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sábado, 5 de julho de 2014

TRECHOS DO LIVRO "INTRODUÇÃO AO ESPÍRITO DA LITURGIA" - CARDEAL JOSEPH RATZINGER

TRECHOS DO LIVRO "INTRODUÇÃO AO ESPÍRITO DA LITURGIA" - CARDEAL JOSEPH RATZINGER PDFImprimirE-mail
ENVIADO PELA CATEQUISTA MÔNICA ROMANO
Descrição: Com este livro, o cardeal Ratzinger quer ajudar os fiéis a olhar para a fonte escondida da vida eclesial. Aí desenrola-se a acção litúrgica que, nos sacramentos, e em particular na Eucaristia, permite tomar parte na acção salvífica de Cristo. No estilo próprio do autor, abre ao leitor rasgos de contemplação, mas sem deixar de apresentar aspectos polêmicos, propostos com a habitual franqueza do Cardeal Ratzinger. Uma das obras mais interessantes de toda a produção religiosa dos últimos anos.
Telhard confere um significado novo ao culto cristão: para ele, a Hóstia transformada é a antecipação da transformação da matéria e da sua divinização na plenitude cristológica”.
Sobre sacrifício: Deus dá o cordeiro que Abraão depois lhe restitui. “ dos teus dons e das tuas ofertas” sacrificamos nós, diz o Cânone Romano. A teologia do culto cristão reconheceu-a a começar já com o João Batista – em Cristo, o Cordeiro oferecido por Deus ; o Apocalipse descreve o Cordeiro Sacrificado, como o centro da liturgia celeste, agora presente no centro do mundo através do sacrifício de Cristo, tornando desnecessárias as liturgias de substituição.
- O Cordeiro imolado da Páscoa será estabelecido como centro do ano litúrgico e da memória da fé de Israel, que é ao mesmo tempo a sua contínua instituição.
O véu rasgado do templo é o véu que está ente a Face de Deus e o mundo:no coração perfurado do sacrificado abre-se o próprio Coração de Deus; vejamos agora quem é como Deus é. O céu deixou de estar encerrado – Deus saiu do seu culto. É por isso que não resume o significado da cruz com a nova natureza da veneração de Deus na misteriosa Palavra da promessa do profeta Zacarias : “ Hão de olhar para aquele que tresparassaram” ( Jô 19,37).
Através da Eucaristia, que é o portal de adoração sempre aberto, é o sacrifício verdadeiro da Nova Aliança.
O caminhar da humanidade, rumo a Cristo, é o caminhar de Cristo rumo aos homens. A sua vontade é unir a humanidade e gerar uma única Igreja, uma única reunião de Deus com todos os homens.
- Orações da Sinagoga: A primeira das duas grandes orações rituais da sinagoga , culminam na citação conjunta doQuiddusch, a que pertence o Hino dos Serafins de Is. 6 e ao Hino dos Querubins de Ez 3; A recitação da Avodá que, segundo os rabis, era antigamente a oração de consagração nos ritos de holocaustos diários do templo.
Voltar-se para o oriente: Cristo – representado no sol – é o lugar da Shekhina, o autêntico trono do Deus Vivo; a oração voltada para o oriente sempre foi vista como uma tradição apostólica.
  • Schekna – Presença de Deus
Contudo, o fato do Cristo se ver simbolizado no sol nascente aponta para uma cristologia de caráter escatológico. O sol simboliza o regresso do Senhor, o nascer do sol definitivo da história, rezar em direção ao oriente significa; aproximar-se do Cristo vindouro. “ Aparecerá, então ( no fim dos dias ), no céu ( Dn 7,13 ) O sinal do Filho do Homem, e chorarão todas as tribos da face da Terra. E verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória”.
Após a finalização da Liturgia da Palavra, durante a qual os fiéis se encontram em volta da cadeira do Bispo, caminham todos juntamente com o Bispo em direção ao altar, que entoando agora a aclamação “ conversi ad Dominum”, ( dirigi-vos para o Senhor ), isto é, olhem agora, todos, juntamente com o Bispo em direção ao oriente, no sentido da carta aos Hebreus “ com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé” ( 12,12). A liturgia Eucarística concretiza-se no olhar fixo em Jesus, ela é o olhar fixo em Jesus.
