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Artigos Junho 2007



    quinta-feira, 26 de maio de 2011

    O Novus Ordo Missae terminou por produzir uma fase de desunião litúrgica entre os católicos. Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei








    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei

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    Apresentamos a intervenção do Professor Roberto de Mattei por ocasião do Congresso
    Litúrgico realizado no mosteiro beneditino de Notre Dame em Fontgombault, França, 22-
    24 de julho de 2001. Com tema principal “Cristo é o sujeito da liturgia, não a
    comunidade”, o congresso reuniu bispos e autoridades eclesiásticas, tendo como seu
    principal conferencista o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal
    Joseph Ratzinger. Dentre os participantes do mundo “tradicionalista” podemos destacar
    Dom Gérard Calvet, abade de Le Barroux; Mons. Camille Perl, da Comissão Ecclesia
    Dei; e Padre Arnoud Devillers, então superior da Fraternidade São Pedro.
    Roberto de Mattei, historiador italiano renomado, professor de História do Cristianismo
    na Universidade Européia de Roma, é autor de várias obras, com destaque para sua
    biografia do Beato Pio IX e seu último livro “La liturgia della chiesa nell’epoca della
    secolarizzazione”. Também discursou no congresso realizado em Roma, sob patrocínio da
    Comissão Ecclesia Dei, por ocasião do primeiro aniversário do motu proprio Summorum
    Pontificum; na oportunidade, Prof. De Mattei teve seu artigo "Il rito romano antico e la
    secolarizzazione" publicado no L’Osservatore Romano.


    CONSIDERAÇÕES SOBRE A REFORMA LITÚRGICA
    por Roberto de Mattei
    Tradução de Marcelo de Souza e Silva
    Fonte: Revue Item
    Eminência,
    Reverendíssimos Padres Abades,
    Reverendos Padres,
    Minha intervenção como vós bem podeis imaginar, não será a de um liturgista
    nem de um teólogo, mas a de um homem de cultura, de um historiador, de um católico
    leigo que tenta situar os problemas da Igreja no horizonte de seu próprio tempo.
    Nesta perspectiva, eu me proponho a desenvolver certas considerações sobre as
    raízes históricas e culturais da Reforma litúrgica pós-conciliar. Com efeito, eu estou
    convencido de que quanto mais este quadro for esclarecido, mais a compreensão e a
    solução de problemas complexos que temos diante de nós serão facilitadas.
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
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    Todo problema, e o da liturgia não é exceção, para ser tomado em sua essência,
    deve ser efetivamente situado num contexto mais vasto. Aquele que quereria estudar a
    arquitetura gótica, por exemplo, não poderia negligenciar sua relação com a Escolástica
    medieval tão bem ilustrada por Erwin Panofski, assim como para se compreender a arte
    figurativa dos séculos XIX e XX, seria necessário recorrer aos estudos de Hans Sedlmayr,
    que dela retém a dimensão ideológica profunda. Assim, um discurso sobre a arte deve ir
    além da arte, um julgamento técnico-estético não basta; assim também, um discurso sobre
    a liturgia deve ir além da própria liturgia, tentando encontrar o sentido derradeiro dela
    mesma. Porque a liturgia não é somente o conjunto de leis que regulamentam os ritos.


    Estes ritos, em sua variedade, remetem à unidade de uma fé. Sem este conteúdo, o culto
    cristão seria um ato exterior, vazio, desprovido de valor, uma ação não sagrada, mas
    “mágica”, típica de certas concepções gnósticas ou panteístas do mundo. Neste sentido, foi
    bem dito que: “o culto, compreendido em toda sua plenitude e profundidade, vai muito além da
    ação litúrgica”.


