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Artigos Junho 2007



    domingo, 22 de maio de 2011

    SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO: Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra, nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa. Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um valor infinito?Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens, morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda, por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote celebrando no altar.Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um padre com uma só missa.


     


     


     A SELVA
    POR
    SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO
     

    PRIMEIRA PARTE

    A dignidade do Padre
    I
    Idéia da dignidade sacerdotal
    Diz Sto. Inácio mártir que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre
    todas as dignidades criadas2. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso
    a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita3. Segundo S. João
    Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no
    número das coisas celestes4. Citando Sto. Agostinho, diz Bartolomeu Chassing
    que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas
    as grandezas do Céu, só é inferior a Deus5. e Inocêncio III assegura que o
    sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior
    que o homem6.
    Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes
    divina; por isso chama ao padre um homem divino7. Numa palavra, concluí
    Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber8.
    Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem
    ser tratados como a sua pessoa: Quem vos escuta, a mim escuta; e quem
    vos despreza, a mim despreza9. Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita:
    Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote
    de Cristo, é fazê-la a Cristo”10. Considerando a dignidade dos sacerdotes,
    Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.
    II
    Importância das funções sacerdotais
    Mede-se a dignidade do padre pelas altas funções que ele exerce. São
    os padres escolhidos por Deus, para tratarem na terra de todos os seus
    negócios e interesses; é uma classe inteiramente consagrada ao serviço do
    divino Mestre, diz S. Cirilo de Alexandria11. Também Sto. Ambrósio chama ao
    ministério sacerdotal uma “profissão divina”12. O sacerdote é o ministro, que
    o próprio Deus estabeleceu, como embaixador público de toda a Igreja junto
    dele, para o honrar, e obter da sua bondade as graças necessárias a todos
    os fiéis.
    Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra,
    nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa.
    Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício
    mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de
    todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um
    valor infinito? O que são todos os homens diante de Deus senão um pouco
    de pó, ou antes um nada? Isaías diz: São como uma gota de água... e todas
    as nações são diante dele, como se não fossem13.
    Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra
    infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens,
    morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda,
    por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado
    e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem
    santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote
    celebrando no altar.
    Além disso, o padre que celebra oferece a Deus um tributo de reconhecimento
    condigno da sua bondade infinita, por todas as graças que ele há
    sempre concedido, mesmo aos bem-aventurados que estão no Céu. Este
    reconhecimento condigno nem todos os bem-aventurados juntos o poderiam
    prestar; de modo que, ainda sob este ponto de vista, a dignidade do padre
    está acima de todas as dignidades, sem exceptuar as do Céu.