Nas construções de igrejas antigas, a liturgia possui dois lugares, o primeiro é o centro da Igreja, onde se realiza a celebração da Palavra, como os fiéis agrupados em volta do “ Bemá ”, que é o plano elevado, onde se encontrava o Trono do Evangelho, o assento do Bispo e o ambão da leitura. A própria celebração eucaristia tem seu lugar na abside, ao pé do altar rodeado pelos fiéis, que estão todos, juntamente com o celebrante, voltados em direção do oriente, para o Senhor vindouro.
O altar e a orientação na Liturgia:
Depois do Concílio Vaticano II ( que em si não fala da orientação para o povo ) foram erigidos altares novos por todo lado; a direção da celebração “versus populum”, surge hoje praticamente como o autêntico fruto da inovação litúrgica, em concordância com o Vaticano II. Na realidade, ela é a conseqüência mais visível da reestruturação que não implica apenas o ordenamento exterior aos lugares litúrgicos, mas sobretudo na nova compreensão da natureza litúrgica como ceia.
Mas o sentido da Basílica Romana e da sua colocação do altar é assim mal entendido, como também a idéia da última ceia de Jesus não é exata.
O que diz Louis Bauyer : “ A idéia- nomeadamente a da última ceia – de que a celebração “versus populum” tenha sido a forma original da última ceia , baseia-se simplesmente no conceito incorreto de um banquete cristão ou não cristão na antiguidade. Nos primeiros tempos cristãos, nunca o dirigente de um banquete teria tomado lugar diante dos outros participantes. Todos estavam sentados ou deitados no lado convexo de uma mesa de forma de sgma ou de ferradura. Em tempos da antiguidade cristã nunca teria surgido a idéia de que o dirigente de um banquete devesse tomar o lugar “ versus populum”.
O caráter de convivência de um banquete era realçado precisamente pela ordenação oposta de lugares, isto é, todos os participantes estavam sentados ao mesmo lado a mesa.”
Pascha – Ceia Judaica
O sacerdote que se volta para a comunidade forma, juntamente com ela , um círculo fechado em si.
Voltar-se em conjunto para o oriente, não era uma “celebração da parede” e não significava do sacerdote “ virar as costas ao povo” no fundo, isso não tinha muita importância. Porque , da mesma maneira como as pessoas na sinagoga se voltavam para Jerusalém, elas voltavam-se aqui em conjunto “ para o Senhor”. Tratava-se, como foi exposto por um dos presbíteros que elaboraram a Constituição Litúrgica do Vaticano II, J.A. Jungmann – de uma orientação comum do sacerdote e do povo, que se entendiam , unidos na caminhada para o Senhor. Eles não se fecham no círculo, não se olham uns aos outros; são um povo que se põe a caminho para oriens, rumo a Cristo vindouro que se aproxima de nós.
Altares de cruzeiro : Encontravam-se entre o presbitério e a nave.
Uma grande parte da problemática do conhecimento da liturgia moderna consiste em só reconhecer o antigo como normativo e em conformidade com as origens, considerando como fútil toda a evolução que se seguiu, tanto na Idade Média, como após Trento. Tal atitude causa reconstruções ao antigo, questionáveis e normativas inconstantes, erigindo assim propostas de modificação sempre novas, dissolvendo, por fim, a liturgia que cresceu numa evolução viva.
“ Considero as inovações mais absurdas das últimas décadas aquelas que põe de lado a cruz, a fim de libertar a vista dos fiéis para o sacerdote. Será que a cruz incomoda a Eucaristia? Será que o sacerdote é mais importante que o Senhor? Ele é o sol nascente da história. A cruz pode ser a da paixão , que presencia Jesus, que por nós deixou transpassar o Seu lado, de onde derramou sangue e água – Eucaristia e Batismo – tal como pode ser a cruz triunfal, que reflete a idéia do regresso, guiando o nosso olhar para Ele. Pois é sempre o mesmo Senhor Jesus Cristo, é sempre o mesmo ontem e hoje e por toda a eternidade”. ( Hb 13,8 ).
