano Pinho, S. J., deixou escrito a esse respeito:
«Nós presenciámos ao vivo o desenrolar do drama da Paixão, embora não fossem visíveis os estigmas, porque a Alexandrina pedira ao Senhor que nada aparecesse exteriormente».
«A Paixão foi violentíssima e as pessoas presentes choravam e soluçavam perante aquele espectáculo visibilíssimo de sofrimento»
(Cf. "Cristo Gesù in Alexandrina", pág. 730).

Monsenhor Mendes do Carmo, professor de Mística no Seminário da Guarda, afirmou:
«É um Anjo crucificado!».
A professora primária de Balasar, D. Maria da Conceição (Sãozinha), e outras pessoas, testemunharam:
«Sentíamo-nos transportados em espírito aos vários sítios da Paixão de Jesus. Ninguém conseguia acompanhar aquelas cenas sem comover-se profundamente».

A irmã da Alexandrina, Deolinda, numa carta dirigida ao Pe. Mariano Pinho, refere-se assim ao fenómeno da Paixão de 7-4-1939:

«Ai, meu Padre, o que foi o dia de Sexta-feira Santa! É bem Sexta-feira de Paixão! Antes de principiar, oh, como se via nela uma cara de aflição!
Ela temia passar esse dia! E dizia-me: "Ai, se eu vejo este dia passado!...
Eu confortava-a quanto podia e acariciava-a, apesar de estar eu também cheia de medo e muito aflita.
Durante a Paixão, eu não podia passar sem chorar, e vi correr lágrimas pelas faces de quase todos os assistentes. Que espectáculo tão comovedor!
A Agonia do Horto foi muito demorada e aflitiva... Ouviam-se gemidos muito profundos e por vezes via-se soluçar.

«Mas a Flagelação e a Coroação de espinhos, isso é que foi!
Os açoites foram recebido de joelhos, com as mãos (como que) atadas.
Eu cheguei-lhe uma almofada para baixo dos joelhos, mas ela afastou-a, não a querendo. Tinha os joelhos em mísero estado.
Os açoites não tinham conta! Duraram tanto tempo, e ela desfalecia tanto!
Os golpes na cabeça (com a cana na coroa de espinhos) foram também inumeráveis!
Vomitou por duas vezes durante a Paixão: Era água, porque mais nada tinha que vomitar.

«O suor era tanto, que os cabelos estavam empastados e, ao passar-lhe a mão por cima de toda a roupa, ficava molhada.
Quando acabou a Coroação de espinhos, ela parecia um perfeito cadáver!
O Sr. Cónego Borlido veio assistir com mais duas pessoas. Também veio o Dr. Almiro de Vasconcelos (de Penafiel) com a esposa e a irmã, D. Judite».

A propósito do peso da Cruz, que oprimia os ombros da Alexandrina durante a fase da subida ao Calvário, referimos o seguinte episódio:
No decorrer da Paixão do dia 29-8-1941, o Médico assistente da Alexandrina, Dr. Manuel Dias de Azevedo, convidou um dos Sacerdotes presentes a levantar do chão a Vidente, que jazia prostrada sob o peso da Cruz (mística).
Prontificou-se o Sacerdote mais robusto; pegou-lhe sob os braços, mas os seus esforços foram baldados, e logo confessou:
«Apesar de toda a minha força, não consigo!».
Nessa altura, a Alexandrina pesava cerca de 40 quilos!

Na fase a seguir, quando o Cireneu carregou com a Cruz, o Dr. Manuel Azevedo convidou o mesmo Sacerdote a erguer a Alexandrina, o que ele fez sem o menor esforço.
A explicação é óbvia: Antes, os pesos eram dois (Alexandrina e a Cruz de Jesus); da segunda vez, tratava-se apenas do peso da Vidente.
Noutra ocasião, durante o fenómeno em estado de êxtase, o Pe. Mariano Pinho impusera-lhe que dissesse quanto pesava a Cruz. E Alexandrina respondeu, em atitude muito grave:
«A minha Cruz tem um peso mundial!»





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2.º – Participação Interior

Na 2.ª fase, desde 3 de Abril de 1942 até à morte, a Alexandrina revivia a Paixão fora do êxtase, e não mais em dias fixos.
Sofria no seu íntimo sem que nada transparecesse exteriormente, antes ocultava por vezes o drama profundo que nela estava a desenrolar-se com um doce sorriso.

A 19 de Junho de 1946, dizia ela ao seu segundo Director espiritual:
«Outrora estes sentimentos e sofrimentos padecia-os especialmente durante as três horas de sexta-feira, das 12 às 15; as dores da Paixão sucediam-se por ordem; agora, não; o pavor por estas dores dura quase sempre: às terças, às quartas, às quintas, ou às sextas-feiras, em horas distintas, sofro ora este, ora aquele tormento da Paixão».

Jesus, durante a Paixão, sofreu os tormentos que Lhe foram infligidos pelos homens, juntamente com os que Ele próprio infligiu-Se, na medida em que apropriou-Se voluntariamente dos pecados do mundo
(1 Pe 2, 24; Is 53, 4).

Entregue à Justiça Divina, ficou totalmente só, não apenas a sofrer a Sua Agonia, mas também a ter conhecimento dela.
O mesmo deu-se com a Alexandrina...

O Pe. Corne, não define Jesus como:
«O pecador universal, o pecador de todos os tempos e de todos os lugares, sobre quem Deus descarrega todo o rigor da Sua Justiça»?
E o Pe. Monsabré:
«O encontro de todos os ultrajes e de todas as chagas».
Monsenhor Gay, por seu lado, escreve:
«Jesus, bênção vivente e infinita, tendo-se feito pecador por todos, deve na verdade ser amaldiçoado em benefício de todos».

A morte física é assim a consequência daquela morte espiritual, sendo esta a separação do homem em relação a Deus.
Segundo Cullmann, "seria esta morte – figadal inimiga de Deus – a causa da angústia que Jesus sofreu no Horto das Oliveiras, mais ainda do que a Crucificação e as circunstâncias que a acompanharam"...
Não, Ele não pode vencer a morte senão morrendo de verdade, sujeitando-se ao próprio domínio da morte, a grande destruidora da Vida, da união com Deus.

Granfield comenta o grito de Jesus Crucificado: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?», nos seguintes termos:
"O peso dos pecados do mundo e a identificação completa de Jesus com os pecadores implicam um abandono não só sentido, mas real, por parte do Pai. Nesse grito de abandono revela-se o total horror pelo pecado do homem".

Só o Amor pode levar a desempenhar semelhante Missão.
O Cristo Sofredor não é apenas uma fulgurante manifestação da Misericórdia Divina; é também uma revelação não menos fulgurante da malícia do pecado e da espantosa catástrofe em que se precipitam os pecadores, precisamente porque afastam-se d’Aquele sem o Qual nada são, e que é a nascente única de toda a Vida e Felicidade.