    Mais, o padre é um embaixador enviado pelo universo inteiro, como
    intercessor junto de Deus, para obter as suas graças para todas as criaturas;
    assim fala S. João Crisóstomo14. Santo Efrém ajunta que o padre trata familiarmente
    com Deus15. Para o padre, numa palavra, não há nenhuma porta
    fechada.
    Jesus Cristo morreu para fazer um padre. Não era necessário que o
    Redentor morresse para salvar o mundo: uma gota de sangue, uma lágrima,
    uma prece lhe bastava para salvar todos os homens; porque, sendo esta
    prece dum valor infinito, era suficiente para salvar, não um mundo, mas milhares
    de mundos.
    Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um
    padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da
    lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si
    suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício
    da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como
    acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um
    padre com uma só missa.
    III
    Excelência do poder sacerdotal
    Mede-se também a dignidade do padre pelo poder que ele exerce sobre
    o corpo real e o corpo místico de Jesus Cristo.
    Quanto ao corpo real, é de fé que no momento em que o padre consagra,
    o Verbo encarnado se obrigou a obedecer-lhe, vindo às suas mãos sob
    as espécies sacramentais. Causou espanto que Deus obedecesse a Josué,
    e mandasse ao sol que se detivesse à sua voz, quando ele disse: Sol! fica-te
    imóvel diante de Gabaon... E o sol deteve-se no meio do Céu16.
    Mas é muito maior prodígio que Deus, em obediência a poucas palavras
    do padre17, desça sobre o altar, ou a qualquer parte em que o sacerdote o
    chame, quantas vezes o chamar, e se ponha entre as suas mãos, embora
    esse sacerdote seja seu inimigo! Aí permanece inteiramente à disposição do
    padre, que pode transportá-lo à sua vontade dum lugar para outro, encerrálo
    no tabernáculo, expô-lo no altar, ou ministrá-lo aos outros. É o que exprime
    com admiração S. Lourenço Justiniano, falando dos padre: “Bem alto é o
    poder que lhes é dado! Quando querem, demudam o pão em corpo de Cristo:
    o Verbo encarnado desde do Céu e desce verdadeiramente à mesa do
    altar! É-lhes dado um poder que nunca foi outorgado aos anjos. Estes conservam-
    se junto do trono de Deus; os sacerdotes têm-no nas mãos, dão-no
    ao povo e eles próprios o comungam”18.
    Quando ao corpo místico de Jesus Cristo, que se compõe de todos os
    fiéis, tem o sacerdote o poder das chaves: pode livrar do inferno o pecador,
    torná-lo digno do Paraíso, e, de escravo do demônio, fazê-lo filho de Deus. O
    próprio Jesus Cristo se obrigou a estar pela sentença do padre, em recusar
    ou conceder o perdão, conforme o padre recusar ou dar a absolvição, contanto
    que o penitente seja digno dela.
    De modo que o juízo de Deus está na mão do padre, diz S. Máximo de
    Turim19. A sentença do padre precede, ajuda S. Pedro Damião, e Deus a
    subscreve20. Assim, conclui S. João Crisóstomo, o Senhor supremo do universo
    não faz senão seguir o seu servo, confirmando no Céu tudo quanto ele
    decide na terra21.
    Os padres, diz Sto. Inácio mártir, são os dispensadores das graças divinas
    e os consócios de Deus22. E, segundo S. Próspero, são a honra e as
    colunas da Igreja, portas e porteiros do Céu23.
    Se Jesus Cristo descesse a uma igreja, e se sentasse num confessionário
    para administrar o sacramento da Penitência, ao mesmo tempo que um
    padre sentado no outro, o divino Redentor diria: Ego te absolvo o padre diria
    o mesmo: Ego te absolvo; e os penitentes ficariam igualmente absolvidos,
    tanto por um como pelo outro.
    Que honra para um súdito, se o seu rei lhe desse poder para livrar da
    prisão quem lhe aprouvesse! Mas muito maior é o poder dado pelo Padre
    Eterno a Jesus Cristo, e por Jesus Cristo aos padres, para livrarem do inferno,
    não só os corpos, mas até as almas; esta reflexão é de S. João
    Crisóstomo24.