    Em suas fórmulas, em seus ritos, em seus símbolos, deve refletir o dogma. O
    dogma, disse-se, é para a liturgia o que a alma é para o corpo, o pensamento para a
    palavra. É, pois, necessário tornar íntima e profunda a relação entre a liturgia e a fé, que
    foi tradicionalmente expressa na fórmula lex orandi, lex credendi. Neste axioma nós
    podemos encontrar uma chave para a leitura da crise atual. O axioma lex orandi, lex
    credendi, na teologia do século XIX ao início do século XX, os teólogos modernistas reinterpretaram
    segundo as categorias de seu pensamento que, sob a influência das
    ideologias então dominantes, nutriam-se de um evolucionismo de matriz simultaneamente
    positivista e irracionalista. Georges Tyrell, em particular, considerado por Ernesto
    Buonaiuti como a personagem “mais intimamente impregnado de fé e entusiasmo
    pela causa modernista”, identificou a revelação com a experiência vital (religious
    experience), que se realiza na consciência de cada um. Portanto, é a lex orandi que
    deve ditar as normas da lex credendi e não o inverso, visto que “o credo está contido de
    modo implícito na prece e deve ser extraído dela a todo custo; e que toda formulação deve
    ser posta e explicada pela religião concreta que ela formula”.
    Deve-se ainda escrever a história do modernismo após sua condenação; mas é
    certo que várias dessas instâncias penetraram no interior do “Movimento Litúrgico”
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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    a tal ponto que Pio XII se viu constrangido a intervir com sua importante encíclica
    Mediator Dei de 20 de novembro de 1947, para retificar desvios. O Papa condenou em
    particular “o erro daqueles que pretendiam que a Santa Liturgia fosse quase uma
    experiência do dogma”, fundando-se sobre uma leitura errônea do adágio lex orandi, lex
    credendi. “Não é assim – afirma Pio XII – que ensina e ordena a Igreja; (...) se nós
    queremos distinguir de modo geral e absoluto as relações que existem entre a fé e a
    liturgia, pode-se afirmar com razão que a lei da fé deve estabelecer a lei da prece”. Pio
    XII reafirma, portanto, a objetividade da fé sobre a liturgia compreendida como
    “experiência religiosa” subjetiva, em oposição àqueles que pareciam indicar na “práxis
    litúrgica” a nova norma da fé católica.


    Após a constituição Sacrossanctum Concilium de 4 de dezembro de 1963, a
    Reforma litúrgica, empreendida por Paulo VI em aplicação aos decretos conciliares, à qual
    sucedeu a constituição apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969, pôs novamente
    na ordem do dia a relação entre a lex orandi e a lex credendi. Os primeiros e mais influentes
    críticos da Reforma litúrgica, foram os Cardeais Ottaviani e Bacci, apresentando a Paulo
    VI um Breve Exame Crítico do Novus Ordo Missae, definiram o novo rito como “um
    distanciamento impressionante da teologia católica da Santa Missa tal como ela foi
    formulada na XXII sessão do Concílio Tridentino”. Cumpre lembrar que esta sessão
    definira a Missa como Sacrifício verdadeiramente propiciatório no qual “o próprio Jesus
    Cristo está contido e imolado de modo não sangrento”. As críticas dos Cardeais Ottaviani e
    Bacci, e de outros autores que seguiram, sublinharam como a nova lex orandi de Paulo VI
    não refletiam de modo adequado este ponto da lex credendi tradicional da Igreja. Abriu-se
    então uma discussão, ainda não terminada, que levou a casos de consciência e a fraturas no
    in

    terior da Igreja.

    O Novus Ordo Missae, nascido também para realizar uma forma de
    reencontro litúrgico com os não-católicos, terminou por produzir o oposto: uma fase
    de desunião litúrgica entre os católicos.
    A tese de fundo cuja síntese eu tentarei expor é a seguinte: a relação lex credendilex
    orandi, implícita na Reforma litúrgica, deve ser lida à luz da nova teologia que preparou
    o Concílio Vaticano II e que, sobretudo, quis orientar os desenvolvimentos dele. A lex
    credendi expressa pelo Novus Ordo Missae surge nesse sentido como uma revisão da fé
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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    católica pela “virada” antropológica e secularista da nova teologia; uma teologia que, urge
    sublinhar, não se limita a repropor os temas modernistas, mas os toma por seus como o
    marxismo, isto é, segundo um pensamento que se apresenta como uma “filosofia da
    práxis” radical e definitivo. Isso significa que um julgamento global da Reforma, sobretudo
    trinta anos após, não se pode limitar a uma análise teórica do Novo Rito promulgado por
    Paulo VI, mas deve necessariamente se estender à “práxis litúrgica” que seguiu sua
    instituição.
    A Reforma litúrgica hoje não pode ser considerada estaticamente, nos documentos
    que a fundaram, mas deve ser vista em seu aspecto dinâmico, tendo atenção para com a
    multiplicidade de elementos que, ainda que não estivessem previstos pelo Novus Ordo, se
    tenham tornado uma parte inteira daquilo que poderia ser definido como práxis litúrgica
    contemporânea.