Todas estas Verdades não vêm anunciadas explicitamente no Evangelho, mas são apresentadas por Mestres nas Ciências Teológicas, e, como experiência vivida, nas páginas do Diário da Alexandrina – a Mística, quase analfabeta segundo a cultura humana –, assim como por outras Almas místicas cristãs.

Justamente, dizia Jesus à Alexandrina: «A Crucificação que tu tens é das mais dolorosas que a história regista».
Ao meditá-la, logra-se verdadeiramente aprofundar o nosso conhecimento sobre o Amor de Cristo Sofredor e Redentor.

Dar-nos-emos conta também da acção desenvolvida na Redenção pela Mãe de Jesus e nossa Mãe, como também do valor salvífico do Sofrimento de toda e qualquer Alma que saiba aceitá-lo com Amor, unida a Jesus.





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3.º – Os Efeitos da Experiência dos Místicos

Uma garantia segura do autêntico carisma místico temo-la num vigoroso dinamismo eclesial e apostólico, em perfeita sintonia com o Magistério da Igreja.
A obediência perfeita e heróica à autoridade eclesiástica, praticada por Alexandrina, foi oficialmente reconhecida pelo Tribunal diocesano, que se ocupou do processo sobre as suas Virtudes excepcionais e aprovou, em primeira instância, os seus escritos.

Todos os escritos da Alexandrina já foram convalidados também pelo voto positivo dos peritos em dogma, moral e mística, das Congregações romanas.
Isto convida-nos a reflectir sobre os principais efeitos que derivam da experiência mística da Serva de Deus:

a) Um conhecimento fora do comum e não fácil acerca dos factos, sentimentos e circunstâncias da Paixão de Cristo, que não aparecem nos Evangelhos, ou neles são apenas abordados.
b) Um conhecimento particularmente profundo e intenso dos Sofrimentos íntimos e espirituais do Salvador, para além dos Seus sofrimentos físicos. Um verdadeiro contributo à compreensão da psicologia de Jesus.
c) A revelação do Amor inefável, misterioso e quase "absurdo" de Cristo pelo homem. Amor que, na Paixão e Morte de Jesus, encontra a sua mais alta expressão.

«Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13).
Obviamente, este é o aspecto mais impressionante, porque a Alma é conduzida para o abismo daquela Caridade de Cristo que, tal como S. Paulo, a Alexandrina sente aqui, de forma experimental, «como superior a qualquer conhecimento humano» (Ef 3, 19).
Nesta experiência da única oblação redentora de Cristo, realizada de uma vez para sempre (Ef 10, 10), a Alma mística sente mais do que nunca que a Paixão
«é a obra maior e mais maravilhosa do amor divino e que, ao mesmo tempo, é um mar de amor e de sofrimento».

S. João da Cruz, ao falar das grandes comunicações que o Senhor faz à Alma nos altos graus da experiência mística, afirma que «lhe comunica especialmente os doces mistérios da Sua Encarnação e as formas e caminhos da Redenção humana».
Noutro passo, diz que «a Alma reveste-se e transforma-se nos mesmos esplendores do Verbo Encarnado e participa das alegrias mais puras do espírito, ainda que este itinerário espiritual seja acompanhado pelo puro padecer».


Motivações e origem deste trabalho:

«O mundo não compreende o que Jesus sofreu» (Diário, 25-10-45).
«Quisera desenhar num quadro todos os Sofrimentos de Jesus que sinto na minha alma e poder gravá-los em todos os corações, a fim de que sintam e compreendam o que Jesus sofreu, e assim deixem de pecar, de ofendê-Lo, e só amem-No, para que somente o Amor Divino seja o fogo que alimenta os corações de toda a Humanidade» (Diário, 18-10-45).

Este desejo ardente da Alexandrina apoderou-se também de nós e sentimos a urgente necessidade de o satisfazer.
Particularmente próximos da Alexandrina (na qualidade de Director espiritual), sentimos também o dever de tornar conhecidos os tesouros de que o Senhor a enriqueceu, para bem das Almas.

No nosso volume "Cristo Gesù in Alexandrina", incluímos já a descrição de muitos momentos da Paixão, mas de forma tão fragmentária e desarticulada entre os vários trechos – visto termo-nos proposto elaborar uma autobiografia sumária –, que estes não reproduzem completamente o quadro desejado por Alexandrina.
Penetrando em profundidade na abundante mina de material precioso em nosso poder, recolhemos os passos mais significativos e ordenamo-los num todo, o mais orgânico que nos foi possível.





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Apesar disso, o quadro elaborado não consegue certamente oferecer uma visão completa, por dois principais motivos:

1.º – A experiência ensina como é difícil exprimir por palavras as emoções da Alma, sobretudo quando a linguagem humana deve traduzir realidades e operações Divinas.

Muitas vezes a Alexandrina manifesta o seu sofrimento ao ter que ditar, por obediência, o que se passa na sua Alma.
Aparecem com frequência, no seu Diário, frases como estas:
«Se a minha ignorância soubesse exprimir...»; «Soube sentir, mas não sei dizer...».

2.º – Devido à grande abundância de material.

Alexandrina reviveu a Paixão de Cristo, na segunda forma (desde 3 de Abril de 1942, até à morte), sofrendo semanalmente ora um aspecto, ora outro, do Martírio de Jesus.
Escolhemos os trechos mais significativos, para oferecer ao leitor um quadro sintético.

Confessamos que nos abalançámos a este não fácil trabalho, apesar das inevitáveis falhas, porque nos pesava que tão preciosas pérolas ficassem escondidas.
Que elas sejam, pois, bem aproveitadas! E que despertem uma sementeira de bem em muitas almas!

Com tais auspícios, dedicamos o nosso trabalho ao leitor, com um íntimo e caloroso voto de que, conhecendo mais, ele consiga amar melhor; e amando melhor, consiga conhecer cada vez mais profundamente a Cristo Jesus, para deixá-Lo viver e crescer em si o mais possível.


# A sua Estrutura:

O trabalho foi subdividido em "sete momentos". Cada um deles consta de vários "quadros", coordenados cronológica e psicologicamente, entre si.
Cada quadro é bastante completo em si mesmo e suficientemente avulso dos demais, de forma a poder constituir assunto independente de meditação. O conteúdo de cada quadro está enunciado no respectivo subtítulo que lhe juntámos.

Cada quadro compõe-se de diversos "fragmentos". Ao lado de cada um deles há um número, que aparece no fim do livro, juntamente com a data correspondente ao dia em que o trecho foi ditado.
Entre muitos fragmentos semelhantes, escolhemos só um: Aquele que nos pareceu mais expressivo e também mais apropriado ao contexto, e inserimo-lo ao lado dos demais, de maneira a constituir como que um grande mosaico.
Procurámos evitar repetições, e nesse intuito cada fragmento é reportado uma só vez.

Em contrapartida, o leitor deparará com repetições substanciais de conceitos, de sentimentos, de padecimentos, sob formas sempre diversas e com novos cambiantes.
Esta "repetição" deu-se na realidade. Por exemplo, alguns tormentos já são sentidos com antecipação na quinta-feira, depois também durante a Agonia no Horto, e por fim são vividos no cimo do Calvário.