    IV
    A dignidade do padre excede todas as dignidades criadas
    A dignidade sacerdotal é pois neste mundo a mais alta de todas as dignidades,
    nota Sto. Ambrósio25. Ela excede, diz S. Bernardo, todas as dignidades
    dos imperadores e dos anjos26. Santo Ambrósio ajunta que a dignidade
    do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo27. A razão disso, segundo
    S. João Crisóstomo, é que o poder dos reis só se estendem aos bens
    temporais e aos corpos, ao passo que o dos padres abrange os bens espirituais
    e as almas28. Donde se conclui, em conformidade com o que fica exposto,
    que o poder ou a dignidade do padre é tão superior à dos príncipes como
    a alma ao corpo; era o que já tinha dito o Papa S. Clemente29.
    É uma glória para os reis da terra honrar os padres; é isso próprio dum
    bom príncipe, diz o Papa Marcelo30. Os reis, diz Pedro de Blois, apressam-se
    a dobrar o joelho diante do sacerdote, a beijar-te a mão, e a abaixar humildemente
    a cabeça para receberem a sua bênção31.
    Reconhecem assim a superioridade do sacerdócio, diz S. João
    Crisóstomo32. Conta Barónio33 que Leôncio, bispo de Trípoli, tendo sido chamado
    à côrte pela imperatriz Eusébia, lhe mandara dizer que, se queria a
    visita dele, era necessário que primeiro aceitasse as seguintes condições:
    que à sua chegada a imperatriz desceria do seu trono, viria inclinar a cabeça
    sob as suas mãos, pedir-lhe e receber dele a bênção; depois ele se assentaria,
    e ela só o poderia fazer com permissão sua. Terminava por dizer-lhe que,
    a não se darem essas condições, jamais poria os pés na sua côrte.
    Convidado para a mesa do imperador Máximo, S. Martinho brindou primeiro
    o seu capelão e só depois o imperador34. No Concílio de Nicéia, quis
    Constantino Magno ocupar o último lugar, depois de todos os sacerdotes,
    num assento menos elevado; e ainda se não quis assentar sem permissão
    deles35. O santo rei Boleslau tinha pelos sacerdotes uma tal veneração que
    não se assentava na presença deles.
    A dignidade sacerdotal ultrapassa até a dos anjos, razão por que também
    estes a veneram36. Velam os anjos da guarda pelas almas que lhe estão
    confiadas, de modo que, se elas se encontram em estado de pecado mortal,
    excitam-nas a recorrer aos sacerdotes, esperando que eles pronunciem a
    sentença de absolvição; assim fala S. Pedro Damião37.
    Se um moribundo pedir a assistência de S. Miguel, bem poderá, é verdade,
    este glorioso arcanjo expulsar os demônios que o cercarem, mas não
    quebrar-lhes as cadeias, se não vier um padre que o absolva. Acabando S.
    Francisco de Sales de conferir a ordem de presbítero a um digno clérigo,
    notou à saída que ele trocava algumas palavras com outra pessoa, a quem
    (
    queria ceder a passo. Interrogado pelo Santo, respondeu ao jovem sacerdote
    que o Senhor o tinha honrado com a presença visível do seu anjo da guarda.
    Este antes da sua elevação ao sacerdócio caminhava à sua direita e precedia-
    o, mas agora tomava a esquerda e recusava caminhar diante; por isso
    ele se tinha ficado à porta, numa santa contenda com o anjo. S. Francisco de
    Assis dizia: “Se eu visse um padre, primeiro ajoelharia diante do padre, e
    depois diante do anjo38”.
    Mais ainda, o poder do padre excede até o da santíssima Virgem; porque
    a Mãe de Deus pode pedir por uma alma e obter-lhe quanto quiser pelas
    suas súplicas, mas não pode absolvê-la da menor falta. Escutemos Inocêncio
    III: “Embora a santíssima Virgem esteja elevada acima dos apóstolos, não foi
    contudo a ela, mas a eles que o Senhor confiou as chaves do reino dos
    céus39”.
    Por outro lado, S. Bernardino de Sena, dirigindo-se a Maria, diz igualmente
    que Deus elevou o sacerdócio acima dela40; e eis a razão que dá:
    Maria concebeu Jesus Cristo uma só vez; o padre pela consagração concebe-
    o, por assim dizer, quantas vezes quer; de modo que, se a pessoa do
    Redentor ainda não existisse no mundo, o padre, pronunciando as palavras
    das consagração, produziria realmente esta pessoa sublime do Homem-Deus.
    Daqui esta bela exclamação de Sto. Agostinho: “Ó venerável dignidade a
    dos sacerdotes, entre cujas mãos o Filho de Deus encarna como encarnou
    no seio da Virgem!41”. Por isso S. Bernardo, entre muitos outros, chama aos
    padres pais de Jesus Cristo42. De fato, são causa da existência real da pessoa
    de Jesus Cristo na Hóstia consagrada.
    De certo modo, pode o padre dizer-se criador do seu Criador, porque
    pronunciando as palavras da consagração, cria Jesus Cristo sobre o altar,
    onde lhe dá o ser sacramental, e o produz como vítima para o oferecer a
    Padre eterno. Para criar o mundo, Deus só disse uma palavra: Disse, e tudo
    foi feito43; do mesmo modo, basta que o sacerdote diga sobre o pão: Isto é o
    meu corpo; = Hoc est corpus meum; e eis que o pão deixou de ser pão: é o
    corpo de Jesus Cristo. S. Bernardino de Sena vê nesta maravilha um poder
    igual ao que criou o universo44. E Sto. Agostinho exclama de assombro: “Ó
    venerável e sagrado poder o das mãos do padre! Ó glorioso ministério! Aquele
    que me criou a mim, deu-me, se ouso dizê-lo, o poder de o criar a ele; e ele
    que me criou sem mim, criou-se a si por meio de mim!”45
    Assim como a palavra de Deus criou o céu e a terra, assim também, diz
    S. Jerônimo, as palavras do padre criam Jesus Cristo46. Tão alta é a dignidade
    do padre que vai até abençoar sobre o altar o próprio Jesus, como Vítima
    para oferecer ao Padre eterno. Segundo nota o Pe. Mansi47, no sacrifício da
    Missa, Jesus Cristo é considerado como Sacrificador principal e como Vítima:
    como Sacrificador abençoa o padre; mas, como Vítima, é abençoado
    pelo padre.
    AntonMariaPanico.jpg