    A secularização da liturgia da Missa, que é a ação sagrada por excelência,
    foi sempre regulada por um rito, isto é, por seu ordo; de acordo com as palavras de Santo
    Agostinho: “totum agendi ordinem, quem universa per orbem servat Ecclesia”. Com a
    Reforma litúrgica, a essência do Sacramento que permanecia válida e guardava toda sua
    eficácia, não mudou, mas se “fabricou”, de acordo com a expressão do Cardeal Ratzinger,
    um rito ex novo. O rito, cuja definição clássica remonta a Servio (Mos institutus religiosis
    caeremoniis consecratus), não é com efeito a ação sagrada, mas a norma que guia o
    desenrolar desta ação. Ele pode ser definido como o conjunto das fórmulas e das normas
    práticas que é necessário observar para o cumprimento de uma função litúrgica
    determinada, mesmo se por vezes o termo tem um significado mais vasto e designa uma
    família de ritos (romano, grego, ambrosiano). É justamente para isso que os sacramentos,
    em sua essência, são imutáveis, os ritos podem variar de acordo com os povos e os tempos.


    Em teoria, o Novus Ordo de Paulo VI estabeleceu um conjunto de normas e de
    preces que regulavam a celebração do Santo Sacrifício da Missa em substituição do antigo
    Rito romano; de fato, a práxis litúrgica revelou que nos encontrávamos diante de um novo
    rito que pode tomar todas as formas, multiforme. No decurso da Reforma se introduziu
    progressivamente toda uma série de novidades e de variantes, certo número dentre
    elas não previstas nem pelo Concílio nem pela constituição Missale Romanum de
    Paulo VI. O quid novum não saberia estar limitado à substituição do latim pelas línguas
    vulgares. Ele consiste igualmente na vontade de conceber o altar como uma “mesa”, para
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    sublinhar o aspecto do banquete em lugar do sacrifício; na celebratio versus populum,
    substituída à versus Deum, com, por conseqüência, o abandono da celebração voltada para
    o Oriente, isto é, voltada para o Cristo simbolizado pelo sol nascente; na ausência de
    silêncio e de recolhimento durante a cerimônia e na teatralidade da celebração
    acompanhada freqüentemente por cantos que tendem a profanar uma Missa na qual
    o sacerdote quase sempre tem o seu papel reduzido para “presidente da assembléia”;
    na hipertrofia da liturgia da palavra em relação à liturgia eucarística; no “sinal” da paz que
    toma o lugar das genuflexões do sacerdote e dos fiéis, como ação simbólica da passagem
    da dimensão vertical para a horizontal da ação litúrgica; na santa comunhão recebida pelos
    fiéis de pé e na mão; no acesso das mulheres ao altar; na concelebração tendendo à
    “coletivização” do rito. Ele consiste, sobretudo e enfim, na mudança e na substituição das
    preces do Ofertório e do Cânon. A eliminação em particular das palavras Mysterium Fidei
    da fórmula eucarística, pode ser considerado, como observou o Cardeal Stickler, como o
    símbolo da desmistificação e, portanto, da humanização do ponto central da Santa Missa.
    O fio condutor dessas inovações pode ser expresso na tese segundo a qual se nós queremos
    tornar a fé em Cristo acessível ao homem de hoje, nós devemos viver e apresentar essa fé
    dentro do pensamento e mentalidade atuais. A liturgia tradicional, por sua incapacidade de
    se adaptar à mentalidade contemporânea, distanciou o homem de Deus e se tornou assim
    culpada da perda de Deus em nossa sociedade.
    A Reforma se propunha a adaptar o Rito, sem prejudicar a essência do
    Sacramento, para permitir à comunidade cristã essa “participação no sagrado” que não
    podia ser realizada através da liturgia tradicional. Graças ao princípio da “participatio