Aparece também, com frequência, a dolorosa amargura provocada por ver que muitos, demasiados, não beneficiam do Sacrifício.
Volta, além disso, insistente, num crescendo contínuo, o motivo do entrelaçar-se da Dor com o Amor, da sua complementaridade, e o triunfo do Amor, custe o que custar.

São os temas fundamentais, essenciais do Cristianismo, nunca repetidos à saciedade, que põem em evidência uma introspecção singular do doloroso Calvário sofrido por Cristo, e revivido por Alexandrina.
É verdade que a conexão dos "fragmentos do mosaico" nem sempre é perfeita, mas optámos por este inconveniente, de preferência a introduzirmos frases não pertencentes ao texto de Alexandrina.

Agradecemos a alguns Amigos, muito queridos, a colaboração que nos prestaram.


Leumann (Turim), 2 de Fevereiro de 1977
Festa da Apresentação do Senhor

Padre Humberto Maria Pasquale,
(Salesiano)






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V/ – Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus,
R/ – Que pela Vossa Santa Cruz redimistes o Mundo!


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Fonte genérica:
Sítio Oficial da Beata Alexandrina de Balasar

fonte:Nova Evangelização Católica

A certeza da vitória e a reconstrução da Cristandade

André F. Falleiro Garcia

O perfil do guerreiro cristão abrange um conjunto de virtudes e dons naturais e sobrenaturais, propensões, estados de espírito e modos de ser, inclusive a destreza militar. Destaca-se nele a certeza da vitória da causa católica, como expressão emblemática de seu universo espiritual e comportamental, marcado pela prática das virtudes cristãs, notadamente da Esperança, Confiança, Fortaleza e Amor de Deus.

A arte da guerra sabe muito bem o quanto é importante a esperança da vitória para o bom sucesso nos combates. Ademais, até a História militar e religiosa brasileira registra fatos extraordinários, nos quais a intervenção celeste nos acontecimentos deu a vitória aos que, mesmo em menor número e com menos recursos materiais, combateram com Fé e extraordinária coragem.

A restauração da Civilização Cristã será feita com espírito de Cruzada, de Cavalaria, ou não promoverá — em sua totalidade e integridade — a autêntica Contra-Revolução. Não é possível conservar o gume desse espírito combativo sem avivar a certeza da vitória. Deus vult, Deus o quer! Sim, Deus, Senhor da História, quer ser vencedor e sabe que o será. Também quer atender à prece "...venha a nós o vosso reino", e à invocação que a Igreja repete sem cessar na Ladainha do Espírito Santo: "Enviai o vosso espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra".

É preciso que a convicção da vitória esteja solidamente estabelecida na alma do guerreiro que enfrenta o inimigo, sobretudo na guerra psicológica revolucionária em curso, em que há grande empenho em desanimar e inutilizar os que resistem na cidadela católica.

Para ser um bom combatente na guerra psicológica é necessário possuir espírito altamente contemplativo: a contemplação é a fixação amorosa da atenção sobre determinado ponto ou determinada verdade de ordem natural ou sobrenatural, como por exemplo, a restauração da Ordem cristã na sociedade brasileira. É a contemplação dessas verdades que dá a coragem para viver e prosseguir na defesa intransigente dos elevados ideais. É preciso haver uma visão clara das coisas sumas, amadas com destemor e com ênfase, na ventania e no frescor da aquiescência interior, para que de fato surja o heroísmo. Sobre as convicções e os ideais que povoam o firmamento interior do guerreiro sacral soprarão os ventos da epopéia que o estimularão para as maiores ousadias da história.

O contra-revolucionário católico possui um castelo de certezas interior, ele todo é um edifício de lógica e coerência, de senso metafísico, de amor de Deus. A certeza da vitória é uma das convicções-mestras dessa lógica interior e um dos supremos objetos da atenção dos guerreiros contemplativos que se empenham na Cruzada do Século XXI.

Em sua forma mais singela, a certeza da vitória resulta do processo psicológico de formação das certezas, devidamente fundadas em intuições e considerações razoáveis, que se estabelecem e consolidam no espírito. Sua modalidade mais robusta surge quando sobre o edifício das convicções pousa a graça sobrenatural, ampliando as potencialidades da inteligência e da vontade humana. Às considerações políticas, históricas e sociológicas, somam-se então razões da Filosofia da História e da Teologia da História, num encadeamento de raciocínios e de reflexões que causam desconcerto a muitos que com mérito lutam pela mesma causa conquanto por equívoco consideram-na destinada ao fracasso.

Mas toda essa construção de pensamento pode se verticalizar ainda mais: mediante certa conaturalidade no relacionamento da alma com Deus, começa a entender melhor as divinas razões e passa desse modo a inteligir não mais com seu próprio entendimento, mas com o divino entendimento. A conaturalidade com Deus lhe proporciona lucidez extraordinária para perceber que um dia Ele vencerá. Pois Deus, Senhor da História, pode ser vencedor, quer ser vencedor e sabe que vencerá. Através do mecanismo sobrenaturalizado da conaturalidade, a alma participa desse conhecimento e, com essa certeza assim adquirida, passa a esperar a vitória, cujo sabor previamente já degusta.

Neste elevado patamar, a certeza da vitória é um ato a um tempo natural e sobrenatural da inteligência e da vontade — como convicção pinacular e objeto supremo de contemplação —, que operam não mais de um modo humano, mas propriamente divino, sob regime especial de graças místicas e dons que intensificam no espírito do guerreiro sacral a disposição de dedicar-se por inteiro, e o predispõe para o heroísmo, inserindo-o na atmosfera de vitalidade, proeza e santidade da Cavalaria e das Cruzadas. Desse modo, os espíritos ilustrados de divina certeza e animados pela antevisão pulcra e amorosa da divina vitória ficam impregnados da ufania e do élan de uma nova Cavalaria marial, que lhes faz saborearem com antecipação o serem vencedores.

Mas Deus é transcendente em relação à Criação e não imanente. De fora da Criação, intervém no curso das coisas, servindo-se dos homens e dos anjos para realizar os seus desígnios. Tal é a envergadura do combate, que os esforços humanos são insuficientes. Para a reconstrução da Cristandade em nosso tempo, é preciso que a Jerusalém Celeste desça para a Terra, com São Miguel Arcanjo à frente chefiando as milícias celestes, orientando a destruição dos aparatos da Babilônia moderna. Batalha apocalíptica, sem dúvida, na qual os potentados terrenos se tornam pigmeus. Batalha também profética. O missionário francês São Luís Maria Grignion de Montfort foi o pregoeiro da restauração da Civilização Cristã e da instauração do Reino de Maria, conforme apresentou no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, em O Segredo de Maria, e na Oração Abrasada.