    V
    O alto posto ocupado pelo padre
    A excelência da dignidade sacerdotal mede-se também pelo alto posto
    que o padre ocupa. No sínodo de Chartres, celebrado em 1550, é chamado
    “a morada dos santos”48. Dá-se aos padres o título de vigários de Jesus Cristo,
    e assim os chama Sto. Agostinho, porque fazem as suas vezes na terra49.
    Tal é também a linguagem empregada por S. Carlos Borromeu no sínodo de
    Milão: Somos nós os embaixadores de Jesus Cristo; é Deus quem pela nossa
    boca vos exorta50. Foi o que o próprio Apóstolo declarou.
    Subindo ao Céu, o divino Redentor deixou os sacerdotes para serem na
    terra os mediadores entre Deus e os homens, particularmente ao altar, como
    diz S. Lourenço Justiniano: “Deve o padre aproximar-se do altar como o próprio
    Jesus Cristo”51. S. Cipriano diz: “O padre ocupa verdadeiramente o lugar
    e desempenha o ofício do Salvador52; e S. Crisóstomo: Quando virdes o sacerdote
    a oferecer o sacrifício, vêde a mão de Jesus Cristo estendida dum
    modo invisível”53.
    Ocupa também o padre o lugar do Salvador, quando remite os pecados,
    dizendo: Ego te absolvo. O grande poder que o Padre eterno deu o seu divino
    Filho, comunica-o Jesus Cristo aos padres, De suo vestiens sacerdotes, segundo
    a expressão de Tertualiano.
    Para perdoar um pecado, é necessário o poder do Altíssimo, como a
    Igreja o faz ouvir nas suas orações54.
    Tinham pois razão os judeus, quando, ao verem que Jesus Cristo perdoava
    os pecados ao paralítico, disseram: “Quem senão Deus pode perdoar os
    pecados?”55 Mas esta graça que só Deus pode fazer pela sua onipotência, o
    padre a pode também dispensar por estas palavras: Ego te absolvo a peccatis
    tuis; porque a forma, ou, se o quiserem, as palavras da forma, pronunciadas
    pelo padre nos sacramentos, operam imediatamente o que significam.
    Qual seria o nosso espanto, se víssemos um homem que, mediante
    algumas palavras, tinha a virtude de tornar branca a pele dum negro! O padre
    faz mais, quando diz: Eu te absolvo, — porque no mesmo instante demuda
    em amigo um inimigo de Deus, e um escravo do inferno num herdeiro do
    Céu.
    O cardeal Hugues põe na boca do Senhor estas palavras, que representa
    dirigidas a um sacerdote ao absolver um pecador: Eu fiz o céu e a terra,
    mas dou-te o poder para fazeres uma criação mais nobre e melhor: duma
    alma manchada pelo pecado, faze uma alma nova ( Faze uma alma nova,
    quer dizer, faze que uma alma pecadora e escrava de Lúcifer se torne minha
    filha). Mandei à terra que produza os seus frutos; dou-te um poder melhor, o
    de produzires frutos nas almas56.
    Privada da graça, é a alma como uma árvore seca, que não pode produzir
    nenhum fruto; mas, recobrando a graça pelo ministério do padre, produz
    )
    frutos de vida eterna. Santo Agostinho ajunta que a justificação dum pecador
    é uma obra maior que a de criar o céu e a terra57. O Senhor diz a Jó: Tendes
    vós um braço como o de Deus, e uma voz trovejante como a sua?58 Ora,
    quem é que tem um braço semelhante ao de Deus e como Deus faz trovejar
    a sua voz? É o padre que, dando a absolvição, se serve do braço e da voz do
    próprio Deus, para livrar do inferno as almas.
    Lemos em Sto. Ambrósio que o padre, quando absolve, opera o mesmo
    que faz o Espírito Santo, quando justifica as almas59. Eis por que o divino
    Redentor, ao conferir aos padres o poder de absolver, lhes deu o seu Espírito:
    Soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo: aqueles a quem
    perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e a quem os retiverdes serlhes-
    ão retidos60. Deu-lhes o seu Espírito que santifica as almas, e estabeleceu-
    os cooperadores seus, conforme a expressão do Apóstolo61. E S. Gregório
    ajunta: “Receberam o poder judicial supremo, para em nome de Deus remitirem
    ou reterem os pecados aos outros”62. Razão tem pois S. Clemente de chamar
    ao padre um Deus na terra63. Davi disse: Veio Deus à assembléia dos deuses
    64. Segundo a explicação de Sto. Agostinho, os deuses de que fala são os
    sacerdotes65. E eis o que diz Inocêncio III: “Os padres se chamam deuses,
    por causa da dignidade do seu ofício”66.
    VI
    Conclusão
    Mas, que horror ver, numa mesma pessoa, uma dignidade sublime e
    uma vida vergonhosa, uma profissão divina e obras de iniqüidade! Para longe
    de nós esta desordem, exclama Sto. Ambrósio; que as nossas obras estejam
    de acordo com o nosso nome!67 O que é uma alta dignidade num indigno,
    senão uma pérola caída na lama, pergunta Salviano?68.
    O Apóstolo nos adverte que ninguém deve ser tão audacioso que se
    eleve ao sacerdócio, sem a vocação divina de Aarão, pois que nem Jesus
    Cristo se quis arrogar a honra do sacerdócio, mas esperou que seu Pai o
    chamasse a essa dignidade69.
    Aprendamos daqui quanto é alta a dignidade do padre; mas quanto mais
    alta é, mais devemos temê-la. “É grande a dignidade dos padres, diz S.
    Jerônimo; mas também a sua ruína, se vierem a pecar. Regozijemo-nos com
    a nossa elevação, mas temamos de cair”70. S. Gregório exclama gemendo:
    “Purificados pelas mãos dos sacerdotes entram na pátria os eleitos; e os
    próprios padres se precipitam de cabeça para baixo nos suplícios do inferno!”
    71 E ajunta: é o que acontece com a água batismal, que purifica do pecado
    os que a recebem, e os envia para o Céu, ao passo que ela cai e perdese.