    actuosa”, a comunidade inteira tornara-se sujeito e portadora da ação litúrgica. “O termo,
    aparentemente tão modesto, de ‘participação ativa’, plena e consciente, é índice de um
    plano de fundo inesperado”, observou o Padre Angelus Häussling, sublinhando a relação
    entre a “participatio actuosa” da Reforma litúrgica e aquela que, na escola de Karl Rahner,
    foi chamada de “virada antropológica” (anthropologische Wende) da teologia. Não parece
    ser exagero afirmar que a participatio actuosa da comunidade chega a ser o critério último
    da Reforma litúrgica na perspectiva de uma secularização radical da liturgia. Tal
    secularização comporta a extinção do sacrifício, ação sagrada por excelência, que será
    substituída pela ação profana da comunidade que se auto-glorifica, ou, segundo as palavras
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
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    de Urs von Balthasar, visa a responder ao louvor da Graça de Deus com uma “contraglória”
    puramente humana. Não é mais o sacerdote, in persona Christi, isto é, o próprio
    Deus, que age, mas a comunidade dos fiéis, in persona hominis, para representar as
    exigências deste mundo moderno que um discípulo de Rahner definiu “como santo e
    santificado em seu profano, isto é, santo sob forma anônima”. A uma “Palavra divina,
    sacral e plurissecular”, que tem por conseqüência “uma liturgia sacralizada e separada da
    rotina”, opõe-se uma Palavra de Deus que “não é pura revelação, mas também ação: ela
    realiza o que ela manifesta”; ela é a “auto-realização absoluta da Igreja”.
    A distinção, proposta por Rahner, entre a “secularização”, que deveria ser
    positivamente admitida enquanto fenômeno inevitável, e o “secularismo” anti-cristão, que
    não seria nada além de uma forma equivocada da secularização, é claramente capciosa. De
    fato, a palavra secularização, ainda que tenha uma quantidade de sentidos diferentes, é
    comumente compreendida – assim como o secularismo – como um processo de
    “mundanização” irreversível da realidade, que é progressivamente privada de todo aspecto
    transcendente e metafísico. Com efeito, a secularização se apresenta não somente como
    uma aceitação de fato de uma secularização sempre crescente do mundo atual, mas
    também como idéia de um processo irreversível e, enquanto irreversível, verdadeiro. A
    secularização é “verdadeira”, visto que a verdade é de todo modo imanente à história; o
    sagrado é “falso” por sua ilusão de transcender a história e de afirmar uma distinção
    qualitativa entre a fé e o mundo, entre transcendente e transcendental. A fé no poder da
    história toma assim o lugar da fé na Providência e no poder de Deus. Esta filosofia da
    história se funda sobre o mito, próprio do iluminismo, do mundo tornado “adulto” que
    deve se libertar dos valores do passado, concernentes à infância da humanidade, para se
    chegar a um nível de vida totalmente racional. Tal visão encontrou expressão rigorosa no
    pensamento protestante, sobretudo na tese de Bonhoeffer sobre a “maturidade do mundo”
    (Mündigkeit der Welt) que fala por si só, uma maturidade que se alcança com a eliminação
    do sagrado na vida em todas as dimensões. Esta maturidade foi levada a sua última
    coerência pelo marxismo gramsciano que representou o desenvolvimento conseqüente ao
    século XX da filosofia das Luzes e o ponto de chegada do secularismo enquanto
    imanentismo radical.
    A teologia progressista, sobretudo após o Concílio, quis substituir a filosofia
    tradicional pela filosofia “moderna”, subordinando-se inevitavelmente ao marxismo. Este
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei

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    último representava o progressismo católico da primeira filosofia que conseguira
    transportar seu critério de verdade na práxis e que, no sucesso dessa práxis, parecia
    demonstrar a verdade de seu pensamento. Notou-se a afinidade entre a visão teológica de
    Tyrell, fundada sobre o primado da lex orandi sobre a lex credendi, e o conceito de “autorealização”
    da Igreja em sua pastoral e na liturgia de Karl Rahner. Entretanto, as instâncias
    do primeiro modernismo foram desenvolvidas pela teologia progressista no cerne de um
    horizonte de pensamento que não era mais simplesmente positivista, mas marxista, um
    horizonte de pensamento que conclui um processo, julgado necessário, que enterra suas
    raízes na Filosofia das Luzes e no Protestantismo e, mais longe ainda, no movimento
    intelectual que provocou o fim da sociedade medieval. “A filosofia da práxis – segundo
    Gramsci – é o coroamento de todo o movimento de reforma intelectual e moral; (...) ela
    corresponde ao laço Reforma protestante + Revolução francesa”. A filosofia da práxis
    gramsciana, transcrita teologicamente, conduz à necessidade de uma nova praxis orandi.
    A Reforma litúrgica se mostra, pois, como o Verbo da nova teologia que se faz
    carne, quer dizer, práxis, “auto-realizando” a Igreja pela nova liturgia secularizada. Nova
    liturgia e pós-modernidade; assim que se o pôde observar, viu-se que o problema vai bem
    mais além da própria liturgia: ele toca os conceitos do conjunto sobre as relações entre
    Igreja e a civilização moderna; ele remete à necessidade de uma teologia da história.
    Sobretudo, ele não pode ser resolvido de modo abstrato, mas deve levar em conta o que se
    passou na Igreja no decurso dos últimos trinta anos.
     A nova teologia buscou o encontro com o mundo moderno exatamente nas vésperas da queda
    desse mundo. Com efeito, em 1989, com o “socialismo real” que fala por si só, todos os
    mitos da modernidade e da irreversibilidade da história da história que representavam os
    postulados do secularismo e da “virada antropológica”, entraram em colapso. O paradigma
    da modernidade foi substituído hoje pelo do “caos”, ou da “complexidade”, cujo
    fundamento é a negação do princípio de identidade-causalidade em todos os aspectos do
    real.
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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    Subordinando-se a esse projeto cultural, a nova teologia progressista propõe-se a
    “desconstrução” de tudo o que ela “fabricara” no decorrer desses trinta últimos anos,
    começando pela Reforma litúrgica que ela considera hoje construída de acordo com um
    modelo abstrato e “burocrático”. Assim, ao esquema “monocultural moderno” do novo
    Ordo Missae, opõe-se a “inculturação” pós-moderna da liturgia que é abandonada à
    “criatividade” das igrejas locais. O distanciamento da liturgia romana é descrito por Anscar
    J. Chupungo segundo as fases da “aculturação”, da “inculturação” e da “criatividade
    litúrgica”, através de um processo dinâmico que do termo ad quo do Rito romano
    tradicional possa fazer suceder como termo ad quem, aos “valores, rituais e tradições”
    próprias às igrejas locais. No cerne desse horizonte de “tribalismo litúrgico”, poder-se-ia,
    pois, também prever a criação de um “ghetto” tradicionalista reconhecido canonicamente e
    considerado como “igreja local” daqueles que querem permanecer “inculturados” no
    passado.
    Entretanto, esse “multirritualismo” pós-moderno não tem nada a ver com a
    pluralidade de ritos reconhecida tradicionalmente pela Igreja no interior de uma mesma
    unidade de fé e de uma só lex credendi, da qual os diferentes ritos são expressão.
    Hoje  a fragmentação dos ritos arrisca desembocar numa parcelização das visões teológicas e
    eclesiológicas destinadas a entrar em conflito. O caos litúrgico se apresenta como um
    reflexo da desordem institucionalizada que se quis introduzir na Igreja para transformar sua
    Constituição divina. Como não partilhar essas palavras do Cardeal Ratzinger?: “O que
    anteriormente nós sabíamos apenas teoricamente, tornou-se uma experiência concreta: a Igreja
    subsiste e cai com a liturgia. Quando a adoração à Trindade divina desaparece, quando na
    liturgia da Igreja a fé não se manifesta mais em sua plenitude, quando as palavras, os
    pensamentos, as intenções do homem o sufocam, então a Fé terá perdido seu lugar de expressão
    e sua morada. Portanto, é para isso que a celebração da santa Liturgia é o centro de toda a
    renovação da Igreja”.
    Propostas de solução. Em seguida a estas considerações, podemos deduzir
    algumas conclusões práticas que eu me permito expor por espírito de amor à Igreja e à
    Verdade.
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei


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    1. Do ponto de vista dos católicos fiéis à Tradição, sacerdotes e leigos, a
    solução de todo o problema, a curto prazo, deve ser buscada, a meu ver, no interior de duas
    “invariáveis”: de um lado é necessário que os fiéis “tradicionais” reconheçam, não
    somente em teoria, mas também em todas as suas conseqüências práticas, a plenitude
    da jurisdição pertinente a autoridade eclesiástica legítima. Por outro lado, é óbvio que,
    a autoridade eclesiástica não pode legitimamente exigir dos sacerdotes e fiéis que façam
    positivamente o que quer que seja, que vá contra sua própria consciência. O Cardeal
    Ratzinger escreveu páginas bem agudas sobre a inviolabilidade da consciência que tem seu
    fundamento no direito de crer e viver como cristãos fiéis. “O direito fundamental do cristão
    – escreveu ele – é o direito à fé íntegra”. Poderíamos acrescentar e a uma liturgia íntegra.
    Não será difícil deduzir as conseqüências canônicas e morais destes princípios claros.



    2. Olhando as coisas não do ponto de vista dos católicos fiéis à Tradição, mas
    sub specie Ecclesiae, parece-me que a única via que a autoridade eclesiástica possa
    razoavelmente percorrer a meio termo, seja aquela indicada pela fórmula “reforma da
    Reforma litúrgica”. Esta via suscita em alguns “tradicionalistas” perplexidade e ceticismo,
    pois que a “reforma da Reforma” não constituiria uma “restauração” verdadeira e íntegra
    do rito tradicional. Mas é verdadeiro, como sustentam os próprios tradicionalistas, que a
    Reforma litúrgica chegou a executar uma verdadeira “Revolução”, no mesmo momento em
    que ela afirmava sua continuidade com a Tradição, como negar a uma reforma de espírito
    contrário, a possibilidade de chegar, mesmo gradativamente, a um retorno à Tradição?


    Por
    outro lado, deveria ser claro que a “reforma da Reforma” não teria sentido se ela fosse
    “oferecida”, ou melhor, imposta aos “tradicionalistas”, para lhes pedir que abandonassem
    um ritual ao qual, por consciência, eles não querem renunciar; ela tem um sentido, ao
    contrário, se ela fosse proposta à Igreja universal para retificar, ao menos em parte, os
    d

    esvios litúrgicos em curso.

    A “reforma da Reforma” tem um sentido enquanto
    “transição” no caminho para a Tradição e não enquanto pretexto para abandoná-la.
    3. Estas medidas, ainda que necessárias, não podem resolver o problema de
    fundo. Em uma fase que alguns poderiam considerar longa demais, mas que, na realidade,
    é somente urgente, já que não admite atalhos, é necessário renovar com uma visão
    teológica, eclesiológica e social, fundada sobre a dimensão do sagrado, isto é, sobre um
    projeto de ressacralização da sociedade, diametralmente oposto ao projeto de secularização
    e de descristianização, do qual nós sofremos as conseqüências dramáticas. Isso significa
    Considerações sobre a Reforma Litúrgica - Roberto de Mattei
    Fratres in Unum.com


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    que não se pode imaginar uma reforma ou restauração litúrgica fazendo abstração de uma
    reforma ou restauração no plano teológico, eclesiológico e cultural. A ação no plano da lex
    orandi deverá ser paralela àquela executada no plano da lex credendi para a reconquista dos
    princípios fundamentais da teologia católica, a começar por uma teologia exata do Santo
    Sacrifício da Missa. Hoje o secularismo está em crise. Todavia, as novas formas de
    sagrado, oriundas da religiosidade New Age ou do Islam que prosperam no Ocidente,
    eliminam o Sacrifício de Jesus Cristo e, portanto, a idéia de que o homem pode ser
    salvo somente pelo Amor gratuito de Deus, por Seu Sacrifício, e que a tal dom, o
    homem deve responder abraçando ele também a Cruz redentora.


    É necessário assim
    se aproximar com amor do mistério sublime da Cruz e da idéia de sacrifício que dela
    decorre. O sacrifício, cujo modelo é o mártir e cuja expressão é o combate cristão, é
    antes de tudo a renúncia a um bem legítimo em nome de um bem mais elevado. O
    sacrifício supõe uma mortificação da inteligência que deve se dobrar à Verdade,
    sobre uma linha exatamente contrária àquela da auto-glorificação do pensamento
    humano que caracterizou os últimos séculos. Mas como imaginar uma reconquista da
    idéia de sacrifício que está no coração da visão católica da história e da sociedade sem que
    esta idéia seja antes de tudo vencida? É necessário, parece-me, que a idéia de sacrifício
    impregne a sociedade na forma, hoje extremamente abandonada, de espírito de sacrifício e
    de penitência. Esta, e não outra, é a “experiência do sagrado” da qual nossa sociedade tem
    uma necessidade urgente.