Os leitores de Sacralidade que queiram de algum modo se engajar nesse combate, além dos recursos sobrenaturais proporcionados pela Santa Igreja — como a assistência à Santa Missa, a recitação do santo rosário etc. — poderão empregar uma oração, para uso privado, composta por Plinio Corrêa de Oliveira. A referida oração, que a seguir apresentamos, está impregnada dessa inspiração profética montfortiana e da certeza da vitória do Imaculado Coração de Maria sobre a Revolução gnóstica e igualitária.

Vinde, Senhora, que é chegado o tempo!

Considerai o pecado de Revolução que enche a terra, encharca os subconscientes, deforma as consciências de tal maneira que se pode dizer que quase mais ninguém vos é inteiramente fiel. Ponde em nós uma recusa inflexível desse estado de abominação universal. Fazei cessar as concessões, em virtude das quais essa abominação penetrou em nossas almas.

Vinde para quebrar, arrancar, destruir, queimar. Vinde para que, de toda essa ignomínia, não reste pedra sobre pedra.

Vinde! Pelo mistério do Segredo de Maria, triunfai em minha alma e nas dos que escolhestes para serem executores de vossa cólera e pedras vivas de vosso Reino. Desdobrai sobre nós a irradiação das virtudes excelsas que recebeis da plenitude do próprio Deus.

Fazei de nós escravos e guerreiros de vosso Reino.

Cor Sapientiale et Immaculatum Mariae, opus tuum fac.

fonte: Contra Impugnantes.

MONS. FELLAY Y LA CRUZADA DE ROSARIOS

ENTREVISTA A MONSEÑOR BERNARD FELLAY

SOBRE LA CRUZADA DEL ROSARIO

El reportaje fue realizado por The Angelus, Revista del distrito de Estados Unidos de la Fraternidad Sacerdotal San Pío X. La versión francesa fue publicada por DICI Nº 211, del 6 de marzo (http://www.dici.org/?p=14215).

The Angelus:
Monseñor, usted ha llamado a una cruzada del Rosario del 1o de mayo de 2009 al 25 de marzo de 2010. ¿Cuál es la razón de un esfuerzo tan importante?

Mons. Fellay: Está claro que no vivimos tiempos normales, y también que aún estamos en el período cubierto por el mensaje con Fátima. En 1917, la Virgen María se apareció a tres pequeños niños y les prometió que al final su Corazón Inmaculado triunfaría. En el año 2000, al parecer algo de lo que se llama el “tercer secreto” de Fátima fue publicado por el Vaticano, con gran insatisfacción de casi de todo el mundo. Y, francamente, no se ha terminado. El triunfo del Corazón Inmaculado, en cualquiera de sus formas, no se realizó. Eso quiere decir que algo debe aún venir. Y esperamos que con tal triunfo, una parte o toda la crisis actual de la Iglesia también se termine. Por eso intentamos obtener que el Cielo haga los dos a la vez, pidiendo y deseando este espléndido triunfo de nuestra Madre del Cielo, la Madre de Dios.

The Angelus:
¿Cuáles son los ejemplos históricos que lo incitaron a tomar la decisión de lanzar una cruzada del Rosario?

Mons. Fellay: Es verdad, hay en realidad varios ejemplos en la historia de la intervención divina, una verdadera intervención de Dios o de sus santos en la historia humana, y especialmente después del rezo del Rosario.

Una de las más célebres es la victoria de Lepanto. San Pío V, ante los peligros incurridos por la Cristiandad en su defensa contra la amenaza de los turcos, había en efecto llamado a toda Europa a una cruzada espiritual de Rosarios. A este combate espiritual se unía el de la flota cristiana que encontraba las fuerzas navales del Islam, frente a la costa de Lepanto. Aunque inferiores en gran número, los cristianos al final del día habían obtenido una victoria tan significativa, que durante años se dejó a los cristianos en paz.

La gran batalla de Viena, ganada por Sobiesky, de nuevo contra los turcos, también se asigna al rezo del Rosario. Del mismo modo, en Austria, la liberación de la ocupación por la Rusia comunista en 1955 también se considera como una victoria debida al rezo del santo Rosario.

The Angelus:
Algunos insinúan que la Iglesia Católica está tan violentamente atacada por sus enemigos que el rezo no parece suficiente para apoyar su causa. ¿Qué piensa de tales dudas?

Mons. Fellay: Cuando rogamos, contamos con la ayuda de Dios Todopoderoso y de sus santos. Esto poder no tiene ninguna comparación con las fuerzas humanas, por muy vigorosas que puedan ser. Solo Dios es infinito, infinito en potencia – lo llamamos el Dios Todopoderoso – y esta palabra debe tomarse sin ninguna atenuación. Ya que Dios puede de verdad hacer todo lo que quiere. El rezo, y más aún los rezos que Él mismo nos diera pueden en toda verdad obtener lo que los recursos humanos no podrían nunca realizar. Es cierto que una de las condiciones para que un rezo sea eficaz, es la confianza que tenemos de ser escuchados. Si nosotros mismos no consideramos realista que Dios pueda escucharnos y hacer lo que pedimos, no obtendremos nada. Debemos nosotros siempre acordarnos de estas palabras: “Si tenían fe grande como un grano de mostaza, diríais a esta montaña: `Transpórtate de aquí’, y se transportaría” (Mt. 17, 21). Al contrario, debemos decir que el rezo es el único medio proporcionado para solucionar el problema que encuentra la Iglesia. Por supuesto, eso no excluye por nuestra parte todas las demás acciones necesarias.

The Angelus:
Es obviamente difícil hablar de cruzada del Rosario sin hablar de Fátima, y en particular del 3er secreto. ¿Cuál es la importancia del 3er secreto?

Mons. Fellay: Podemos decir que la importancia de este secreto se proporciona a la importancia de los medios empleados por algunos para impedir su publicación íntegra. Muy probablemente, debemos aceptar que el 3er secreto habla quizá de las pruebas actuales y de algunos acontecimientos futuros en la Iglesia. Y como no incluye solamente la descripción de los desastres, sino también la promesa de la victoria de Nuestra Señora, esta parte ya la conocemos. Parecería que pudiéramos encontrar igualmente allí la clave para salir de la crisis actual, así como las precisiones respecto a esta crisis.

The Angelus:
¿Piensa que se hizo la consagración de Rusia al Corazón Inmaculado de María?

Mons. Fellay: Se puede decir que se hizo una cierta consagración al Corazón Inmaculado, e incluso una cierta consagración de Rusia, aunque imperfectamente y sin cumplir todas las condiciones indicadas por la Santísima Virgen María. Pío XII ya había consagrado el mundo, Juan-Pablo II mencionó el país donde el Icono de María se venera… Pero todos los obispos no se unieron para hacer esta consagración de Rusia.

The Angelus: ¿Por qué, en su opinión, Pío XII hizo una consagración del mundo al Corazón Inmaculado de Marie, y no la consagración de Rusia, según la solicitud de Nuestra Señora, que conocía ciertamente?