A guarda do Santíssimo Sacramento
H. de Lubac : “ Desde já se entende que o objetivo da Eucaristia é a nossa própria transubstanciação, a fim de nós formamos um Corpo e um Espírito com Cristo”.
Uma Igreja sem presença eucarística é, de um certo modo, morta, ainda que convide para a oração. Mas uma Igreja onde esteja acesa a Luz Eterna em frente ao Tabernáculo será sempre viva, será sempre apenas mais e que apenas uma construção de pedra: nela, o Senhor está sempre à minha espera, chama-me, quer fazer-me “eucarístico” a mim próprio. Ele prepara-me assim para a Eucaristia, põe-me em andamento rumo ao seu regresso.
Tempo Sagrado:
Oitavo dia: As construções de batistérios em forma de octógono partiam muitas vezes deste simbolismo, do oitavo dia, para ressurreição de Cristo, para a abertura de um tempo novo.
Kamulianium – estampa da Imagem de Cristo na roupa de uma mulher Madylion. Foi levada de Edessa, na Síria, para Constantinopla. Imagem misteriosa, com uma imagem que não podia ser pintada por homens, misteriosamente estampada no tecido, prometendo mostrar o verdadeiro rosto de Cristo, do crucificado do ressuscitado.
As imagens são consoladoras, porque nossos tormentos parecem superados mediante compaixão de Deus encarnado, contendo ao mesmo tempo a mensagem da ressurreição.
“ A imagem do altar é como uma janela pela qual o mundo de Deus entra na nossa proximidade, o véu da temporalidade sabe e nós podemos olhar por um instante o interior do mundo divino”.
A arte barroca quer envolver-nos novamente na Liturgia celeste; sempre sentimos a Igreja barroca de novo como um fortíssimo da alegria, como aleluia que se tornou imagem: a alegria que temos no Senhor é a nossa força.
Posteriormente, o iluminismo baniu a fé para uma espécie de gueto intelectual e social, a cultura atual afastou-se dela e tomou um outro curso, de maneira que a fé ou se refugiou no historicismo, imitando o passado, ou se perdeu na resignação e na abstinência cultural, o que posteriormente conduziu a um novo iconoclasmo, que por muitos foi visto praticamente como o encargo do Concílio Vaticano II.
Princípios fundamentais de uma arte ordenada na Missa:
1- A isenção de imagens não é compatível com a encarnação de Deus. As imagens do belo, que tornam visível o mistério de Deus invisível, fazem parte do culto cristão. É certo que no vai e vem dos tempos sempre haverá também alturas de relativa escassez de imagens, contudo, elas nunca podem desaparecer por completo. O Iconoclasmo não é uma opção cristã.
2- A arte sacra encontra os seus conteúdos nas imagens da história da salvação, começando com a criação e continuando pelo primeiro até o oitavo dia. A ela pertencem sobretudo as imagens da história Bíblica, mas também a história dos santos.
João de Damasco ao imperador Leão III, adversário de imagens: “ A tua luta não é apenas contra os ícones , ela também é contra os santos”.
* O papa Gregório III instituiu a Festa de todos os Santos.
3- A imagem de Cristo é o centro da pintura sacra. Cristo é representado como crucificado, o ressuscitado, o retornado, como rei ainda oculto.
Uma imagem da cruz que não faça transluzir a Páscoa seria tão falha como uma imagem da Páscoa que tenha esquecido das chagas como presença do tormento.
4- As imagens de Cristo e dos santos não são fotografias. A sua natureza não é conduzir para além daquilo que se consegue comprovar somente ao nível material, despertar os sentidos interiores tal como ensinar um novo olhar, capaz de distinguir o invisível do visível.
As imagens são assistentes da liturgia.
* Concílio de Moscovo, 1551 – Concílio dos 100 Cânones
Liturgia e Música
Os hinos e cânticos cristãos nasceram muito cedo, primeiro o Benedictus, e o Magnificat, depois textos inteiramente cristológicos, dos quais destacam o Prólogo de João ( 1,1-18), o Hino de Cristo da Carta aos Filipenses ( 2,6-11), o Cântico de Cristo de I Tm 3,16.
O Cânone 59 do Concílio de Laudicéia proíbe tanto o uso de versos de salmos privados como o de escritos não canônicos nas Missas, o cânone 15 restringe o canto de salmos ao coro de cantores de salmos, enquanto outros não devem cantar na igreja.