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    • Madre Giuseppina BakhitaEPUB MOBI HTML
    • Beata Maria di Gesù Deluil-MartinyEPUB MOBI HTML
    • Serva di Dio Luigina SinapiEPUB MOBI HTML
    • Marie-Julie JahennyEPUB MOBI HTML
    • Marie Le ValleesEPUB MOBI HTML
    • I SS. Cuori di Gesù e di Maria. La salvezza del mondo, le loro apparizioni, promesse e richiesteEPUB MOBI HTML
    • La testimonianza di Gloria PoloEPUB MOBI HTML
    • Chiara Luce BadanoEPUB MOBI HTML
    • Madre Carolina VenturellaEPUB MOBI HTML
    • Madre SperanzaEPUB MOBI HTML

    Novissimi

    Patristica

    • Scritti dei primi cristiani (Didachè, Lettera a Diogneto, Papia di Gerapoli)EPUB MOBI HTML
    • I padri apostolici (S.Clemente Romano,S.Ignazio di Antiochia,Il Pastore d'Erma, S.Policarpo di Smirne)EPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Scritti di Sant'AgostinoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Sant'Agostino, la città di DioEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Sant'Agostino, le confessioniEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Clemente Alessandrino,Sant'Ambrogio, Sant'Anselmo, San Benedetto,San Cirillo di GerusalemmeEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Giustino, San Leone Magno, Origene, Cirillo d'Alessandria, San Basilio, Atenagora di Atene, Rufino di Aquileia,Guigo il CertosinoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Giovanni CrisostomoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Gregorio di NissaEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Quinto Settimio Fiorente TertullianoEPUB MOBI HTML
    • I padri del deserto: Evagrio Pontico, Sant'Antonio AbateEPUB MOBI HTML
    • I padri esicasti : La preghiera del Cuore,Gregorio il sinaita,Niceforo il solitario, San Barsanufio e Giovanni, Pseudo MacarioEPUB MOBI HTML

    Sacramenti e vita cristiana

    Altri libri

    • La Divina Commedia (Inferno, Purgatorio, Paradiso) di Dante AlighieriEPUB MOBI HTML
    • La storia d'Italia di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • I testimoni di Geova di Don Vigilio Covi