Mons. Fellay: Podría haber al menos dos explicaciones: la primera es que bajo Pío XII había una fuerte oposición a tal consagración; y la segunda es que hacia el mismo tiempo otra revelación vino de España pidiendo la consagración del mundo. Por eso Pío XII pudo intentar combinar las dos en una única consagración… En todo caso, cuando la hizo, algunos de los milagros de Fátima se han repetido para él en el Vaticano: una lluvia de rosas y el milagro del sol.

The Angelus: ¿Según usted, cómo podría influir la consagración de Rusia sobre la situación de la Iglesia?

Mons. Fellay: En la historia de la humanidad las cosas se conectan las unas a las otras mucho más de lo que pensamos, pero muy a menudo no podemos ver este vínculo ni comprenderlo. Así pues, la consagración de Rusia liberaría este país de sus errores: se convertirá, como María lo dijo. ¿Cómo puede afectar eso a la crisis en la Iglesia? De muchas maneras, pero aquí estamos de verdad en el ámbito de las especulaciones. Prefiero dejar las manos libres a la Madre de Dios para hacer lo que quiere. Habla de triunfo, y eso quiere decir definitivamente una gran victoria contra las fuerzas del mal… tal victoria espiritual no sería espectacular, si no se acompañara de una verdadera rectificación de la Iglesia. Pero, no me pregunte cómo.

The Angelus: ¿Piensa que los efectos de la consagración de Rusia serán enteramente sobrenaturales? Algunos parecen imaginar resultados inmediatos de orden político o naturales.

Mons. Fellay: De ninguna manera es necesario limitar la potencia de Dios o de María. Los dos efectos son fácilmente posibles. ¿Una conversión de Rusia sería solamente sobrenatural y no incluiría algunos elementos humanos? La crisis actual tiene también aspectos humanos, por ejemplo las iglesias vacías, los conventos vacíos… Por eso Dios podría llenarlos de nuevo, y con personas de buena fe, de los convertidos.

The Angelus: ¿Cuál es la importancia de la cruzada del Rosario para la influencia de la Tradición en la Iglesia Católica?

Mons. Fellay: Simplemente esto: ¿cómo podrían pretender hacer bien a la Iglesia si no es por medios sobrenaturales? Por lo tanto, si utilizamos medios sobrenaturales como el rezo, y el rezo del Rosario, la cruzada del Rosario puede ser de una importancia crucial.

The Angelus: ¿Para usted, son solamente los fieles de la Fraternidad los que deben implicarse en esta cruzada del Rosario o también los otros católicos?

Mons. Fellay: No hay ninguna restricción en nuestra cruzada. ¡Toda alma de oración es bienvenida! No pretendemos tener la exclusividad de un rezo que se dio a la Iglesia toda entera. Es verdad mientras que pocos fieles siguen rezándolo, en comparación con lo que debería ser. Pero, a causa de las circunstancias presentes, era bastante difícil sobrepasar nuestras fronteras para esta llamada al rezo.

The Angelus: ¿Recibieron fuera de la Fraternidad reacciones positivas con respecto a esta cruzada durante el año transcurrido?

Mons. Fellay: Muy poco. Me acuerdo de un sacerdote italiano presente en las ordenaciones de Ecône, que había prometido unirse nosotros para un millón de Rosarios. Además, el Padre Gruner (*) también lanzó algo similar… No es mucho. En las últimas cruzadas, el cardenal Castrillón Hoyos quedó impresionado por el número de Rosarios. Me dijo que era cierto que habían desempeñado su papel para obtener hacernos llegar allí donde estamos hoy.

(*) El Padre Nicholas Gruner es un sacerdote americano de tendencia tradicional, redactor principal de The Fatima Crusader. Lanzó una cruzada del Rosario así como una campaña de peticiones que debe dirigirse al papa para obtener la consagración de Rusia.

fonte: Radio Cristiandad

LOS OBISPOS NECESITAN SACERDOTES QUE SEPAN CELEBRAR CONFORME AL USO EXTRAORDINARIO

"Así como el obispo necesita sacerdotes capacitados en materia de bioética, o que puedan cuidar de los jóvenes, así también necesita sacerdotes que pueden celebrar la liturgia conforme al Uso Extraordinario , para que todos los fieles que están vinculados legítimamente puedan tener acceso".
Así , con esta claridad, se expresa el Obispo Auxiliar de Lyon Monseñor Jean Pierre Batut. Y es que si partimos del hecho de que los fieles que así lo desean tienen DERECHO a asistir a la Santa Misa y a recibir los Sacramentos según el Uso Extraordinario, tal y como está legislado en el Motu Proprio Summorum Pontificum, entonces los Obispos deberían velar por que haya sacerdotes preparados para oficiar conforme a dicho uso litúrgico.
Tristemente, la situación es muy distinta. No sólo no se agradece a los sacerdotes su disponibilidad para este servicio pastoral, sino que en muchos casos se les intimida con el miedo a sufrir perjuicios personales, se les arrincona de forma canallesca, o a lo más se les "consiente" ese gravísimo "pecado".
Su Santidad el Papa no vive ajeno a esta realidad, por el contrario también él ha sido objeto de esa intolerancia y de ataques públicos, incluso por parte de algunos miembros de la Jerarquía Católica imbuídos de un neogalicanismo.
El Cardenal Barbarin, Arzobispo de Lyon, ha dispuesto que en septiembre de 2010 comience a funcionar en su diócesis la maison Sainte-Blandine, que acogerá las vocaciones de aquellos jóvenes que desean ejercer en el futuro su ministerio sacerdotal vinculados al Uso Extraordinario. No se trata de seminaristas diocesanos de segunda categoría, ni de llegar a ser sacerdotes diocesanos de rango inferior, sino de dar curso a lo que es un derecho en la Iglesia y una riqueza al servicio de todos los miembros de la misma.
El mismo Obispo Auxiliar recuerda que TODO CUANTO ESTÁ RECONOCIDO POR LA IGLESIA ES LEGÍTIMO.
Lamentablemente, en muchos casos cualquiera lo diría... Comenzando por España... No sólo creen no necesitarlos, sino que tampoco los quieren

COMUNIÓN EFECTIVA CON EL PAPA:EL CARDENAL PATRIARCA DE VENECIA CON EL USO EXTRAORDINARIO DEL RITO ROMANO

Ayer sábado el Patriarca de Venecia, Cardenal Angelo Scola ,asistió en el Santuario de San Simeon Piccolo, encomendado a la Fraternidad Sacerdotal San Pedro, a la celebración de la Santa Misa Solemne conforme al Uso Extraordinario del Rito Romano.






*Fuente: The new Liturgical Movement

Desde o Céu os Santos vêm o que acontece e interferem na nossa terra

Para os medievais, esta terra não tinha um teto fechado e um chão de chumbo que confina os homens.
Pelo contrário, para cima eles tinham certeza que o mundo das almas que se salvaram agia e participava nesta nossa vida.