    Ao princípio do hedonismo e da auto-celebração do “Eu”,
    que constitui o cume do processo revolucionário plurissecular, que ataca a sociedade,
    é necessário opor o princípio vencido do sacrifício.
    Uma reconquista católica da sociedade é impossível sem espírito de penitência e
    de sacrifício, e sem essa reconquista de princípios e de instituições cristãs, é difícil poder
    imaginar um retorno à liturgia autêntico e a seu coração: a adoração devida do único e
    verdadeiro Deus. O chamado à penitência, sobretudo um exemplo de penitência, podem
    valer muito mais que numerosas teorias. É talvez para isso que em Fátima a Santíssima
    Virgem indica o caminho da penitência como sendo o único pelo qual o mundo
    contemporâneo se poderia salvar. O triplo chamado do Anjo à penitência, no Terceiro
    segredo de Fátima, é um manifesto da doutrina e da vida que nos indica a via para toda a
    restauração, mesmo a litúrgica.
    fonte:fratres in unum

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    • Del Gran mezzo della preghiera di Sant'Alfonso Maria de LiguoriEPUB MOBI HTML
    • La necessità della preghiera di Sant'Alfonso Maria de LiguoriEPUB MOBI HTML
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    • Esercizi Spirituali di Sant'IgnazioEPUB MOBI HTML
    • Trattato della vita spirituale di San Vincenzo FerreriEPUB MOBI HTML
    • Il castello interiore di Santa Teresa d'AvilaEPUB MOBI HTML
    • La nuvoletta del Carmelo di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • Maria Ausiliatrice col racconto di alcune grazie di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • Maraviglie della Madre di Dio di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • Specchio (o salutazione) della Beata Vergine Maria di Corrado da SassoniaEPUB MOBI HTML
    • E' Gesù che passa di San Josemaría Escrivá de BalaguerEPUB MOBI HTML
    • Opera Omnia - San Francesco d'AssisiEPUB MOBI HTML
    • Opera Omnia - Santa Chiara d'AssisiEPUB MOBI HTML
    • Meditazioni della Beata Madre Teresa di CalcuttaEPUB MOBI HTML
    • Madre Mia quanto sei bellaEPUB MOBI HTML
    • Con Maria la vita è bellaEPUB MOBI HTML
    • Con Maria verso GesùEPUB MOBI HTML
    • Il mio ideale Gesù figlio di Maria di p. Emilio NeubertEPUB MOBI HTML
    • L'anticristo di Vladimir Sergeevic SolovievEPUB MOBI HTML
    • Salita del Monte Carmelo di San Giovanni della CroceEPUB MOBI HTML
    • Maria e la sua armataEPUB MOBI HTML