O oriente- pelo menos na zona bizantina- manteve-se a música meramente vocal.
O ocidente estava provavelmente sob a influência da polifonia e os instrumentos tiveram novamente entrada na Missa.
Ouvindo Bach ou Mozart na Igreja- ambos nos fazem sentir de um modo magnífico o significado de “ Glória Dei”- Glória de Deus – nas suas músicas encontra-se o infinito mistério da beleza, deixando-nos mais do que em muitas homilias, experimentar a presença de Deus de forma mais viva e genuína.
Em muitos locais, no século XIX, que foi o século da emancipação da subjetividade, levou a uma sufocação da música clássica pela ópera, deixando emergir de novo os perigos que, nessa altura , eram a causa da intervenção do Concílio de Trento. Analogicamente, Pio X procurava agora afastar da Liturgia o gênero operático, declarando o coro gregoriano e a Grande Polifonia como padrões da música litúrgica.
A oração em geral, a capacidade de cantar e brincar diante de Deus, é um dom do Espírito.
Na Missa cristã, não podem ser admitidos todos os tipos de música, porque ela estabelece uma norma: a norma é o logos.
  • Logos : Palavra personificada em Cristo.
O Rito
Século II, o jurista romano ( não cristão ) Pomponius Festus, definiu o rito como uso comprovado na administração de sacrifícios.
  • Ortodoxia : doxa em grego significa opinião e aparência , porém na linguagem cristã, ela significa aparência verdadeira, isto é, a glória de Deus.
  • Antioquia: Capital da Síria, origem da cristandade pagã, onde nasceu o nome “ cristãos”, espaço cultural e lingüístico, onde fora redigido o Apocalipse, centro da tradição litúrgica.
  • Rito Malabar : Ainda praticado na Ìndia e que remonta ao apóstolo Tiago – também o Rito Maronita pode ser relacionado com o círculo tradicional da Síria Oriental.
  • Rito Caldeu : Síria ocidental ou Assírios, cuja origem se pode localizar nas grandes escolas de teologia de Nisibis e Edessa. A zona do Rito Caldeu conduz ao apóstolo Tomé e aos seus discípulos Adaia e Mari. Não há dúvida que ele tenha guardado tradições muito antigas e a mensagem que ele tenha sido missionário na Índia deve certamente ser levada seriamente.
  • Rito Copta e Etíope: Zona eclesiástica de Alexandria. A liturgia de Marcos, que se desenvolveu em Alexandria, é marcada por influencias bizantinas.
  • Rito Armênio: Segundo a tradição, remonta aos apóstolos Bartolomeu e Tadeu e cujo fundador é consideradoGregório, o iluminador ( 260-323). A sua forma é comparável com a liturgia bizantina.
a) Liturgia Romana = Afro- latina
b) Liturgia Gálica = Liturgia celta
c) Liturgia Espanhola = Moçárabe
Só o respeito pela precedência e pela definição essencial da liturgia pode proporcionar-nos aquilo que esperamos dela: a celebração da magnitude que se aproxima de nós, que não é arquitetada por nós e que se nos oferece. Isto significa quea criatividade nunca pode ser uma categoria autêntica do litúrgico. De qualquer maneira, há de se mencionar que a palavra criatividade cresceu na visão marxista do mundo sem sentido, nascido de uma evolução cega, o homem constrói um mundo novo e melhor.
Liturgia e o Corpo.
A designação da Eucaristia como “ oratio” representava uma resposta fundamental pois mediante ela dizia-se aos que estavam à procura : agora são substituídos os vossos animais imolados como também todos os outros sacrifícios vossos, que na realidade não satisfazem a ninguém. O seu lugar foi ocupado pelo sacrifício do Verbo. Nós somos a religião espiritual, qual se efetua, verdadeiramente, a Liturgia da Palavra na qual já não se imolam nem carneiros nem vitelos, onde a Palavra, como representante da nossa existência, é dirigida a Deus e que nos envolve na verdadeira adoração.