E que era possível pela oração se comunicar com esse mundo imerso na glória divina. E vice-versa, acreditavam e experimentavam também que o inferno se agita e vive espalhando caos.

Não era uma mera crendice. Esses horizontes superiores e inferiores têm plena justificação na mais estrita teologia católica.

Eis como explica essa interação o famoso teólogo dominicano Reginald Garrigou Lagrange:


Os bem-aventurados vêem também em Deus, in verbo, a humanidade santa que o Filho único assumiu para sempre a fim de nos salvar.

Contemplam nela a graça da união hipostática, a plenitude da graça, da glória e da caridade da alma santa de Jesus, o valor infinito dos seus atos, o valor infinito de cada Missa, a vitalidade sobrenatural de todo o corpo místico da Igreja triunfante, padecente e militante.

Contemplam admirados as prerrogativas de Cristo como Sacerdote eterno, como Juiz dos vivos e dos mortos, como Rei universal de todas as criaturas e como Pai dos pobres.

Pela própria visão beatífica, os santos contemplam em Deus a eminente dignidade da sua Mãe, a plenitude de graça, as virtudes, os dons, a mediadora universal e a co-redentora.

E como a bem-aventurança encerra um estado perfeito que pressupõe todos os bens legítimos, cada santo no Céu conhece em Deus os restantes dos bem-aventurados. Sobretudo aqueles que conheceu anteriormente, e que amou sobrenaturalmente.

Do mesmo modo, cada santo vê através de idéias criadas — quer em Deus, quer fora d’Ele — aqueles que ainda vivem na Terra ou que estão no Purgatório, e que se encontram ligados a ele por determinada relação.

Por exemplo, o fundador de uma Ordem está a par de tudo o que diz respeito à família religiosa, e sabe das orações que os seus filhos lhe dirigem.

Um pai e uma mãe conhecem as necessidades espirituais dos filhos que ainda vivem na Terra. Um amigo, chegado ao fim da viagem, encontra-se preparado para facilitar a viagem dos amigos que se dirigem a ele.

São Cipriano diz: "Todos aqueles de nós que chegaram à pátria esperam pelos outros, desejam-lhes ardentemente a mesma felicidade, e mostram-se cheios de solicitude para com eles".

(Fonte: Pe. Garrigou-Lagrange, "O Homem e a Eternidade" - Lisboa)

fontr:Orações e milagres medievais

Erros litúrgicos e sugestões para corrigi-los.

Paramentos

O Cânon 929 do Código de Direito Canônico prescreve que se utilizem, obrigatoriamente, os paramentos descritos nas regras litúrgicas. Na Missa, os paramentos utilizados pelo padre, são a alva, o amito, a estola, o cíngulo, a casula e o manípulo; o Bispo, além desses, utiliza a cruz peitoral e a mitra, além de ter nas mãos o báculo; o diácono usa alva, amito, estola, cíngulo e dalmática; o acólito, se estiver de batina, usa a sobrepeliz por cima, e, sem ela, apenas alva e cíngulo. Os ministros ordenados coloquem a alva, que consiste em uma veste branca que reveste o corpo inteiro, e, se necessário, o amito, pano quadrado utilizado para cobrir as partes da roupa não-litúrgica que estiver por baixo da alva. Depois, devem vestir a estola (ao longo do corpo para os sacerdotes; transversa para os diáconos), com a cor respectiva do tempo ou da festa. Segurando a estola para mantê-la junto ao corpo, deve estar o cíngulo, a não ser que a forma da alva dite o contrário – quando, por exemplo, já houver uma espécie de cíngulo costurado àquela. Por cima de tudo, deve estar a casula, com a cor correspondente, e que pode ser de duas formas, gótica e romana. O manípulo é um pano que fica no punho do sacerdote, e tem a cor da casula e da estola; é um paramento optativo depois da reforma do Vaticano II. O diácono, ao invés da casula, usa a dalmática, que deve ter a cor do tempo ou da festa também.

Ao contrário do que pensam alguns, a casula é obrigatória! Não bastam alva e estola! A casula é a veste própria do sacerdote, e simboliza a Cruz, a dignidade própria do padre! Quem a aboliu de seus cultos foram os protestantes mais exaltados, para negarem o caráter sacrifical da Missa. Se a Santa Missa é a Cruz tornada presente, mesmo invisível, a casula a torna visível, por seu simbolismo. A casula remete ao sacrifício!

Entretanto, quando a Missa for celebrada fora do recinto sagrado, i.e., em local que não seja uma igreja ou oratório, há um indulto em alguns países – no Brasil, inclusive, por determinação da CNBB, decidida em sua 11a Assembléia Geral, e aprovada pela Santa Sé em 31 de maio de 1971 –, para que se possa utilizar uma veste que seja um misto de alva e casula: a túnica. Ao invés de alva, amito, estola, cíngulo e casula, pode ser usada, nesses casos, túnica e estola. Mesmo assim, é uma opção que deve ser evitada na maioria dos casos, servindo apenas para quando houver dificuldade de conseguir as vestes apropriadas, quer pela distância do local, quer por outros fatores pastorais.

Outrossim, quando a Missa for concelebrada por mais de um sacerdote, a obrigação de usar a casula é só do celebrante principal, ou presidente. Os demais celebrantes não necessitam utilizar a casula, embora seja vivamente recomendável que o façam, se possível até com um feitio de casula diferente para o presidente da Santa Missa (uma sugestão é que o sacerdote principal utilize paramentos romanos e os demais góticos, ou o contrário).

O calor, contudo, não justifica o abandono da casula: usem casulas de tecido mais leve!

Em outros ritos litúrgicos, a norma é que, se estiver o ministro (Bispo, padre ou diácono) vestindo batina, coloque a sobrepeliz por cima, com a estola e o pluvial, e não estando com aquela, utilize alva, cíngulo, estola e, se achar conveniente, pluvial – capa magna; os acólitos vistam-se como de costume.

Na Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, a regra é diferente: durante a exposição, por cima do conjunto de alva, cíngulo e estola, sem batina, ou de batina, sobrepeliz e estola, o sacerdote ou diácono que expuser o Santíssimo pode usar pluvial; durante a bênção, se ela for solene, i.e., com a Hóstia consagrada no ostensório, deve usar o pluvial, e se for simples, com a Hóstia consagrada no cibório, seu uso é optativo; em qualquer das bênçãos, solene ou simples, deve ser usado o véu umeral por cima das outras vestes. Em algumas igrejas, os sacerdotes utilizam apenas o umeral, esquecendo o pluvial – capa magna –, ou o contrário. Isso está errado!

Pode a estola ser colocada por cima da casula? Não! A estola deve ser corretamente colocada sobre a alva e sob a casula, pois esta, como símbolo da caridade de Cristo – além de o ser da Cruz –, deve cobrir o sacerdote, como Seu amor nos reveste totalmente. Além disso, as rubricas dispõem que seja assim.