    Biografie di santi, Visioni, Profezie, Rivelazioni

    • La Misericordia Divina nella mia anima - Diario di Santa suor Faustina KowalskaEPUB MOBI HTML
    • L'Araldo del Divino Amore di Santa Gertrude di HelftaEPUB MOBI HTML
    • La vita di Maria della Beata Anna Caterina EmmerickEPUB MOBI HTML
    • La Passione di Nostro Signore della Beata Anna Caterina EmmerickEPUB MOBI HTML
    • Le visioni della Beata Anna Caterina EmmerickEPUB MOBI HTML
    • La Mistica Città di Dio di Suor Maria d'AgredaEPUB MOBI HTML
    • I sogni di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • Vita di Santa Margherita Maria Alacoque (scritta da lei stessa)EPUB MOBI HTML
    • I primi nove venerdì del mese - la grande promessaEPUB MOBI HTML
    • Diario di Santa Gemma GalganiEPUB MOBI HTML
    • Il diario della Beata Elisabetta Canori MoraEPUB MOBI HTML
    • Il diario mistico di Camilla BraviEPUB MOBI HTML
    • Diario di Louise Marguerite Claret De La ToucheEPUB MOBI HTML
    • Il libro della Grazia speciale - Rivelazioni di Santa Metilde di HackebornEPUB MOBI HTML
    • Le Rivelazioni di Santa Brigida di SveziaEPUB MOBI HTML
    • Amore per amore: diario di Suor Maria Costanza del Sacro CostatoEPUB MOBI HTML
    • Beata Marietta RubattoEPUB MOBI HTML
    • Beato Bartolo LongoEPUB MOBI HTML
    • Colui che parla dal fuoco - Suor Josefa MenendezEPUB MOBI HTML
    • Così lontani, così vicini - Gli angeli nella vita di Santa Gemma GalganiEPUB MOBI HTML
    • Cristo Gesù nella Beata Alexandrina da BalasarEPUB MOBI HTML
    • Il mistero del Sangue di Cristo - Suor Maria Antonietta PrevedelloEPUB MOBI HTML
    • Santa Gertrude Di Helfta di don Giuseppe TomaselliEPUB MOBI HTML
    • Vita della Serva di Dio Edvige CarboniEPUB MOBI HTML
    • Diario di Edvige CarboniEPUB MOBI HTML
    • Rimanete nel mio amore - Suor Benigna Consolata FerreroEPUB MOBI HTML
    • Il Sacro Cuore e il Sacerdozio. Biografia di Madre Luisa Margherita Claret de la ToucheEPUB MOBI HTML
    • Figlia del dolore Madre di amore - Alexandrina Maria da CostaEPUB MOBI HTML
    • Il piccolo nulla - Vita della Beata Maria di Gesu CrocifissoEPUB MOBI HTML
    • Beata Anna Schaffer: Il misterioso quaderno dei sogniEPUB MOBI HTML
    • Beata Chiara bosattaEPUB MOBI HTML
    • Beata Maria Candida dell'EucaristiaEPUB MOBI HTML
    • Fratel Ettore BoschiniEPUB MOBI HTML
    • Il cuore di Gesù al mondo di Suor Maria Consolata BetroneEPUB MOBI HTML
    • Madre Giuseppina BakhitaEPUB MOBI HTML
    • Beata Maria di Gesù Deluil-MartinyEPUB MOBI HTML
    • Serva di Dio Luigina SinapiEPUB MOBI HTML
    • Marie-Julie JahennyEPUB MOBI HTML
    • Marie Le ValleesEPUB MOBI HTML
    • I SS. Cuori di Gesù e di Maria. La salvezza del mondo, le loro apparizioni, promesse e richiesteEPUB MOBI HTML
    • La testimonianza di Gloria PoloEPUB MOBI HTML
    • Chiara Luce BadanoEPUB MOBI HTML
    • Madre Carolina VenturellaEPUB MOBI HTML
    • Madre SperanzaEPUB MOBI HTML

    Novissimi

    Patristica

    • Scritti dei primi cristiani (Didachè, Lettera a Diogneto, Papia di Gerapoli)EPUB MOBI HTML
    • I padri apostolici (S.Clemente Romano,S.Ignazio di Antiochia,Il Pastore d'Erma, S.Policarpo di Smirne)EPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Scritti di Sant'AgostinoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Sant'Agostino, la città di DioEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Sant'Agostino, le confessioniEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Clemente Alessandrino,Sant'Ambrogio, Sant'Anselmo, San Benedetto,San Cirillo di GerusalemmeEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Giustino, San Leone Magno, Origene, Cirillo d'Alessandria, San Basilio, Atenagora di Atene, Rufino di Aquileia,Guigo il CertosinoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Giovanni CrisostomoEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: San Gregorio di NissaEPUB MOBI HTML
    • I padri della chiesa: Quinto Settimio Fiorente TertullianoEPUB MOBI HTML
    • I padri del deserto: Evagrio Pontico, Sant'Antonio AbateEPUB MOBI HTML
    • I padri esicasti : La preghiera del Cuore,Gregorio il sinaita,Niceforo il solitario, San Barsanufio e Giovanni, Pseudo MacarioEPUB MOBI HTML

    Sacramenti e vita cristiana

    Altri libri

    • La Divina Commedia (Inferno, Purgatorio, Paradiso) di Dante AlighieriEPUB MOBI HTML
    • La storia d'Italia di San Giovanni BoscoEPUB MOBI HTML
    • I testimoni di Geova di Don Vigilio Covi