O sinal da Cruz
O sinal da cruz é um testemunho de fé; acredito Naquele que por mim sofreu e por mim ressuscitou, Naquele que transformou um sinal de vergonha em um sinal de esperança e de amor de Deus, que nos é presente. O testemunho da fé é um testemunho de esperança: acredito Naquele que na sua fraqueza é todo poderoso, Naquele que precisamente na sua aparente ausência e impotência me pode e vai salvar.
Quando fazemos o sinal da cruz, colocamos-nos sob a Sua proteção, segurando-a ao mesmo tempo diante de nós como um escudo, que nos ampara nas dificuldades do quotidiano, encorajando-nos a continuar.
  • O Tau : Última letra do alfabeto hebraíco, tinha a forma de uma cruz, tornar-se á o selo do próprio Deus. Ele é a resposta à saudade e à paixão do homem por Deus, acolhendo-a deste modo ao abrigo de Deus.
Dinkler conseguiu demonstrar que, no Antigo Testamento, o hábito cultural de estigmatizar – as mãos ou a testa- e que esse costume também era conhecido no tempo do Novo Testamento.
Irineu de Lião: “ O crucificado é a própria Palavra de Deus, que, numa presença invisível, atravessa todo nosso universo. É por isso que a Palavra envolve o mundo inteiro, a sua largura e o seu comprimento, a sua altura e profundidade, pois a Palavra de Deus ordena todas as coisas. E o filho de Deus nelas é crucificado estampado em tudo na forma de cruz”.
Nós fazemos o sinal da cruz, entrando assim no poder abençoado de Jesus Cristo, fazemos a cruz tanto em pessoas que queiramos abençoar como também em coisas que nos acompanham e que gostaríamos de receber sempre de novo das mãos de Jesus Cristo. Através da cruz, podemos ser abençoados uns para os outros.
As Posições
  • De Joelhos ( prostratio)
Há círculos com bastante influência que tentam dissuadir-nos de nos ajoelhar . A argumentação é a de esse ato não condizer com a nossa cultura ( aliás, com qual?) de não ser adequado para um pessoa reta e emancipada que encara Deus, ou então de não ser apropriado para uma pessoa que tenha sido salva e que, através de Cristo, se tornou uma pessoa livre, não necessitando, consequentemente, de ajoelhar-se. Olhando para a história, podemos constatar que tanto os gregos como os romanos rejeitavam a posição de joelhos.
Plutarco e Teófrasto caracterizavam a posição de joelhos como expressão de superstição.
Aristotenes designava-a como forma de comportamento bárbaro.
Santo Agostinho : “ A humildade de Cristo e o seu amor, que Ele levou até a cruz, libertaram-nos como ele diz- dessse domínios ( adoração ao dinheiro, egocentrismo ) e é perante essa humildade que nos ajoelhamos”.
Com efeito, a posição de joelhos dos cristãos não é nenhuma forma de inculturação de costumes existentes, mas sim a expressão da cultura cristã, capaz de transformar uma cultura existente devido a uma nova e mais profunda compreensão e experiência de Deus.
A origem da genuflexão não se encontra numa cultura qualquer- ela é proveniente da Bíblia e do conhecimento de Deus.
Na liturgia podemos distinguir três posições:
  • A prostrátio :que é prostrar-se no chão perante o poder imponente de Deus , depois, há o cair aos pés de alguém, e finalmente o ajoelhar-se.
Na liturgia da Igreja, a prostração surge em duas ocasiões: na Sexta-Feira Santa e nas ordenações. Na Sexta-Feira Santa, que é o dia da crucificação do Senhor, ela é a expressão adequada da nossa aflição, de que somos culpados pelos nossos pecados na morte de Cristo na cruz. Prostramos-nos no chão , participando na sua angústia, na sua descida para o abismo do desamparo e onde estamos: somos fracos e só Ele consegue pôr-nos em pé.
O gesto de cair aos pés ( Mc 1,40 ). Certamente não se trata efetivamente de um ato de adoração, mas sim de uma suplica expressa fisicamente e com fervor, que no fundo se faz sentir a confiança em um poder que excede o humano.
O gesto físico representa um sentido espiritual – precisamente da adoração. Sem o qual ele não teria sentido.