É possível que o celebrante ofereça a Santa Missa trajando a estola somente por cima da batina ou do hábito religioso, sem usar alva? Outro costume que está tristemente generalizado. A batina é a veste cotidiana do sacerdote diocesano e de certas ordens e congregações religiosas – jesuítas, legionários de Cristo etc. O hábito, por sua vez, é o equivalente da batina para os religiosos – sacerdotes ou não – da maioria das ordens e congregações. Assim, há o hábito dos beneditinos, o dos dominicanos, o dos cistercienses, o dos redentoristas, o dos franciscanos, o dos capuchinhos, o dos carmelitas, o dos carmelitas descalços, o dos servitas, o dos agostinianos, o dos trapistas, e assim por diante. A função do hábito ou da batina é servir de vestimenta diária, e não de paramento propriamente litúrgico: não é para o uso nas cerimônias da Igreja, e sim para o trajar do dia-a-dia, podendo, aliás, ser substituído por camisa clerical com colarinho romano, estilo clergymen.

Em vista disso, se um sacerdote celebrar a Missa com a batina ou hábito como se fossem substitutos da alva, estará equivocado. Já vi um sacerdote carmelita celebrar a Santa Missa sem alva, usando a estola e a casula diretamente sobre o hábito de sua ordem. Outra vez, vi um padre capuchinho celebrar da mesma forma, com a agravante de estar, inclusive, sem a casula: e ainda justificou o uso do hábito pelo fato de ser frade! Ora, nada mais errôneo! Seu hábito é para o uso cotidiano; na Missa, deve, por cima do hábito – ou, no calor, no lugar dele –, vestir a alva, e só depois a estola e a casula.

Nem mesmo os sacerdotes de ordens e congregações que tenham hábito branco, ou diocesanos que tenham sua batina nessa cor, podem presumir que sua veste – em vista de ser a mesma cor da alva – substitua a alva. Não há privilégio algum vigente, nem poderia haver!

“Está reprovado o uso de celebrar, ou até concelebrar, só com a estola em cima da cógula monástica (nota do autor: i.e., hábito religioso), em cima da batina ou do traje civil.” (Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Liturgicae Instaurationes, 8 c)

Como devem estar trajados os clérigos que, assistindo a Santa Missa, não a estejam celebrando? Se estiverem assistindo a Missa sem serem oficialmente convidados, da mesma maneira que simples fiéis, basta que estejam com seu traje comum: batina, hábito do instituto religioso, camisa com colarinho romano – clergyman. Do contrário, se lhes for concedido um lugar de destaque, por alguma razão especial qualquer, por cima da batina devem usar sobrepeliz e, se quiserem, também barrete. Sendo Bispos, devem estar com o traje talar apropriado por cima da sobrepeliz. Os cardeais têm a batina e o traje talar vermelhos, como os Bispos e Monsenhores os têm de tom violáceo – ou batina preta com traje talar violáceo.

Os clérigos que, estando presentes, desempenharem alguma função litúrgica, sem celebrarem, como no caso de ordenações ou de auxílio na distribuição da Sagrada Comunhão, devem, por cima da sobrepeliz, trajar a estola com a cor respectiva.

Na prática

1. O celebrante, se não usa, passe a usar a casula em todas as Missas. Adquira-se tal paramento nas lojas especializadas.
2. Respeite-se a cor litúrgica.
3. Nas demais cerimônias, usem-se sempre os paramentos requeridos. Na Exposição do Santíssimo, se for solene, não basta o véu umeral, devendo o ministro portar a capa pluvial.
4. O sacerdote, ao assistir Missa em um lugar de destaque, esteja com sua veste coral adequada.
5. Procure-se ter sempre os paramentos de todas as cores, estolas, casulas, dalmáticas, cíngulos, pluviais, para que não falte o necessário a uma celebração. Sejam de tecidos nobres e dignos para a liturgia. Eventualmente, não só de formato gótico, como também romano, para certas festividades ou para diferenciar o celebrante principal dos demais em uma concelebração.
6. Tenha-se sempre mais de uma casula de cada cor para as concelebrações.
7. Os acólitos vistam batina e sobrepeliz, ou alva com cíngulo. O cerimoniário, como chefe dos acólitos, vista batina e sobrepeliz sempre: sua batina será preta, mas se os demais acólitos vestirem batina preta, este poderá ter uma batina violeta.
8. Os coroinhas usem batina vermelha com sobrepeliz, e jamais alva.

fonte:salvem a Liturgia

A SANTA MISSA É O MAIS DIGNO SACRIFÍCIO DE SATISFAÇÃO.

A SANTA MISSA É O MAIS DIGNO SACRIFÍCIO DE SATISFAÇÃO.

Bem que o sacrifício de satisfação esteja compreendido no sacrifício de conciliação, existe, entretanto, uma notável diferença entre os dois: o sacrifício de reconciliação torna Deus favorável ao pecador, ao passo que, pelo sacrifício de satisfação, resgatamos as penas temporais. Parece, pois, conveniente tratar de cada um em capítulo particular.

O pecado produz um duplo mal: o da “culpa” e o da “pena”. A “culpa” faz-nos perder o favor de Deus e é perdoada pelo sacramento da Penitência. A “pena” poderia ser também remida, inteiramente, pela Confissão, mas, em geral, por causa da imperfeição com a qual se recebe este Sacramento e, talvez, devido a certas circunstâncias produzidas por nossos pecados, é somente remida em parte.

Ora, tudo o que fica da pena devida ao pecado, podemos expiar, neste mundo, pela oração, por vigílias, jejuns, esmolas, peregrinações, recepção freqüente dos santos Sacramentos, e sobretudo, ganhando indulgências. Se morremos sem ter, completamente, satisfeito nossa dívida, iremos expiá-la no purgatório.

As penitências da vida presente custam muito à pobre natureza, e a lembrança do purgatório nos aterra com razão. Não haverá pois, um meio de satisfazer, inteiramente, neste mundo, e não podemos evitar o purgatório, ou pelo menos, abreviar-lhe a duração e diminuir a intensidade de suas chamas?

Sim, existe um meio, – e esse meio de pagar toda a dívida é fácil: oferecendo o santo Sacrifício da Missa, o divino Criador ficará satisfeito. Lembra-te, porém, quando assistes ao santo Sacrifício da Missa, que é tua propriedade, conforme a vontade de Deus. É o que afirma o sacerdote em cada santa Missa, quando, voltando-se para os assistentes, lhes diz: “Orai, meus irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício seja agradável a Deus, o Pai onipotente”.

Compenetrado, pois, do valor do tesouro que se acha em teu poder, dize ao teu Criador: “Quanto vos devo, Senhor? cem? mil? dez mil talentos? Reconheço minha grande dívida e estou pronto a satisfazê-la, não por mim, mas pelos ricos méritos de vosso divino Filho, presente aqui sobre o altar. Ofereço-vos este tesouro, tirai daí quanto for preciso para satisfazer minha dívida”.