A posição de Joelhos é absurda enquanto mera exterioridade, mero ato físico, mas se alguém tentar reduzir a adoração ao âmbito espiritual, sem personificar, o ato de adoração apaga-se, porque na realidade, o espiritual por si só não corresponde à natureza do ser humano. A adoração é um dos aos fundamentais que dizem respeito ao homem inteiro, consequentemente, dobrar os joelhos perante a presença de Deus Vivo é irrenunciável.
No Antigo Testamento os joelhos eram símbolo de força a genuflexão significa rebaixar a nossa força perante Deus Vivo e reconhecer que tudo o que somos e temos promana Dele.
Os Atos dos Apóstolos falam da oração de São Pedro ( 9,40) de São Paulo ( 20,36) e de toda a comunidade cristã ( 21,5 ) em posição de joelhos. Lucas falou da Oração do Senhor no Getsémani em posição de joelhos. A posição de joelhos não é apenas um gesto cristão, mas também um gesto cristológico. Fl 26,11; Is 45,23.
O gesto humilde com que caímos aos pés de Jesus, insere-nos na verdadeira órbita do universo.
Narração da Igreja de Eusébio de Cesaréria – Hegesipp ( século II ) e narra Tiago, primeiro Bispo de Jerusalém – chefe da Igreja Judaico-cristã e que, segundo consta, adquiriu uma espécie de pele de camelo nos joelhos, por sempre ter estado de joelhos a adorar Deus e a pedir perdão pelo seu povo ou a narração das sentenças dos Padres do Deserto sobre o diabo, que foi obrigado por Deus a apresentar-se a um abade chamado Apolo – o diabo era preto, repugnante, tinha extremidades terrivelmente magras e, acima de tudo, não tinha joelhos. A incapacidade de se ajoelhar surge aqui como autentica natureza do diabólico.
A expressão utilizada por Lucas para a posição de joelhos dos cristãos ( theis ta gonata ) é desconhecida no grego clássico, trata-se portanto, de uma palavra especialmente cristã.
É possível que a posição de joelhos se tenha tornado estranha à cultura moderna – na medida em que esta última se tenha afastado da fé, não reconhecendo mais Aquele perante o qual o gesto correto e intrínseco é – estar de joelhos.
Quem aprende a ter fé, também aprende a ajoelhar-se, uma fé ou uma liturgia, que desconhecesse a genuflexão seria afetada num ponto central onde ela se perdeu, tem de ser reaprendida, para que a nossa oração permaneça na comunidade dos apóstolos, dos mártires, de todo o cosmos e em união com o próprio Jesus Cristo.
De pé e sentados
De pé é uma posição clássica de oração.
O cânone XX do Concílio de Nicéia prescreve aos cristãos ficarem em pé em vez de ajoelharem durante o tempo Pascal, que sendo tempo da vitória de Jesus Cristo é tempo de alegria, e a nossa posição também representa esta vitória pascal. Estar de pé é gesto de vitória. Jesus está de pé, pois venceu a morte eo poder do mal. Este estar de pé também manifesta disponibilidade.
Ao ouvir o Evangelho de pé expressamos o nosso respeito, a Palavra do Evangelho puxa-nos para cima. Ela exige tanto veneração como coragem, exige a vontade de partir, para que sua vocação seja cumprida e inserida tanto na nossa vida como no mundo inteiro.
Sentados: Ela foi introduzida recentemente, como conseqüência de uma compreensão particular que se pretendeu desprover essa parte da sagrada liturgia de qualquer caráter sacro, afim de considerarmos como um ato meramente pragmático. O corpo deve estar descontraído, a fim de serem possibilitados boa audição e compreensão.
Dança
A dança não é uma forma de expressão cristã . Já no Século III, os círculos dos céticos tentaram introduzi-la na liturgia. Eles consideravam a crucificação apenas uma aparência. Segundo eles, Cristo nunca abandonou o Corpo porque nunca chegou a encarnar antes da sua paixão, consequentemente a dança podia ocupar lugar na liturgia da cruz, tendo a cruz sido apenas uma aparência. As danças culturais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas – inovação, magia, analogia, êxtase místico, porém nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior da liturgia do Sacrifício da Palavra.
A liturgia só pode atrair pessoas olhando para Deus e não para ela própria. Até agora , nenhum rito cristão conheceu a dança.
Palmas
Sempre que aja aplausos pelos atos humanos na liturgia, é sinal de que a sua natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso.
Os gestos:
O gesto mais antigo da cristandade é o das mãos abertas que , como já vimos, é o gesto do orante. É o gesto mais primitivo do homem que clama a Deus, encontrando-se em quase todo mundo religioso. Ele é antes de tudo, uma expressão da não-violência, um gesto de paz; o homem abre as suas mãos, abrindo-se desta maneira ao outro. É também um gesto de procura e esperança. O homem faz o movimento de tentar tocar no Deus oculto, ele estende-se na direção dele.
Inclinar-se : quem se aproxima de Deus , deve ser capaz de olhar para cima, isso é essencial, nunca é antiquado inclinar-se perante Deus, pois isso corresponde à liberdade do nosso ser. E caso o homem moderno tenha se esquecido desse gesto, então cabe aos cristãos do mundo moderno não só repreendê-lo como também ensina-lo aos outros.
Bater com as mãos no peito: História do publicano ( Lc 18,9-14) gesto mediante o qual apontamos para nós mesmos como culpados.
O silêncio: Muito benéfico e adequado o silêncio após a sagrada comunhão, não há dúvida de que este mandamento é o momento certo para um diálogo interior - para comunicação conveniente com o Senhor, que nos ofereceu, Ele é a entrada no processo de comunicação, sem a qual a aceitação exterior do sacramento seria apenas um rito, tornando-se inútil.
Há outros momentos: quando os dons transubstanciados são erguidos Ele convida-nos a fixar os olhos em Cristo, olhando-o por dentro, num olhar que é gratidão, adoração e súplica pela nossa transformação simultânea.
O próprio missal, reformado em 1970 põe-nos na boca a aclamação do Senhor: “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!”. Quem participa da Eucaristia em fé e oração, deve sentir uma enorme comoção no momento em que o Senhor desce, transformando o pão e o vinho no Seu Corpo e no Seu Sangue. Perante esse acontecimento, não podemos fazer outra coisa senão saúda-lo de Joelhos.
Há duas orações, profundas e belas que antecedem a comunhão e que para que o silêncio não se prolongue demasiado foram postas à escolha.
Devido à saudação da paz, a qual , na atual seqüência causa agitação, de modo que o convite a olhar para o Cordeiro às vezes surge demasiadamente repentino. Se todos, em um momento de Silêncio, fixarem os olhos dos seus corações no Cordeiro, então esse tempo poderá tornar-se abençoado.
A veste litúrgica
A veste litúrgica usada pelo sacerdote, deve , em primeiro lugar, demonstrar que ele não se encontra lá em privado, mas que está em lugar de alguém- Cristo. Não é ele o importante, pois quem ele transmite é Cristo e não a sua própria pessoa.
A veste litúrgica indica para além do significado das vestes exteriores – ela é antecipação do vestido novo, do Corpo ressuscitado de Jesus Cristo, a caminho do novo que nos espera depois da destruição da tenda que será a nossa morada eterna.
Sinais e matéria
A liturgia católica é a liturgia do Verbo encarnado – personificado com vista a ressurreição.
Os sacramentos são atos sagrados que remetem para o próprio Cristo, no fundo são eles que constituem a liturgia cristã.
Elementos que entram na liturgia como transmissão da ação divina: água, azeite, pão de trigo, e o vinho. Lembremos-nos de que , dos quatro elementos do mundo antigo – água, ar, fogo e terra- os três primeiros são entendidos como alegóricos ao Espírito Santo, enquanto a terra representa o homem, que dela provém e à qual regressa.
A tradição da Igreja distingue um duplo sentido na água: a água salgada do mar como símbolo da morte, os egípcios morreram no Mar Vermelho. Contrariamente, a água corrente é a expressão da fonte de toda a vida e o autêntico símbolo da vida. Do lado perfurado de Jesus sai Sangue e Água, o Batismo e a Eucaristia nascem do coração transpassado de Jesus. Ele tornou-se fonte viva que nos torna vivos.
Aquele que é batizado torna-se a fonte .
O vinho torna alegre o coração do homem, o azeite que faz brilhar o rosto e o pão que robustece as forças.

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