Que todos se apliquem a fazer valer este tesouro, e os pobres pecadores se apressem, logo que caírem, a assistir à santa Missa, a oferecer este santo Sacrifício em expiação de sua falta! Deus lhes ajudará a fazer uma boa Confissão, apagando-lhes as penas temporais e preservando-os das reincidências.

A compreensão e meditação das verdades que acabamos de expor, despertará, sem dúvida, em teu espírito, legítima curiosidade de saber em que medida as penas temporais nos são perdoadas pela piedosa audição da santa Missa.

Não podemos responder melhor a esta pergunta do que lembrando, novamente, o infinito valor do Sacrifício de nossos altares. Escuta o que diz o Padre Lancício: “O valor do santo Sacrifício da Missa é infinito pela própria virtude. Apesar de ser agora oferecido pelas mãos dos sacerdotes, o preço lhe é tão elevado como quando, a última ceia, Jesus Cristo em pessoa o oferecia a seu Pai, visto que ele fica sendo Sacrificador e Vítima. Este primeiro Sacrifício, como todas as obras que Jesus Cristo praticou sobre a terra, eram de um valor infinito em virtude da dignidade de sua divina Pessoa. Segue-se daí que o santo Sacrifício da Missa é ainda e será sempre de um valor infinito” (Lib. II de Missa, n. 294).

O Padre Lancício demonstra, em seguida, como, apesar desse valor infinito da santa Missa, seu mérito não se aplica aos fiéis de maneira infinita. Não fosse assim, uma única Missa seria suficiente para obter-nos a remissão de tudo quanto devemos à eterna justiça e toda penitência tornar-se-ia desnecessária. Concorda isto com o ensino da santa Igreja afirmando que, pela virtude do santo Sacrifício, muitas das penas podem ser remidas e até todas, se nossa devoção for muito grande.

Entretanto, não se deve interpretar falsamente estas explicações e dizer: Visto que a santa Missa é de valor infinito e constitui o meio mais fácil de ficar quite com a divina Justiça, ouvi-la-ei da melhor forma possível, dispensando-me de fazer penitência: isto seria querer enganar-se a si próprio, visto que as penas temporais não são remidas senão quando nos tornamos dignos da remissão, por um coração contrito e humilhado; ora, a contrição, o arrependimento sincero do pecado levar-te-á sempre às diversas práticas da penitência.

A santa Missa não torna, pois, inúteis as outras boas obras, antes nos obriga a fazê-las, para nos tornar mais dignos de obter, pelo santo Sacrifício do Altar, a remissão de uma grande parte de nossas penas. Por isso, diz o venerável Luis de Argentina: “As obras de penitência não são supérfluas. Pelo contrário, são muito necessárias, pois contribuem para a correção dos defeitos e a emenda da vida”. Sim, as penitências afastam-nos do pecado, pondo um freio às nossas paixões, tornam-nos mais prudentes e mais vigilantes, fazem desaparecer os maus costumes pelos atos das virtudes contrárias.

Aqui te ouvimos perguntar: “Qual é, pois, a eficácia da santa Missa pelo alívio das almas do purgatório?”. Caro leitor, Deus não julgou necessário revelá-lo à sua Igreja, como também não revelou a extensão da pena aplicada a este ou aquele pecado. Mas, quando consideramos que nada de impuro entra no céu e que o purgatório é um cárcere donde ninguém sai sem ter pago até o último ceitil, e se, de outro lado, rememoramos o caráter e a duração das penas impostas outrora pela santa Igreja, devemos concluir que a demora das almas no purgatório é prolongada.

A incerteza neste ponto estabeleceu o uso dos aniversários, cerimônias que podem ser mantidas durante séculos. O que sabemos infalivelmente é que podemos socorrer às almas do purgatório pela oração e, sobretudo, pelo santo Sacrifício da Missa. Logo, se amamos estas almas, – e quem não as amaria? – façamos celebrar por elas a santa Missa, ou assistamo-la em sua intenção.

Os teólogos acreditam, comumente, que as almas do purgatório tiram tanto mais fruto do santo Sacrifício quanto maior lhe foi o zelo em assisti-lo sobre a terra. Sê, pois, esperto, caro leitor, e diminui à tua alma, quanto for possível, a duração das chamas do purgatório. Supõe que, tendo cometido um grande crime, te condenassem a ficar estendido meia hora sobre uma grelha em brasa, ou a ouvir uma santa Missa. Sem dúvida, precipitar-te-ias para a igreja, para aí ouvir não uma, mas diversas missas, a fim de não incorreres no suplício do fogo.

Ora, não é provável que, na tua morte, tua alma vá diretamente para as alegrias do céu; é quase certo que, antes de chegar ao gozo eterno, deverás purificar-te pelas penas do purgatório. Que leviandade, pois, descuidares-te da santa Missa que diminui, suaviza e apaga, tão eficazmente, as chamas do purgatório.

Se insistires ainda para saber qual a eficácia de uma Missa que fazes celebrar por tua alma, responderemos: Quem faz celebrar o santo Sacrifício obtém, naturalmente, mais graça para expiação de suas penas temporais do que o que se limita a assisti-lo, porque os frutos do santo Sacrifício lhe pertencem, em grande parte, por direito, quer da parte de Deus, quer da parte do sacerdote. A soma exata, porém, que se lhe concede, Deus não a revelou. Quem, não contente de mandar celebrar a santa Missa, também a vai assistir, receberá lucro aumentado, porque, ainda que obtenha ausente, a parte de graças que o sacerdote lhe aplica, ficará privado da vantagem que lhe seria atribuída se a assistisse.

Segue-se uma conseqüência geralmente ignorada. Quando mandares celebrar uma Missa, seja para honrar um Santo, seja para obter uma graça, sem determinar a quem as graças “satisfatórias” deverão ser aplicadas, estas voltarão ao tesouro da Igreja, salvo se Deus, por compaixão pela ignorância, muitas vezes involuntária, dispõe delas em teu favor. Seja, portanto, bem determinada tua intenção, e dize a Nosso Senhor: Desejo mandar celebrar esta Missa em honra de tal Santo… para obter a graça … e vos peço que apliqueis as graças satisfatórias do santo Sacrifício a mim ou a tal alma… Desta maneira teu proveito será duplo, pois honras o Santo de tua devoção e favoreces a própria alma, pagando as dívidas das penas temporais, como também qualquer outra, em cujo favor aplicares a virtude satisfatória da santa Missa.

Estas considerações são muito próprias para inflamar nosso amor pela santa Missa: sendo possível, ouçamo-la todos os dias. Tenhamos, nos domingos e dias santos, a devoção de, além da Missa de obrigação, assistir ainda a outras.

Deus não esquece nenhuma das nossas faltas, portanto hás de escolher: “aut poenitendum aut ardendum – ou expiar ou queimar”. Não será melhor satisfazer aqui, do que cair, carregado de dívidas, nas mãos da divina Justiça? Se, pois, as mortificações das almas heróicas te espantam, procura supri-las pelo meio agradável e fácil da piedosa assistência à santa Missa.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/